Impactos das Mídias Sociais no Contexto do Aleitamento Materno
Impacts of Social Media in the Context of Breastfeeding
Impactos de las Redes Sociales en el Contexto de la Lactancia Materna
Maria Eduarda Costa Nunes
Enfermeira graduada pela Escola de Ensino Superior do Agreste Paraibano (EESAP).
ORCID: https://orcid.org/0009-0003-2064-7805
Ana Eloísa Cruz de Oliveira
Enfermeira. Docente. Doutora pelo Programa de Pós-Graduação em Modelos de Decisão e Saúde da Universidade Federal da Paraíba (PPGMDS/UFPB)
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-3827-036X
RESUMO
Objetivo: identificar a partir da literatura os impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno. Metodologia: trata-se de uma revisão integrativa de literatura. A busca ocorreu no mês de janeiro de 2025, através da Biblioteca Virtual de Saúde, com a utilização de critérios de elegibilidade previamente estabelecidos e a partir dos seguintes descritores: Aleitamento Materno, Breast Feeding, Mídias Sociais e Social Media. Resultados: o estudo contou com uma amostra final de 15 artigos e sua análise possibilitou identificar diversos impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno. Constatou-se que as mídias podem exercer impactos positivos significativos, atuando como ferramenta de suporte, apoio, educação em saúde, comunicação, encorajamento, troca de informações e experiências, humanização e ainda construção de vínculos. Apesar de uma ampla contribuição positiva das mídias na promoção do aleitamento materno, percebe-se que nesse contexto também podem ser observados impactos negativos, uma vez que em algumas mídias sociais são encontrados conteúdos incorretos, sem fundamentação cientifica, consistindo em suporte inadequado, e gerando sobrecargas e sentimentos negativos. Considerações finais: torna-se primordial destacar a importância de utilizar adequadamente as mídias sociais como meios estratégicos na disseminação de informações de forma rápida e eficaz, atuando no incentivo à amamentação, e reforçando assim seu papel essencial no fortalecimento da educação de mães, na sensibilização da população em geral, bem como contribuindo ainda com a atuação dos profissionais de saúde.
Palavras-chave: Aleitamento materno. Mídias sociais. Saúde Materno-infantil.
ABSTRACT
Objective: to identify, based on the literature, the impacts of social media in the context of breastfeeding. Methodology: this is an integrative literature review. The search took place in January 2025, through the Virtual Health Library, using previously established eligibility criteria and based on the following descriptors: Breastfeeding, Breast Feeding, Social Media and Social Media. Results: the study included a final sample of 15 articles and its analysis made it possible to identify several impacts of social media in the context of breastfeeding. It was found that the media can have significant positive impacts, acting as a tool for support, health education, communication, encouragement, exchange of information and experiences, humanization and even building bonds. Despite a broad positive contribution of the media in promoting breastfeeding, it is clear that in this context negative impacts can also be observed, since in some social media incorrect content is found, without scientific basis, consisting of inadequate support, and generating overload and negative feelings. Final considerations: it is essential to highlight the importance of using social media appropriately as strategic means to disseminate information quickly and effectively, acting to encourage breastfeeding, and thus reinforcing its essential role in strengthening the education of mothers, raising awareness among the general population, as well as contributing to the work of health professionals.
Keywords: Breastfeeding. Social media. Maternal. Child health.
