Adultização na infância: um olhar sobre as formas de violências e maus-tratos precoces e seus impactos no desenvolvimento infantil
Adultification in childhood: a look at the forms of violence and early maltreatment and their impacts on child development
Adultificación en la infancia: una mirada a las formas de violencia y maltrato temprano y sus impactos en el desarrollo infantil
Tipo de artigo: revisão integrativa
Autores
Carlos Eduardo Lobato da Paixão
Acadêmico de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0003-1922-8531
Daniara Mourão Rodrigues de Oliveira
Acadêmico de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0008-7838-7061
Danielle Prado Bandeira Maciel
Acadêmico de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-6939-8250
Rebeca Pereira Vilar
Acadêmico de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0009-8560-6661
Thalya Vicente Acerbi
Acadêmico de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0000-3623-3533
Talita Eloi Barbosa Lima
Docente do curso de Medicina do Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/
RESUMO
Objetivo: Este estudo teve como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura científica, os impactos da adultização na infância e suas repercussões biopsicossociais no desenvolvimento infantil. Método: Realizou-se uma revisão integrativa entre março e maio de 2025, nas bases SciELO, MEDLINE, BVS e LILACS, utilizando descritores dos DeCS e MeSH relacionados à criança, adultização, violência, maus-tratos, saúde mental e desenvolvimento biopsicossocial, combinados por operadores booleanos. A busca identificou 423 estudos, dos quais oito foram incluídos após aplicação dos critérios de elegibilidade e etapas do PRISMA. Resultados: Os resultados evidenciam associação entre adultização infantil, superexposição digital, erotização precoce, influência mercadológica e uso excessivo de tecnologias. Conclusão:Observou-se convergência quanto aos impactos biopsicossociais, incluindo fragilização da identidade, vulnerabilidade emocional, redução do brincar e riscos à saúde mental e ao desenvolvimento sexual saudável, indicando repercussões negativas persistentes no ciclo de vida.
DESCRITORES: Hipersexualização infantil; desenvolvimento infantil; impactos de telas; adultização de crianças.
ABSTRACT
Objective: This study aimed to analyze, through a review of the scientific literature, the impacts of adultification on childhood and its biopsychosocial repercussions on child development. Method: An integrative review was conducted between March and May 2025 in the SciELO, MEDLINE, BVS, and LILACS databases, using DeCS and MeSH descriptors related to children, adultification, violence, maltreatment, mental health, and biopsychosocial development, combined with Boolean operators. The search identified 423 studies, of which eight were included after applying the eligibility criteria and stages of PRISMA. Results: The results show an association between childhood adultification, digital overexposure, early eroticization, marketing influence, and excessive use of technology. Conclusion:Convergence was observed regarding biopsychosocial impacts, including weakening of identity, emotional vulnerability, reduced play, and risks to mental health and healthy sexual development, indicating persistent negative repercussions throughout the life cycle.
DESCRIPTORS: Child hypersexualization; child development; impacts of screens; adultification of children.
RESUMEN
Objetivo: Este estudio tuvo como objetivo analizar, a través de una revisión de la literatura científica, los impactos de la adultificación en la infancia y sus repercusiones biopsicosociales en el desarrollo infantil. Método: Se realizó una revisión integrativa entre marzo y mayo de 2025 en las bases de datos SciELO, MEDLINE, BVS y LILACS, utilizando descriptores DeCS y MeSH relacionados con infancia, adultificación, violencia, maltrato, salud mental y desarrollo biopsicosocial, combinados con operadores booleanos. La búsqueda identificó 423 estudios, de los cuales ocho se incluyeron después de aplicar los criterios de elegibilidad y las etapas de PRISMA. Resultados: Los resultados muestran una asociación entre la adultificación infantil, la sobreexposición digital, la erotización temprana, la influencia del marketing y el uso excesivo de la tecnología. Conclusión: Se observó convergencia con respecto a los impactos biopsicosociales, incluyendo el debilitamiento de la identidad, la vulnerabilidad emocional, la reducción del juego y los riesgos para la salud mental y el desarrollo sexual saludable, lo que indica repercusiones negativas persistentes a lo largo del ciclo de vida.
DESCRIPTORES: Hipersexualización infantil; desarrollo infantil; impactos de las pantallas; adultización infantil.
