Evidências científicas relacionadas à caracterização sociodemográfica e clínicas dos pacientes oncológicos: uma revisão integrativa

Scientific evidence related to the sociodemographic and clinical characterization of cancer patients: an integrative review

Evidencia científica relacionada con las características sociodemográficas y clínicas de los pacientes con cáncer: una revisión integradora.

RESUMO

Objetivo: Analisar as evidências científicas que abordam a caracterização sociodemográfica e clínica de pacientes oncológicos. Método: Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada nas bases de dados SCIELO e BDENF. Foram incluídos artigos publicados no período de 2018 a 2023, disponíveis na íntegra. A estratégia de busca foi elaborada a partir do acrônimo PICo. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, os dados foram extraídos por meio de instrumento validado. Resultados: Foram identificados 26.312 artigos, dos quais 1.242 foram selecionados para leitura dos resumos e 33 para leitura na íntegra, resultando em 28 artigos elegíveis para o estudo. A amostra final foi composta por 28 estudos. Conclusão: Compreender as características desses pacientes é essencial para a atuação da equipe multiprofissional, favorecendo o planejamento de ações mais efetivas e adequadas. Esse conhecimento pode subsidiar a implementação de estratégias de promoção da saúde, prevenção de agravos, diagnóstico precoce, educação em saúde e tratamento oportuno, contribuindo para uma atenção integral ao indivíduo.

DESCRITORES: Câncer; Oncologia; Neoplasias; Perfil Sociodemográfico; Saúde pública.

ABSTRACT

Objective: To analyze the scientific evidence addressing the sociodemographic and clinical characterization of cancer patients. Method: This is an integrative literature review, conducted in the SCIELO and BDENF databases. Articles published between 2018 and 2023, available in full text, were included. The search strategy was developed using the PICo acronym. After applying the eligibility criteria, data were extracted using a validated instrument. Results: 26,312 articles were identified, of which 1,242 were selected for abstract reading and 33 for full text reading, resulting in 28 eligible articles for the study. The final sample consisted of 28 studies. Conclusion: Understanding the characteristics of these patients is essential for the work of the multidisciplinary team, favoring the planning of more effective and appropriate actions. This knowledge can support the implementation of strategies for health promotion, disease prevention, early diagnosis, health education, and timely treatment, contributing to comprehensive care for the individual.

DESCRIPTORS: Cancer; Oncology; Neoplasms; Sociodemographic Profile; Public Health.

RESUMEN:

Objetivo: Analizar la evidencia científica sobre la caracterización sociodemográfica y clínica de pacientes con cáncer. Método: Se realizó una revisión bibliográfica integradora en las bases de datos SCIELO y BDENF. Se incluyeron artículos publicados entre 2018 y 2023, disponibles en texto completo. La estrategia de búsqueda se desarrolló utilizando el acrónimo PICo. Tras aplicar los criterios de elegibilidad, se extrajeron los datos mediante un instrumento validado. Resultados: Se identificaron 26.312 artículos, de los cuales 1.242 se seleccionaron para la lectura del resumen y 33 para la lectura del texto completo, resultando en 28 artículos elegibles para el estudio. La muestra final consistió en 28 estudios. Conclusión: Comprender las características de estos pacientes es fundamental para el trabajo del equipo multidisciplinario, favoreciendo la planificación de acciones más efectivas y apropiadas. Este conocimiento puede respaldar la implementación de estrategias de promoción de la salud, prevención de enfermedades, diagnóstico precoz, educación para la salud y tratamiento oportuno, contribuyendo a una atención integral del individuo.

DESCRIPTORES: Cáncer; Oncología; Neoplasias; Perfil sociodemográfico; Salud pública.

INTRODUÇÃO

As estimativas nacionais apontam maiores taxas de morbimortalidade no sexo masculino, especialmente na faixa etária de 20 a 59 anos, quando comparado ao sexo feminino da mesma idade. Esse cenário evidencia desafios relacionados à prevenção e à promoção da saúde, contribuindo para a identificação insuficiente de vulnerabilidades e necessidades dessa população.1

No biênio 2018–2019, estimou-se um aumento na incidência, mortalidade e morbidade da população oncológica, evidenciando a importância da avaliação do perfil epidemiológico desses pacientes. Tal conhecimento subsidia investimentos em pesquisas e no desenvolvimento de ações de promoção da saúde, prevenção e assistência oncológica.2