Desde a década de 1980, a importância da amamentação tem sido enfatizada por meio de estudos que influenciaram a reformulação de políticas internacionais, principalmente da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). No Brasil, alinhado a essas diretrizes, o Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno exclusivo em crianças durante os seis meses de idade, e complementado, até os dois anos vida.1,2
A amamentação durante os primeiros anos não só influencia positivamente a saúde e a nutrição das crianças, mas também exerce uma forte influência no seu desenvolvimento3. Nesse contexto, também traz benefícios à saúde materna, diminuindo riscos de doenças como câncer de útero, ovário e mama, promove a construção de um vínculo afetivo entre o binômio mãe-bebê, colaborando na saúde mental da mulher, e também favorece a situação financeira familiar, uma vez que não envolve custos para a sua produção e dispensa o uso de água e gás, ao contrário de outros tipos de leite.4,5
Analisando a trajetória do aleitamento materno nacional, é perceptível que a situação da amamentação no Brasil não está progredindo de forma significativa, mesmo diante das políticas públicas já estabelecidas, especialmente no que diz respeito à prática da amamentação exclusiva. Nos dias atuais, o índice de mulheres que amamentam exclusivamente entre o quarto e o sexto mês é de apenas 11%, apesar de 96% das mães iniciarem a amamentação dos bebês ao nascimento. Além disso, menos da metade, aproximadamente 41% das mulheres, continuam o aleitamento materno até o primeiro ano de vida, e somente 14% até os dois anos.6
Conforme Cruz et al.7, a comunicação é um veículo para facilitar a socialização de informações, sustentar relacionamentos e promover a troca de conhecimentos. Nesse contexto, as mídias sociais e a internet têm sido extensivamente empregadas como recursos informativos, e seu papel como ferramenta para adquirir informações sobre saúde tem aumentado de forma significativa, inclusive sobre a amamentação e seus benefícios, podendo influenciar a promoção do aleitamento materno.8
Contudo, diversas pesquisas indicam que há conteúdos relacionados à saúde disponíveis na internet e que são imprecisos, sem comprovação científica, fazendo com que o uso indevido dessas informações possa resultar em sérios prejuízos à saúde dos usuários.9
Com isso, percebe-se que é vital não apenas fortalecer as abordagens que fomentam e respaldam a amamentação por meio da adoção de políticas públicas, tornando-se fundamental capacitar as mulheres para que possam tomar decisões que beneficiem tanto a sua própria saúde quanto a do bebê.10
Dessa maneira, torna-se necessária a ampliação de estudos que viabilizem um olhar mais específico sobre o modo como as mídias sociais podem influenciar o contexto do aleitamento materno, permitindo uma compreensão mais acurada da realidade e possibilitando intervenções oportunas que possibilitem potencializar os impactos positivos, bem como minimizar os negativos.
Nessa perspectiva, diante desse tema que é de suma importância tanto para sociedade como para os profissionais da saúde, surgiu a seguinte questão norteadora de estudo: como as mídias sociais podem influenciar na promoção do aleitamento materno? Com isso, o objetivo do estudo é identificar a partir da literatura os impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno.
METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão integrativa de literatura, método esse que permite consolidar e resumir o conhecimento científico previamente gerado sobre um assunto em questão, integrando resultados de pesquisas com diferentes abordagens metodológicas e contribuindo para o avanço da área temática.11
A busca ocorreu no mês de janeiro de 2025 através da Biblioteca Virtual de Saúde (BVS) com ênfase nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Medical Literature Analysis and Retrieval System online (MEDLINE) e na Base de Dados de Enfermagem (BDENF), com base na seguinte questão norteadora: como as mídias sociais podem influenciar na promoção do aleitamento materno?
Para efetivação da busca nas bases de dados, foram utilizadas combinações de descritores em saúde: “Aleitamento Materno”, “Breast Feeding”, “Mídias Sociais” e “Social Media”, com auxílio do operador booleano AND.
Os critérios de inclusão da amostra foram artigos disponíveis gratuitamente e na íntegra, em língua portuguesa e inglesa, publicados entre os anos 2019 e 2024 e que abordassem contribuições para o objetivo proposto no presente estudo. Foram excluídos da busca as teses, dissertações e monografias, bem como os artigos que não se encontravam disponíveis na íntegra gratuitamente e os que estavam repetidos nas bases de dados consultadas.
Após atender os critérios estabelecidos, foi feita uma seleção dos trabalhos com base em uma leitura detalhada dos títulos, bem como de seus resumos ou abstracts, para que posteriormente e cada artigo selecionado pudesse ser lido na íntegra, identificando a abordagem apresentada e verificando se contemplava o tema trabalhado pelo presente estudo. Concluindo-se a coleta dos dados necessários, foi realizada uma organização e análise minuciosa de todos os achados a fim de transformá-los em conteúdo útil à pesquisa em questão.
