FORMAÇÃO EM ENFERMAGEM PARA USO DOS SISTEMAS DE INFORMAÇÃO: CAMINHOS PARA A PEDAGOGIA CRÍTICA
NURSING EDUCATION FOR THE USE OF INFORMATION SYSTEMS: PATHS TO CRITICAL PEDAGOGY
FORMACIÓN EN ENFERMERÍA PARA EL USO DE LOS SISTEMAS DE INFORMACIÓN: CAMINOS HACIA LA PEDAGOGÍA CRÍTICA
Tipo de artigo: Relato de experiência
Autores
Shauan Keven Rocha Fontes
Enfermeiro. Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0755-321X
Jênia Kallena Santos Silva
Enfermeira. Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-0842-484X
Myria Ribeiro da Silva
Dra. em ciências. Enfermeira. Universidade Estadual de Santa Cruz, Ilhéus, Bahia.
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2600-6577
RESUMO
Objetivo: Descrever ações de Educação Popular em Saúde voltadas à vigilância em saúde no ensino de Sistemas de Informação em Saúde na formação em enfermagem. Metodologia: Estudo qualitativo, descritivo, do tipo relato de experiência, desenvolvido em uma disciplina do curso de Enfermagem de universidade pública do sul da Bahia, entre março e julho de 2025, fundamentado na Pedagogia Crítica de Paulo Freire, nas contribuições de bell hooks e na Educação Popular em Saúde. Resultados: As ações pedagógicas promoveram participação ativa, diálogo e problematização da realidade, fortalecendo a articulação teoria–prática e o desenvolvimento de competências críticas para o uso dos SIS na vigilância em saúde, em contraposição ao modelo bancário de ensino. Conclusão: As práticas educativas críticas, dialógicas e engajadas fortalecem a consciência crítica, a autonomia discente e a formação de enfermeiras capazes de analisar, questionar e intervir nos territórios, reafirmando a educação como prática de liberdade e transformação social no SUS.
DESCRITORES: Educação em saúde; Sistemas de informação em saúde; Vigilância em saúde; Enfermagem; Formação Profissional em Saúde.
ABSTRACT
Objective: To describe Popular Health Education actions focused on health surveillance within the teaching of Health Information Systems in nursing education.
Methodology: A qualitative, descriptive study in the form of an experience report, developed within a Nursing undergraduate course at a public university in southern Bahia, Brazil, between March and July 2025, grounded in Paulo Freire’s Critical Pedagogy, bell hooks’ contributions, and Popular Health Education. Results: The pedagogical actions promoted active participation, dialogue, and critical problematization of reality, strengthening the theory–practice integration and the development of critical competencies for the use of Health Information Systems in health surveillance, in contrast to the traditional banking model of education. Conclusion: Critical, dialogical, and engaged educational practices enhance critical consciousness, student autonomy, and the training of nurses capable of analyzing, questioning, and intervening in territories, reaffirming education as a practice of freedom and social transformation within the Brazilian Unified Health System (SUS).
DESCRIPTORS:
RESUMEN
Objetivo: Describir acciones de Educación Popular en Salud orientadas a la vigilancia en salud en la enseñanza de los Sistemas de Información en Salud en la formación en enfermería. Metodología: Estudio cualitativo, descriptivo, del tipo relato de experiencia, desarrollado en una asignatura del curso de Enfermería de una universidad pública del sur de Bahía, Brasil, entre marzo y julio de 2025, fundamentado en la Pedagogía Crítica de Paulo Freire, en las contribuciones de bell hooks y en la Educación Popular en Salud. Resultados: Las acciones pedagógicas promovieron la participación activa, el diálogo y la problematización crítica de la realidad, fortaleciendo la articulación teoría–práctica y el desarrollo de competencias críticas para el uso de los Sistemas de Información en Salud en la vigilancia en salud, en contraposición al modelo bancario de enseñanza. Conclusión: Las prácticas educativas críticas, dialógicas y comprometidas fortalecen la conciencia crítica, la autonomía estudiantil y la formación de enfermeras capaces de analizar, cuestionar e intervenir en los territorios, reafirmando la educación como práctica de libertad y transformación social en el Sistema Único de Salud (SUS).