A importância de identificar as características sociodemográficas e clínicas está relacionada a realização de um planejamento de ações que sejam mais afirmativas no tocante a assistência direcionada de forma individualizada como também, formular políticas públicas para evitar o diagnóstico tardio, tratamento adequado em tempo hábil o que contribui no seu prognóstico e melhora seu bem-estar.3

No cenário atual, marcado pela reorganização demográfica global e pelo processo de envelhecimento populacional, observam-se mudanças no perfil epidemiológico e na distribuição dos principais tipos de câncer. O estudo da epidemiologia da doença nas diferentes regiões brasileiras torna-se fundamental para a compreensão de sua natureza multifatorial, considerando a variabilidade dos fatores de risco e das condições socioeconômicas que influenciam o perfil epidemiológico de cada região do país.3

O câncer é uma das principais doenças que  causam o maior número de óbitos no mundo. Espera-se para o para o triênio vigente, um aumento no número de diagnósticos, com estimativa superior a 20 milhões de novos casos, caso não haja estratégias de controle, como ações de saúde e políticas públicas.4

Muitos tipos de câncer podem ser prevenidos ou ter sua morbimortalidade reduzida por meio de ações preventivas e do diagnóstico precoce. Entretanto, o câncer ainda representa um importante desafio para a saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento, que apresentam maiores taxas de mortalidade quando comparados aos países desenvolvidos, em decorrência das limitações no acesso aos serviços de saúde e ao diagnóstico oportuno. Diante deste cenário, informações sobre o perfil epidemiológico, clínico e assistencial dos pacientes oncológicos são fundamentais para subsidiar a gestão em saúde e a formulação de intervenções direcionadas às necessidades da população.4

Mediante ao exposto, o  presente  estudo  tem  como  objetivo analisar as evidências científicas que abordam a caracterização sociodemográfica e clínica de pacientes oncológicos.

MÉTODO 

Trata-se de um estudo descritivo, desenvolvido através de uma Revisão Integrativa da Literatura, método que possibilita a organização sistemática e analítica através da síntese do conhecimento produzido a partir dos resultados dos estudos encontrados.5 Na primeira fase, foi criada a pergunta norteadora do estudo baseada na estratégia PICO para condução da escrita científica.6 Diante disso, considerou que o P: pacientes oncológicos; I: caracterizar os pacientes de forma sociodemográfica e clínica; C: comparação de caracterização de outras localidades; O: auxiliar na prevenção e nos cuidados necessários para minimizar as chances de ter um câncer com o diagnóstico e tratamento precoce (Quadro 1). Conforme o desenvolvimento do PICO foi elaborada a pergunta de pesquisa: Quais são as evidências  científicas relacionadas à caracterização sociodemográfica e clínica dos pacientes oncológicos?

Quadro 1 - Estratégia PICO para formulação de pergunta de revisão integrativa, Cáceres, Mato-Grosso, Brasil (2023).

Acrônimo

Definição

Descrição

P

População, paciente ou problema

Pacientes oncológicos.

I

Intervenção ou indicador

Caracterizar os pacientes de forma sociodemográfica e clínica.

C

Comparação ou controle

Comparação de caracterização de outras localidades.

O

Outcomes (Desfecho ou resultado)

Auxiliar na prevenção e nos cuidados necessários para minimizar as chances de ter um câncer com o diagnóstico e tratamento precoce.

Na segunda etapa, foi organizada a estratégia de busca por dois revisores independentes, utilizando-se os descritores câncer, fatores sociodemográficos e pacientes, nas bases de dados Scientific Electronic Library Online (SCIELO) e Base de Dados em Enfermagem (BDENF). Destaca-se que os operadores booleanos “AND” e “OR” foram aplicados para o cruzamento entre os descritores. A estratégia utilizada em ambas as bases de dados foi: Câncer AND “Fatores Sociodemográficos” OR pacientes.

Na terceira etapa, a pesquisa foi afunilada por meio dos critérios de inclusão: artigos publicados online, disponíveis na íntegra e gratuitamente, no período de 2018 a 2023, nos idiomas português e inglês.

Na quarta etapa, foram rigorosamente analisados os títulos e resumos, sendo excluídos os artigos pagos, duplicados, teses, dissertações, estudos de revisão e pesquisas que não apresentavam dados relacionados à pergunta de pesquisa.

A extração das informações pertinentes ao estudo foi realizada por dois revisores independentes e, em caso de discordância durante a análise dos dados, utilizou-se como referência o artigo na íntegra.    