Tratando-se de um estudo de revisão integrativa, o mesmo não necessitou de aprovação prévia do Comitê de Ética em pesquisa (CEP) para sua realização, conforme a Resolução nº466/12 (CNS/MS), visto que todos os dados estarão disponíveis para o livre acesso da população, não exigindo sigilo ético.12
O percurso para a coleta de dados e a organização da presente revisão se deu a partir de duas combinações de descritores. A combinação composta pelos descritores “Aleitamento Materno” AND “Mídias Sociais” gerou um somatório de 71 achados na BVS. Após aplicação de filtros, critérios de inclusão e exclusão, eliminação dos artigos repetidos entre as bases e leitura de título e resumo, restaram 13 artigos para a leitura na íntegra.
Ao utilizar a combinação dos descritores “Breast Feeding” AND “Social Media” foram obtidos 1.485 achados na BVS. Considerando a aplicação de todos os critérios de elegibilidade elencados, a eliminação dos artigos repetidos e leitura de cada título e resumo, 12 artigos seguiram para a leitura na íntegra.
Com base na interpretação e síntese de dados dos 25 artigos analisados na íntegra, a coleta da amostra desta pesquisa resultou na inclusão de um total de 15 artigos, como apresentado na figura 1.
Figura 1: Fluxograma das etapas realizadas para revisão integrativa. Guarabira, Paraíba, Brasil, 2025.
Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
Uma vez finalizada a seleção da amostra do estudo, a mesma foi caracterizada conforme a base de dados dos artigos elencados, seus respectivos autores, título, periódico, ano de publicação e metodologia da pesquisa, como descrito no Quadro 1.
Quadro 1 - Síntese de artigos conforme base de dados, autor, título, periódico, ano de publicação e metodologia da pesquisa, Guarabira, Paraíba, Brasil, 2025. (n = 15).
Identificação | Base de dados | Autores | Título | Periódico/ Ano | Metodologia |
A1 | MEDLINE | Tugwell13 | Breastfeeding selfies as relational practice: becoming a maternal subject in the digital age: a single case study | Int Breastfeed Journal / 2019 | Pesquisa qualitativa |
A2 | LILACS | Cabral et al.14 | Inserção de um grupo virtual na rede social de apoio ao aleitamento materno exclusivo de mulheres após a alta hospitalar | Interface: Comunicação Saúde Educação / 2020 | Pesquisa qualitativa |
A3 | MEDLINE | Lebron et al.15 | "Am I doing this wrong?" Breastfeeding mothers' use of an online fórum | Matern Child Nutr / 2020 | Pesquisa qualitativa |
A4 | MEDLINE | Galvão; Silva; Silva16 | Use of new technologies and promotion of breastfeeding: integrative literature review | Rev Paul Pediatr / 2021 | Revisão integrativa |
A5 | MEDLINE | Flax et al.17 | Breastfeeding Interpersonal Communication, Mobile Phone Support, and Mass Media Messaging Increase Exclusive Breastfeeding at 6 and 24 Weeks Among Clients of Private Health Facilities in Lagos, Nigeria | The Journal of nutrition / 2022 | Estudo de coorte longitudinal |
A6 | MEDLINE | Munyan; Kennedy18 | Perceptions of online informational social support among mothers in a lactation-focused virtual community: A survey study. | Women's Health / 2022 | Estudo transversal |
A7 | MEDLINE | Sanchez et al.19 | Social media intervention for promoting breastfeeding among WIC participants. | Food Science & Nutrition / 2023 | Estudo de intervenção |
A8 | MEDLINE | Severinsen; Neely; Hutson20 | Resisting stigma: the role of online communities in young mothers' successful breastfeeding. | International breastfeeding journal / 2024 | Pesquisa qualitativa |
A9 | MEDLINE | Morse; Brown21 | The benefits, challenges and impacts of accessing social media group support for breastfeeding: A systematic review. | Matern Child Nutr / 2022 | Revisão sistemática |
A10 | LILACS | Moura et al.22 | Mídia social na promoção do aleitamento materno | Saúde e Pesquisa / 2021 | Pesquisa descritivo-analítica |
A11 | MEDLINE | Morse; Brown23 | Accessing local support online: Mothers' experiences of local Breastfeeding Support Facebook groups | Matern Child Nutr / 2021 | Pesquisa exploratória |
A12 | MEDLINE | Marcon; Bieber; Azad24 | Protecting, promoting, and supporting breastfeeding on Instagram | Matern Child Nutr / 2019 | Pesquisa analítica |
