Mulheres Psicólogas: Desafios na Conciliação Entre Papéis de Cuidadora e Profissional

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2025v16i98p16648-16659

Palavras-chave:

Mulheres, Psicólogas, Trabalho feminino

Resumo

Este artigo discute a sobrecarga de mulheres psicólogas à luz da teoria das estruturas de poder que delimitam a identidade sexual. Utilizou-se dados estatísticos do último Censo do Conselho Federal de Psicologia em diálogo com estudos sobre a feminização da profissão e o ideal de cuidado associado à prática clínica. A revisão dos dados revela a permanência de um perfil majoritariamente feminino, apesar do aumento da diversidade, e evidencia a precarização do trabalho, baixa remuneração e exposição a riscos ocupacionais. Tais fatores são associados à naturalização do cuidado como atributo feminino, reforçando desigualdades estruturais. O estudo aponta a necessidade de aprofundar a articulação entre gênero, cuidado e trabalho na Psicologia.

Biografia do Autor

Anne Emanuelle Cipriano, Doutoranda; Universidade de Brasília - UnB.

Psicóloga e supervisora clínica; Doutoranda do Programa de Pós-Graduação Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações (PPG-PSTO) na Universidade de Brasília. Mestra em Psicologia (UNIR), Mestra em Ciências das Religiões (UFPB), e graduada em Psicologia (UNIPÊ).

Paula Felix, Mestranda; Universidade de Brasília - UnB.

Psicologa; Pesquisadora; Mestranda do Programa de Psicologia Clínica e Cultura (PPG-PSiCC) da Universidade de Brasília, Pós-Graduada em Teorias Psicanalíticas pela UniCeub, graduada em Psicologia (IESB/DF).

Camilla Borgneth , Psicóloga; Centro Universitário de Brasília – Uni- CEUB.

 Graduada em psicologia pelo UniCeub, atuando como psicóloga clínica de mulheres adolescentes e adultas, pós-graduanda em Neuropsicologia pelo Instituto de Pós Graduação (IPOG).

Referências

Mead M. Sexo e Temperamento. São Paulo: Perspectiva; 2020.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2022. Plataforma SIDRA. IBGE; 2022.

Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C): Outras formas de trabalho [Internet]. Informativo IBGE; 2022 [citado 2025 mai 23]. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv102020_informativo.pdf

Marx K. O Capital. Crítica da economia política: o processo de produção do capital. São Paulo: Boitempo Editorial; 2015.

Badinter E. O amor conquistado - o amor materno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira; 1985.

Conselho Federal de Psicologia. Quem faz a psicologia brasileira?: um olhar sobre o presente para construir o futuro: formação e inserção no mundo do trabalho: volume 1. CFP; 2022.

Cunha R, Dimenstein M. Psicólogas(os) na Ciência: Como Estamos em 60 Anos de Profissão no Brasil. Psicol Ciênc Prof. 2022;42(n.spe):e262958. DOI: https://doi.org/10.1590/1982-3703003262958

Lhullier LA, organizadora. Quem é a psicóloga brasileira? Mulher, psicologia e trabalho [Internet]. Conselho Federal de Psicologia; 2013 [citado 2025 mai 23]. Disponível em: https://site.cfp.org.br/publicacao/quem-e-a-psicologa-brasileira

Conselho Federal de Psicologia. Quem é o psicólogo brasileiro? Brasília: CFP; 1988.

Souza L. O Trabalho das Psicólogas Clínicas: análise de uma intervenção a partir da Perspectiva Feminista e da Psicodinâmica no Trabalho Feminino [tese]. Brasília: Universidade de Brasília - UNB; 2025 (no prelo).

McCormarck HM, McIntyre TE. The Prevalence and Cause(s) of Burnout Among Applied Psychologists: A Systematic Review. Front Psychol. 2018;9:1897. DOI: https://doi.org/10.3389/fpsyg.2018.01897

Zanello V. Saúde mental, gênero e dispositivos: cultura e processos de subjetivação. Curitiba: Appris; 2018.

Mills LB, Huebner ES. A prospective study of personality characteristics, occupational stressors, and burnout among school psychology practitioners. J Sch Psychol. 1998;36:103-20. DOI: https://doi.org/10.1016/S0022-4405(97)00053-8

Ackerley GD, Burnell J, Holder DC, Kurdek LA. Burnout among licensed psychologists. Prof Psychol Res Pract. 1988;19(6):624-31. DOI: https://doi.org/10.1037//0735-7028.19.6.624

Carlotto MS, Rodriguez SY. Preditores da Síndrome de Burnout em psicólogos. Estud Psicol (Campinas). 2017;34(1). DOI: https://doi.org/10.1590/1982-02752017000100014

Maslach C, Leiter MP. An organizational approach to healing burnout. Stanf Soc Innov Rev. 2005;3(4):46.

Figley CR. Compassion fatigue: psychotherapists’ chronic lack of self care. J Clin Psychol. 2002;58(11):1433-41. DOI: https://doi.org/10.1002/jclp.10090

Canfield J. Secondary Traumatization, Burnout, and Vicarious Traumatization: A Review of the Literature as It Relates to Therapists Who Treat Trauma. Smith Coll Stud Soc Work. 2005;75(2):81-101. DOI: https://doi.org/10.1300/J497v75n02_06

Dunkley J, Whelan TA. Vicarious traumatisation: Current status and future directions. Br J Guid Couns. 2006;34(1):107-16. DOI: https://doi.org/10.1080/03069880500483166

Butler J. Problemas de gênero. Feminismo e subversão da identidade. 4ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira; 2012.

Federici S. Calibã e a bruxa: mulheres, corpo e acumulação primitiva. 2ª ed. São Paulo: Editora Elefante; 2023.

Louro GL. Gênero, sexualidade e educação: Uma perspectiva pós estruturalista. Petrópolis: Vozes; 1997.

Machado R. Por uma genealogia do poder. Introdução. In: Foucault M. Microfísica do poder. 11ª ed. Rio de Janeiro: Graal; 1993.

Basaglia F. Mujer, locura y sociedad. México: Universidad Autonoma de Puebla; 1983.

Publicado

2025-07-28

Como Citar

Cipriano, A. E., Ferreira, P. F., & Borgneth , C. S. (2025). Mulheres Psicólogas: Desafios na Conciliação Entre Papéis de Cuidadora e Profissional. Saúde Coletiva (Barueri), 16(98), 16648–16659. https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2025v16i98p16648-16659

Edição

Seção

Revisão de Literatura