SÍNDROME DE BURNOUT EM ENFERMEIROS NO CONTEXTO DA PANDEMIA DE COVID-19: IMPACTOS E DESAFIOS

NURSE´S BURNOUT IN THE CONTEXT OF THE COVID-19 PANDEMIC: IMPACTS AND CHALLENGES

SÍNDROME DE BURNOUT EM ENFERMEROS EM EL CONTEXTO DE LA PANDEMIA DE COVID-19: IMPACTOS Y DESAFIOS

Tipo de artigo: Revisão integrativa de literatura

Autores

Ana Beatriz de Almeida Rocha 

Graduanda de Enfermagem – Centro Universitário da Grande Dourados, UNIGRAN. Dourados- MS

Orcid: https://orcid.org/0009-0008-1273-4665 

Danielly Ferri Gentil

Mestre em Ensino em Saúde

Instituição: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul-UEMS

Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1202-9850

Ângelo Rodolfo Santiago

Mestre em Ensino em Saúde

Instituição: Centro Universitário da Grande Dourados-UNIGRAN

Orcid: Ângelo Rodolfo Santiago (0000-0002-5001-5732) - ORCID

Bruna Carolina Chanfrin

Mestra em Ensino e Saúde UEMS - Centro Universitário da Grande Dourados, UNIGRAN. Dourados- MS

Orcid: https://orcid.org/0009-0009-7309-1058

RESUMO

Objetivo: identificar, reunir e discutir criticamente a produção científica sobre a síndrome de burnout em enfermeiros durante a pandemia de COVID-19. Método: Revisão integrativa qualitativa. A busca foi realizada nas bases BVS Enfermagem, BVS Saúde e SciELO, incluindo artigos originais publicados em português, inglês ou espanhol entre 2020 e 2025. Os dados foram analisados por meio da Análise de Conteúdo de Bardin, envolvendo pré-análise, codificação e categorização em eixos temáticos, e interpretação dos resultados, o que permitiu identificar convergências, divergências e lacunas na literatura, garantindo rigor e coerência entre objetivos e resultados.   Resultados: Dos 686 estudos encontrados, apenas 14 atenderam aos critérios de inclusão, abordando especificamente o objetivo proposto. Conclusão:  A pandemia de COVID-19 intensificou a síndrome de burnout entre enfermeiros, principalmente devido à sobrecarga de trabalho, escassez de recursos humanos e impacto emocional, afetando a saúde dos profissionais e a qualidade da assistência prestada.

DESCRITORES: Síndrome de Burnout, Enfermeiros; COVID-19; Saúde ocupacional; Pandemia.

ABSTRACT

Objective: To identify, gather, and critically discuss the scientific production on burnout syndrome in nurses during the COVID-19 pandemic. Method: Qualitative integrative review. The search was conducted in the BVS Enfermagem, BVS Saúde, and SciELO databases, including original articles published in Portuguese, English, or Spanish between 2020 and 2025. Data were analyzed using Bardin’s Content Analysis, involving pre-analysis, coding, categorization into thematic axes, and interpretation of the results, which allowed the identification of convergences, divergences, and gaps in the literature, ensuring rigor and coherence between objectives and findings. Results: Of the 686 studies found, only 14 met the inclusion criteria, specifically addressing the proposed objective. Conclusion: The COVID-19 pandemic intensified burnout syndrome among nurses, mainly due to workload, shortage of human resources, and emotional impact, affecting professionals’ health and the quality of care provided.

DESCRIPTORS: Burnout Syndrome; Nurses, COVID-19; Occupational Health; Pandemic.

RESUMEN

Objetivo: Identificar, reunir y discutir críticamente la producción científica sobre el síndrome de burnout en enfermeros durante la pandemia de COVID-19. Método: Revisión integrativa cualitativa. La búsqueda se realizó en las bases BVS Enfermagem, BVS Saúde y SciELO, incluyendo artículos originales publicados en portugués, inglés o español entre 2020 y 2025. Los datos fueron analizados mediante el Análisis de Contenido de Bardin, que incluyó preanálisis, codificación, categorización en ejes temáticos e interpretación de los resultados, lo que permitió identificar convergencias, divergencias y vacíos en la literatura, garantizando rigor y coherencia entre los objetivos y los hallazgos. Resultados: De los 686 estudios encontrados, solo 14 cumplieron los criterios de inclusión, abordando específicamente el objetivo propuesto. Conclusión: La pandemia de COVID-19 intensificó el síndrome de burnout entre los enfermeros, principalmente debido a la sobrecarga laboral, la escasez de recursos humanos y el impacto emocional, afectando la salud de los profesionales y la calidad de la atención prestada.

