EDUCAÇÃO EM SAÚDE NA ADESÃO AO TRATAMENTO DA SÍFILIS NA GESTAÇÃO: DESAFIO DO ENFERMEIRO NA ATENÇÃO PRIMÁRIA

Health education in adherence to syphilis treatment during pregnancy: a challenge for nurses in primary care.

Educación sanitaria para la adherencia al tratamiento de la sífilis durante el embarazo: un reto para las enfermeras de atención primaria.

Bruno de Oliveira Dias Spezani1

Doutor em Bioética, Ética aplicada e Saúde Coletiva ENSP/FIOCRUZ

Centro Universitário Augusto Motta - UNISUAM.

Rio de Janeiro-RJ.

Orcid: https://orcid.org/0000-0001-8921-9532

Andréa Lucia Reis Gracio2

Graduada em Enfermagem-UNISUAM

Rio de Janeiro-RJ.

Orcid: https://orcid.org/0009-0007-5490-2164

Simone de Oliveira Paixão3

Mestre em Educação, Gestão e Difusão em Biociências-IBqM/UFRJ.

Rio de Janeiro-RJ.

Orcid:https://orcid.org/0000-0003-4404-8738

Barbara Christiane da Silva Louzada4

Graduda em enfermagem- Faculdade Luiza de Marillac

Rio de Janeiro-RJ.

Email:barbarachristianelouzada@gmail.con

Orcid:https://orcid.org/0009-0008-6984-2309

Sheila de Assis Costa Teodoro5

Graduação em Enfermagem e Obstetricia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro-UFRJ. Rio de Janeiro-RJ.

Orcid:https://orcid.org/0009-0003-5053-1360

Silvia Regina Carvalho6

Mestre em Enfermagem pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ)

Rio de Janeiro-RJ.

Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2497-9930

RESUMO

A sífilis é um grande problema de saúde pública no Brasil, especialmente em gestantes com a transmissão vertical da sífilis. Assim, é de suma importância a conscientização da prevenção e tratamento para enfrentamento do problema. Como objetivo Identificar evidências científicas disponíveis na literatura acerca de intervenções educativas do Enfermeiro sobre a adesão ao tratamento da sífilis das gestantes e parceiros. Metodologia: Trata-se de um estudo bibliográfico, do tipo revisão integrativa da literatura, foi realizado um levantamento na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), especificamente nas bases LILACS, MEDLINE, BDENF e SCIELO, sendo utilizados os descritores: Enfermagem; gestante; Sífilis; cuidado pré natal. Resultados: A partir da análise dos 08 artigos, foi possível elaborar um consolidado das estratégias utilizadas pelos enfermeiros, dentre elas: adoção de práticas educativas; estratégias de busca ativa; orientações sobre prevenção e tratamento. Conclusão: Concluiu-se que os enfermeiros possuem percepção ampla acerca dos fatores que interferem para a adesão das gestantes ao tratamento de sífilis  e seu parceiro. Ficou clara a  necessidade  de  atividades  educativas durante o pré-natal que ofereçam informações às pacientes sobre a sífilis e demais IST’s. A  assistência  pré-natal   deve   ser   considerada   uma   grande oportunidade para implantação de ações de prevenção e promoção à saúde.

DESCRITORES: Educação em saúde; Enfermagem; gestante; Sífilis; Atenção Básica.

ABSTRACT

Syphilis is a major public health problem in Brazil, especially among pregnant women due to vertical transmission. Therefore, raising awareness about prevention and treatment is crucial to addressing the problem. The objective was to identify available scientific evidence in the literature regarding educational interventions by nurses on adherence to syphilis treatment among pregnant women and their partners. Methodology: This is a bibliographic study, an integrative literature review. A search was conducted in the Virtual Health Library (VHL), specifically in the LILACS, MEDLINE, BDENF, and SCIELO databases, using the following descriptors: Nursing; pregnant women; Syphilis; prenatal care. Results: From the analysis of the 8 articles, it was possible to consolidate the strategies used by nurses, including: adoption of educational practices; active search strategies; and guidance on prevention and treatment. Conclusion: It was concluded that nurses have a broad understanding of the factors that interfere with pregnant women's adherence to syphilis treatment and that of their partners. The need for educational activities during prenatal care that provide patients with information about syphilis and other STIs was made clear. Prenatal care should be considered a great opportunity to implement prevention and health promotion actions.