 O artigo de revisão integrativa foi registrado na plataforma Open Science Framework (OSF), com o objetivo de promover maior transparência na pesquisa científica e minimizar a duplicidade de revisões, evitando a reprodução de estudos semelhantes por outros pesquisadores.⁷ Dessa forma, esta revisão integrativa da literatura foi registrada sob o número 10.17605/OSF.IO/XGBP8.

RESULTADOS  

A busca nas bases de dados resultou na identificação de 26.312 estudos, sendo 22.684 provenientes da SCIELO e 3.628 da BDENF. Após a aplicação da estratégia de seleção, 1.242 artigos foram selecionados para leitura dos resumos, dos quais 1.209 foram excluídos. Em seguida, 33 estudos foram selecionados para leitura na íntegra, com exclusão de 5 artigos por não atenderem aos critérios de elegibilidade. Dessa forma, 28 artigos completos foram avaliados e incluídos na síntese desta revisão integrativa.

 Apresenta-se, na Figura 1, o fluxograma de seleção dos estudos obtidos a partir da estratégia de busca nas bases de dados, conforme o modelo PRISMA.⁸

Figura 1 -  Fluxograma  dos  estudos  selecionados  segundo  o  Preferred  Reporting Items for Systematic Reviews and Meta- Analyses (PRISMA). Cáceres, MT, Brasil, 2026.

 

Fonte: autoria própria.

 

Dessa forma, no Quadro 2, são apresentados os 28 artigos incluídos nesta revisão integrativa. Os estudos foram interpretados, comparados e sintetizados, permitindo a análise das evidências relacionadas às características sociodemográficas e clínicas de pacientes oncológicos.⁸

Quadro  2 -– Síntese dos artigos incluídos na revisão integrativa. Cáceres, MT, Brasil, 2026.

Periódico

Autores e ano de publicação

Título

Delineamento

Resultados

Nível de Evidência

Cogitare Enfermagem

(Silva et al., 2019) 9

Perfil Sociodemográfico e Clínico de Mulheres com Câncer no Trato Genital Submetidas à Radioterapia.

Estudo ecológico.

Os resultados demonstraram maior incidência nas faixas etárias de 40–49 anos (23,18%) e 50–59 anos (22,84%), com média de idade de 51,53 anos. Predominaram mulheres com ensino fundamental, brancas e casadas. A neoplasia mais prevalente foi o câncer do colo do útero (78,97%), com maior taxa de prevalência entre 60 e 69 anos.

IV

Online brazilian journal of nursing

 (Faria et al., 2020) 10

Perfil sociodemográfico e clínico de pacientes oncológicos que procuraram o serviço de pronto atendimento de um hospital público geral: estudo descritivo.

Estudo descritivo, transversal, quantitativo.

Foram identificados 44 pacientes oncológicos, com predominância do sexo masculino, raça parda, média de idade de 61,4 anos, casados/união estável, católicos, com ensino fundamental e sem atuação profissional. Os cânceres mais prevalentes foram os geniturinários e hematológicos, seguidos pelos cânceres de pulmão e gastrointestinais.

IV

Av Enferm

(Paiva et al., 2020) 4

Perfil dos atendimentos oncológicos de uma macrorregião de saúde brasileira.

Estudo de abordagem quantitativa, exploratório, transversal e descritivo.

O estudo identificou 54.206 atendimentos oncológicos, com predominância do sexo masculino, indivíduos de 60 a 79 anos, cor branca, ensino fundamental incompleto e estado civil casado. As neoplasias de pele foram as mais frequentes, seguidas pelos cânceres dos órgãos genitais masculinos.

IV

Revista de Enfermagem e Atenção à Saúde

(Oliveira, Gomes, Silva, 2021) 11

Perfil de pacientes atendidas em ambulatório de oncologia de um hospital público de ensino.

Estudo documental, retrospectivo, descritivo, abordagem quantitativa.

O estudo analisou 89 mulheres, com predominância da faixa etária entre 18 e 59 anos. Os cânceres mais frequentes foram o de mama, seguido do câncer do colo do útero, além da identificação de casos raros de câncer de vulva. A idade das participantes variou de 17 a 87 anos.

IV

Revista de Enfermagem UFPE On Line

(Raimundo et al., 2019) 12

Manifestações clínicas e sociodemográficas em trabalhadores com câncer bucal.