A13 | MEDLINE | Cavalcanti et al.25 | Online participatory intervention to promote and support exclusive breastfeeding: Randomized clinical Trial | Matern Child Nutr / 2019 | Ensaio clínico randomizado |
A14 | MEDLINE | Regan; Brown26 | Experiences of online breastfeeding support: Support and reassurance versus judgement and misinformation | Matern Child Nutr / 2019 | Pesquisa qualitativa |
A15 | LILACS | Dalmaso; Bonamigo27 | A pesquisa on-line sobre amamentação: entre o senso comum e a OMS na era digital | RECIIS / 2019 | Revisão crítica |
Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
Diante da análise da amostra e suas características, observou-se que em relação à base de dados, predominaram 12 artigos na base de dados MEDLINE, sendo apenas 03 artigos identificados na LILACS. Quanto ao periódico, destacou-se o Maternal & Child Nutrition, que apresentou uma frequência de 06 artigos nesta revisão. No que se refere aos anos de tais publicações, evidenciou-se o ano de 2019, com 05 artigos. Por fim, sobre a metodologia adotada nos artigos da amostra selecionada, a pesquisa qualitativa se destacou com um total de 05 artigos.
A partir da análise minuciosa dos estudos da amostra, foi possível identificar os impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno, conforme apresentado no Quadro 2.
Quadro 2. Impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno. Guarabira, Paraíba, Brasil, 2025. (n = 15).
Identificação | Impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno |
A1 | As mídias podem exercer um papel crucial em fornecer suporte e orientação às mães que amamentam e em promover um sentimento de segurança. Nos fóruns online, as mulheres se tornam coletivamente as 'autoridades' e detentoras de conhecimento, o que resulta em uma maior aceitação da diversidade na representação da amamentação, sendo altamente benéfico, além de aumentar a visibilidade da prática através do compartilhamento de selfies de amamentação. |
A2 | Mídias sociais podem oferecer à mulher não apenas uma sensação aumentada de segurança diante dos desafios enfrentados, além de uma oportunidade de compreender e identificar melhor esse processo. Isso ajuda a reforçar a confiança materna em sua capacidade de amamentar, ao mesmo tempo que facilita a expansão e construção das relações interpessoais, contribuindo para a ampliação de sua rede de apoio social e, consequentemente, impactando positivamente na frequência e na duração da amamentação. |
A3 | As mídias podem facilitar que mães em fase de amamentação que enfrentaram desafios semelhantes e procuram orientação técnica sobre o processo recebam respostas embasadas, baseadas em experiência e encorajamento, usando uma comunicação conversacional e acessível. |
A4 | Pode-se utilizar as mídias sociais para prover educação e apoio em nutrição infantil para comunidades de difícil acesso ou geograficamente isoladas. Com isso, permitindo o compartilhamento de preocupações, medos e experiências entre mães lactantes, oferecendo encorajamento, apoio emocional, e servindo como uma oportunidade de socialização entre mães. Entretanto, o uso de mídias sociais durante a amamentação pode privar as mães do contato visual e da interação direta com seus filhos, aumentando a sobrecarga de informações e o tempo dedicado a isso. |
A5 | As mídias podem influenciar diversos elementos que promovem as práticas de amamentação, como autoeficácia, normas sociais, crenças, intenções e conhecimento. Adicionalmente, oferecem suporte aos grupos de amamentação possibilitando a interação direta fora do ambiente hospitalar. |
A6 | Mídias sociais possibilitam a entrega de intervenções em populações maternas distribuídas geograficamente, oferecendo uma alternativa ao suporte presencial à amamentação, promovendo acesso facilitado à informação, e permitindo aos profissionais aprimorar seus serviços, incentivando uma maior duração da amamentação por meio de intervenções de suporte. |
A7 | As mídias sociais promovem maior participação e conscientização nas campanhas de amamentação, facilitando a comunicação acessível para construir um ambiente de suporte com atitudes mais positivas e comportamentos encorajadores, aumentando a confiança pessoal e percebendo um maior apoio social, resultando em impacto direto no início e na continuidade do processo de amamentação. |