DESCRIPTORES: Síndrome de Burnout, Enfermeros; COVID-19; Salud ocupacional; Pandemia.

INTRODUÇÃO

No dia 31 de dezembro de 2019, na cidade de Wuhan, na China, ocorreu o surto inicial da COVID-19, uma infecção respiratória aguda causada pela nova variante do coronavírus, SARS-CoV-2. A partir desse evento, a COVID-19 se espalhou globalmente, caracterizando-se como uma pandemia e resultando em aproximadamente 75 milhões de casos confirmados e mais de 6 milhões de mortes até a data da redação deste texto(1).

No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que o inicialmente denominado surto de COVID-19, transformou-se em uma pandemia global, com altas taxas de mortalidade e morbidade. A COVID-19 é uma infecção aguda do sistema respiratório causada pelo SARS-CoV-2, uma doença grave e com alta transmissibilidade(2).

Acerca dos sintomas da COVID-19, de acordo com estudos da OMS, podemos afirmar que aproximadamente 80% dos pacientes acometidos pela doença podem ser assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas. Cerca de 20% dos casos podem necessitar de atendimento relacionado à dispneia, e 5% requerem tratamento para insuficiência respiratória(3, 4).

Em casos sintomáticos, o paciente pode apresentar, na fase inicial, febre superior a 38ºC, associada a episódios de calafrios, cefaleia, mal-estar, mialgia e dispneia leve. Alguns pacientes relatam diarreia durante o estágio febril. Após 3 a 7 dias, inicia-se tosse não produtiva e dispneia associada ou concomitante a hipóxia. Em 20% dos casos de insuficiência respiratória, é necessária a intubação e ventilação mecânica (5).

O Ministério da Saúde, no dia 3 de fevereiro de 2020, declarou Emergência Sanitária em Saúde Pública no Brasil. Inicialmente, foram confirmados 6,7% de casos e 11% de mortes relacionadas à COVID-19. Com a rapidez da disseminação do vírus, surgiram as variantes Alfa, Gama, Delta e Ômicron, evidenciando a facilidade de transmissão(6).

Com a pandemia, instalou-se um cenário de calamidade pública em saúde, no qual os profissionais, submetidos a elevado estresse e sofrimento emocional, atuavam na linha de frente contra o vírus. Entre eles, os enfermeiros se destacaram por sua exposição frequente à contaminação, à escassez de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e à perda de colegas de trabalho(7, 8) .

O enfermeiro é responsável por colocar em prática os cuidados prescritos, supervisionar e realizar a assistência prestada ao paciente, cumprir demandas administrativas e executar as atividades atribuídas aos profissionais da enfermagem. Além disso, desempenha o papel de líder da equipe, em que atua  conjuntamente aos demais profissionais de saúde para prestar assistência ao cliente de forma adequada(9).

A Síndrome de Burnout (SB) é particularmente evidente entre profissionais de enfermagem. Dados indicam que, durante a pandemia de COVID-19, aproximadamente 74% dos enfermeiros e 64% dos técnicos de enfermagem foram acometidos pelo transtorno, com predominância do sexo feminino e faixa etária jovem(10).

 Considerando que a SB acomete cada vez mais os profissionais de enfermagem, este estudo justifica-se por investigar os impactos da sobrecarga de trabalho e das perdas vivenciadas durante a pandemia, que contribuíram para o desgaste emocional e físico desses profissionais. Diante desse contexto, este trabalho tem o objetivo identificar, reunir e discutir criticamente a produção científica sobre a síndrome de burnout em enfermeiros durante a pandemia de COVID-19.

