IMPACTO PSICOSSOCIAL E NA QUALIDADE DE VIDA DE PESSOAS COM TRANSTORNO OBSESSIVO-COMPULSIVO – REVISÃO DE LITERATURA (2021–2025)
PSYCHOSOCIAL IMPACT AND QUALITY OF LIFE IN PEOPLE WITH OBSESSIVE-COMPULSIVE DISORDER – LITERATURE REVIEW (2021–2025)
IMPACTO PSICOSOCIAL Y EN LA CALIDAD DE VIDA DE PERSONAS CON TRASTORNO OBSESIVO-COMPULSIVO – REVISIÓN DE LA LITERATURA (2021–2025)
Tipo de artigo: Artigo de Revisão
Autores
Nathalya Lima Ferreira
Acadêmica do Curso de Medicina na Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0009-0002-3407-158X
Clesimary Evangelista Molina Martins
Mestre em Saúde Coletiva pela Universidade de Brasília (UNB), Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-2342-6779
Nara Michelle Moura Soares
PhD em Ciências da Saúde, Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-9910-1730
Bianca Fernanda Evangelista
Mestranda em Ciências Aplicadas à Saúde pela Universidade Federal de Sergipe (UFS), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0003-3410-6869
Lícia Santos Santana
Mestre e Doutora em Ginecologia e Obstetrícia pela Universidade de São Paulo (USP). Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-4720-8293
Camila Gomes Dantas
Doutora em Biotecnologia Industrial pela Universidade Tiradentes. Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3018-1848
Carla Pereira Santos Porto
Mestre em Dentística pela Faculdade Odontológica de Bauru, Universidade de São Paulo (FOB/USP). Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3049-8976
Fernanda Dantas Barros
Mestre em Biotecnologia Industrial. Docente da Universidade Tiradentes (UNIT), Aracaju, Sergipe, Brasil.
Orcid: https://orcid.org/0000-0001-9155-1665
RESUMO
Objetivo: Analisar os principais impactos psicossociais, funcionais e terapêuticos do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), além dos avanços recentes no manejo clínico, entre os anos de 2021 e 2025. Método: Revisão de literatura narrativa realizada nas bases PubMed/MEDLINE, SCiELO e LILACS, com descritores relacionados ao TOC, impacto psicossocial, qualidade de vida e tratamento, incluindo artigos originais e revisões publicadas no período. Resultados: O TOC mostrou altos custos socioeconômicos, prejuízos escolares e familiares, e associação frequente com ansiedade e depressão. A Terapia Cognitivo-Comportamental com Exposição e Prevenção de Resposta (TCC-ERP) permanece como padrão-ouro, potencializada por farmacoterapia com ISRS e clomipramina. Abordagens como neuromodulação e terapias digitais online apresentaram resultados promissores, especialmente em adolescentes. Conclusão: O TOC constitui relevante problema de saúde pública, exigindo estratégias integradas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento multidimensional, voltadas à funcionalidade e à melhoria da qualidade de vida dos indivíduos afetados.
DESCRITORES: Transtorno Obsessivo-Compulsivo; Impacto Psicossocial; Qualidade de Vida; Terapia Cognitivo-Comportamental; Saúde Mental.
ABSTRACT
Objective: To analyze the main psychosocial, functional, and therapeutic impacts of Obsessive-Compulsive Disorder (OCD), as well as recent advances in clinical management between 2021 and 2025. Method: Narrative literature review conducted in PubMed/MEDLINE, SciELO, and LILACS databases, using descriptors related to OCD, psychosocial impact, quality of life, and treatment, including original articles and reviews published during the period. Results: OCD showed high socioeconomic costs, academic and family impairments, and frequent association with anxiety and depression. Cognitive-Behavioral Therapy with Exposure and Response Prevention (CBT-ERP) remains the gold standard, enhanced by SSRI and clomipramine pharmacotherapy. Approaches such as neuromodulation and digital therapies demonstrated promising results, especially in adolescents. Conclusion: OCD is a significant public health issue, requiring integrated strategies for prevention, early diagnosis, and multidimensional treatment focused on functionality and quality of life improvement.
DESCRIPTORS: Obsessive-Compulsive Disorder; Psychosocial Impact; Quality of Life; Cognitive-Behavioral Therapy; Mental Health.