INTRODUÇÃO
A infância, compreendida como o período do nascimento aos 12 anos incompletos, é uma fase determinante para o crescimento e o desenvolvimento humano, envolvendo dimensões físicas, emocionais, cognitivas e sociais. Nesse período, por meio das interações e da aprendizagem, a criança constrói funções mentais, desenvolve autonomia e consolida habilidades essenciais para a vida adulta (1).
O desenvolvimento psicológico infantil depende diretamente da qualidade das relações e dos cuidados recebidos. Interações inadequadas ou marcadas por negligência podem comprometer de forma significativa o amadurecimento neurológico, emocional e social da criança (1-2-3).
Quando a criança é exposta a situações que ameaçam sua integridade, configuram-se os maus-tratos, definidos como ações ou omissões que causam prejuízo ao seu desenvolvimento integral (3). A violência infantil inclui agressões físicas, abuso psicológico, negligência, abandono e exposição a riscos sociais e ambientais (4).
Entre as formas mais complexas de violência destaca-se a adultização infantil, caracterizada pela imposição de responsabilidades, comportamentos e experiências incompatíveis com o estágio de desenvolvimento (5). Esse fenômeno, frequentemente associado à negligência e à exploração psicológica, compromete a saúde física e emocional da criança e viola direitos garantidos pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (5-6).
Nas últimas décadas, a adultização tem sido intensificada por transformações culturais e tecnológicas, especialmente pelo uso precoce das redes sociais, exposição a conteúdos inadequados, pressão estética e monetização digital (6-7). Esses fatores antecipam comportamentos próprios da vida adulta e reduzem a proteção necessária à infância (7-8).
O problema é agravado pela ausência de mecanismos eficazes de segurança nas plataformas digitais, cujos algoritmos favorecem conteúdos de risco (9). Além disso, a exposição promovida por responsáveis, muitas vezes com finalidade financeira, contribui para a naturalização de padrões adultos, fragilizando a identidade e a autoestima infantil e ampliando o risco de violência psicológica e exploração sexual (10-11)
A gravidade da temática ganhou visibilidade em 2025, após denúncias públicas sobre exploração sexual de menores divulgadas em redes sociais, evidenciando a necessidade de maior fiscalização e responsabilização (12).
Diante desse cenário, torna-se urgente a adoção de estratégias preventivas que envolvam família, escola, poder público e plataformas digitais (12-13). É fundamental orientar responsáveis, promover educação digital nas escolas e fortalecer políticas públicas de regulamentação e fiscalização das redes sociais, a fim de proteger crianças da adultização precoce e de suas consequências psicológicas e sociais (14-15).
Mediante o exposto, o presente estudo tem como objetivo analisar, por meio de revisão da literatura científica, os impactos da adultização na infância e suas repercussões biopsicossociais no desenvolvimento infantil.
MÉTODO
Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, orientada pela seguinte pergunta norteadora: “Quais são os impactos da adultização na infância e suas repercussões biopsicossociais no desenvolvimento infantil?”
A revisão integrativa constitui um método que permite a síntese e sistematização do conhecimento científico produzido em diferentes delineamentos metodológicos, sejam eles teóricos ou empíricos, possibilitando uma análise abrangente e interpretativa das evidências disponíveis. Diferentemente de revisões mais restritivas, esse tipo de estudo admite a inclusão de pesquisas com abordagens qualitativas, quantitativas e mistas, favorecendo uma compreensão ampliada do fenômeno investigado.
A busca dos estudos foi realizada entre agosto de 2025 a fevereiro de 2026 nas bases de dados PubMed/MEDLINE, Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Foram incluídos artigos científicos publicados nos idiomas português e inglês no período de 2018 a 2025.
Foram utilizados descritores controlados e não controlados extraídos dos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e do Medical Subject Headings (MeSH): "Child"[MeSH] OR "Children" OR "Infant" OR "Child development" OR "Child Abuse"[MeSH] OR "Violence" OR "Child maltreatment" OR "Psychological abuse" OR "Neglect", "Adultification" OR "Early adultization" OR "Premature exposure", "Mental Health"[MeSH] OR "Psychosocial impact" OR "Biopsychosocial factors" AND “Adultização Infantil”, “Adultização Precoce”, “Criança”, “Infância”, “Violência Infantil”, “Maus-tratos”, “Negligência”, “Exploração Sexual” e “Impactos Psicossociais”, conforme quadro 1.