KEYWORDS: Health education; Nursing; pregnant women; Syphilis; Primary Care.

Objective: Method: Results: Conclusion:

RESUMEN

La sífilis es un importante problema de salud pública en Brasil, especialmente entre las mujeres embarazadas debido a la transmisión vertical. Por lo tanto, sensibilizar sobre la prevención y el tratamiento es fundamental para abordar este problema. El objetivo fue identificar la evidencia científica disponible en la literatura sobre las intervenciones educativas de enfermería para la adherencia al tratamiento de la sífilis en mujeres embarazadas y sus parejas. Metodología: Se realizó un estudio bibliográfico, una revisión integrativa de la literatura. Se llevó a cabo una búsqueda en la Biblioteca Virtual en Salud (BVS), específicamente en las bases de datos LILACS, MEDLINE, BDENF y SciELO, utilizando los siguientes descriptores: Enfermería; mujeres embarazadas; sífilis; atención prenatal. Resultados: Del análisis de los 8 artículos, se logró consolidar las estrategias utilizadas por el personal de enfermería, incluyendo: la adopción de prácticas educativas; estrategias de búsqueda activa; y orientación sobre prevención y tratamiento. Conclusión: Se concluyó que el personal de enfermería posee un amplio conocimiento de los factores que interfieren con la adherencia al tratamiento de la sífilis en las mujeres embarazadas y sus parejas. Se evidenció la necesidad de realizar actividades educativas durante la atención prenatal que brinden a las pacientes información sobre la sífilis y otras ITS. La atención prenatal debe considerarse una excelente oportunidad para implementar acciones de prevención y promoción de la salud.

PALABRAS CLAVE: Educación para la salud; Enfermería; Mujeres embarazadas; Sífilis; Atención primaria.

INTRODUÇÃO

O presente artigo tem como objeto de investigação Educação em saúde a adesão ao tratamento da sífilis em gestantes: desafio do Enfermeiro na Atenção Básica.

A sífilis é uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST), ocasionada por uma bactéria sistêmica, que  evolui  de  forma  crônica  e  por  vezes  de  modo silencioso,  causada  pelo  agente  etiológico Treponema pallidum. Quando não tratada, a patologia pode apresentar várias manifestações clínicas em diferentes estágios. A sífilis pode ser classificada em sífilis recente (primaria, secundária, latente recente) e tardia (latente tardia e terciária). Os estágios considerados com maior risco de transmissão são primários e secundários4.

Segundo13 trata-se de uma doença infectocontagiosa crônica, curável, causada pela bactéria Treponema pallidum. A via sexual é a principal forma de transmissão, causando a sífilis adquirida. As gestantes positivas para sífilis (sífilis gestacional), que não realizaram o tratamento ou foram tratadas de forma inadequada, podem transmitir a infecção para o feto pela via transplacentária ou durante o parto vaginal, caso haja a presença de lesões genitais maternas no canal de parto (sífilis congênita).

Nos últimos anos o grau de contaminação teve um grande aumento, através das notificações realizadas nas consultas de pré-natal, por esse motivo a importância da detecção da doença em tempo hábil é fundamental, sendo então logo no primeiro trimestre para realizar os exames necessários e o tratamento mais rapidamente6.

A sífilis em gestante se tornou uma doença de notificação compulsória pelo seu agravo e em busca de controlar a sua transmissão na população, instituindo assim políticas de saúde pública. A notificação foi instituída pela portaria n°33 de 14 de junho de 2005. Na primeira consulta de pré-natal a gestante deve fazer o exame para a detecção da infecção da sífilis e repetir no 3° trimestre de gestação e horas antes do parto (independentemente dos resultados anteriores), e em caso de abortamento3.

Acredita-se que a   sífilis é   transmitida principalmente pela relação sexual  e,  devido  à capacidade   da   espiroqueta  em   atravessar   a barreira  placentária,  o  feto  também  pode ser acometido  e  adquirir   a   sífilis   congênita. Compreende-se, dessa forma, que a sífilis pode ser classificada em adquirida e congênita, sendo que a sífilis adquirida pode ainda ser dividida em fases primária, secundária, terciária e períodos de latência.  Ressalta-se que as  fases  da  sífilis  são  caracterizadas  por  lesões  distintas  em    órgão  e  tecidos  e,  quando  o tratamento não é realizado, a sífilis torna-se crônica7.