A8 | Percebe-se as mídias sociais como essenciais para superar os obstáculos e facilitar o acesso à informação. Além disso, tem um papel crucial na normalização da amamentação, oferecendo um suporte significativo as jovens mães por meio do acesso a um grupo com ideias afins, incluindo um senso de comunidade, metas compartilhadas e um sentimento de pertencimento social. Como contraponto à falta de aceitação cultural da amamentação em outros meios sociais, as comunidades online proporcionam um ambiente motivador e seguro para que as mães possam prosseguir com a amamentação. |
A9 | As mídias proporcionam benefícios, porque as mulheres que buscam e participam do suporte das comunidades online alcançam um impacto positivo nas suas metas de amamentação pessoais, fortalecendo sua confiança e empoderamento. Isso ocorre ao influenciar seu conhecimento, atitudes e comportamentos de maneira significativa, promovendo altos níveis de motivação, fortalecendo sua autoeficácia e conquistando apoio emocional, aspectos muitas vezes indisponíveis nos grupos presenciais que são inseridas na sociedade. |
A10 | A maioria dos vídeos divulgados em mídias sociais carece de fundamentação científica, o que pode acarretar problemas para o binômio mãe-bebê. No entanto, devido ao alto engajamento observado, os profissionais de saúde têm a oportunidade de disseminar informações confiáveis, embasadas em evidências científicas, desmistificando crenças arraigadas, mitos e tabus que prejudicam a amamentação. Isso contribui para contrapor ideias equivocadas que têm um impacto negativo na prática da lactação. |
A11 | As mídias apresentam uma disponibilidade de informações práticas sobre serviços locais, enriquecimento das vivências compartilhadas exclusivas, oportunidades de interação social, facilitação da continuidade do acompanhamento profissional, e um sentido valioso de suporte útil e reconfortante, o que motiva as mães a persistirem além de seus objetivos iniciais, graças ao apoio e à conexão estabelecidos. |
A12 | A mobilização de usuários para publicar e compartilhar abertamente uma variedade de conteúdos relacionados à amamentação nas mídias sociais criam redes de apoio que podem potencialmente oferecer novas oportunidades para assim apoiar, promover e proteger o aleitamento materno de maneira mais abrangente e confiante em sua vasta comunidade global online. Além disso, as dificuldades enfrentadas são consistentemente abordadas com empatia, encorajamento motivacional e orientações para lidar com desafios específicos. |
A13 | Mídias sociais facilitam o aprimoramento na interação entre profissionais e lactantes, oferecendo suporte imediato e apropriado para ajudar as mulheres a superar desafios e reduzir preocupações maternas. Além disso, promovem a troca de conhecimentos, encorajamento e experiências, o que melhora a eficácia e a humanização do cuidado pós-natal, permitindo que as mães tenham melhores condições para iniciar e manter a prática da amamentação de forma efetiva. |
A14 | As mídias sociais podem se apresentar como ambiente seguro que promove aumento da confiança e normalização da amamentação prolongada, oferecendo conveniência ao receber suporte sem sair de casa, disponível 24 horas por dia. As mulheres recorrem a colegas em busca de apoio, encontrando sentimentos de aceitação e segurança. No entanto, há um lado negativo preocupante: possíveis sentimentos de julgamento, debates polarizados e emocionais, além da falta de regulamentação. Algumas pessoas utilizam esses espaços para expressar opiniões muito fortes sobre a importância da amamentação exclusiva, nem sempre de maneira útil, resultando na disseminação de informações errôneas ou imprecisas que podem levar as mulheres a receberem orientações inadequadas. |
A15 | As mídias sociais podem se apresentar como centros de suporte, possibilitando humanização dos vínculos, acesso à educação em saúde e senso de inclusão proporcionando uma rede de apoio disponível 24 horas com acesso a informações, compartilhamento de experiências e, como resultado, fortalecimento da mulher no contexto da amamentação. As mães não apenas procuram resolver seus próprios desafios, mas também ajudar outras mulheres em suas dificuldades, promovendo uma rede de confiança e reciprocidade. |
Fonte: Dados da pesquisa, 2025.