DESCRIPTORES:
INTRODUÇÃO
O conceito ampliado de saúde associa as condições de vida ao processo de saúde-doença e orienta a formulação e implementação de estratégias no Sistema Único de Saúde (SUS) para a efetivação dos direitos constitucionais. Além disso, exige a avaliação e monitoramento constante das condições de saúde da população para uma visão abrangente das políticas implementadas em âmbito nacional, estadual, municipal ou territorial1.
Nesse contexto, os Sistemas de Informação em Saúde (SIS) constituem-se como estruturas de Estado que possibilitam diagnósticos territoriais, a construção de indicadores, o planejamento e a avaliação, além da organização dos processos de trabalho 2 e são coordenados pela instância nacional do SUS e implementados pelas instâncias regionais para a avaliação, monitoramento e intervenção nas políticas de saúde, inclusive para a vigilância3.
O SUS, enquanto ordenador da força de trabalho em saúde no Brasil, deve articular-se com os setores da educação, para a formação dos profissionais de saúde4. Assim, as diretrizes curriculares do curso de enfermagem devem estar de acordo com a formação de habilidades e competências que atendam aos anseios sociais, formando profissionais-cidadãos para intervir no processo saúde-doença de forma efetiva5. Essa articulação repercute diretamente nos processos de ensino aprendizagem. No entanto, as diretrizes e os projetos políticos pedagógicos (PPP) dos cursos, sozinhos, não asseguram que seus eixos norteadores serão implementados pelas instituições e componentes curriculares6.
A vigilância em saúde é um componente recorrente nos PPP dos cursos de enfermagem em instituições públicas no Brasil, sendo que os termos “notificação”, “investigação” e “informação” se apresentam mais fortemente nas ementas, demonstrando que a VS é central no processo formativo do enfermeiro7. Nesse cenário, a pedagogia crítica, inspirada em Paulo Freire, tem sido incorporada às práticas educativas na saúde, buscando romper com a educação bancária e se baseia, principalmente, em marcos teóricos e metodológicos que compartilham a visão e construção entre os atores envolvidos no processo educativo, adequadas à singularidade de cada ator em diversos contextos8,9.
Com base na obra e trajetória de Freire, a autora e ativista estadunidense bell hooks, destaca que a consciência crítica para o questionamento das estruturas, a construção de relacionamentos autênticos entre os pares, a valorização das singularidades, o desafio à norma, a equidade e a valorização da diversidade são pontos centrais para a construção do processo educativo e do senso de comunidade10. No campo da educação em saúde, esses princípios dialogam com as diretrizes da Política Nacional de Educação Popular em Saúde (PNEPS), amplamente utilizada nos serviços do SUS e aplicável também ao delineamento de processos formativos de profissionais de saúde11.
Diante do exposto, embora haja estudos sobre vigilância nos PPP, há poucos sobre práticas pedagógicas freireanas no ensino de SIS e vigilância em saúde na formação em enfermagem, o que justifica a necessidade de descrever vivências, singularidades e fragilidades no engajamento crítico para a construção de habilidades e competências necessárias para o trabalho da enfermeira nos serviços de saúde do SUS, especialmente com o uso dos SIS para a VS. Diante disso, objetivou-se descrever as ações de educação popular em saúde voltadas à vigilância em saúde, desenvolvidas em uma disciplina de uma universidade no sul da Bahia.
MÉTODO
Trata-se de um estudo qualitativo, descritivo, do tipo relato de experiência, das ações de ensino de uma disciplina do curso de bacharelado em enfermagem da Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC), sul da Bahia, Brasil, com base nas estratégias delineadas na Política Nacional de Educação Popular em Saúde e nas teorizações da Pedagogia crítica8,10 entre março e julho de 2025.
Para seu delineamento, o estudo foi ancorado metodologicamente nos pressupostos de Mussi; Flores & Almeida (2012)12, que definem os relatos de experiência como uma expressão escrita de vivências, que têm a capacidade de contribuir na produção de conhecimentos nas mais diversas áreas e relaciona uma série de componentes base para o seu delineamento metodológico.