Estudo quantitativo, descritivo, seccional utilizando dados secundários.

Detalha-se no estudo que, dos 36 clientes, a média de idade foi de 65 anos, sendo a mínima de 41 e a máxima 89 anos, a maioria tinha a faixa etária de 61 a 70 anos. A maioria dos clientes (n = 31) era do sexo masculino (83,3%). A predominancia foi morador de zona urbana, 28 do sexo masculino e 5 feminino. Já na zona rural predominou o sexo feminino com 6, e masculino com 2.

IV

Revista CuidArte Enfermagem

(Dalloulf  et al., 2020) 3

Epidemiologia do câncer no sistema de saúde pública de Catanduva, São Paulo, Brasil.

Estudo observacional retrospectivo.

O estudo demonstrou incidência semelhante entre homens e mulheres no período de 2012 a 2015, com maior ocorrência de melanoma maligno em homens acima de 40 anos. Os cânceres mais incidentes foram mama, colorretal e próstata, destacando-se, entre as mulheres, os cânceres de tireoide e mama, e entre os homens, os de boca/faringe, esôfago, laringe e bexiga. De modo geral, os tipos mais prevalentes foram mama, próstata, colorretal, estômago, boca/faringe e corpo do útero.

IV

Revista Enfermagem em Foco

(Souza et al., 2020) 2

Doença oncológica: perfil epidemiológico em unidade de referencia na amazônia.

Estudo transversal com abordagem quantitativa, descritiva e documental.

No estudo houve predominío do sexo feminino 55% (177). Faixa etária entre 60 – 69 anos 21% (68). A maioria eram casados e/ou união estável) com 56% (178). Com ensino fundamental incompleto 40% (129). Sem ocupação fixa 58% (186). A procedência: Outros 37% (118). O câncer de colo uterino (33%) foi predominante no sexo feminino, e o de próstata (30%) no sexo masculino.

IV

Cogitare Enfermagem

(Olario et al., 2018) 13

Desospitalização em cuidado paliativos: perfil dos usuários de uma unidade no Rio de Janeiro/ Brasil.

Estudo descritivo e retrospectivo, com base no método de investigação quantitativa.

A amostra do estudo constitui-se de 655 pessoas em cuidados paliativos, cadastradas. A amostra é constituída por 330 (50,4%) usuários do sexo feminino, e o sexo masculino por 325 (49,6%), o que não é relevante estatisticamente. Com relação à faixa etária predominante, esta é composta por pessoas acima de 60 anos em 493 usuários (75,3%). Com relação à tipologia dos diagnósticos, a maioria tem câncer, 406 (61,9%), com predominância no câncer de próstata, 117 (17,9%), seguido pelo câncer de mama presente em 98 (15%) dos casos.

IV

Ciência, Cuidado e Saúde

(Moura et al., 2021) 1

Caracterização sociodemográfica e clínica de homens com câncer de próstata: subsídios para cuidados de enfermagem.

Estudo transversal, descritivo, de abordagem quantitativa.

Observou-se no estudo que dos 55 participantes, predominaram homens na faixa etária de 70 a 79 anos 25 (45,45%); brancos 25 (45,45%); casados 35 (63,64%); com ensino fundamental incompleto 30 (54,55%); de crença católica 41 (74,55%); residentes de zona urbana 48 (87,27%); aposentados 44 (80%).

IV

Revista de Enfermagem do Centro-Oeste Mineiro

(Moreira et al., 2020) 14

Caracterização de pacientes sob cuidados paliativos submetidos à punção venosa periférica e à hipodermóclise.

Estudo observacional, de caráter descritivo e com seguimento prospectivo.

A amostra foi composta predominantemente por indivíduos do sexo masculino, com média de idade de 66,56 anos, casados/união consensual e baixa escolaridade. Os diagnósticos mais frequentes foram câncer de pulmão, colorretal e de mama, enquanto as metástases mais prevalentes foram hepática, pulmonar e óssea.

IV

Rev Enferm Health Care

(Cabral et al., 2020) 15

Caracterização clínica dos pacientes idosos atendidos em uma unidade oncológica de Minas Gerais.

Estudo descritivo, exploratório, quantitativo.

Ao total participaram do estudo 3666 indivíduos, sendo homens (59,87%) e mulheres (40,61%). Com maior predo-minância do câncer de próstata 824 (37,85%), seguido de outros 601 (27,60) no sexo masculino. No sexo feminino houve prevalência de outros 531 (35,66%), seguido de câncer de pele e face 299 (20,0).