Quadro 1 - Estratégia de busca dos estudos incluídos na revisão de literatura integrativa (2018 a 2025), Porto Velho, Rondônia, Brasil (2026). | |
PubMed/MEDLIN | ("Adultification" OR "Early adultization" OR "Premature exposure") AND ("Child"[MeSH] OR "Children" OR "Infant") AND ("Child Abuse"[MeSH] OR "Violence" OR "Child maltreatment" OR "Neglect") AND ("Mental Health"[MeSH] OR "Psychosocial impact" OR "Development") |
LILACS | (“Adultização Infantil” OR “Adultização Precoce”) AND (“Criança” OR “Infância”) AND (“Violência Infantil” OR “Maus-tratos” OR “Negligência”) AND (“Desenvolvimento Infantil” OR “Saúde Mental”) |
SciELO | ("Adultização Infantil" OR "Adultização Precoce") AND ("Criança" OR "Infância") AND ("Violência" OR "Maus-tratos") AND ("Impactos Psicossociais" OR "Desenvolvimento") |
BVS | (“Adultização” OR “Adultização Infantil”) AND (“Crianças”) AND (“Violência Infantil” OR “Exploração” OR “Negligência”) AND (“Desenvolvimento Psicossocial”) |
Fonte: Elaboração própria (2026).
Os dados foram extraídos de forma padronizada, incluindo título, autor/ano, e objetivo do estudo. Não foi realizada avaliação quantitativa da qualidade metodológica, devido à heterogeneidade dos estudos, priorizando-se análise descritiva e crítica.
A síntese ocorreu de forma temática, organizando os achados em três eixos: determinantes da adultização, formas de violência associadas e impactos biopsicossociais no desenvolvimento e na saúde ao longo da vida.
RESULTADOS
Na busca bibliográfica inicial, foram identificados 423 artigos científicos nas bases de dados incluídas no estudo. Após aplicação dos filtros referentes ao período de publicação, idioma e aderência a temática de interesse, permaneceram 364 registros para análise. A exclusão de 100 duplicatas resultou em 264 estudos elegíveis para triagem por meio da leitura de títulos e resumos, dos quais 161 foram excluídos por não atenderem aos critérios estabelecidos.
Na etapa de leitura na íntegra, 63 artigos foram avaliados, sendo 54 excluídos por não abordarem diretamente os fatores associados ao fenômeno investigado (n = 21), por se tratar de publicações não elegíveis (n = 11), por apresentarem população fora do escopo da revisão (n = 8) ou por insuficiência metodológica/dados inadequados (n = 6). Ao final, oito estudos compuseram a amostra desta revisão (Figura 1).
Figura 1 – Fluxograma de seleção do modelo PRISMA dos artigos incluídos para construção da revisão integrativa (2018- 2025)
Fonte: Os autores, 2026.
Os estudos selecionados foram sistematizados no Quadro 2, organizados por título, autoria/ano de publicação e objetivos, a fim de proporcionar uma visão estruturada das principais abordagens teóricas e empíricas sobre a adultização infantil. Observa-se que as produções contemplam diferentes perspectivas analíticas, incluindo a exposição digital, a erotização precoce, o uso excessivo de tecnologias, a violência sexual e as implicações psicossociais no desenvolvimento e na sexualidade. Essa organização permite visualizar a diversidade metodológica e temática dos estudos incluídos, bem como identificar os principais eixos de discussão relacionados aos impactos biopsicossociais da adultização na infância.
Quadro 2: Síntese dos artigos selecionados, organizados por título, autor/ano e objetivos, respectivamente.
