La Duda como Estrategia: Médicos para la Vida, Autonomía Médica y la Concurso al Consenso Científico
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2015v15i95p15442-15457Palabras clave:
Médicos por la Vida, Pandemia de la Covid-19, Consenso científico, Poder-saber, Autonomía médicaResumen
El objetivo de este artículo es mapear el discurso de Médicos Pela Vida, un grupo de médicos que se unieron en defensa del uso de cloroquina y el “tratamiento temprano” como cura y profilaxis del Covid-19. Buscamos identificar qué discursos sobre el tratamiento o cura del Covid-19 están en disputa y cómo se apropian de ciertos conocimientos. Se utilizó el Análisis del Discurso Orientado Textualmente, propuesto por Fairclough (2001) basado en conceptos foucaultianos. El grupo utilizó la duda como estrategia discursiva para desafiar el consenso científico, aprovechando la autonomía médica y enfatizando las incertidumbres científicas para mantener la apariencia de un debate abierto. El caso ilustra cómo la disputa por conocimiento-poder puede reconfigurar el conocimiento en escenarios de crisis y desinformación.
Citas
Saber-poder é apropriado de Foucault (1996), que fala sobre as disputas em torno daquilo que é aceito ou não como verdadeiro e do papel econômico-político que desempenha. Para Foucault não é possível conceber uma verdade fora da dimensão do poder, pois a própria verdade implica poder. O poder produz saber, poder e saber estão diretamente implicados; não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relação de poder. Sendo assim, é impossível sustentar um discurso verdadeiro sem um exercício concomitante de poder.
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Brasília: Editora Universidade de
Brasília; 2001.
Bauer e Gaskell propõem uma maneira de construir um corpus em pesquisa de abordagem qualitativa nas Ciências Sociais. O que compõe o corpus pode ser diverso entre si, oferecendo multiplicidade de informações. Os passos principais para construção de um corpus de pesquisa, seriam: selecionar preliminarmente, analisar essa variedade e ampliar o corpus de dados até que não se descubra mais variedade”.
BAUER, Martin; GASKELL, George. Pesquisa qualitativa com texto, imagem e som: um manual prático. Petrópolis: Vozes; 2008.
FOUCAULT, M. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad., Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola; 1996.
MÉDICOS PELA VIDA. Quem somos. Disponível em: https://medicospelavidacovid19.com.br/quem-somos/. Acesso em: 8 jun. 2023.
MÉDICOS PELA VIDA. Manifesto dos Médicos pela Vida. Disponível em: https://medicospelavidacovid19.com.br/manifesto/index.php?manifesto=2. Acesso em: 8 jun. 2023.
Os textos do MPV no geral, são compostos por certa sintaxe científica, que se utiliza de termos e expressões científicas e faz referência aos fatos, embora estes não sejam citados. Um artigo publicado em 2022 faz uma análise das informações acadêmicas e profissionais dos MPV. A análise baseia-se na lista de 276 profissionais médicos catalogados no site dos MPV e em informações acadêmicas e profissionais coletadas nos sites do Conselho Federal de Medicina e da Plataforma Lattes, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. A análise do conteúdo aponta para a centralidade das especialidades da Homeopatia e Acupuntura na população de MPV quando comparada ao conjunto dos especialistas do Brasil. A adesão significativa de homeopatas e acupunturistas ao movimento dos MPV pode iluminar a compreensão sobre racionalidades médicas específicas, permitindo distinguir quais categorias e ideias acerca dos processos de saúde e doença estão em disputa.
FERRARI, IW et al. “Tratamento precoce”, antivacinação e negacionismo: quem são os Médicos pela Vida no contexto da pandemia de COVID-19 no Brasil? Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, n. 11, 2022. [citado em 8 de junho de 2023] Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-812320222711.09282022. DOI: https://doi.org/10.1590/1413-812320222711.09282022
CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. Parecer CFM nº 4/2020 - 14 de abril de 2020. Disponível em: https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-divulga-posicionamento-sobrecampanha-de-vacinacao-contra-covid-19/. Acesso em: 18 out. 2022.
O livro Mercadores da Dúvida de Naomi Oreskes e Erik Conway (2010) descreve como um grupo de cientistas e defensores de interesses econômicos e políticos semearam incertezas sobre questões científicas amplamente aceitas, como o tabagismo e as mudanças Eles não negaram diretamente a ciência, mas criaram uma aparência de controvérsia ao destacar incertezas e limitações da pesquisa, alimentando a ideia de que havia um debate legítimo. Esses "mercadores da dúvida" eram financiados por corporações com interesses próprios. Ao usar cientistas respeitados e manipular a imagem pública da ciência, dificultavam a percepção do consenso científico.
ORESKES, N; CONWAY, E. Merchants of Doubt: How a Handful of Scientists Obscured the Truth on Issues from Tobacco Smoke to Global Warming. New York: Bloomsbury Press; 2010.
EL PAÍS BRASIL. Bolsonaro amplia uso da cloroquina admitindo que pode não ter eficácia e trazer efeitos colaterais graves. Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2020-05-20/bolsonaro-amplia-uso-da-cloroquina-admitindo-que-pode-nao-ter-eficacia-e-trazer-efeitos-colaterais-graves.html Acesso em: 18 out. 2022.
FLECK, L. Gênese e desenvolvimento de um fato científico. Trad., Georg Otte, Mariana Camilo de Oliveira. Belo Horizonte: Fabrefactum; 2010.
BOUDON, R. A Sociologia como ciência. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes; 2016.