Por meio da análise da amostra do estudo foi possível identificar diversos impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno, principalmente exercendo influências positivas nesse cenário.
A partir da utilização das mídias para promoção do aleitamento materno, seja através de grupos de whatsapp, páginas de facebook, perfis em instagram, twitter, fóruns online, sites como pinterest, percebeu-se relevantes contribuições, proporcionando significativos impactos positivos para o binômio mãe-bebê. Entre tais impactos, a atuação das mídias se destacaram no campo de fornecimento de suporte, apoio e encorajamento ao aleitamento materno.
Nesse sentido, Flax et al.17 abordaram que a utilização de grupos no whatsApp podem viabilizar a aproximação de profissionais de saúde com as mães, servindo de canais diretos de comunicação para aconselhamento, por meio de mensagens de texto, que possibilitam melhorias nas práticas de amamentação.
Munyan e Kennedy18 abordaram nessa perspectiva que plataformas, comunidades e grupos de mídias sociais promovem não somente uma maior interação entre as mães e os profissionais, mas também permite a disseminação de informações rápidas e acessíveis baseadas em evidências e amplia a imediatez de feedback, capazes de aumentar a autoeficácia na amamentação.
Sanchez et al.19 apresentaram que além dessa maior autoeficácia, o suporte por meio do envio de mensagens de apoio através de sites, facebook e instagram contribuem de modo significativo para o início e duração maior de amamentação, atitudes positivas, e apoio social. Diante disso, Cavalcanti et al.25 acrescentam que a comunicação ativa entre profissionais de saúde e as mães, com a abordagem de temas relacionados ao aleitamento materno promovem um suporte eficaz no alívio das preocupações das mulheres que amamentam.
Nesse contexto, destaca-se que a formação de comunidades online, além de fornecimento de suporte informativo, proporcionam suporte emocional e oportunidades de aprendizagem social, uma vez que as mães podem adquirir habilidades e conhecimento sobre amamentação não somente com profissionais, mas a partir da interação com outros membros dessas comunidades, proporcionando tranquilização e normalização diante do contato com conselhos de mães com experiências semelhantes.23, 26
Severinsen, Neely e Hutson20 destacaram em seu estudo que o acesso às informações valiosas por meio do compartilhamento das experiências frente ao aleitamento materno com outras mães melhora da compreensão ao longo de suas jornadas de amamentação, facilitando a aquisição de conhecimentos importantes sobre o processo de amamentação.
Com isso, percebe-se que grupos virtuais e fóruns online em mídias como facebook, instagram e whatsapp podem atuar como espaços de acolhimento, humanização das relações, suporte de estima e acesso, além de educação em saúde com informações atualizadas e disponíveis 24 horas para consulta. Isso pode contribuir para uma maior segurança no ato de amamentar e fortalecimento do vínculo entre as mães, bem como com os profissionais de saúde, o que fornece apoio na continuação da amamentação por meio da circulação de informações e fortalecimento dessas relações.21,27
Morse e Brown23 reiteram que os grupos presentes nas mídias sociais não só que oferecem acesso a conhecimento especializado e experiência compartilhada em um formato que as mães considerem conveniente e oportuno, mas melhoram a confiança, a autoeficácia, e formação de redes de apoio. A promoção de diálogo e interação entre mulheres a partir de experiências contextualizadas com a realidade viabilizam a construção de novas relações interpessoais e ampliação das interações sociais de apoio.14
Galvão; Silva; Silva16 referem ainda nesse cenário que a disseminação de orientações de especialistas e colegas incentivam o compartilhamento de medos, preocupações e troca de experiências entre mães e gestantes de diferentes idades auxilia na obtenção da ajuda emocional, incentivo, além de ser uma forma de apoio e socialização com outras mães.
Sendo assim, informações e experiências pessoais compartilhadas nesses espaços de interação virtual auxiliam na construção de consenso em torno de questões sobre amamentação, encorajando tal processo, e fornecendo apoio social para a superação de desafios que podem se apresentar ao longo desse percurso. Afinal, consistem não somente na oportunidade de criação de redes de apoio, como ainda possibilitam normalizar, proteger, promover e apoiar a amamentação.15, 24
Um outro impacto positivo identificado diante da análise da amostra estudada foi o auxílio das mídias sociais como meio de promover uma melhor compreensão das mulheres acerca do processo de amamentação, contribuindo para sua normalização.