Título | Autor e ano | Objetivos |
A exposição de crianças em redes sociais a luz dos direitos humanos: uma análise de proteção da privacidade e do desenvolvimento infantil | Ribeiro, Fillho (2024) | Aprofundar no cenário atual em que crianças são frequentemente expostas online desde o nascimento e analisar as ramificações éticas, legais e psicossociais desse acontecimento. |
O uso excessivo de telas por crianças pós-Covid-19: impactos psicológicos e do desenvolvimento infantil | Crispim et al (2022) | Analisar e expor informações relacionadas ao impacto do uso de novas tecnologias no desenvolvimento infantil |
As crianças no TikTok: uma análise sobre a exposição infantil na rede social | Almeida (2024) | Analisar a exposição infantil no TikTok, com foco nos riscos relacionados à superexposição na plataforma |
Adultização precoce: revisão narrativa crítica de um fenômeno multifatorial na infância e adolescência | Bonilha et al (2025) | Analisar criticamente o conceito de adultização em crianças e adolescentes, considerando sua historicidade, suas manifestações estéticas, digitais e químicas, bem como as implicações psicossociais e de saúde |
Impact of Childhood Sexual Abuse on Female Sexuality | Scweta (2018) | Analisar quatro estudos de caso psicológicos distintos para avaliar o impacto a longo prazo do abuso sexual na infância, que diferem em termos de idade, escolaridade e nível socioeconômico |
Adultização precoce nas mídias contemporâneas: por onde anda a responsabilidade familiar? | Rocha, Ferreira (2024) | entender como as mídias são fortes instrumentos de influência e manipulação na educação e construção desses novos seres adultizados por meio de músicas, danças, produtos, programas televisivos e influencers digitais |
Adultização e erotização infantil: a influência social | Pereira, Trombetta, Adriano (2019) | Apresentar formas adultizantes e erotizantes da infância e suas implicações. |
The impact of anticipated factors in childhood and adolescence on the development of sexuality | Voiucu (2024) | investigar os aspectos ocultos da sexualidade nessas fases de crescimento, abordando diversas perspectivas e desafios, e propondo abordagens integrativas |
DISCUSSÃO
Os achados desta revisão indicam que a adultização infantil deve ser compreendida como um fenômeno multifatorial e contemporâneo, intensificado pela hiperconectividade e pela centralidade crescente da infância nas dinâmicas digitais, mercadológicas e culturais. Em conjunto, os estudos selecionados apontam que a antecipação de comportamentos, papéis sociais e referências simbólicas do mundo adulto ocorre, sobretudo, em ambientes mediados por tecnologias e por estratégias de visibilidade (16).
Nesse contexto, crianças deixam de ser apenas destinatárias de conteúdo para também se tornarem produtoras e “personagens” de uma presença pública permanente. Essa inserção precoce e contínua no universo digital redefine relações familiares e sociais, amplia a exposição e cria novas vulnerabilidades, com repercussões relevantes para o desenvolvimento biopsicossocial (15).
No eixo da exposição digital, Ribeiro e Filho (2024)(14) e Almeida (2024)(17) evidenciam que o uso de redes sociais e plataformas de vídeos por crianças envolve não apenas riscos psicossociais, mas também desafios éticos e jurídicos relacionados à privacidade, à identidade e à proteção da imagem.
A presença online infantil, em muitos casos construída por adultos desde etapas iniciais da vida, tende a consolidar uma “identidade digital” antes que haja maturidade para compreensão de consequências, o que tensiona o limite entre a liberdade de expressão de responsáveis e o direito da criança à preservação de dados pessoais, intimidade e imagem (12-14-15). Esse cenário torna-se mais crítico quando a exposição se associa à busca de engajamento e reconhecimento social, reforçando padrões estéticos e performáticos tipicamente adultos e contribuindo para a normalização de comportamentos adultizados (11).
A literatura revisada também sugere que o ambiente digital não opera de modo neutro: ele é atravessado por publicidade, marketing e lógicas de consumo que se aproveitam da conectividade cada vez mais precoce do público infantil (18). Rocha e Ferreira (2024)(16) problematizam como produtos culturais (músicas, danças, programas, tendências e influenciadores) podem atuar como dispositivos de influência e modelagem de condutas, enquanto Plat e Oliveira (2019)19 situam a erotização como uma das manifestações mais visíveis da adultização, frequentemente associada a pressões sociais e a expectativas externas sobre aparência e comportamento.
Nesse contexto, a criança passa a ocupar simultaneamente o papel de consumidora e de promotora de consumo, inclusive por meio de conteúdos que exibem rotinas, aquisições e estilos de vida, reforçando uma aprendizagem social orientada por validação pública e desejo de pertencimento(17-18-19).
Outro elemento relevante é o uso excessivo de telas e seus impactos no desenvolvimento, especialmente no período pós-pandemia. Crispim et al. (2022)(20) apontam prejuízos psicológicos e desenvolvimentais associados à intensificação do tempo de tela, incluindo alterações na regulação emocional, na atenção e nas interações sociais.
A substituição gradual do brincar, do convívio presencial e de atividades lúdicas por experiências mediadas por telas pode restringir oportunidades fundamentais de desenvolvimento socioemocional, ao mesmo tempo em que amplia o contato com conteúdos incompatíveis com a idade(14). Assim, a adultização pode ser potencializada por uma exposição contínua a estímulos de alta intensidade e por padrões culturais que incentivam precocemente comportamentos, linguagens, estética e práticas típicas da vida adulta(6-8).