IV

Online Brazilian Journal of Nursing

(Sardinha et al., 2021) 16

Association between demographic variables and cervical cancer staging in elderly women: a retrospective study.

Estudo observacional, retrospectivo e analítico.

Foram identificadas a faixa etária de 65 a 70 anos foi mais prevalente na população total (n=167; 30,2%). Na raça o mais prevalente foi a parda 255 (46,1%). A instrução prevaleceu fundamental incompleto 236 (42,7%). No estado conjugal foi mais prevalente casado com 252 (45,6%). Na variável ocupação as idosas lavradoras foram as mais frequentes.

IV

Revista Cubana de Enfermería

(Cunha et al., 2020) 17

Associação entre variáveis clínicas e demográficas de pacientes internados em unidade de terapia intensiva oncológica e a carga de trabalho de enfermagem.

Estudo de Coorte prospectiva.

O estudo foi composto por 55 pacientes admitidos na UTI. Os dados mostram proporção seme-lhante entre pacientes do sexo masculino (49,09 %) e feminino (50,91 %).Observa-se o predomínio de pacientes com neoplasias abdominais (29,09 %), seguidos por (18,18 %) de pacientes com câncer neurológico e (14,55 %) da oncologia clínica. A idade máxima foi de 80 anos, a idade mínima de 18 anos e a média de 55,10 anos.

IV

Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

(Rocha et al., 2019) 18

Análise comparativa do perfil histopatológico e epidemiológico dos carcinomas ductal e lobular da mama diagnosticados no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná entre 2008 e 2013.

Estudo retrospectivo e analítico.

Foi identificado que os casos de carcinoma da mama dos tipos ductal, especial ou lobular. Em sua quase totalidade (354 casos), os carcinomas de mama foram observados em indivíduos do sexo feminino (99,1%) com idade superior a 50 anos 240 (67,2%). E com idade inferior a 50 anos 117 (32,7%). No sexo masculino foi observado 3 casos.

IV

Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde

(Borges et al., 2020) 19

Thyroid cancer in Brazil: A descriptive study of cases held on hospital-based cancer registries.

Estudo descritivo.

O estudo contou com 52.912 casos, 83,4%(44.104) eram femininos. A faixa etária predominante era 40-49 anos (12,985). A escolaridade foi ensino fundamental (16.971). Predominou os casos na região nordeste (21.426).

IV

Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

(Ramos et al., 2019) 20

Câncer gástrico em adultos jovens: um grupo de pior prognóstico?

Estudo de análise retrospectiva.

Foi identificado que 875 (93,7%) foram diagnosticados como adenocarcinoma gástrico. Havia 550 homens (62,9%) e 325 mulheres (37,1%), com uma média de idade de 65 anos. Em relação a idade 791 (90,4%) eram mais velhos.

IV

Escola Anna Nery

(Beck et al., 2019) 21

Characterization of people with hemato-oncological diseases admitted to an emergency unit.

Estudo quantitativo correlacional, descritivo de corte tranversal.

Houve predomínio no estudo do sexo masculino 40 (61,5%), com média de idade de 63,4 anos com minima de 25 e máximo de 88 anos, de raça branca 62 (95,4%), com ensino fundamental incompleto 36 (55,4%) e casado 36 (53,8%). Observou-se a predominância de linfomas e leucemias (30,8%), seguidos por tumores gastrintestinais (24,6%) e mama (15,4%).

IV

Revista de Saúde Pública

(Rozario,Silva,Koifman,Silva, 2019) 22

Characterization of women with cervical cancer assisted at Inca by histological type.

Estudo observacional retrospectivo, descritivo e exploratório.

O tipo histológico mais frequente no estudo foi o carcinoma de células escamosas (83,9%). As (731) 72,8% das mulheres foram diagnosticadas com mais de 40 anos de idade. Houve a predominância de mulheres não brancas (677) 67,4%. Com menos de 8 anos de escolaridade (521) 51,9%. As (509) 50,7% sem companheiro.

IV

Revista Psicologia: Teoria e Pesquisa

(Zayat, Azevedo, Domenico, Bergerot, 2021) 23

Fatores Preditores de Sintomas Emocionais e Físicos Reportados por Pacientes Oncológicos.

Estudo descritivo, correlacional e quantitativo.

