Contribuições da Terapia Ocupacional na Funcionalidade e Qualidade de Vida em Adultos com Dor Crônica

Autores

DOI:

https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v17i109p20274-20289

Palavras-chave:

Dor crônica, Terapia Ocupacional, Qualidade de vida, Atenção Primária à Saúde, Desempenho funcional

Resumo

Objetivo: Analisar os impactos da dor crônica na qualidade de vida e no desempenho ocupacional de adultos na Atenção Primária à Saúde, bem como as contribuições da Terapia Ocupacional. Método: Revisão integrativa da literatura, realizada nas bases PubMed, SciELO e Biblioteca Virtual em Saúde, no período de 2020 a 2025, com inclusão de 31 estudos empíricos em português, inglês e espanhol. Excluíram-se relatos de caso, duplicatas e publicações fora do recorte temporal. Resultados: A dor crônica associa-se ao sofrimento psíquico, ansiedade e depressão, com repercussões na ruptura de papéis ocupacionais e restrição da participação social. A Terapia Ocupacional favorece a ressignificação do cotidiano, o gerenciamento da dor, autonomia, participação e adesão terapêutica. Conclusão: A Terapia Ocupacional tem papel fundamental na Atenção Primária à Saúde, ao promover intervenções voltadas à funcionalidade, autonomia e participação, contribuindo para o cuidado integral e a melhoria da qualidade de vida de pessoas com dor crônica. 

Biografia do Autor

Nicole Ramalho, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP)

Terapeuta Ocupacional graduada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP) e pós-graduanda em Saúde Mental. Possui trajetória em reabilitação funcional e promoção da saúde em diversos níveis de complexidade, com experiência em Saúde do Trabalhador, Neurologia, Gerontologia e Ortopedia.

Atualmente, integra a equipe de um Centro de Referência em Dor Crônica (SUS), onde atua na avaliação e intervenção centradas no desempenho ocupacional, funcionalidade e qualidade de vida de pacientes com condições crônicas. Sua prática e pesquisa focam na intersecção entre reabilitação física e aspectos psicossociais, utilizando abordagens de tecnologia assistiva, adaptação ambiental e gerenciamento ocupacional, implementando estratégias adaptativas e compensatórias que otimizam o desempenho funcional, promovendo a autonomia e o engajamento em atividades específicas. Dedica-se ao estudo dos impactos de condições limitantes e crônicas na vida diária, com ênfase na população idosa e na saúde mental aplicada à Terapia Ocupacional.

Bárbara Depole, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (UNESP) em todas as versões.

Bárbara de Fátima Depole é terapeuta ocupacional desde 2013, pós-graduada em Saúde Mental pela FACIS e doutora em Terapia Ocupacional pela UFSCar. É docente da UNESP (campus Marília) e colaboradora no PPGGC/UFSCar. Possui experiência no contexto hospitalar, com atuação voltada à integralidade do cuidado e às práticas interprofissionais. Coordena projetos de extensão com populações em situação de vulnerabilidade, incluindo pessoas em situação de rua e a população trans e travesti. Desenvolve pesquisas nas áreas de saúde coletiva, direitos humanos e políticas públicas, com ênfase em determinantes sociais da saúde, interseccionalidades e cuidado à população LGBTQIA+. É autora de livro e de publicações voltadas à clínica ampliada e ao cuidado no SUS e na assistência social.

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Publicado

2026-06-19

Como Citar

Colin Ramalho, N., & Depole, B. de F. (2026). Contribuições da Terapia Ocupacional na Funcionalidade e Qualidade de Vida em Adultos com Dor Crônica. Saúde Coletiva (Barueri), 17(109), 20274–20289. https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2026v17i109p20274-20289

Edição

Seção

Revisão Integrativa