A discussão ganha gravidade quando a adultização se articula com violência e exploração. Scweta (2018)(21), ao explorar impactos de abuso sexual na infância, indica repercussões duradouras para a saúde mental, autoestima e vivência da sexualidade, sugerindo que experiências precoces de natureza sexual, especialmente quando violentas, podem produzir efeitos persistentes ao longo do ciclo de vida.
Voiucu (2024)(22) reforça que fatores antecipatórios na infância e adolescência afetam o desenvolvimento psicossexual e podem influenciar trajetórias futuras, o que torna a adultização quando associada à sexualização precoce, exposição erotizada ou vulnerabilidade em ambientes digitais um componente de risco relevante para danos psicossociais.
À luz do marco jurídico brasileiro, os achados dialogam diretamente com o princípio da proteção integral e com a prioridade absoluta assegurados pela Constituição Federal (art. 227) e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990)(5-23). O ECA estabelece a criança como sujeito de direitos e determina que família, sociedade e Estado devem assegurar condições para seu desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em liberdade e dignidade, além de protegê-la de toda forma de negligência, exploração e violência(5).
Nesse sentido, a superexposição digital, a monetização da imagem infantil, a erotização precoce e a imposição de condutas adultizadas podem configurar práticas incompatíveis com a garantia de privacidade, respeito e dignidade, especialmente quando não há supervisão, mediação educativa ou avaliação dos riscos envolvidos(18-24). A discussão também reforça a centralidade da responsabilidade familiar, não como atribuição exclusiva, mas articulada a mecanismos institucionais de proteção e fiscalização, bem como à corresponsabilidade de plataformas digitais quanto à segurança, ao tratamento de dados e à circulação de conteúdos de risco (5-23-24).
CONCLUSÃO
Esta revisão evidencia que a adultização infantil se intensifica na intersecção entre hiperconectividade, cultura do consumo e exposição midiática, produzindo repercussões significativas no desenvolvimento biopsicossocial. A antecipação de comportamentos, responsabilidades e referências adultas associa-se à fragilização da identidade, à pressão estética precoce, à redução do brincar e a alterações emocionais e relacionais, podendo resultar em prejuízos à saúde mental e à construção de uma sexualidade saudável ao longo da vida.
À luz do ECA e do princípio da proteção integral, os achados reforçam a necessidade de estratégias intersetoriais que envolvam família, escola, Estado e plataformas digitais, com foco em educação digital, orientação parental e fortalecimento de políticas públicas de proteção. Tais medidas são fundamentais para assegurar privacidade, dignidade e desenvolvimento saudável, preservando a infância como etapa singular e protegida do desenvolvimento humano.
REFERÊNCIAS
Carlos Eduardo Lobato da Paixão
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
E-mail: carlosbiz@gmail.com.br
Telefone: (69) 98228-6500
Função: Discente
Instituição: Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0003-1922-8531
Daniara Mourão Rodrigues de Oliveira
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
E-mail: danyara.lindinha@gmail.com
Telefone: (69) 99205-6600
Função: Discente
Instituição: Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0008-7838-7061
Danielle Prado Bandeira Maciel
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
E-mail: danielle.prado@gmail.com
Telefone: (69) 99335-7105
Função: Discente
Instituição: Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0005-6939-8250
Rebeca Pereira Vilar (autor para correspondências)
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
E-mail: rebecavilar4@gmail.com
Telefone: (69) 99295-7667
Função: Discente
Instituição: Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0009-8560-6661
Thalya Vicente Acerbi
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
Email: thalyaacerbi@gmail.com
Telefone: (69) 99258-4750
Função: Discente
Instituição: Centro Universitário São Lucas AFYA – Porto Velho RO.
Orcid: https://orcid.org/0009-0000-3623-3533
Talita Eloi Barbosa Lima
Endereço: R. Alexandre Guimarães, 1927 - Areal, Porto Velho - RO, 76805-846
Email: talita.lima@afya.com.br
Telefone: (69) 99905-9828
Função: Docente do departamento de medicina
Instituição: São Lucas - Afya
Orcid: https://orcid.org/0009-0007-6930-0799
Títulos: Médica pediatra
Formação profissional: Médica
APOIO FINANCEIRO OU TÉCNICO: Financiamento próprio.
DECLARAÇÃO DE CONFLITO DE INTERESSE FINANCEIRO E/OU DE AFILIAÇÕES: Não há.