Durante o  primeiro  e  o terceiro   trimestre   de   gravidez   são   solicitados   exames preventivos,  dentre  eles  está  o  da  VDRL,  por  isso  a  importância  do  pré-natal,  que  deve  ser iniciado  antes  da  décima  quarta  semana  de  gestação.   Entretanto, observa-se  um  reduzido conhecimento por parte das gestantes com relação aos malefícios que a sífilis não tratada possa causar ao recém-nascido, notando-se que muitas vezes as parturientes não   dão  a  importância   necessária  ao  pré-natal,  julgando  serem  saudáveis  e não  necessitarem  de acompanhamento10.

A Sífilis Congênita (SC) tem o seu acontecimento quando a mãe infectada transmite por meio  da  placenta  a  doença  para  o bebê,  podendo  está  infecção  ser  transmitida  em  qualquer estágio para o feto. Diversificadas consequências da doença para o bebê são direcionadas de acordo com a gravidade da patologia na mãe, podendo haver o risco de abortos espontâneos, parto precoce e ao nascer à criança pode apresentar os sinais e sintomas da doença. A SC tem suas manifestações caracterizadas com variações relacionadas à sua ocorrência nos primeiros anos de vida (SC precoce) e após um ano de idade (SC tardia)11.

Conforme Palhares (2020) além do comprometimento no âmbito do tratamento, a falta de informação acerca da doença também compromete o autocuidado, a compreensão de que a mesma pode afetar a criança e a realização de exames específicos. Neste sentido, o pré-natal é um momento oportuno para a realização de ações educativas referentes a sífilis, possibilitando ações de prevenção e promoção à saúde. É uma oportunidade das gestantes e seus companheiros tirarem dúvidas e serem aconselhados pelos profissionais de saúde.

Portanto, mesmo com as estratégias de promoção e prevenção as infecções sexualmente transmissíveis em especial a sífilis, a atuação do enfermeiro se torna bastante desafiadora para o diagnóstico e o tratamento, seja por aceitação da doença ou por a recusa do tratamento com antibióticoterapia. Para alcançar taxas menores é preciso que haja uma mobilização governamental e social, sendo que o profissional enfermeiro tem o desafio de ser o mediador do conhecimento e do acesso aos serviços de saúde oferecido a gestantes e outros usuários13.

Segundo13 o controle ao tratamento a sífilis o enfermeiro atua em diversas frentes, ao pré-natal esclarecer e direcionar ao parceiro e a gestante o tratamento de maneira correta, com grupos de palestras, visita domiciliar (VD), realizando nessas mulheres o teste rápido (TR) bem com a garantia de tratamento em casos positivos, para um tratamento precoce, minimizando os riscos. Os desfechos negativos da sífilis materna não tratada resulta em 40% de interrupção precoce da gravidez, 11% de morte fetal, e de 12% a 13% de parto prematuro ou baixo peso ao nascer. A sífilis congênita precoce leva a sinais de icterícia,  esplenomegalia,  anormalidades  ósseas,  anemia  e  outros.

A  literatura  aponta  a  importância  do  Enfermeiro em  promover ações integrais de Educação em Saúde,  que qualifiquem  esse  atendimento,  com  bom  acolhimento,  orientações  sobre  a necessidade de rastreamento da sífilis durante o Pré-Natal, notificando e realizando busca ativa, a fim de desenvolver um acompanhamento a terapia indicada, e monitorar análises sorológicas evitando complicações e garantindo maior segurança para mãe e para o bebê20.

O enfermeiro pode prevenir a transmissão vertical por meio da promoção da saúde e do autocuidado  da  mulher  e  de  seu  parceiro,  além  de  um pré-natal  de  qualidade.  No  ambiente hospitalar,  quando  a  SC  é  diagnosticada,  muitas  mães  ficam  surpresas  e  chocadas,  pois  não esperavam que o filho fosse infectado e precisam de apoio e orientação do enfermeiro quanto ao diagnóstico, tratamento e cuidados com a saúde, não só para elas, mas também com o recém-nascido25.

