Avaliação do conhecimento de pais e/ou cuidadores acerca da saúde bucal de seus filhos: estudo transversal.
Resumo
Objetivo: Avaliar e discutir o nível de conhecimento de pais e/ou cuidadores acerca da saúde bucal de seus filhos. Método: Trata-se de um estudo transversal, avaliando uma população de 250 pais de crianças na faixa etária de zero a três anos de idade, matriculadas em escolas públicas e privadas do município de Aracajú –SE –Brasil. Aplicou-se em todos os pais o instrumento CAP, composto por questionário estruturado e validado. O estudo foi aprovado pelo CEP da Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic. Foram realizadas análises estatísticas baseadas em uma variedade de métodos estatísticos, incluído medidas descritivas e testes de hipóteses. Resultados: Os resultados mostraram nas dimensões conhecimentos, atitudes e práticas diferenças significativas entre pais e/ou cuidadores que utilizam as escolas públicas e privadas, com melhores scores naqueles usuários de serviço privado. Conclusão: Pais e/ou cuidadores cujos filhos frequentam escolas privadas detém um maior conhecimento a respeito da saúde bucal de seus filhos. Além disso, é relevante inferir que o instrumento empregado na metodologia mostrou-se como uma alternativa para gestores de saúde pública implementarem políticas públicas destinadas às crianças na faixa etária de zero a três anos de idade.
Descritores: Saúde bucal; Cuidador; Conhecimentos; Crianças
Abstract
Objective: To evaluate and discuss the level of knowledge of parents and/or caregivers regarding their children’s oral health. Method: This is a cross-sectional study assessing a population of 250 parents of children aged zero to three years, enrolled in public and private schools in the city of Aracaju, SE, Brazil. The CAP instrument, consisting of a structured and validated questionnaire, was applied to all parents. The study was approved by the Research Ethics Committee of São Leopoldo Mandic School of Dentistry. Statistical analyses were conducted using a variety of statistical methods, including descriptive measures and hypothesis tests. Results: The results showed significant differences in the dimensions of knowledge, attitudes, and practices between parents and/or caregivers whose children attend public versus private schools, with higher scores observed among those using private services. Conclusion: Parents and/or caregivers whose children attend private schools possess greater knowledge regarding their children’s oral health. Furthermore, it is relevant to infer that the instrument used in this methodology proved to be a viable tool for public health managers to implement public policies aimed at children aged zero to three years.
Keywords: Oral Health; Caregivers; Knowledge; Child.
Resumen
Objetivo: Evaluar y discutir el nivel de conocimiento de los padres y/o cuidadores acerca de la salud bucal de sus hijos. Método: Se trata de un estudio transversal que evaluó una población de 250 padres de niños de entre cero y tres años de edad, matriculados en escuelas públicas y privadas del municipio de Aracaju, SE, Brasil. Se aplicó a todos los padres el instrumento CAP, compuesto por un cuestionario estructurado y validado. El estudio fue aprobado por el Comité de Ética en Investigación de la Facultad de Odontología São Leopoldo Mandic. Se realizaron análisis estadísticos basados en diversos métodos, incluyendo medidas descriptivas y pruebas de hipótesis. Resultados: Los resultados mostraron diferencias significativas en las dimensiones de conocimientos, actitudes y prácticas entre los padres y/o cuidadores que utilizan escuelas públicas y privadas, con mejores puntuaciones entre aquellos que recurren a servicios privados. Conclusión: Los padres y/o cuidadores cuyos hijos asisten a escuelas privadas poseen un mayor conocimiento sobre la salud bucal de sus hijos. Además, es relevante inferir que el instrumento empleado en la metodología se mostró como una alternativa útil para que los gestores de salud pública implementen políticas públicas dirigidas a niños de entre cero y tres años de edad.
Palabras clave: Salud Bucal; Cuidador; Conocimiento; Niño.