MÉTODO

Trata-se de um estudo do tipo revisão integrativa da literatura, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, com o objetivo identificar, reunir e discutir criticamente a produção científica sobre a síndrome de burnout em enfermeiros durante a pandemia de COVID-19. Optou-se por essa modalidade de revisão por permitir a integração de diferentes desenhos metodológicos e a análise interpretativa do conteúdo à luz do referencial teórico, favorecendo a compreensão aprofundada do fenômeno.

A busca bibliográfica foi realizada no mês de agosto de 2025 e contemplou três bases de dados eletrônicas amplamente reconhecidas pela abrangência e relevância científica: BVS Enfermagem, BVS Saúde e  SciELO, Portal de Periódicos CAPES. A

Foram definidos como critérios de inclusão: artigos originais, revisões e estudos teóricos que abordassem especificamente a Síndrome de Burnout em enfermeiros no contexto da pandemia de COVID-19; artigos cientificos disponíveis na íntegra; publicados ou em português, inglês ou espanhol; e que apresentassem dados empíricos ou discussões relevantes ao objeto de estudo. Foram excluídos: editoriais, cartas ao editor, resumos simples, trabalhos duplicados entre as bases, dissertação, teses e estudos com outros grupos profissionais que não contemplassem a enfermagem e publicações fora do período de 2020  a 2025.

A estratégia de busca foi elaborada com base nos Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e nos Medical Subject Headings (MeSH), combinando-os por meio de operadores booleanos para maximizar a recuperação de estudos pertinentes. Foram utilizados, de forma adaptada às particularidades de cada base, os seguintes termos: “Síndrome de Burnout” OR “Esgotamento profissional” AND “Enfermeiros” OR “Profissionais de Enfermagem” AND “COVID-19” OR “SARS-CoV-2”. O operador AND foi empregado para associar os conceitos principais, enquanto o OR permitiu abarcar sinônimos e variações terminológicas.

Após a busca, procedeu-se à leitura exploratória dos títulos e resumos para triagem inicial, seguida da leitura analítica dos textos selecionados, com registro sistemático das informações relevantes. Para o tratamento e interpretação dos dados, adotou-se a Análise de Conteúdo, conforme proposta por Bardin (2016), que compreende três fases interdependentes: (1) pré-análise, com organização do material e formulação das hipóteses iniciais; (2) exploração do material, com codificação e categorização dos achados em eixos temáticos; e (3) tratamento dos resultados, inferência e interpretação, visando integrar as evidências, identificar convergências e divergências e apontar lacunas na literatura (11).

Essa estratégia metodológica buscou assegurar rigor na seleção, organização e análise dos estudos, garantindo a fidedignidade dos achados e a coerência entre os objetivos propostos e a síntese apresentada.

RESULTADOS E DISCUSSÕES

Durante a busca nas bases de dados BVS Enfermagem, BVS Saúde e SciELO, foram inicialmente localizados 686 por não atenderem aos critérios. Permaneceram, portanto, 14 estudos que contemplavam especificamente a categoria profissional da enfermagem no contexto da pandemia de COVID-19. Todos os estudos selecionados estavam publicados no intervalo temporal definido, compreendendo o período de 2019 a 2025, e foram integralmente incluídos para análise na presente revisão integrativa. Esquematizado como mostra o fluxograma abaixo na Figura 1:

        Os 14 estudos incluídos nesta revisão abordam o objetivo proposto, conforme demonstrado no Quadro 1.

1. Impactos da pandemia na enfermagem

 A pandemia de COVID-19 produziu efeitos amplos e persistentes sobre a prática profissional da enfermagem, revelando e intensificando fragilidades estruturais já presentes na organização do trabalho em saúde. O aumento abrupto da demanda assistencial, aliado à necessidade de atendimento contínuo a pacientes em estado crítico, levou a uma sobrecarga física e emocional sem precedentes.

Segundo os dados do Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), o Brasil é o país com o maior número de óbitos de profissionais de enfermagem em comparação ao restante do mundo, até o dia 31 de março de 2021, houveram 40.696 casos notificados e 699 óbitos. Diante disso, é evidente a situação da precarização ao trabalho prestado pelos profissionais(12).

Diante disso, o fortalecimento dos protocolos de biossegurança foi decisivo para reduzir os riscos de contaminação entre profissionais, mas por outro lado, trouxeram efeitos que impactaram a prática assistencial, pois o  uso contínuo de EPIs aumentou o tempo dos procedimentos e a carga cognitiva, além de gerar desconfortos físicos como cefaleia, irritações cutâneas e dificuldades respiratórias.

