O Impacto da Violência Obstétrica na Saúde da Mulher: Aspectos Emocionais e a Atuação da Enfermagem na Assistência Integral
DOI:
https://doi.org/10.36489/saudecoletiva.2025v15i97p16066-16083Palavras-chave:
Violência obstétrica, Saúde da mulher, Saúde mental, Enfermagem obstétrica, Assistência humanizadaResumo
A violência obstétrica representa uma grave violação dos direitos humanos das mulheres, caracterizada por práticas abusivas, desrespeitosas ou negligentes durante o ciclo gravídico-puerperal. Este estudo teve como objetivo analisar os impactos da violência obstétrica na saúde da mulher, com ênfase nos danos emocionais e psicológicos gerados por essas experiências e no papel da enfermagem na promoção de uma assistência obstétrica humanizada. Trata-se de uma revisão bibliográfica desenvolvida por meio de buscas nas bases SciELO, LILACS, PubMed e Google Scholar, utilizando descritores como “violência obstétrica”, “saúde da mulher”, “saúde mental” e “assistência humanizada”, com foco em publicações dos últimos cinco anos. Os resultados apontam que a violência obstétrica ainda é recorrente no Brasil, especialmente entre mulheres negras, jovens e de baixa renda, revelando um cenário de desigualdade e vulnerabilidade. As consequências vão além dos danos físicos, atingindo a esfera emocional e podendo desencadear transtornos como depressão pós-parto, ansiedade e estresse pós-traumático, além de prejudicar o vínculo materno-infantil. Evidenciou-se também a importância da atuação do enfermeiro obstetra, que tem papel fundamental na prevenção da violência, por meio da escuta qualificada, respeito à autonomia da mulher e promoção de práticas humanizadas. Conclui-se que é necessário fortalecer políticas públicas, capacitação profissional contínua e o incentivo a estudos sobre o tema, visando à erradicação dessa forma de violência e à consolidação de uma atenção obstétrica baseada no respeito, na equidade e na dignidade da mulher
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