INTRODUÇÃO
Reconhece-se que a educação para a saúde e o conhecimento dos pais e/ou cuidadores acerca dos cuidados para o crescimento e desenvolvimento infantil exerce significativa importância na promoção de saúde e qualidade de vida das crianças especialmente na primeira infância1,2. Destaca-se como primeira infância o período que envolve desde a gestação até os seis anos de idade, e evidências científicas tem demonstrado que esse ciclo de vida se caracteriza como o momento mais oportuno para estabelecer hábitos e comportamentos saudáveis, e que tendem a perpetuar por toda a vida do indivíduo3,4.
O Modelo de Atenção e Cuidado Integral (Nurturing Care), que prevê ações necessárias para a integralidade da saúde da criança, ressalta cinco domínios de atenção, a saber: nutrição, saúde, segurança e proteção, aprendizagem precoce e cuidados responsivos5.
De maneira particular, o cuidado responsivo pode ser traduzido pela habilidade ou capacidade dos pais e/ou cuidadores, em compreenderem e responderem aos sinais emitidos por seus filhos e atendê-los de maneira pronta e adequada. O cuidado responsivo visa criar um vínculo emocional no binômio pais/filhos, de tal modo a construir um desenvolvimento afetivo e de proteção integral à criança, definindo uma parentalidade positiva6,7.
Relativo à promoção de saúde bucal na primeira infância, os pais e/ou cuidadores são vetores de motivação e os principais agentes de socialização, além de instrutores dos cuidados dirigidos à saúde bucal de seus descendentes8. Dessa forma, parece evidente que pais e/ou cuidadores devem deter conhecimentos e informações que são imprescindíveis para a saúde geral e bucal de seus filhos, tendo em conta que pesquisas têm enfatizado que hábitos de saúde dos pais e/ou cuidadores repercutem na saúde bucal de seus filhos9,10. Entretanto, a literatura odontológica não apresenta uma significativa produção bibliográfica que identifique e análise conhecimentos e atitudes de pais e/ou cuidadores em relação à saúde bucal na primeira infância.
Alinhados a esse raciocínio, a presente pesquisa tem como propósito constatar, avaliar e discutir o nível de conhecimentos de pais e/ou cuidadores a respeito da saúde bucal de seus filhos.
MÉTODO
Aspectos Éticos e Local do Estudo
O estudo foi submetido ao CEP da Faculdade de Odontologia - São Leopoldo Mandic - Campinas, através da plataforma Brasil, atendendo às exigências éticas e fundamentais da Resolução 466/2012 do Conselho Nacional da Saúde (normas de pesquisas envolvendo seres humanos), e aprovado com o parecer CAAE número: 80759724.2.0000.5374. A pesquisa foi realizada em escolas públicas e privadas no município de Aracaju, estado da Sergipe. O município faz parte da região nordeste do Brasil, com IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) 0,77.
Delineamento do Estudo e Cálculo Amostral
Trata-se de um estudo transversal com componente analítico. O cálculo amostral considerou, inicialmente, envolver pais de crianças na faixa etária de zero a três anos de idade matriculados em escolas públicas e privadas da cidade de Aracaju, sendo escolhidas aleatoriamente 02 escolas (01 pública e 01 privada) representativas das quatro diferentes regiões do município, totalizando 08 escolas.
O número de crianças de zero a três anos de idade regularmente matriculadas foi de aproximadamente quarenta e uma crianças em escolas públicas e vinte e uma em escolas privadas, perfazendo uma amostragem de 250 pais e/ou cuidadores como sujeitos da pesquisa.
Critérios de Inclusão e Exclusão
Foram incluídos na pesquisa somente pais e/ou cuidadores que residem na mesma casa com a criança e que concordarem em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluídos pais e/ou cuidadores com comprometimentos de vista, que não tinham o português como língua nativa, que apresentaram sinais ou sintomas de comprometimento cognitivo ou uso de drogas/etilismo.
Instrumentos e Métodos de Coleta de Dados.
Foi aplicado um instrumento validado sobre conhecimento, atitude e prática de pais e/ou cuidadores para promoção de saúde de crianças até 36 meses, elaborado por Praxedes, R.C.S. et al (2023)11, sendo que o mesmo foi adotado em sua forma original ou integral, acrescentando a identificação dos pais e/ou cuidadores e o perfil sociocultural e econômico conforme o objetivo da presente pesquisa.