As ações tiveram o objetivo de formar competências e habilidades de uso e interpretação dos sistemas de informação em saúde para a atuação da enfermeira nas ações e serviços de vigilância em saúde do SUS e fizeram parte do cronograma da disciplina “Sistemas de Informação em Saúde”, ofertada no 4º semestre do curso de enfermagem da UESC, em Ilhéus, município de médio porte no sul do estado da Bahia.
A ação foi desenvolvida com o público alvo de 24 discentes regularmente matriculados, uma docente orientadora e dois discentes monitores que articulam as ações de ensino e extensão, junto ao Laboratório de Infectologia do Núcleo de Estudos, Pesquisa, Extensão e Metodologias da Enfermagem (NEPEMEnf/UESC), utilizando como recursos os horários disponibilizados para a disciplina, a sala de aula devidamente equipada com carteiras e mesas, projetor, quadro branco e equipamentos tecnológicos para a mediação das metodologias ativas.
As atividades foram desenvolvidas a partir da proposta de Educação Popular em Saúde, que articula o cenário real da prática com uma reflexão do aluno frente ao seu pensar e ao seu agir, como atribuição integrada ao cotidiano de trabalho do profissional de saúde11. O cronograma da disciplina contou com momentos síncronos (em sala de aula) e assíncronos (metodologias fora de sala de aula), divididos em três momentos: 1 - Conceitos e situações problemas; 2 - autoconhecimento e vivências discentes; 3 - oficina dialogada com experiência prática do uso dos SIS, conforme tabela 1.
Tabela 1. Atividades de Educação Popular em Saúde na disciplina de Sistemas de Informação em Saúde.
OBJETIVO EDUCACIONAL | ||
Desenvolver habilidades e competências para utilização dos SIS para atuação na vigilância em saúde. | ||
CONTEÚDO/ASSUNTO (O que?) | ESTRATÉGIAS (Como?) | RECURSOS (Com o que?) |
Pré – concepção: Reunião para viabilidade conceitual e material; | Análise de viabilidade e alinhamento estratégico. | Sala online de reunião – Google Meet. |
1º Momento: Aulas síncronas com conceitos inerentes à formação de competências e habilidades; Situação problema; | Exposição dialogada e problematização. | Sala de aula. |
2º Momento: Parte 1 – Discussão sobre autoconhecimento discente e experiências vividas; Parte 2 – Discussão dos artigos com situações problemas e vivências; | Escuta; Problematização. | Sala de aula; Equipamentos tecnológicos; Textos impressos. |
3º Momento: Oficina dialogada prática | Exposição dialogada; problematização e escuta. | Sala de aula; Equipamentos tecnológicos. |
Fonte: Elaborado pelos autores (2025).
Na pré - concepção da ação, a docente orientadora reuniu com os discentes monitores para verificação da viabilidade conceitual e material das atividades, o que culminou nos três momentos de implementação. No primeiro momento, foram utilizadas as aulas iniciais para a exposição dialogada dos conceitos inerentes à formação sobre o uso dos SIS e da vigilância em saúde, abordando temas como: o resgate histórico dos SIS no Brasil; os principais SIS utilizados no Brasil; a proposta da interoperabilidade dos SIS no Brasil; principais aplicações e indicadores dos SIS. Atrelado aos temas, foi exposta uma situação problema que delineava a vida de uma usuária do SUS, do nascimento até a morte e as relações com os SIS e os impactos na saúde da população.
O segundo momento durou cerca de 4 dias/12 aulas foi em parte intrínseco às aulas conceituais, em que a docente orientadora e os discentes monitores mediaram o debate em relação ao autoconhecimento discente e as experiências vividas relacionadas aos SIS e a situações problemas do cotidiano. Em uma segunda parte, a sala foi dividida em quatro grupos de discussão e trabalho, em que foram disponibilizados artigos relacionados ao uso dos SIS e às vivências discentes expostas, sendo que cada grupo ficou com um dos seguintes grandes temas: Iniquidade e mortalidade infantil; perda de vacinas e Cobertura vacinal; exames de colo de útero; relações entre tuberculose e renda.