Nessa prespectiva, Cabral et al.14 destacam que ambientes virtuais, como facebook e fóruns online, diante do estímulo ao diálogo e a interação, podem proporcionar um espaço seguro de compartilhamento de experiências e subjetividades femininas. Isso não apenas aumenta a segurança emocional diante das dificuldades, mas também possibilita a ressignificação da feminilidade, normalizando a experiência da amamentação.
Esse cenário é complementado por Severinsen, Neely e Hutson20, que apontam que a partir do acesso a informações e apoio online as mulheres alcançam uma melhor compreensão sobre o aleitamento materno, o que aumenta a normalização e a confiança em amamentar. Amplia-se assim a motivação para prolongar essa prática, o que consequentemente contribui para o aumento das taxas de amamentação.
Nesse panorama, nota-se o potencial que os conselhos rápidos e tranquilizadores oferecidos em fóruns online possuem, possibilitando uma maior confiança entre as mães e promovendo uma sensação de normalidade em relação às suas vivências. Isso pode permitir que as mulheres se sintam mais preparadas para enfrentar os desafios, e com isso, amamentando por mais tempo.26
Frente aos achados da amostra é nítido o impacto positivo das mídias sociais por meio da educação, proporcionando uma maior disseminação de informações sobre o aleitamento materno e atuando ativamente na sua promoção, inclusive em comunidades distantes.
Galvão, Silva e Silva16 abordam que a onipresença da tecnologia a torna uma ferramenta vital para fornecer suporte e educação a mulheres em áreas geograficamente distantes. Isso demonstra como as plataformas digitais podem atuar como um canal de acesso a informações relevantes sobre amamentação, parto e cuidados infantis, especialmente para aquelas que não teriam acesso a esse conhecimento de outra forma.
Enfatiza-se desse modo a relação custo-benefício dessas intervenções virtuais para populações maternas geograficamente diversas, destacando sua conveniência e acessibilidade econômica. A presença de profissionais de saúde nas comunidades online reforça essa acessibilidade, permitindo um suporte contínuo e abrangente para as mães, independente do local onde vivem.18 Nesse panorama, Moura et al.22 acrescentam que vídeos educativos além de informar podem desmistificar crenças e tabus sobre a amamentação, tornando a prática mais acessível e menos intimidante.
Além disso, Cavalcanti et al.25 ressaltam que a interação ativa em grupos fechados do facebook permite uma comunicação direta e enriquecedora entre mães. A publicação de conteúdos educativos, como cartazes semanais, estimula discussões que levam ao compartilhamento de conhecimentos e à construção de relacionamentos significativos. Essa troca de experiências não só ajuda as mulheres a superar dificuldades específicas, mas também transmite mensagens de confiança que são cruciais para a promoção do aleitamento materno.
A humanização das relações que emerge nesses espaços online configura-se como outro impacto positivo das mídias sociais ao reforçar a conexão entre mães e profissionais de saúde, criando um ambiente de apoio onde as participantes se sentem valorizadas e compreendidas, impactando positivamente as metas que as mulheres estabelecem para si mesmas.25
Afinal, a ideia de que soluções estão prontamente disponíveis em momentos de necessidade contribui para a formação de um espaço não só mais humanizado, como também seguro e confiável, onde o sucesso na amamentação pode ser celebrado com maior facilidade.23
Contudo, mesmo com essas amplas contribuições positivas no âmbito do aleitamento materno, as mídias sociais também podem exercer alguns impactos negativos. Conforme Galvão, Silva e Silva16 o uso da tecnologia durante a amamentação pode levar as mães a perderem a oportunidade de fazer contato visual e interagir com seus filhos. Além disso, enfatizaram que algumas mães manifestaram que, devido ao uso das mídias sociais, se sentiam sobrecarregadas pela quantidade de informações, tomando muito tempo, e desviando a atenção dos objetivos principais.