Diante do estudo foi identificado 73 pacientes de idade mínima 22 e máxima 86, média de 59,5 anos. (65,8%) 48 do sexo feminino, (52,1%) 38 casado, (58,9%) 43 ensino fundamental, branca (53,4%) 39, o mais incidente tipo de câncer foi, gastrointestinal (32,9%) 24, mama (19,2%) 14 e SNC (11%) 8, foram os mais recorrentes.

IV

Cadernos de saúde pública

(Lima, Villela, 2021) 24

Fatores sociodemográficos e clínicos associados ao tempo para o início do tratamento de câncer de cólon e reto no Brasil, 2006-2015.

Estudo de coorte retrospectiva.

O estudo analisou 79.147 casos de câncer colorretal, sendo 49,44% de cólon e 50,56% de reto, registrados em 263 unidades hospitalares no Brasil, com maior concentração na Região Sudeste. Observou-se predominância de pacientes entre 60 e 69 anos, baixa escolaridade e maior frequência de indivíduos com companheiro. Em relação à distribuição regional, o Sudeste concentrou a maioria dos casos, seguido pelas regiões Sul e Nordeste, enquanto Norte e Centro-Oeste apresentaram menores proporções. Características sociodemográficas foram semelhantes entre os tipos de câncer, com destaque para maior ocorrência em indivíduos brancos e pardos e baixo nível educacional.

IV

Revista de Saúde Pública

(Barros et al., 2019) 25

Itinerário terapêutico de mulheres com câncer de mama tratadas no Distrito Federal, Brasil.

Estudo transversal.

No estudo obtiveram a participação de 600 mulheres, a média de idade ao diagnóstico foi de 53,3 anos e a maioria tinha entre 50 e 69 anos (47%), se autodeclarou parda ou negra (62,4%), residia no DF (65,8%), na escolaridade menor ou igual a 8  anos de estudo (47,1%).

IV

Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

(Silva et al. ,2018) 26

Profile of women with cervical cancer attended for treatment in oncology center.

Estudo documental, descritivo, exploratório e retrospectivo.

O estudo resultou em um perfil sociodemográfico que houve a predominância de mulheres na faixa etária entre 40 a 59 anos (45,37%), de raça/cor não branca (91,75%), o ensino fundamental incompleto (44,32%) e estado conjugal solteira (41,90).

IV

CoDAS (Communication Disorders, Audiology and Swallowing)

(Figueiredo et al., 2019) 27

Perfil e reabilitação fonoaudiológica de pacientes com câncer de laringe.

Estudo transversal.

Foi identificado que houve prevalência do gênero masculino (95,10%), 60 anos ou mais (53,43%), ensino fundamental (77,37%), setor de serviços (44,12).

IV

Revista Brasileira de Enfermagem

(Rosa et al., 2019) 28

Perfil epidemiológico de mulheres com câncer ginecológico em braquiterapia: estudo transversal.

Estudo observacional em epidemiologia do tipo transversal, documental.

A maior predominância no estudo foi encontrada dentre as mulheres com cor da pele branca, 1.801 (93,3%); com ensino fundamental (incompleto/completo), 1.255 (65%); com companheiro, 1.053 (54,5%).

O maior percentual das idades das mulheres foi encontrado na faixa dos 50-59 anos, 469 (24,3%), seguida da faixa dos 40-49 anos, 442 (22,9%).

IV

Cogitare Enfermagem

(Moura et al., 2021) 29

Epidemiological and surgical profile of neuro-oncology patients subjected to neurological surgeries.

Estudo descritivo, retrospectivo de abordagem quantitativa.

O estudo identificou predominância de pacientes do sexo masculino (50,8%), com idade entre 41 e 50 anos (30,8%) e ensino fundamental completo (44,6%). A maioria se autodeclarou parda (93,8%) e, quanto à situação conjugal, houve predominância de solteiros (38,5%). Em relação à ocupação, mulheres exerciam principalmente atividades do lar e homens atuavam como lavradores. Quanto à localização do tumor, a maior parte foi encefálica (60%), seguida por crânio, cérebro e hipófise em menores proporções.

IV

Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial

(Teixeira, Vasconcelos, 2019) 30

Perfil histopatológico de pacientes com diagnóstico de tumores malignos assistidos em um hospital de referência do Agreste Pernambucano.

Estudo transversal, descritivo de levantamento documental de natureza quantitativa.