RESUMEN
Objetivo: Analizar los principales impactos psicosociales, funcionales y terapéuticos del Trastorno Obsesivo-Compulsivo (TOC), así como los avances recientes en su manejo clínico entre 2021 y 2025. Método: Revisión narrativa de la literatura en las bases PubMed/MEDLINE, SciELO y LILACS, con descriptores relacionados con TOC, impacto psicosocial, calidad de vida y tratamiento, incluyendo artículos originales y revisiones del período. Resultados: El TOC presentó altos costos socioeconómicos, perjuicios académicos y familiares, y frecuente asociación con ansiedad y depresión. La Terapia Cognitivo-Conductual con Exposición y Prevención de Respuesta (TCC-EPR) sigue siendo el estándar de oro, potenciada por farmacoterapia con ISRS y clomipramina. Estrategias como la neuromodulación y las terapias digitales mostraron resultados prometedores, especialmente en adolescentes. Conclusión: El TOC representa un problema relevante de salud pública, que requiere estrategias integradas de prevención, diagnóstico precoz y tratamiento multidimensional orientado a la funcionalidad y a mejorar la calidad de vida.
DESCRIPTORES: Trastorno Obsesivo-Compulsivo; Impacto Psicosocial; Calidad de Vida; Terapia Cognitivo-Conductual; Salud Mental.
INTRODUÇÃO
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é um transtorno psiquiátrico crônico caracterizado pela presença de obsessões, compulsões ou ambas, que ocasionam prejuízo funcional significativo e impacto relevante na qualidade de vida, resultando em intenso sofrimento psíquico. Estima-se que sua prevalência ao longo da vida varie entre 1% e 3% da população mundial, configurando-se como uma das condições de saúde mental mais comuns em nível global. Frequentemente, o início do TOC ocorre na infância ou adolescência, com evolução crônica e alta morbidade psiquiátrica e médica. Estudos internacionais evidenciam que indivíduos com TOC apresentam risco aumentado para comorbidades, como depressão, transtornos de ansiedade e transtornos somatoformes, além de elevadas taxas de ideação suicida.1 Esse panorama reforça a gravidade da doença, que deve ser compreendida não apenas como uma condição clínica individual, mas também como uma relevante problemática de saúde pública.
Os impactos do TOC transcendem a esfera individual e repercutem em diferentes contextos sociais e familiares. Uma pesquisa multicêntrica realizada na China demonstrou que o transtorno acarreta custos expressivos e múltiplos prejuízos, incluindo despesas médicas, perda de produtividade laboral e sobrecarga econômica para as famílias, além de comprometer a funcionalidade e a saúde emocional dos indivíduos afetados.2 Esses achados evidenciam que o TOC ultrapassa o sofrimento subjetivo e afeta diretamente a participação social, a qualidade das relações interpessoais e a estabilidade financeira familiar. Diante dessa realidade, destaca-se a necessidade de estratégias em saúde pública voltadas ao diagnóstico precoce e à ampliação do acesso a tratamentos eficazes, a fim de reduzir o impacto coletivo e os custos associados ao transtorno.
Nos últimos anos, a literatura científica tem avançado significativamente no entendimento acerca do impacto funcional do TOC, especialmente em populações pediátricas e adolescentes. Evidências apontam que, nesses grupos, as repercussões ultrapassam os sintomas obsessivos e compulsivos, afetando o desempenho escolar, a integração social e a dinâmica familiar. Um estudo publicado em 2022 demonstrou que disfunções intestinais e urinárias em crianças com TOC estão fortemente associadas à maior gravidade do transtorno e à presença de comorbidades psiquiátricas, como depressão e ansiedade.
Além disso, tais alterações repercutem negativamente na socialização e no rendimento acadêmico desses indivíduos.3 De forma complementar, outra pesquisa recente evidenciou que o prejuízo funcional em jovens pode ser ainda mais amplo do que os sintomas apresentados, reforçando a necessidade de avaliações multidimensionais que incluem não apenas o relato dos pacientes, mas também as observações de familiares e profissionais de saúde.5 Essas evidências ressaltam a importância do desenvolvimento de estratégias terapêuticas que não se limitem à redução dos sintomas, mas que também promovam a melhora da funcionalidade, favorecendo a adaptação cotidiana e a qualidade de vida de crianças e adolescentes com TOC.