O instrumento foi aplicado sistematicamente a cada pais e/ou cuidadores em um momento único pela própria pesquisadora, em ambiente reservado nas dependências das escolas, em horários previamente agendados em comum acordo com a diretoria da escola, pais e a pesquisadora.
Procedimentos de análise dos dados:
Os dados obtidos foram submetidos ao teste de Shapiro-Wilk, observando que os dados não apresentavam distribuição normal. Com isso, testes não paramétricos foram utilizados para a análise estatística. O teste Qui-quadrado e Exato de Fisher foram utilizados para avaliar as variáveis categóricas. Os testes de Wilcoxon e Mann-Whitney foram empregados para comparação entre as variáveis resposta. Teste de Spearman (
) foi utilizado para avaliação da força de associação entre as diferentes variáveis, e o Risco Relativo foi avaliado por Regressão de Poisson. Os testes foram empregados considerando 5% de significância.
RESULTADOS
Tabela 1 - Características sociodemográficas dos responsáveis pelo cuidado infantil, segundo o tipo de serviço utilizado (privado ou público).
| Serviço |
| ||
Características | Total, N = 250 | Privado, N = 84 | Público, N = 166 | Valor p |
Sexo, n / N (%) | 0,6881 | |||
Feminino | 200 / 250 (80%) | 66 / 84 (79%) | 134 / 166 (81%) | |
Masculino | 50 / 250 (20%) | 18 / 84 (21%) | 32 / 166 (19%) | |
Idade do responsável | <0,0012 | |||
Média (DP) | 35 (10) | 38 (6) | 34 (11) | |
Mediana [AIQ] | 34 [28, 40] | 38 [34, 40] | 31 [26, 39] | |
Idade do bebê | 0,5782 | |||
Média (DP) | 31 (8) | 31 (8) | 31 (8) | |
Mediana [AIQ] | 36 [24, 36] | 36 [24, 36] | 36 [26, 36] | |
Estado Civil, n / N (%) | <0,0013 | |||
Casado(a) | 130 / 250 (52%) | 73 / 84 (87%) | 57 / 166 (34%) | |
Divorciado(a) | 6 / 250 (2,4%) | 3 / 84 (3,6%) | 3 / 166 (1,8%) | |
Solteiro(a) | 108 / 250 (43%) | 5 / 84 (6,0%) | 103 / 166 (62%) | |
União Estável | 6 / 250 (2,4%) | 3 / 84 (3,6%) | 3 / 166 (1,8%) | |
Escolaridade (anos de estudos concluídos), n / N (%) | <0,0011 | |||
Acima de 12 anos | 120 / 250 (48%) | 77 / 84 (92%) | 43 / 166 (26%) | |
Até 04 anos | 33 / 250 (13%) | 2 / 84 (2,4%) | 31 / 166 (19%) | |
Entre 05 e 08 anos | 26 / 250 (10%) | 4 / 84 (4,8%) | 22 / 166 (13%) | |
Entre 09 e 11 anos | 71 / 250 (28%) | 1 / 84 (1,2%) | 70 / 166 (42%) | |
Renda Familiar (baseado no número de SM), n / N (%) | <0,0011 | |||
Acima de 8 salários minimos | 52 / 250 (21%) | 51 / 84 (61%) | 1 / 166 (0,6%) | |
Até 1 salário mínimo | 105 / 250 (42%) | 0 / 84 (0%) | 105 / 166 (63%) | |
De 1 a 3 salários mínimos | 64 / 250 (26%) | 8 / 84 (9,5%) | 56 / 166 (34%) | |
De 4 a 8 salários minimos | 29 / 250 (12%) | 25 / 84 (30%) | 4 / 166 (2,4%) | |
1Teste qui-quadrado de independência | ||||
2Teste de soma de postos de Wilcoxon | ||||
3Teste exato de Fisher | ||||
Legenda: n – Frequência absoluta. N – Dados válidos. % – Percentual. DP – Desvio Padrão. AIQ - Amplitude Interquartil
Tabela 2 - Distribuição das respostas dos cuidadores no domínio de prática em saúde bucal infantil, segundo o tipo de serviço utilizado (privado ou público).