Ainda a escassez de recursos humanos agravou as condições laborais, gerando sobrecarga constante e a sensação de insuficiência diante da magnitude das demandas. Mesmo antes da pandemia, a Síndrome de Burnout já era apontada como risco recorrente entre enfermeiros, associada a recursos escassos, baixos salários, dimensionamento inadequado, sobrecarga e distúrbios do sono(13, 14). Com a crise sanitária esses fatores foram intensificados e os impactos na saúde mental da equipe foram exacerbados, o que apontou para a necessidade de políticas institucionais que promovam adequação do dimensionamento, valorização profissional e suporte psicossocial.

Assim, os impactos da pandemia na enfermagem transcendem a dimensão operacional e atingem diretamente a saúde física, mental e o vínculo identitário dos profissionais com sua prática, configurando um quadro de desgaste crônico que exige respostas institucionais sustentadas.

2. Sintomas e consequências da Síndrome de Burnout nos enfermeiros

Os estudos, confirmam que a Síndrome de Burnout (SB) nos enfermeiros durante a pandemia de COVID-19 apresentou-se predominantemente com a tríade clássica de exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. A exaustão emocional foi o sintoma mais prevalente, marcada oi fadiga, perda de energia e dificuldade para iniciar ou manter as atividades assistenciais, especialmente em ambientes de alta demanda como UTIs e pronto-socorros.

A despersonalização manifestou-se por atitudes de distanciamento afetivo e indiferença em relação aos pacientes, frequentemente descritas como mecanismo de defesa diante do sofrimento e da sobrecarga contínua. A redução da realização pessoal foi observada em enfermeiros que relataram queda na percepção de competência profissional, sentimento de ineficácia e frustração.

O Conselho Federal de Enfermagem (COFEN), com o intuito de acolher os profissionais enfermeiros e prevenir o surgimento de futuros transtornos psicológicos, ofereceu auxílio psicológico tanto presencial  quanto  online durante a pandemia da COVID-19. É primordial que os enfermeiros tenham esse apoio psicológico e se sintam pertencentes e acolhidos em seu meio laboral, pois esse aspecto implica diretamente em seu bem-estar físico e psicológico(15,16).

Além de sintomas diversos estudos identificaram comorbidades, como ansiedade, depressão, distúrbios do sono, irritabilidade, cefaleia. Alguns estudos registraram prevalências de sintomas depressivos superiores a 40% e de distúrbios do sono acima de 50% entre os enfermeiros avaliados, evidenciando a sobreposição de agravos à saúde mental(17).

As consequências da SB extrapolaram o campo individual e repercutiram diretamente na dinâmica organizacional. Relatos consistentes apontaram aumento do absenteísmo, redução da produtividade, maior incidência de erros assistenciais e maior rotatividade de pessoal. Esses impactos afetaram a segurança do paciente, a eficiência das equipes e a sustentabilidade dos serviços, especialmente em períodos de maior pressão assistencial(18,19).

Embora alguns estudos tenham explorado intervenções como mindfulness e envio de mensagens motivacionais, os resultados mostraram melhorias pontuais, sem efeito sobre os determinantes estruturais do burnout, como carga de trabalho excessiva e falta de apoio institucional. O COFEN ofertou auxílio psicológico presencial e online durante a pandemia, reforçando a importância do suporte institucional e do sentimento de pertencimento no ambiente laboral (15,16).

3. Fatores agravantes durante a pandemia


        
Os estudos analisados evidenciam que a pandemia funcionou como catalisadora de fatores de risco já descritos na literatura sobre saúde ocupacional de enfermeiros, intensificando-os a níveis críticos. A sobrecarga de trabalho e da escassez de recursos humanos, resultara em acúmulo de funções e necessidade de turnos estendidos.
        A elevada mortalidade de pacientes gerou impacto emocional profundo, frequentemente associado a sentimento de impotência e luto acumulado. O esgotamento profissional esteve fortemente presente e repercutiu tanto na vida pessoal quanto na segurança do paciente
(20).