No campo das intervenções terapêuticas, avanços significativos têm sido registrados nos últimos anos. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) com exposição e prevenção de resposta (ERP) permanece como padrão-ouro, com eficácia amplamente comprovada. Contudo, novas modalidades têm sido investigadas com o objetivo de ampliar a efetividade do tratamento. Uma revisão publicada em 2023 destacou progressos relevantes, incluindo técnicas de neuromodulação, como a estimulação magnética transcraniana (TMS) e a estimulação cerebral profunda (DBS), bem como a análise da eficácia de fármacos de primeira linha, como os inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS), e de segunda linha, como a clomipramina.1 Os achados indicam que a combinação entre psicoterapia e farmacoterapia potencializa os resultados, favorecendo tanto a redução dos sintomas obsessivos quanto os ganhos mais duradouros na funcionalidade e qualidade de vida dos indivíduos.
Paralelamente, novos formatos de oferta terapêutica ganharam destaque após a pandemia de COVID-19. Em 2024, um estudo brasileiro avaliou a eficácia da TCC em grupo, realizada de forma online, para adolescentes com TOC. Os resultados demonstraram redução significativa dos sintomas, além de melhora na qualidade de vida e nas relações familiares.4 Esse modelo evidencia o potencial das intervenções digitais para ampliar o acesso a tratamentos eficazes, especialmente em regiões com escassez de especialistas qualificados, trazendo implicações importantes para a formulação de políticas públicas em saúde mental.
Apesar desses avanços, ainda persistem lacunas relevantes. Faz-se necessária a condução de estudos que avaliem a eficácia de modalidades inovadoras a longo prazo, considerando a heterogeneidade clínica do TOC, suas comorbidades médicas e psiquiátricas, bem como os impactos funcionais que ultrapassam os sintomas nucleares. Além disso, embora os custos sociais e econômicos do transtorno já sejam reconhecidos, continuam sendo subestimados em diversos países, limitando o desenvolvimento de políticas públicas abrangentes. Essas lacunas justificam a importância de revisões sistemáticas e narrativas que integrem o conhecimento recente, identifiquem tendências emergentes e apontem novos caminhos para futuras pesquisas e estratégias de intervenção.
Dessa forma, torna-se evidente que a relevância do TOC é incontestável. Trata-se não apenas de um desafio clínico, marcado por sua cronicidade e complexidade terapêutica, mas também de uma problemática de grande impacto social e econômico, que demanda articulação entre a prática clínica, a produção científica e a formulação de políticas de saúde. A realização de uma revisão crítica da literatura recente possibilita reunir informações que orientem tanto o manejo clínico quanto o desenvolvimento de estratégias de saúde pública mais eficazes.
Assim, o presente artigo tem como objetivo revisar criticamente a literatura publicada entre 2021 e 2025 acerca do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), destacando sua prevalência, os impactos psicossociais e funcionais, os avanços terapêuticos e as lacunas ainda existentes. Busca-se, com isso, justificar a relevância do tema e contribuir para a prática clínica, a produção científica e o planejamento de políticas e estratégias públicas voltadas à saúde mental e às doenças psiquiátricas.
MÉTODO
Este artigo trata-se de uma revisão de literatura de caráter narrativo, elaborada com o intuito de reunir, analisar e sintetizar as evidências científicas mais recentes acerca do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) e seus impactos psicossociais, funcionais e terapêuticos. A busca bibliográfica foi realizada nas bases de dados PubMed/MEDLINE, SciELO e LILACS, selecionadas pela relevância para a área da saúde e pela abrangência de publicações nacionais e internacionais. Foram utilizados descritores controlados (DeCS/MeSH) e termos livres, entre eles: "Obsessive-Compulsive Disorder", "OCD", "Treatment", "Functional Impairment", "Psychosocial Impact" e "Quality of Life", combinados por meio dos operadores booleanos AND e OR, com intuito de ampliar e refinar os resultados. O período de busca compreendeu publicações entre janeiro de 2021 e julho de 2025, garantindo a atualidade das evidências.
