Mulheres na Atenção Primária: Reflexões Sobre Escolaridade e Raça na Determinação Social de Transtornos Mentais
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2025v16i102p18022-18037Palavras-chave:
Transtornos Mentais, Mulheres, Determinação Social da Saúde, Atenção PrimáriaResumo
Objetivo: Analisar o perfil sociodemográfico de mulheres com diagnósticos psiquiátricos na atenção primária e associação com indicadores sociais. Método: Estudo epidemiológico transversal com dados secundários de 13.555 mulheres cadastradas em uma unidade básica de um município da região metropolitana de Curitiba-PR. Resultado: A prevalência de transtornos mentais foi de 14,10%: transtornos de humor (47,72%) e ansiosos (46,90%). Mulheres brancas apresentaram prevalência 20% maior (OR=1,20; IC95%: 1,05–1,36). Frequentar escola pública associou-se a risco duas vezes maior comparado à privada (OR=2,16; IC95%: 1,32–3,51). Analfabetismo aumentou o risco em 65% (OR=1,66; IC95%: 1,13–2,44). Conclusão: Os resultados evidenciam processos de determinação social do adoecimento mental feminino, que interseccionam raça, classe e escolaridade, indicando necessidade de políticas públicas intersetoriais e abordagem integral na atenção primária.
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