Portanto faz-se necessário identificar as dificuldades que o Enfermeiro vem enfrentando no cotidiano de seu trabalho, especialmente no que se refere a dificuldade de produzir vínculos e estratégia nova do cuidado com os parceiros sexuais das gestantes de modo que os mesmos se comprometam com o cuidado de si e para com a gestante. Desse modo reconhece-se a importância da abordagem do Enfermeiro voltada para os parceiros sexuais de gestantes com sífilis.

Diante do presente contexto, este estudo gerou a seguinte pergunta: “quais as estratégias de adesão utilizadas por enfermeiros da atenção primária a adesão ao tratamento de sífilis em gestantes?”, que busca uma profunda investigação, esta abordagem visa além da compreensão, referente a magnitude do problema, mas também identificar lacunas nas estratégias voltadas para a prevenção e tratamento, possibilitando futuras contribuições para o fortalecimento de políticas públicas eficazes ao combate a sífilis, especialmente em sua forma congênita.

Desse modo, essa pesquisa tem como objetivo Identificar evidências científicas disponíveis na literatura acerca de intervenções educativas do Enfermeiro sobre a adesão ao tratamento da sífilis das gestantes e parceiros.

A motivação em abordar essa temática foi iniciada através da vivencia do autor em trabalhar com saúde da mulher e cuidados a gestante, tendo grande interesse no aprofundamento e ampliação dos nossos conhecimentos para prestarmos melhor assistência.

Partindo do pressuposto, o presente estudo justifica-se, considerando o aumento na taxa da incidência de mulheres com sífilis e da alta taxa de possibilidade da transmissão vertical intraútero (da mãe para o bebê, de até 80%), esse estudo justifica-se pelo fato de que a ocorrência de sífilis na gestação pode acarretar intercorrências para a gestante e o concepto quando não acompanhados de forma adequada. Mesmo com o aumento do número de consultas de pré-natal.

Anualmente, calculam-se dois milhões de casos de gestações afetadas pela doença no mundo, sendo responsável por cerca de 25% de casos de nati-mortos ou abortos espontâneos e 25% dos neonatos tem baixo peso ao nascer ou infecção grave, favorecendo o aumento dos casos de morte pré-natal4.

De modo geral, sabemos que a sífilis vem apresentando crescimento nos dias atuais, sobre a gestante, os enfermeiros precisam saber a importância de reconhecer e dimensionar essa mulher a realizar o tratamento o mais rápido possível, seu trabalho em relação ao tratamento prestado a gestante necessita de grande atenção e empenho em suas condutas. Visando a segurança e promoção a saúde com um conjunto de cuidados com o objetivo de obter melhoras ao atendimento, que possamos fazer com satisfação aquilo que sabemos e evitarmos riscos e complicações para essa gestante e ao feto.

Pretende-se com este estudo contribuir para melhor qualificação, partindo do conhecimento, necessidade e prioridades a gestante diante da sífilis em que o enfermeiro  utiliza estratégias de voltadas para promover a adesão ao tratamento da sífilis em gestantes e seus parceiros, contribuindo para a prática assistencial e aprimoramento de protocolos, de modo a contribuir, indiretamente, para a redução dos casos de sífilis congênita e para o fortalecimento das práticas assistenciais na Rede de Atenção à Saúde.

O presente estudo pretende contribuir em três áreas: pesquisa, ensino e serviço: como fonte de pesquisa, pode oferecer aos leitores subsídios atualizados para novos estudos sobre o tema proposto, tornando plausível um maior entendimento sobre o pré natal das gestantes sifilíticas e seus parceiros e a prevenção prestada pela assistência de enfermagem ampliando a discussão entre professores e alunos quanto à importância da prevenção da sífilis.

Terá relevância também no âmbito do ensino, contribuindo com uma produção mais atualizada em pesquisas sobre a adesão ao tratamento das gestantes portadoras de sífilis na Atenção Básica de Saúde (ABS), com a possibilidade de aprofundamento no tema para aqueles que se interessam pelo assunto.

MÉTODO

Trata-se de um estudo bibliográfico, do tipo revisão integrativa da literatura a respeito da Educação em saúde a  adesão das gestantes ao tratamento da sífilis.

A escolha do estilo metodológico se deu a partir do entendimento de que a revisão bibliográfica visa a realização de um agrupamento de diferentes pensamentos de forma que isso forneça subsídio para a criação de uma compreensão ampliada acerca do assunto2,22.