Após disponibilização dos artigos, os grupos tiverem momentos assíncronos para preparação de uma breve discussão sobre o que cada grupo pôde evidenciar do uso dos SIS e a viabilidade de reprodução das problematizações do artigo no cotidiano da prática profissional da enfermeira, seja no serviço assistencial ou na gestão.
O terceiro momento se constituiu por uma oficina prática dialogada em que na primeira parte os discentes monitores realizaram uma breve exposição do uso dos SIS de forma prática, e oportunizaram que cada grupo fizesse a coleta de dados no sistema, a partir de seu tema em um território de escolha do grupo. Foi solicitado que cada grupo viabilizasse equipamento adequado para a realização da atividade. Durante a oficina, a docente e os discentes monitores oportunizaram a exposição inicial com a coleta de dados em um dos SIS, além da resolução de dúvidas. Ao final da oficina, os dados foram apresentados em formato de roda de conversa com toda a turma, o que também oportunizou levantar as críticas, sugestões e comentários dos discentes sobre a experiência da metodologia da disciplina.
Em outro dia, dando continuidade a segunda parte da oficina, buscou-se promover uma reflexão crítica a fim de articular conceitos e promover um avanço conceitual e reflexivo a partir dos questionamentos do processo de coleta de dados e o campo de atuação da enfermeira na vigilância em saúde.
Tal análise foi amparada a partir dos diários de campo das observações participantes da docente e discentes monitores da ação, e de ampla fundamentação bibliográfica da literatura, alinhada às teorias da Pedagogia crítica de Freire. Este estudo dispensa a necessidade de apreciação ética pois descreve observações e experiências sobre a elaboração de ações em um componente disciplinar, sem a identificação dos atores participantes.
RESULTADOS
Ao total foram realizados 9 (36h/aula) encontros síncronos presenciais e 2 (9h/aula) atividades assíncronas em grupo, com 24 discentes matriculados e 12h/aula de ausência entre os discentes. A disciplina de SIS estuda os aspectos teóricos e conceituais de informação, informação em saúde e os SIS utilizados em todo o território nacional e seus impactos na atuação profissional da enfermeira, principalmente no que concerne às competências e habilidades da vigilância em saúde no SUS.
As ações de EPS implementadas na disciplina abordaram a contrariedade da norma, formando profissionais que tenham a habilidade de utilizar os SIS, atrelando-os às problematizações do seu cotidiano profissional, de forma contrária à educação bancária. Nos três momentos, os discentes tiveram ampla participação relacionando os conceitos expostos à situação problema da usuária do SUS e as relações do direito à saúde e sua trajetória nos SIS. Atrelado a isso, a experiência prática de coleta de dados e avaliação da situação de saúde do território escolhido por cada grupo pode oportunizar a cada discente o contato com a coleta de dados com o uso dos SIS e o delineamento de observações acerca da vigilância em saúde. Ademais, foi realizada a articulação entre ensino/pesquisa/extensão/assistência através do incentivo à extensão e à pesquisa nas situações problemas do cotidiano.
DISCUSSÃO
A implementação das ações de EPS sugerem uma ruptura com o modelo tradicional bancário, tecnicista e conteudista de ensino dos SIS, frequentemente centrado na transmissão acrítica dos regulamentos, indicadores e fluxos. Segundo Freire, a educação bancária é um modelo educacional onde a figura docente transfere passivamente conteúdo para o discente, que se encontra em posição depositária, sem diálogo, reflexão ou questionamento8. De forma contrária, a ação relatada expõe uma proposta pedagógica que desloca o foco em “aprender os sistemas” para compreender criticamente a informação em saúde como produto social, atravessado pelas situações problemas do cotidiano.
As práticas também se relacionam com hooks (2013)10 que afirma que o ensino engajado exige práticas que convoquem o estudante a pensar, questionar e posicionar-se. As rodas de conversa, os momentos assíncronos de diálogo entre os grupos e a oficina dialogada favoreceram a escuta ativa, a troca de saberes e a construção coletiva de sentidos sobre o uso dos SIS e seu uso para vigilância em saúde nos territórios. Para o ensino como prática de liberdade, é necessária a construção de uma conexão autêntica entre educadores e estudantes a partir da construção de relacionamentos genuínos entre os pares, de caráter horizontal8,10.
