PALAVRAS QUE FEREM E PALAVRAS QUE CURAM: UMA EXPERIÊNCIA COM DITADOS POPULARES NA ATENÇÃO PRIMÁRIA
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v17i106p19486-19495Palavras-chave:
Atenção primária à saúde;, Saúde da mulher, Determinantes sociais da saúde, Educação em saúde, Saúde de gêneroResumo
Este artigo apresenta um relato de experiência sobre a criação e desenvolvimento do grupo de convivência “Mulher: Para Além do Corpo”, realizado em uma Clínica da Família na zona norte do Rio de Janeiro. A iniciativa teve como objetivo problematizar determinantes sociais de gênero e seus impactos na saúde das mulheres, a partir de diagnóstico situacional que identificou sofrimento mental associado à sobrecarga feminina. Trata-se de grupo aberto, de participação espontânea, conduzido por médica residente de Medicina de Família e Comunidade, fundamentado na educação popular em saúde, com encontros quinzenais. No encontro analisado, utilizaram-se ditados populares machistas como disparadores do debate coletivo. Participaram sete mulheres, favorecendo trocas intergeracionais. As discussões evidenciaram invisibilização do trabalho doméstico, culpabilização da vítima e desvalorização profissional, ao mesmo tempo em que fortaleceram vínculos, autonomia e redes de apoio.
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