Foram incluídos artigos originais, revisões e estudos clínicos publicados em português, inglês ou espanhol, disponíveis em texto completo, que abordassem de forma direta o TOC em relação ao impacto psicossocial, a qualidade de vida, a funcionalidade ou estratégias terapêuticas. Foram excluídos trabalhos duplicados, editoriais e estudos que não apresentavam relação direta com o tema ou com os objetivos da pesquisa. Após a aplicação dos critérios de elegibilidade, cinco estudos atenderam aos requisitos, contemplando diferentes dimensões do tema: custos sociais e econômicos do TOC2, impacto funcional em crianças e adolescentes3,5, avanços terapêuticos em adultos1 e intervenções digitais em adolescentes.4
A análise foi conduzida de forma qualitativa e descritiva, mediante leitura integral dos textos, priorizando a identificação de convergências e divergências entre os achados. As informações extraídas contemplaram características metodológicas, principais resultados e evidências relacionadas ao impacto psicossocial funcional e terapêutico. Os dados foram organizados em uma síntese narrativa, permitindo uma visão crítica e integrada do conhecimento atual sobre o tema, além de destacar lacunas e potenciais direções para futuras investigações.
RESULTADOS
Esta revisão contemplou estudos publicados entre 2021 e 2025 que abordaram diferentes dimensões do Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), incluindo aspectos terapêuticos, funcionais, psicossociais e econômicos. A Terapia Cognitivo-Comportamental com Exposição e Prevenção de Resposta (TCC-ERP) como padrão-ouro para o tratamento do TOC em adultos, destacando a eficácia da combinação com a farmacoterapia, especialmente com inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) e clomipramina. Além disso, emergem novas abordagens, como a estimulação magnética transcraniana e a estimulação cerebral profunda, que se mostram promissoras em casos refratários ao tratamento convencional.1
Um estudo piloto realizado na China mostrou que a TCC quando aplicada de forma virtual tendo como público alvo adolescentes mostrou-se positivamente na qualidade de vida e controle dos sintomas obsessivos-compulsivos bem como melhora na qualidade de vida, nos vínculos familiares e na funcionalidade diária. Esses achados reforçam a viabilidade de estratégias digitais como ferramentas terapêuticas acessíveis, sobretudo em cenários de saúde pública e regiões com escassez de profissionais especializados.4
Associado ao TOC, para o público infantojuvenil foram associados disfunções intestinais e orgânicas como fator de pior prognóstico e usualmente associadas a ansiedade e depressão. De forma complementar,os prejuízos funcionais em jovens com TOC ultrapassam a severidade dos sintomas relatados, afetando amplamente os domínios escolar, familiar e social, o que reforça a necessidade de abordagens clínicas integradas e interdisciplinares. A promoção da TCC de forma remota possibilita não apenas controle e redução de sintomas, mas melhoria na qualidade com melhor socialização do paciente.3 -5
Socioeconomicamente a literatura evidencia altos custos associados ao TOC. Entre eles gastos com tratamento, perda de produtividade e sobrecarga financeira para as famílias. Como consequência são observados altos índices de incapacidade funcional e emocional, reafirmando o TOC como problema de saúde pública global.2
A análise integrada dos estudos evidencia que, apesar da diversidade metodológica, há convergência teórica e empírica na compreensão do TOC como uma condição que repercute de forma ampla e multifatorial, impactando aspectos psicológicos, sociais, físicos e econômicos.