Para a realização de uma revisão bibliográfica com uma qualidade melhor é
importante se escolher a técnica que será realizada, o rigor metodológico garante ao autor maior precisão no momento da busca e a efetivação de uma pesquisa bibliográfica mais sistemática, dessa maneira optou-se para realizar uma revisão bibliográfica do tipo integrativa
2,22.

A pesquisa teve como base a seguinte pergunta norteadora: “quais os desafios enfrentados por enfermeiros mediante a gestante com diagnóstico de sífilis à adesão ao tratamento”?

A busca foi efetuada através da pesquisa no Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), na qual foram delimitadas as bases de dados da Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), Medical Literature Analyses and Retrieval System Online (MEDLINE) e Base de dados de Enfermagem (BDENF).

Optou-se por se utilizar um recorte temporal de publicações dos últimos cinco anos, além de serem empregado os descritores específicos, disponíveis no Descritores em Ciências da Saúde (DeCS), que são eles: Enfermagem; gestante; Sífilis; educação em saúde; Atenção Básica. Tais descritores serão associados pela utilização do operador booleano “AND”.

Para a realização da terceira etapa do estudo foram empregados os critérios de inclusão e exclusão. Sendo os critérios de inclusão: artigos publicados na íntegra,
disponíveis eletronicamente, de maneira gratuita, dentro do corte temporal estabelecido, nos idiomas português e inglês, que estejam dentro da temática proposta. Os critérios de exclusão foram: artigos repetidos, que não contemple o tema proposto ou que não estejam coerentes com os descritores estabelecidos; além de dissertações, monografias e teses.

Ressalta-se que a quarta, quinta e sexta etapas da revisão integrativa correspondem à fase de análise, interpretação, discussão dos resultados encontrados e apresentação da revisão. Nesta fase foi feita a pré-análise do material mediante a pesquisa nas bases de dados. Os achados foram discutidos e analisados à luz da abordagem qualitativa e do apoio teórico do estudo, após a leitura exaustiva dos artigos as quais facilitarem a análise e discussão, favorecendo a resposta para os objetivos deste estudo.

Para a fase de seleção dos estudos foi realizada a análise dos mesmos,
primeiramente através do título, autor e ano de publicação; posteriormente foram
analisados os resumos dos artigos e por fim foram lidos os estudos por extenso.

A amostra inicial conteve 1215 artigos, após leitura e aplicabilidade dos critérios, foram selecionados 08 que atendiam na íntegra o objetivo da pesquisa. Os resultados foram apresentados em formado de tabela e discutidos posteriormente. Os principais resultados foram organizados de acordo com a análise temática, estruturando os textos de maneira a formar o alicerce para a discussão das categorias. Foram identificados artigos cujo fluxograma PRISMA apresentará o sistema de rastreamento e seleção de artigos (Figura 1).

A análise e síntese dos dados extraídos serão realizadas por meio da análise de conteúdo temática. Os dados serão agrupados por similaridade, buscando identificar temas e categorias que respondam aos objetivos específicos desta pesquisa.

No que tange aos aspectos éticos, por se tratar de uma pesquisa bibliográfica com dados secundários de domínio público, não será necessária a submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (Resolução CNS nº 510/2016). Será assegurado o respeito aos direitos autorais com devida citação.

Figura1:Fluxograma da realização da revisão integrativa nas bases de dados.

        

        

                

                

        

        

        

        

Fluxograma PRISMA, 2020.

RESULTADOS

Foram selecionados, no total, 08 artigos que compuseram a amostra final do estudo.

QUADRO 1: Síntese de artigos selecionados nas bases de dados: Rio de Janeiro, 2025.  

Nª

Título

Autores

Ano

Publicação

Resultados

01

Os desafios da enfermagem no diagnóstico e tratamento da sífilis gestacional: uma revisão integrativa

Abreu; Oliveira

2023

Revista Interdisciplinar.

Os principais desafios da enfermagem no diagnóstico e tratamento da sífilis gestacional são a não realização do pré-natal da gestante e do parceiro na unidade básica de saúde e não entendimento da doença.

