Monitoramento dos indicadores de desempenho na atenção primária: uma análise em todas as regiões do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v17i106p19464-19485Palabras clave:
Financiamento dos Sistemas de Saúde, Atenção Primária à Saúde, Política, Planejamento e Gestão em SaúdeResumen
Objetivo: Analisar os indicadores de desempenho da Atenção Primária à Saúde (APS). Método: Comparou-se dados dos períodos pré-implantação (2018–2019) e pós-implantação (2021–2022) do Programa Previne Brasil (PPB), avaliando os efeitos sobre os desfechos de saúde. A análise abrangeu as regiões brasileiras. Resultados: Houve aumento dos indicadores na APS em todas as regiões, como consultas de pré-natal (até +149,6% no Sudeste), testagem para sífilis/HIV (até +219,0%), atendimento odontológico a gestantes (até +213,2%), acompanhamento de hipertensos (até +927,4%) e diabéticos (até +490,4%), porém não se traduziram em melhores desfechos, aumentando o baixo peso ao nascer (até +9,6%) e a prematuridade (até +7,2%), enquanto houve queda na sífilis congênita (até −57,0%), na AIDS em menores de um ano (até −61,5%) e na morbidade por doenças circulatórias e diabetes. Conclusão: O PPB funcionou como catalisador e que, apesar dos avanços no acesso, permanecem desafios relacionados a condições preveníveis.
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