| Serviço |
| ||
Características | Total, N = 250 | Privado, N = 84 | Público, N = 166 | Valor p |
1. Na última semana, com que frequência você ofereceu ao(à) seu(sua) filho(a) alimentos com açucar?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Ofereci em alguns dias, mas não em todos os dias da semana | 133 / 250 (53%) | 38 / 84 (45%) | 95 / 166 (57%) | |
B. Ofereci uma a três vezes por dia durante a semana | 43 / 250 (17%) | 12 / 84 (14%) | 31 / 166 (19%) | |
C. Ofereci quatro ou mais vezes por dia durante a semana | 40 / 250 (16%) | 9 / 84 (11%) | 31 / 166 (19%) | |
D. Não ofereci nenhum desses alimentos durante a semana | 34 / 250 (14%) | 25 / 84 (30%) | 9 / 166 (5,4%) | |
2. A boca do(a) seu(sua) filho(a) já foi examinada alguma vez por um dentista?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Sim | 138 / 250 (55%) | 59 / 84 (70%) | 79 / 166 (48%) | |
B. Não | 112 / 250 (45%) | 25 / 84 (30%) | 87 / 166 (52%) | |
3. Seu(sua) filho(a) já tem dentes?, n / N (%) | 0,3362 | |||
A. Sim | 249 / 250 (100%) | 83 / 84 (99%) | 166 / 166 (100%) | |
B. Não | 1 / 250 (0,4%) | 1 / 84 (1,2%) | 0 / 166 (0%) | |
4. Seu(sua) filho(a) já sofreu alguma pancada nos dentes?, n / N (%) | 0,4681 | |||
A. Sim | 62 / 249 (25%) | 23 / 83 (28%) | 39 / 166 (23%) | |
B. Não | 187 / 249 (75%) | 60 / 83 (72%) | 127 / 166 (77%) | |
5. O que você faz para aliviar a coceira causada pelo nascimento dos dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | 0,0472 | |||
A. Chupeta com mel ou açúcar | 2 / 249 (0,8%) | 0 / 83 (0%) | 2 / 166 (1,2%) | |
B. Dou mordedor gelado | 109 / 249 (44%) | 41 / 83 (49%) | 68 / 166 (41%) | |
C. Dou algum alimento gelado | 33 / 249 (13%) | 15 / 83 (18%) | 18 / 166 (11%) | |
D. Passo pomada anestésica na gengiva do(a) meu(minha) filho(a) | 61 / 249 (24%) | 12 / 83 (14%) | 49 / 166 (30%) | |
E. Outros. | 44 / 249 (18%) | 15 / 83 (18%) | 29 / 166 (17%) | |
6. Você limpa os dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | 0,1732 | |||
A. Sim | 244 / 249 (98%) | 83 / 83 (100%) | 161 / 166 (97%) | |
B. Não | 5 / 249 (2,0%) | 0 / 83 (0%) | 5 / 166 (3,0%) | |
7. O que você usa para limpar os dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | >0,9992 | |||
A. Fralda ou gaze | 2 / 244 (0,8%) | 1 / 83 (1,2%) | 1 / 161 (0,6%) | |
C. Dedeira | 2 / 244 (0,8%) | 1 / 83 (1,2%) | 1 / 161 (0,6%) | |
D. Escova dental | 237 / 244 (97%) | 80 / 83 (96%) | 157 / 161 (98%) | |
E. Outros | 3 / 244 (1,2%) | 1 / 83 (1,2%) | 2 / 161 (1,2%) | |
8. Na última semana (últimos 7 dias), quantas vezes você limpou os dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Nenhuma vez | 1 / 244 (0,4%) | 1 / 83 (1,2%) | 0 / 161 (0%) | |
B. Algumas vezes, mas não escovei os dentes do(a) meu(minha)filho(a) todos os dias | 14 / 244 (5,7%) | 4 / 83 (4,8%) | 10 / 161 (6,2%) | |
C. 1 vez por dia | 56 / 244 (23%) | 8 / 83 (9,6%) | 48 / 161 (30%) | |
D. 2 ou mais vezes por dia | 173 / 244 (71%) | 70 / 83 (84%) | 103 / 161 (64%) | |