02

Consequências da sífilis gestacional na saúde pública: uma revisão integrativa

Carvalho; Aquino; Cardoso

2023

Rev. Cient. Esc. Estadual Saúde Pública Goiás

O conhecimento restrito das gestantes sobre a sífilis, a reinfecção pelo parceiro sexual não tratado e a dificuldade dos profissionais de saúde em diagnosticar e estabelecer o protocolo de tratamento são apontados como o cerne do problema. Ficou evidente a deficiência do pré-natal, do diagnóstico e do tratamento.

03

Assistência e fatores educacionais associados a sífilis congênita em uma maternidade referência: um estudo caso-controle

Rigo et al

2021

Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil

a assistência a saúde adequada identificando história previa de sífilis da gestante e educação em saúde com melhores informações sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis podem ajudar na prevenção de sífilis congênita, o que indica necessidade de melhor abordagem pelos profissionais durante a assistência pré-natal

04

Conhecimento sobre a sífilis e o acompanhamento de gestantes em uma clínica da família da Zona Oeste do Rio de Janeiro

Silva et al

2020

Saúde coletiva  2020; (10) N.52

Baixo índice de escolaridade dificultando o entendimento da doença e, na sua maioria, as gestantes fazem o tratamento, mas em contrapartida os parceiros não o realizam por diversos motivos: não são informados da doença pela companheira ou não tomam a medicação por medo.

05

Construção coletiva de um fluxograma para acompanhamento das gestantes com sífilis no município de São José-SC

Silva et al

2020

Cogitare enferm. 25: e65361, 2020

o diagnóstico, acompanhamento e tratamento da sífilis na gestação estão relacionados com o manejo adequado, associado a ações, estratégias e atualizações, proporcionando assistência qualificada durante o período gestacional, para efetivamente erradicar a sífilis congênita.

06

Conhecimento das gestantes acerca da Sífilis e a importância da educação em saúde

Palhares et al

2020

Brazilian Journal of Health Review

Ficou clara a necessidade de atividades educativas durante o pré-natal que ofereçam informações às gestantes sobre a sífilis e as demais doenças sexualmente transmissíveis (DST’s). A assistência pré-natal deve ser considerada uma grande oportunidade para implantação de ações de prevenção e promoção à saúde.

07

Estratégias de adesão ao tratamento para sífilis em gestantes utilizadas pelo enfermeiro da atenção básica

Santos;Alves;

Fontenele

2021

RECIMA21

Há necessidade de evolução em questões de estratégias para o enfrentamento da sífilis gestacional e congênita. Recomenda-se mais incentivo para a educação permanente aos profissionais que prestam atendimento à população.

08

Desafios para a prevenção e controle da sífilis congênita

Mesquita et al

2019

Millenium

Ressalta-se que deve ser considerado e dado ênfase as vulnerabilidades das gestantes, de forma a valorizar suas necessidades e subjetividades para conseguir realizar um pré-natal de qualidade e prevenir e controlar a sífilis congênita

DISCUSSÃO

 A sífilis é uma das infecções sexualmente transmissíveis (IST) mais comuns e continua sendo um  problema de saúde pública  global, principalmente  em  idade  fértil  aumentando os casos  de   sífilis congênita  resultando em consequências devastadoras, o   que   implica  e enfatiza o  papel  do  profissional  de  saúde  e  sua qualificação,sendo apontado   como  um fator determinante a  assistência  durante  o  pré-natal. A intervenção e controle da  sífilis gestacional é constatada com a  ampliação do acesso a cuidados pré-natais de qualidade, identificações  de  risco  para  sífilis  e  ações  de prevenção como educação em saúde e tratamento envolvendo os parceiros1.

Segundo8  os autores enfatizam que na atenção primária fica evidente a ocorrência de falhas provenientes dos profissionais de saúde, em decorrência da falta de capacitação dos mesmos em diagnosticar o estágio da sífilis, ou seja, acabam classificando os casos de forma inadequada, provocando tratamento com dosagens incorretas de antibiótico. Outros fatores existentes são os profissionais não orientarem as pacientes quanto às formas de reinfecção e não dar ênfase à necessidade do acompanhamento e comparecimento às consultas, uma vez que maioria dos bebês nascem assintomáticos.