Outro elemento fortemente relatado foi a exposição prolongada a riscos biológicos em condições adversas, especialmente nos momentos iniciais da pandemia, quando a disponibilidade de equipamentos de proteção individual (EPIs) era limitada e os protocolos terapêuticos estavam em constante reformulação. Essa incerteza científica, somada ao temor de falhas nos cuidados prestados, contribuiu para a intensificação do estresse ocupacional. Além disso, o isolamento social adotado por muitos enfermeiros, motivado pelo medo de transmitir o vírus a familiares, ampliou o distanciamento das redes de apoio pessoal, o que minimizou oportunidades de alívio emocional fora do ambiente de trabalho (21).

As investigações também apontam deterioração das condições laborais, com redução dos intervalos de descanso e dificuldade de pausas adequadas durante os plantões, circunstâncias que se mostraram determinantes para o agravamento do desgaste físico e mental

4. Dados quantitativos encontrados nos estudos

 A análise dos 14 estudos revelou prevalências elevadas de Síndrome de Burnout entre enfermeiros atuantes em setores críticos, como UTIs e pronto-socorro. Entre os estudos que utilizaram o Maslach Burnout Inventory (MBI), verificou-se predominância de pontuações altas no domínio de exaustão emocional, em alguns casos ultrapassando 60% dos respondentes, e de despersonalização entre 30% e 45%(22,23).

Em termos comparativos, estudos realizados no auge da pandemia (2021-2022) apontaram prevalências mais elevadas de burnout em relação aos trabalhos publicados em 2024-2025, embora estes últimos ainda registrem níveis moderados a altos, o que sugere que o fenômeno persista como um problema ocupacional relevante. Além disso, pesquisas que incorporaram indicadores complementares, como ansiedade, depressão e distúrbios do sono, relataram a ocorrência desses sintomas em 25% a 40% dos casos diagnosticados com burnout.

A convergência entre os achados quantitativos e qualitativos indica que a pandemia não apenas ampliou a incidência de burnout, mas acentuou fatores estruturais historicamente presentes na enfermagem, como sobrecarga de trabalho, falta de apoio organizacional e recursos insuficientes. Esse cenário reforça a compreensão do burnout como um fenômeno multifatorial e de difícil reversão sem mudanças amplas nas condições laborais e na organização dos serviços de saúde. O sofrimento moral entre enfermeiros, já presente antes da pandemia, associava-se a elevados níveis de exaustão emocional e baixa realização pessoal. A COVID-19 intensificou essas condições devido ao aumento de casos graves e mortes súbitas, o que exacerbou o estresse e o desgaste desses profissionais(24).

A síndrome de burnout emergiu como uma preocupação central, especialmente entre os profissionais da linha de frente, que conviveram com o aumento da demanda e exposição contínua ao vírus (24). Estratégias de enfrentamento, como a prática regular de exercícios físicos, contribuem para a promoção da saúde mental e física, por meio da liberação de neurotransmissores, como a serotonina. No entanto, durante a pandemia, fatores como o isolamento social e o medo do contágio comprometeram significativamente a adesão a essas práticas(25,26,27,28).

CONCLUSÃO

A revisão evidenciou que a pandemia de COVID-19 intensificou a ocorrência da síndrome de burnout entre enfermeiros, manifestada por exaustão emocional, despersonalização e baixa realização profissional, diretamente associadas à sobrecarga de trabalho, à escassez de recursos humanos, ao contato frequente com a morte e à percepção de falta de reconhecimento institucional, o que impactou não apenas a saúde física e mental desses profissionais, mas também a qualidade da assistência prestada.

Verificou- se ainda absenteísmo, da incidência de erros e da intenção de abandono da profissão, o que se tornou um problema ocupacional de grandes proporções. Por outro lado, como ponto positivo, este estudo reuniu e analisou evidências nacionais e internacionais recentes, e otimizou uma visão ampla e crítica do fenômeno.

Os achados reforçam a necessidade de políticas institucionais contínuas que garantam dimensionamento adequado das equipes, programas de apoio psicossocial, valorização profissional e ambientes de trabalho seguros. Investir na saúde mental da enfermagem é medida primordial para a sustentabilidade dos serviços de saúde e para a qualidade do cuidado prestado à população.

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