9. Na última semana (últimos 7 dias), com que frequência você passou fio dental nos dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | 0,0171 | |||
A. Todos os dias | 21 / 244 (8,6%) | 12 / 83 (14%) | 9 / 161 (5,6%) | |
B. Quase todos os dias | 20 / 244 (8,2%) | 9 / 83 (11%) | 11 / 161 (6,8%) | |
C. Poucos dias | 46 / 244 (19%) | 19 / 83 (23%) | 27 / 161 (17%) | |
D. Nenhum dia | 157 / 244 (64%) | 43 / 83 (52%) | 114 / 161 (71%) | |
10. Você escova os dentes do(a) seu(sua) filho(a) com pasta de dente com flúor?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Não, nem uso pasta de dente nos dentes do(a) meu(minha) filho(a) | 8 / 244 (3,3%) | 0 / 83 (0%) | 8 / 161 (5,0%) | |
B. Não, a pasta de dente uso nos dentes do(a) meu(minha) filho(a) não tem flúor | 60 / 244 (25%) | 12 / 83 (14%) | 48 / 161 (30%) | |
C. Sim, a pasta de dente que eu uso nos dentes do(a) meu(minha) filho(a) tem flúor. | 148 / 244 (61%) | 71 / 83 (86%) | 77 / 161 (48%) | |
D. Não sei a pasta de dente que uso nos dentes do(a) meu(minha) filho(a) tem flúor | 28 / 244 (11%) | 0 / 83 (0%) | 28 / 161 (17%) | |
11. Você sabe informar a concentração de flúor da pasta de dente que usa nos dentes do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. 1100 PPM/FLÚOR | 62 / 148 (42%) | 49 / 71 (69%) | 13 / 77 (17%) | |
A. 2000 PPM/FLÚOR | 1 / 148 (0,7%) | 1 / 71 (1,4%) | 0 / 77 (0%) | |
C. Não | 85 / 148 (57%) | 21 / 71 (30%) | 64 / 77 (83%) | |
12. Qual a quantidade de pasta com flúor você costuma colocar na escova do(a) seu(sua) filho(a)?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. O equivalente a um grão de arroz cru | 63 / 147 (43%) | 37 / 70 (53%) | 26 / 77 (34%) | |
B. O equivalente a um grão de ervilha | 42 / 147 (29%) | 25 / 70 (36%) | 17 / 77 (22%) | |
C. Metade da cabeça da escova | 32 / 147 (22%) | 6 / 70 (8,6%) | 26 / 77 (34%) | |
D. Cabeça inteira da escova | 10 / 147 (6,8%) | 2 / 70 (2,9%) | 8 / 77 (10%) | |
13. Você amamenta seu(sua) filho(a) através do seu seio?, n / N (%) | 0,0201 | |||
A. Sim | 54 / 250 (22%) | 11 / 84 (13%) | 43 / 166 (26%) | |
B. Não | 196 / 250 (78%) | 73 / 84 (87%) | 123 / 166 (74%) | |
14. Seu(sua) filho(a) já tomou algum líquido na mamadeira?, n / N (%) | 0,6581 | |||
A. Sim | 209 / 250 (84%) | 69 / 84 (82%) | 140 / 166 (84%) | |
B. Não | 41 / 250 (16%) | 15 / 84 (18%) | 26 / 166 (16%) | |
*14. Se sim, por volta de qual idade seu(sua) filho(a) começou a usar mamadeira?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Durante os primeiros 6 meses de vida | 76 / 209 (36%) | 37 / 69 (54%) | 39 / 140 (28%) | |
B. Depois 6º mês de vida | 25 / 209 (12%) | 15 / 69 (22%) | 10 / 140 (7,1%) | |
C. Não lembro | 108 / 209 (52%) | 17 / 69 (25%) | 91 / 140 (65%) | |
15. O(A) seu(sua) filho(a) ainda usa mamadeira?, n / N (%) | 0,0281 | |||
A. Sim | 149 / 250 (60%) | 42 / 84 (50%) | 107 / 166 (64%) | |
B. Não | 101 / 250 (40%) | 42 / 84 (50%) | 59 / 166 (36%) | |