Autores enfatizam que o aumento dos casos de sífilis adquirida na população em geral, em gestantes e na forma congênita, em diversos países, mostra a ressurgência da doença. O estudo demonstra a importância da melhoria na abordagem das gestantes, incluindo informações sobre prevenção e risco de sífilis, a fim de melhorar o pré-natal, uma vez que menor nível educacional e histórico de tratamento prévio da sífilis apresentou maior associação e o recebimento de informações sobre 1ST apresentou menor associação ao diagnóstico de sífilis congênita na maternidade. Assim, as ações educativas de saúde sobre 1ST devem ser eficazes para abordagem oportuna e tratamento adequado de gestantes com sífilis e seus parceiros. Consequentemente, haverá menos necessidade de propedêutica e tratamento de crianças com suspeita de sífilis congênita16.

O enfermeiro atua na realização do pré-natal de baixo risco, e é justamente nesse momento que se faz necessário o repasse das informações sobre a SC e demais acometimentos às gestantes, desde a prevenção até o tratamento, detalhando bem as diversas consequências para o bebê. A implementação de um pré-natal de qualidade, com ênfase nas estratégias de busca ativa da gestante e de seu parceiro sexual. Essas estratégias são consideradas ações fundamentais para aumentar o acesso ao cuidado e assegurar o início adequado do tratamento16.  

A  sífilis  congênita  ainda  é  considerada  como  um  importante  problema  de  saúde  pública,  apesar  de  se  tratar  de  uma  doença  de  fácil diagnóstico e de ser totalmente evitável. A  falta   de   tratamento   adequado   da   gestante portadora de sífilis poderá desen-volver  consequências  no  neonato,  como:  baixo   peso,   prematuridade,   óbito   fetal,   complicações agudas, neurológicas, deformidades, alterações dentária e óssea. Considera-se inaceitável a ocorrência da sífilis congênita nos dias de hoje, onde  o  rastreamento  sorológico  é  obrigatório  no  acompanhamento  pré-natal  e  o  tratamento  e  a  prevenção  adequados  são  perfeitamente capazes de evitar a infecção do concepto e a reinfecção materna. Estas medidas são simples, amplamente disponíveis, de baixo custo e grande impacto no controle da  doença22.

Conforme o mesmo autor supracitado,  a atenção pré-natal de qualidade é primordial para redução dos índices da sífilis congênita. Ela é colocada ainda mais em evidência quando se identificam situações de aumento na morbimortalidade materna e perinatal. É preciso que se busque reduzir esses indicadores e corrigir possíveis falhas. O principal objetivo da atenção nesse período é acolher a mulher desde o início da gravidez, propiciando bem-estar materno, fetal e o nascimento de uma criança saudável. A atenção pré-natal integra atividades primárias à saúde exigindo recursos de baixa complexidade e implementação de ações com eficácia reconhecida.

Conforme22, nota-se a necessidade de uma maior atenção à gestante durante o pré-natal, ações educativas à comunidade em que estão inseridas para  poder  auxiliar  nesse  entendimento  e  minimizar sua reincidência.

Diante de uma gestante com diagnóstico de sífilis confirmado já no teste rápido, em situações em que não é possível entender a duração da infecção, classifica-se sempre como sífilis latente tardia, fazendo o tratamento com dose total de penicilina. Desta forma, o município do estudo opta em seguir o mesmo protocolo do Ministério da Saúde, com inclusão do tratamento estendido ao parceiro da gestante, mesmo sem realizar o exame de sífilis. O uso de ferramentas de gestão e de Educação em saúde para o cuidado da gestante com diagnóstico de sífilis, quando bem elaborados e implementados com as equipes de saúde devidamente capacitadas para tal, possibilitam a erradicação da sífilis congênita22.

Alguns fatores que dificultam a eficácia do tratamento da sífilis são a difícil adesão do parceiro ao tratamento, falta de continuidade do tratamento das gestantes e algumas vezes a não disponibilidade da medicação adequada. Assim a qualidade da assistência pré-natal oferecida é decisiva na prevenção da sífilis congênita e os profissionais de saúde possuem um papel fundamental, uma vez que sua assistência influenciará diretamente14.

Acredita-se que o esclarecimento às gestantes sobre a gravidade da doença, o modo de transmissão, a prevenção, o tratamento e as consequências para o concepto, ressaltando-se a necessidade do tratamento concomitante do parceiro, é estratégia fundamental para que a gestante desenvolva interesse em participar da construção dos cuidados de saúde para si e para o feto, ainda que indiretamente, de modo que se torne uma aliada no próprio tratamento, evitando, assim, a transmissão vertical da infecção15.