Na abordagem terapêutica a associação entre TCC e ISRS proporciona resultados mais duradouros, com redução nas taxas de recaída e melhora sustentada da funcionalidade. A introdução de técnicas de neuromodulação, como a TMS e a DBS, surge como uma alternativa inovadora para casos resistentes, com potencial de redefinir protocolos clínicos futuros.1
A abordagem pediátrica trata-se de não apenas controle de sintomas, mas de compreensão dos fatores associados no meio que se está inserido, de forma holística. O impacto funcional, que transcende a severidade dos sintomas, destaca a necessidade de avaliações que incluam relatos de pacientes, familiares e profissionais de saúde, oferecendo uma visão mais precisa da funcionalidade e do sofrimento subjetivo.3, 5
Torna-se importante incorporar a dimensão econômica e social na análise do TOC, evidenciando a perda de produtividade laboral, a redução de renda familiar e o aumento da sobrecarga emocional dos cuidadores. Tais dados reforçam a urgência de políticas públicas que promovam acesso equitativo a tratamentos especializados e suporte psicossocial às famílias.2
Os estudos citados convergem na necessidade de estratégias terapêuticas e políticas integradas, que abrangem desde o diagnóstico precoce e o manejo multidisciplinar até a ampliação de terapias acessíveis e de base comunitária. Assim, o sucesso do tratamento do TOC deve ser entendido não apenas como remissão sintomática, mas como restauração da funcionalidade, reintegração social e melhoria da qualidade de vida dos pacientes e seus familiares.
DISCUSSÃO
Os resultados desta revisão evidenciam que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) constitui uma condição psiquiátrica complexa e multifatorial, cujos impactos extrapolam a esfera clínica individual e alcançam dimensões funcionais, psicossociais e econômicas.
O TOC impõe custos significativos e sustentados, decorrentes tanto da necessidade contínua de tratamento quanto da perda de produtividade e da sobrecarga financeira e emocional familiar. Tais evidências reforçam a compreensão do TOC como problema de saúde pública, exigindo políticas que garantam diagnóstico precoce, acesso ampliado a terapias eficazes e apoio psicossocial estruturado.2
No que se refere aos impactos funcionais em crianças e adolescentes os prejuízos vão além dos sintomas obsessivos e compulsivos, abrangendo alterações fisiológicas, acadêmicas e relacionais. Essas disfunções revelam a importância de abordagens clínicas integradas, capazes de contemplar as manifestações somáticas, cognitivas e emocionais do transtorno. O manejo clínico deve, portanto, ir além da redução sintomática, priorizando a funcionalidade global, o desenvolvimento socioemocional e a integração familiar e escolar.3
A terapia baseada na TCC-ERP como principal tratamento é evidente, mas a associação com medicamentos e novas técnicas de neuromodulação podem potencializar melhora clínica e funcional. Quando associada a uma TCC, meso que de forma virtual, os estudos apresentam bons resultados no manejo e controle dos sintomas.1, 5- 4
De forma integrada, o modelo de cuidado multidimensional, que considere a dimensão clínica do TOC e seus desdobramentos funcionais, psicossociais e econômicos torna-se essencial. Entretanto, a escassez de estudos longitudinais que avaliem os efeitos sustentados das terapias inovadoras e a insuficiência de análises que abordem o impacto social do transtorno em diferentes contextos culturais e econômicos.
Portanto, o TOC deve ser compreendido como um desafio clínico e social de alta complexidade, no qual o manejo demanda aprimoramento de terapias tradicionais e incorporação de novas estratégias, intersetoriais e adaptadas às necessidades dos pacientes. O enfrentamento efetivo do transtorno depende, assim, da integração entre saúde mental, educação e políticas públicas de suporte social, promovendo uma atenção centrada na pessoa e orientada para a melhoria da qualidade de vida e da inclusão social dos indivíduos afetados.
CONCLUSÃO
A revisão confirma que o Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é uma condição crônica, multifatorial e de alta prevalência, cujo impacto ultrapassa os sintomas obsessivo-compulsivos, comprometendo a funcionalidade, a qualidade de vida e gerando expressivo ônus socioeconômico. A Terapia Cognitivo-Comportamental com Exposição e Prevenção de Resposta (TCC-ERP) permanece como o tratamento de primeira linha, especialmente quando associada à farmacoterapia com inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Abordagens emergentes, como a neuromodulação e as terapias digitais, apresentam resultados promissores e ampliam o acesso a cuidados especializados.
Evidencia-se a importância de estratégias integradas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento multidimensional, que contemplem aspectos clínicos, funcionais e sociais do transtorno. Investir em políticas públicas que promovam o acesso a terapias baseadas em evidências e a um modelo de cuidado contínuo é essencial para reduzir o fardo individual e coletivo do TOC e melhorar de forma sustentável os desfechos clínicos e a qualidade de vida dos indivíduos afetados.
REFERÊNCIAS