No estudo foram selecionados 74 casos. Em relação ao gênero, o sexo masculino representou 51% dos casos (38), sendo discre-tamente o mais acometido quando comparado com o sexo feminino, o qual apresentou 49% (36). A faixa etária de maior prevalência foi dos pacientes entre 50 e 70 anos de idade. A localização anatômica mais prevalente com tumores foi intestino/reto (30%) e pele (30%).

IV

Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde

(Junior, Silva, 2018) 31

Tendências temporais e fatores associados ao diagnóstico em estágio avançado de câncer do colo uterino: análise dos dados dos registros hospitalares de câncer no Brasil, 2000-2012.

Análise de séries temporais e estudo transversal.

No total de participantes no estudo foram 65.843 mulheres. A idade mediana no diagnóstico foi de 52 anos (18 a 111 anos), 36,04% tinham ensino fundamental incompleto. 45,16% eram casadas. A raça/cor da pele a maioria era pardas sendo 50,85%. As mulheres de 45 a 49 anos representaram 13,05% dos casos. A região da unidade hospitalar que prevaleceu foi na região Sudeste que concentrou 45,89%, seguida pelas regiões Nordeste (31,21%), Sul (11,34%), Norte (9,68%) e Centro-Oeste (1,89%). No tipo histológico de câncer de colo uterino foi mais incidente o tipo escamoso 82,55%.

IV

Saúde em Debate

(Carvalho et al., 2018) 32

Trajetórias assistenciais de mulheres entre diagnóstico e início de tratamento do câncer de colo uterino.

Estudo de caráter qualitativo e quantitativo.

Foi identificado que das 174 mulheres diagnosticadas com câncer invasor que participaram do estudo, 114 (65,5%) apresentaram doença localmente avançada. A média de idade das mulheres portadoras de câncer invasor foi 49,9 anos, sendo a mais nova com 23 e a mais velha com 93 anos. Incluem as 47 mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intra-epitelial Cervical. A média de idade das mulheres diagnosticadas com Neoplasia Intra-epitelial Cervical foi 38, 9 anos, sendo a mais nova com 22 anos e a mais velha com 76.

IV

DISCUSSÃO

Os estudos encontrados nesta Revisão Integrativa apontam que a incidência de câncer no Brasil, relacionada ao gênero, é maior entre o sexo masculino.15 O achado do presente estudo foi semelhante ao de outros estudos incluídos na revisão. Assim, observou-se que, dos 28 trabalhos analisados, 16 apresentaram predominância de casos em homens e 12 em mulheres.

Os homens possuem hábitos que são nocivos à saúde, como o tabagismo e o etilismo, os quais constituem fatores de risco para diversas neoplasias, incluindo o câncer de próstata, uma das principais causas de adoecimento no sexo masculino, conforme demonstram os dados brasileiros de morbimortalidade. Nesse contexto, destaca-se a relevância de ações de atenção primária e secundária voltadas a essa população, especialmente por meio de atividades de educação em saúde, visando à detecção precoce do câncer.29

A incidência do câncer de colo do útero tem diminuído mundialmente. O Papilomavírus Humano (HPV) é a terceira principal causa de câncer no mundo, e o aumento dos casos de câncer colorretal também tem sido correlacionado à infecção por HPV.3 Algumas pesquisas incluídas nesta revisão também apontam a prevalência do câncer de colo do útero. 31,2,26,28

De acordo com um estudo, foi apontado que idosas com baixo nível de escolaridade apresentam maior risco de desenvolver câncer do colo do útero e, quando diagnosticadas, tendem a se encontrar em estágios mais avançados da doença. Segundo os autores, nesses casos, o tratamento frequentemente assume caráter paliativo, voltado principalmente para a manutenção da qualidade de vida. Além disso, a falta de conhecimento básico sobre a patologia, prevenção, sinais e sintomas pode dificultar a adesão ao rastreamento e ao tratamento, uma vez que essas mulheres podem não compreender a importância da realização do exame de Papanicolau.16

Salienta-se que a faixa etária das mulheres com câncer do colo do útero variou entre 40 e 59 anos. Identificou-se a predominância dessa faixa etária em dois estudos realizados na cidade de Teresina-PI e no estado do Espírito Santo, sendo de 50 a 59 anos e 40 a 59 anos, respectivamente.²⁶