Neste contexto, a educação em saúde é uma estratégia central da enfermagem, ao promover a adesão e fortalecer o cuidado ao casal, pelo vínculo acolhedor entre profissionais e usuários que facilita a compreensão dos riscos da sífilis e a necessidade do tratamento conjunto. As principais estratégias de enfermagem que promovem a adesão incluem a realização de busca ativa de gestantes e seus parceiros, o acolhimento qualificado, a ampliação da oferta de testagem rápida, a educação em saúde com linguagem acessível, o acompanhamento contínuo com uso do exame VDRL após o resultado positivo e a organização dos serviços com garantia de insumos, protocolos atualizados e a educação permanente dos profissionais19.

Autores ressaltam que o controle dessa doença, se faz necessário uma assistência pré-natal de qualidade, com ampla cobertura e estratégias inovadoras com vistas à captação precoce das gestantes; garantia do diagnóstico da doença durante a gestação e no menor prazo possível, permitindo as mulheres o tratamento antes da 24ª à 28ª semana gestacional, período este mais efetivo para o feto; manejo clínico adequado da gestante e do seu(s) parceiro(s), incluindo o aconselhamento sobre a doença e formas de prevenção19.

A prática educativa é uma ação  do  profissional  enfermeiro  e  faz  parte  do  cuidado  em enfermagem. Realizar educação em saúde em um processo que estimule o  questionamento, o diálogo, a reflexão  e  a  ação  partilhada  eleva  o  saber  dos  participantes.  Para que a educação em saúde aconteça, é indispensável que os educadores conheçam a realidade, a visão de mundo e as expectativas de  cada  indivíduo,  para  que  possam  priorizar  as  necessidades  dos  usuários  e  não apenas as exigências terapêuticas21.

CONCLUSÃO

O objetivo do estudo foi  alcançado,  visto  que,  foi  possível  identificar  na  literatura  as estratégias de educação em saúde na  adesão  ao  tratamento  de  sífilis  gestacional apontados  pelos  enfermeiros  da  atenção básica,  mencionados  na  literatura.  

A sífilis é uma das infecções sexualmente transmissíveis que causam maiores danos às gestantes e filhos. Apesar de se conhecer o agente etiológico, seu modo de transmissão, ter-se o tratamento eficaz e de baixo custo, com excelentes possibilidades de cura, ainda persiste como um grave problema de saúde pública.

Ressalta-se que os usuários dos serviços  de  saúde  devem  receber  informação  sobre  a  sífilis  e  serem  convencidos  de  que  a  prevenção  e  o  tratamento  podem  resultar   em   benefícios   importantes   para   a  saúde  materna  e  da  criança  que  nascerá.  Destacando ainda que abordagens comunitárias podem ser importantes para informar o  público  vulnerável  e  estimular  a  procura  de meios para a detecção da sífilis.

Quanto aos aspectos que dificultam a eficácia do tratamento da SG, foram citados: difícil adesão do parceiro ao tratamento; falta temporária de penicilina G benzatina na UBS; e interrupção do tratamento por parte de algumas gestantes.

A participação do enfermeiro é essencial na realização do pré-natal e da assistência de qualidade as gestantes, pois atua na promoção e prevenção e tratamento da SC através das informações e orientações repassadas durante as consultas.

Ficou clara a  necessidade  de  atividades  educativas durante o pré-natal que ofereçam informações às pacientes sobre a sífilis e demais IST’s. A  assistência  pré-natal   deve   ser   considerada   uma   grande oportunidade para implantação de ações de prevenção e promoção à saúde.

Concluiu-se que os enfermeiros possuem percepção ampla acerca dos fatores que interferem para a adesão das gestantes ao tratamento de sífilis  e seu parceiro mas necessitam de melhor embasamento científico e prático para realizarem, de maneira mais eficaz, abordagens aos parceiros sexuais das gestantes.

É notório que  ainda  há  diversos  aspectos  para  evoluir  em  questões  de  estratégias  para enfrentamento  a  sífilis  gestacional  e  congênita.  Por isso,  espera-se  que  este  estudo  corrobore  o conhecimento  e  enfrentamento  deste  problema  de  saúde  pública  tão  presente  na  prática  da enfermagem.

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