Nessa experiência, destaca-se o papel crucial da educadora e dos facilitadores na construção da comunidade pedagógica, seja pela escuta dos medos, anseios e vivências, seja pela dessocialização das narrativas de experiências para a discussão em sala de aula, dialogando diretamente com a realidade dos territórios, com as experiências prévias e com a teoria e prática, eliminando assim a possibilidade de educadores atuarem como inquisidores oniscientes e silenciosos, comumente idealizados na educação bancária nos processos formativos da saúde10.
A experiência prática de coleta e análise dos dados dos SIS se mostrou fundamental para a construção da consciência coletiva crítica, central na obra de Freire ao compreender que a relação teoria e prática se dão, antes de tudo, na relação homem-mundo, como condição essencial para articular uma coerência entre pensamento e ação, que é práxis8. A partir deste entendimento, os discentes participantes puderam refletir sobre as limitações dos sistemas, as iniquidades expressas nos dados e análises levantadas e nas implicações políticas do uso dos SIS para a vigilância em saúde e para a garantia do direito à saúde no Brasil.
A aprendizagem se aprofunda ainda mais quando envolve o corpo, a emoção e a experiência vivida, não apenas os conceitos e protocolos. A análise de temas como mortalidade infantil, cobertura vacinal e as iniquidades da tuberculose foram instrumentos de leitura crítica da realidade, também já utilizados como instrumento em outras experiências a partir da obra da pedagogia crítica13. Assim, a partir da experiência dos discentes com a realidade na qual está inserido, tomam para si a função de analisar e refletir sobre sua realidade, no sentido de desenvolver uma apreciação crítica sobre ela e assim, colaborar ativamente com o desenvolvimento de habilidades e competências essenciais para a vigilância em saúde11.
As ações de EPS foram limitadas ao tempo reduzido da disciplina e a desigualdade de acesso a equipamentos tecnológicos, frente a impossibilidade momentânea de uso dos laboratórios de informática da universidade. Assim, destaca-se que a prática educativa crítica é um processo inacabado marcado pelas tensões e contradições do sistema educacional vigente8 e que o ensino engajado exige, para além da vontade docente, investimento institucional, condições materiais e formação pedagógica continuada10. Outrossim, as fragilidades não invalidam a proposta de inovação pedagógica, que aponta caminhos para o aprimoramento e institucionalização das práticas da pedagogia crítica nos projetos pedagógicos e componentes curriculares do curso de enfermagem, na contramão da norma7,14.
A experiência contribuiu para preencher a lacuna de práticas freirianas no ensino de SIS e vigilância em saúde para a atuação no SUS, a partir do delineamento de caminhos para a pedagogia crítica. A EPS pode se constituir, assim, como estratégia central para a formação em saúde, especialmente no contexto histórico-social brasileiro desigual em que a formação em saúde deve atender aos anseios sociais.
CONCLUSÃO
A experiência demonstra que ações de Educação Popular em Saúde fundamentadas em abordagens críticas, dialógicas e emancipatórias constituem uma ruptura necessária com o modelo bancário e tecnicista de ensino ainda predominante nos processos formativos em saúde, ao deslocarem o foco da mera transmissão de conteúdos para a compreensão crítica da informação em saúde como construção social situada. Ao valorizar a escuta, a horizontalidade das relações pedagógicas e a socialização das vivências, a proposta fortalece a articulação entre teoria e prática como práxis transformadora, promovendo a autonomia profissional em enfermagem e a formação de sujeitos capazes de analisar, questionar e intervir na realidade concreta dos territórios, reafirmando o papel da educação como prática de liberdade e compromisso com a transformação das condições de saúde da população.
REFERÊNCIAS
AGRADECIMENTOS
Os autores agradecem à Universidade Estadual de Santa Cruz e ao Colegiado de Enfermagem, pelo apoio e motivação à inovação pedagógica.