As mulheres mais acometidas pelo câncer do colo do útero foram de raça negra e indígena, apresentando-se, em sua maioria, sem companheiro no momento do diagnóstico, incluindo mulheres divorciadas e viúvas.³¹ Outro estudo também identificou predominância de mulheres pardas e solteiras com diagnóstico de câncer uterino; entretanto, observou-se menor frequência entre mulheres casadas e brancas.²⁶

Verificou-se que, em todos os estudos, os pacientes oncológicos apresentavam baixa escolaridade, tendo concluído ou não apenas o ensino fundamental. Isso indica um possível déficit de conhecimento sobre a patologia. Dessa forma, essa lacuna educacional na população de pacientes oncológicos pode contribuir para o diagnóstico tardio e, consequentemente, para um tratamento menos eficaz ou não realizado em tempo oportuno, o que aumenta o risco de recidivas, metástases e óbitos.26

Em relação ao estado civil, destaca-se a importância de o paciente oncológico contar com companhia e suporte para buscar orientação e atendimento diante do diagnóstico. A ausência de relacionamentos afetivos, pode representar uma barreira no enfrentamento da doença quando vivenciada de forma solitária.²¹ Poucos estudos observaram a predominância de pacientes casados, com companheiro, em união estável ou consensual, enquanto a maioria dos estudos apontaram que a maioria dos indivíduos são solteiros.4,9,10,18,20,21,27

Em concordância com o achado de que a população estudada é majoritariamente idosa, com idade superior a 60 anos, um estudo apontou que essa condição se justifica pelo aumento da expectativa de vida, que reflete em maior tempo de exposição a fatores cancerígenos. Esse cenário contribui, portanto, para a maior ocorrência e manutenção dos casos de câncer.³⁰

O câncer mais prevalente nos homens é o de próstata, e os achados indicam alta incidência desse tumor nessa população. O rastreamento da doença por meio do toque retal e do teste do antígeno prostático específico (PSA) possibilita a identificação precoce do diagnóstico. Entre os principais fatores de risco, destaca-se a idade avançada, sendo observado no estudo uma maior ocorrência em indivíduos com idade superior a 60 anos.¹⁵

Nesta Revisão Integrativa, a raça predominante entre os pacientes foi branca e parda. Nesse sentido, os achados não divergem da literatura, uma vez que estudos apontam majoritariamente a cor de pele branca e a cor parda, negra em pacientes oncológicos, conforme descrito nos estudos.29,31

CONCLUSÃO

Entende-se que o câncer é considerado a doença que mais impacta a expectativa de vida e que mais contribui para a mortalidade em saúde pública. Dessa forma, compreender as características individuais desses pacientes é essencial para a equipe multidisciplinar que atua nos cuidados desses pacientes, isso facilita o planejamento da assistência prestada de forma mais segura, efetiva e de qualidade.

Ao propor intervenções para os pacientes, é importante considerar os recursos disponíveis, adaptar a linguagem na orientação de cuidados e compreender o perfil sociodemográfico em que esta população está inserida. Tal conhecimento poderá auxiliar a equipe de saúde na implementação de iniciativas em promoção da saúde, prevenção, diagnóstico precoce, educação em saúde e tratamento em tempo oportuno, garantindo uma atenção integral ao indivíduo.

LIMITAÇÃO DO ESTUDO

As limitações deste estudo estão relacionadas à utilização de dados secundários, por se tratar de uma revisão integrativa de literatura, e às informações já estarem construídas. 

Diante disso, entende-se a urgência de abordar a temática da doença, destacando a importância de ações preventivas, promocionais, diagnósticas e terapêuticas, desde a atenção primária até a terciária. É fundamental conhecer as características sociodemográficas e clínicas dessa população acometida pelo câncer. Essa abordagem contribui para o avanço dos estudos focados em pacientes oncológicos, especialmente no que diz respeito ao diagnóstico precoce da doença. Evidencia-se a necessidade de combater uma enfermidade que, apesar de sua alta incidência, ainda é frequentemente negligenciada.

AGRADECIMENTOS

Agradecimentos à Universidade do Estado de Mato Grosso, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), pela contribuição financeira para esta pesquisa. Ao Hospital  Regional Dr.  Antônio  Fontes e ao Centro Regional de Oncologia Dr. José Monteiro da Silva,  pela oportunidade de poder realizar a pesquisa, pelo espaço e auxílio durante o período de coleta de dados. Ao Grupo de Estudos e Pesquisa Enfermagem, Cuidado e Atenção (GEPECA), pela oportunidade de discussões e aprendizados. 

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