De acordo com Moura et al.22 em algumas mídias sociais é possível encontrar vídeos que são considerados inadequados ou incorretos, uma vez que não se baseiam em fundamentação cientifica, e o uso equivocado desse conteúdo pode provocar graves danos à saúde dos usuários, que na maioria das vezes não buscam se certificar da veracidade dessas informações divulgadas.
Além disso, Regan e Brown26 abordaram que as informações inadequadas também se apresentam entre os grupos presentes nas mídias sociais. Esses nem sempre são moderados adequadamente por pessoas devidamente qualificadas e isso significa que informações erradas são frequentemente compartilhadas, consistindo em suporte incorreto para as mulheres do grupo. Dessa forma, as participantes do estudo também relataram que tinham testemunhado ou recebido comentários que perceberam como julgamentos e que a falta de linguagem corporal e contexto físico contribuíram para esse sentimento negativo.
Constatou-se desse modo que as mídias sociais têm se tornado uma ferramenta poderosa no contexto do aleitamento materno, exercendo impactos tanto positivos quanto negativos. Plataformas como whatsapp, facebook,instagram, twitter, fóruns online e sites oferecem um espaço para troca de experiências, apoio mútuo e disseminação de informações úteis que podem empoderar mães e promover a amamentação, contribuindo para a construção de uma rede de apoio essencial em momentos de dificuldade.
No entanto, o uso dessas mídias também apresenta riscos. A disseminação de informações incorretas pode gerar insegurança e confusão, prejudicando a experiência de amamentação. É fundamental que as usuárias estejam atentas à fonte das informações que consomem, priorizando conteúdos de mídias confiáveis e baseados em evidências cientificas. O incentivo à verificação da veracidade das informações é crucial, uma vez que isso não apenas protege a saúde das mães e dos bebês, mas também fortalece a confiança nas decisões relacionadas ao aleitamento.
Portanto, o impacto das mídias sociais sobre o aleitamento materno depende significativamente de como essas ferramentas são utilizadas. Quando empregadas de maneira consciente e crítica, podem ser aliadas valiosas na promoção da saúde materno-infantil. Assim, promover a educação midiática entre as mães e incentivar o uso de fontes confiáveis é um passo fundamental para maximizar os benefícios e minimizar os riscos associados ao uso das mídias sociais nesse contexto.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
O desenvolvimento do presente estudo possibilitou identificar, a partir da literatura, os impactos das mídias sociais no contexto do aleitamento materno. Desse modo, constatou-se que as mídias podem exercer impactos positivos significativos, atuando como ferramenta de suporte, apoio, educação em saúde, comunicação, encorajamento, troca de informações e experiências, humanização e ainda construção de vínculos.
Apesar de uma ampla contribuição positiva das mídias na promoção do aleitamento materno, percebe-se que nesse contexto também podem ser observados impactos negativos, uma vez que em algumas mídias sociais são encontrados conteúdos incorretos, sem fundamentação cientifica, consistindo em suporte inadequado, e gerando sobrecargas e sentimentos negativos.
Dessa forma, torna-se primordial destacar a importância de utilizar adequadamente as mídias sociais como meios estratégicos na disseminação de informações de forma rápida e eficaz, atuando no incentivo à amamentação, e reforçando assim seu papel essencial no fortalecimento da educação de mães, na sensibilização da população em geral, bem como contribuindo ainda com a atuação dos profissionais de saúde.
Além disso, torna-se evidente a necessidade de aprofundar o estudo sobre esse tema na literatura científica, buscando ampliar o conhecimento sobre o uso das mídias sociais como aliadas na promoção do aleitamento materno. A exploração contínua desse assunto pode não apenas contribuir significativamente para a atuação dos profissionais de saúde envolvidos na área, mas também beneficiar diretamente as mães e seus bebês, potencializando as práticas de amamentação e maximizando seus benefícios para o binômio mãe-bebê.
Em suma, a relevância do uso correto das mídias na promoção do aleitamento deve ser continuamente incentivada e disseminada, pois já demonstra seu poder de transformar a experiência de amamentação e amplificar seus resultados positivos, promovendo a saúde e o bem-estar das futuras gerações.