*15. Se não, responda por volta de que idade seu(sua) filho(a) deixou de usar mamadeira e passou a usar o copo?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Durante os primeiros 12º mês de vida | 19 / 101 (19%) | 16 / 42 (38%) | 3 / 59 (5,1%) | |
B. Depois de 12º mês de vida | 7 / 101 (6,9%) | 5 / 42 (12%) | 2 / 59 (3,4%) | |
C. Não lembro | 75 / 101 (74%) | 21 / 42 (50%) | 54 / 59 (92%) | |
16. Na última semana, com que frequência você ofereceu ao(à) seu(sua) filho(a) a mamadeira para ele(a) pegar no sono ou voltar a dormir durante a noite?, n / N (%) | 0,0211 | |||
A. 2 ou mais vezes por noite durante a semana | 52 / 149 (35%) | 10 / 42 (24%) | 42 / 107 (39%) | |
B. 1 vez por noite durante a semana | 53 / 149 (36%) | 23 / 42 (55%) | 30 / 107 (28%) | |
C. Ofereci mamadeira ao(à) meu(minha) filho(a) em algumas noites, mas não em todas da semana. | 19 / 149 (13%) | 3 / 42 (7,1%) | 16 / 107 (15%) | |
D. Nenhuma noite da semana | 25 / 149 (17%) | 6 / 42 (14%) | 19 / 107 (18%) | |
17. Na última semana, com que frequência, ao preparar o leite, o mingau, vitamina ou suco do(a) seu(sua) filho(a), você adicionou produtos como Neston, Mucilon, Milnutri, Cremogema, achocolatado em pó, mel ou açucar?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. 2 ou mais vezes por dia durante a semana | 57 / 149 (38%) | 5 / 42 (12%) | 52 / 107 (49%) | |
B. 1 vez por dia durante a semana | 31 / 149 (21%) | 4 / 42 (9,5%) | 27 / 107 (25%) | |
C. Adicionei tais produtos em alguns dias, mas não em todos da semana | 19 / 149 (13%) | 4 / 42 (9,5%) | 15 / 107 (14%) | |
D. Nenhum dia da semana | 42 / 149 (28%) | 29 / 42 (69%) | 13 / 107 (12%) | |
18. Seu(sua) filho(a) já usou chupeta/bico?, n / N (%) | 0,1081 | |||
A. Sim | 122 / 250 (49%) | 35 / 84 (42%) | 87 / 166 (52%) | |
B. Não | 128 / 250 (51%) | 49 / 84 (58%) | 79 / 166 (48%) | |
*18. Se sim, responda por volta de qual idade seu(sua) filho(a) começou a usar chupeta/bico?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Durante os primeiros 6 meses de vida | 47 / 122 (39%) | 23 / 35 (66%) | 24 / 87 (28%) | |
B. Depois dos 6º mês de vida | 7 / 122 (5,7%) | 2 / 35 (5,7%) | 5 / 87 (5,7%) | |
C. Não lembro | 68 / 122 (56%) | 10 / 35 (29%) | 58 / 87 (67%) | |
19. O(A) seu(sua) filho(a) ainda usa chupeta/bico?, n / N (%) | 0,9831 | |||
A. Sim | 80 / 122 (66%) | 23 / 35 (66%) | 57 / 87 (66%) | |
B. Não | 42 / 122 (34%) | 12 / 35 (34%) | 30 / 87 (34%) | |
*19. Se não, responda por volta de que idade seu(sua) filho(a) deixou de usar chupeta/bico?, n / N (%) | 0,1212 | |||
A. Durante os primeiros 12º mês de vida | 5 / 41 (12%) | 2 / 12 (17%) | 3 / 29 (10%) | |
B. Depois do 12º mês de vida | 7 / 41 (17%) | 4 / 12 (33%) | 3 / 29 (10%) | |
C. Não lembro | 29 / 41 (71%) | 6 / 12 (50%) | 23 / 29 (79%) | |
1Teste qui-quadrado de independência | ||||
2Teste exato de Fisher | ||||
Legenda: n – Frequência absoluta. N – Dados válidos. % – Percentual. DP – Desvio Padrão. AIQ - Amplitude Interquartil.
Tabela 3 - Distribuição das respostas dos cuidadores no domínio de atitude em saúde bucal infantil, segundo o tipo de serviço utilizado (privado ou público).
| Serviço |
| ||
Características | Total, N = 250 | Privado, N = 84 | Público, N = 166 | Valor p |
1. Não há problema em oferecer à criança, nos seus dois primeiros anos de vida, alimentos com açúcar., n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Concordo | 36 / 250 (14%) | 5 / 84 (6,0%) | 31 / 166 (19%) | |
B. Não sei | 45 / 250 (18%) | 1 / 84 (1,2%) | 44 / 166 (27%) | |
C. Não concordo | 169 / 250 (68%) | 78 / 84 (93%) | 91 / 166 (55%) | |
2. Alguns remédios infantis como antibióticos causam cárie nos dentes da criança., n / N (%) | 0,0041 | |||
A. Concordo | 128 / 250 (51%) | 40 / 84 (48%) | 88 / 166 (53%) | |
B. Não sei | 101 / 250 (40%) | 30 / 84 (36%) | 71 / 166 (43%) | |
C. Não concordo | 21 / 250 (8,4%) | 14 / 84 (17%) | 7 / 166 (4,2%) | |
3. Cuidar dos dentes de leite da criança não é tão importante, pois eles irão cair e serão trocados pelos dentes permanentes., n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Concordo | 39 / 250 (16%) | 6 / 84 (7,1%) | 33 / 166 (20%) | |
B. Não sei | 23 / 250 (9,2%) | 0 / 84 (0%) | 23 / 166 (14%) | |
C. Não concordo | 188 / 250 (75%) | 78 / 84 (93%) | 110 / 166 (66%) | |
4. É necessário levar a criança ao dentista somente quando houver algum problema nos dentes dela., n / N (%) | 0,0041 | |||
A. Concordo | 19 / 250 (7,6%) | 3 / 84 (3,6%) | 16 / 166 (9,6%) | |
B. Não sei | 19 / 250 (7,6%) | 1 / 84 (1,2%) | 18 / 166 (11%) | |
C. Não concordo | 212 / 250 (85%) | 80 / 84 (95%) | 132 / 166 (80%) | |
5. Os pais ou responsáveis devem iniciar o uso do fio dental nos dentes do seu filho(a), quando nascer um dente do lado do outro., n / N (%) | 0,0011 | |||
A. Concordo | 109 / 250 (44%) | 50 / 84 (60%) | 59 / 166 (36%) | |
B. Não sei | 108 / 250 (43%) | 26 / 84 (31%) | 82 / 166 (49%) | |
C. Não concordo | 33 / 250 (13%) | 8 / 84 (9,5%) | 25 / 166 (15%) | |
6. A criança deve começar a usar pasta de dente com flúor quando seu primeiro dente de leite nascer., n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Concordo | 93 / 250 (37%) | 48 / 84 (57%) | 45 / 166 (27%) | |
B. Não sei | 78 / 250 (31%) | 14 / 84 (17%) | 64 / 166 (39%) | |
C. Não concordo | 79 / 250 (32%) | 22 / 84 (26%) | 57 / 166 (34%) | |
7. O uso da chupeta e da mamadeira podem entortar os dentes, atrapalhar a respiração e a fala da criança., n / N (%) | 0,0332 | |||
A. Concordo | 215 / 250 (86%) | 79 / 84 (94%) | 136 / 166 (82%) | |
B. Não sei | 29 / 250 (12%) | 5 / 84 (6,0%) | 24 / 166 (14%) | |
c | 1 / 250 (0,4%) | 0 / 84 (0%) | 1 / 166 (0,6%) | |
C. Não concordo | 5 / 250 (2,0%) | 0 / 84 (0%) | 5 / 166 (3,0%) | |
8. Oferecer a chupeta e a mamadeira à criança pode fazer com que ele(a) tenha dificuldade de mamar no seio da mãe., n / N (%) | 0,0011 | |||
A. Concordo | 172 / 250 (69%) | 69 / 84 (82%) | 103 / 166 (62%) | |
B. Não sei | 48 / 250 (19%) | 6 / 84 (7,1%) | 42 / 166 (25%) | |
C. Não concordo | 30 / 250 (12%) | 9 / 84 (11%) | 21 / 166 (13%) | |
9. O nascimento dos dentes do bebê pode causar febre alta ou diarreia., n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Concordo | 167 / 250 (67%) | 59 / 84 (70%) | 108 / 166 (65%) | |
B. Não sei | 55 / 250 (22%) | 7 / 84 (8,3%) | 48 / 166 (29%) | |
C. Não concordo | 28 / 250 (11%) | 18 / 84 (21%) | 10 / 166 (6,0%) | |
10. Os bebês já nascem com a vontade de sugar, por isso precisam de chupetas/bicos para serem acalmados., n / N (%) | <0,0011 | |||
A. Concordo | 46 / 250 (18%) | 11 / 84 (13%) | 35 / 166 (21%) | |
B. Não sei | 40 / 250 (16%) | 4 / 84 (4,8%) | 36 / 166 (22%) | |
C. Não concordo | 164 / 250 (66%) | 69 / 84 (82%) | 95 / 166 (57%) | |
1Teste qui-quadrado de independência | ||||
2Teste exato de Fisher | ||||
Legenda: n – Frequência absoluta. N – Dados válidos. % – Percentual. DP – Desvio Padrão. AIQ - Amplitude Interquartil.
Tabela 4 - Distribuição das respostas dos cuidadores no domínio de conhecimento em saúde bucal infantil, segundo o tipo de serviço utilizado (privado ou público).
| Serviço |
| ||
Características | Total, N = 250 | Privado, N = 84 | Público, N = 166 | Valor p |
1. Marque um ou mais alimentos que você acha que podem ajudar no aparecimento de cárie nos dentes do(a) seu(sua) filho(a): | ||||
Biscoitos recheados, bolachas, balas, doces e pirulitos, n / N (%) | 223 / 250 (89%) | 81 / 84 (96%) | 142 / 166 (86%) | 0,0091 |
Carne, frango e peixe, n / N (%) | 11 / 250 (4,4%) | 3 / 84 (3,6%) | 8 / 166 (4,8%) | 0,7552 |
Refrigerantes, n / N (%) | 185 / 250 (74%) | 72 / 84 (86%) | 113 / 166 (68%) | 0,0031 |
Leite achocolatado, n / N (%) | 157 / 250 (63%) | 71 / 84 (85%) | 86 / 166 (52%) | <0,0011 |
Feijão, n / N (%) | 11 / 250 (4,4%) | 1 / 84 (1,2%) | 10 / 166 (6,0%) | 0,1052 |
Suco de fruta de caixinha, n / N (%) | 114 / 250 (46%) | 58 / 84 (69%) | 56 / 166 (34%) | <0,0011 |
Mel, n / N (%) | 94 / 250 (38%) | 45 / 84 (54%) | 49 / 166 (30%) | <0,0011 |
Verduras e Legumes, n / N (%) | 1 / 250 (0,4%) | 1 / 84 (1,2%) | 0 / 166 (0%) | 0,3362 |
Ovo, n / N (%) | 6 / 250 (2,4%) | 1 / 84 (1,2%) | 5 / 166 (3,0%) | 0,6672 |
Pastel e coxinha, n / N (%) | 56 / 250 (22%) | 7 / 84 (8,3%) | 49 / 166 (30%) | <0,0011 |
2. Marque um ou mais sinais que você acredita que são causados pelo nascimento dos dentes do bebê: | ||||
Febre acima de 38 graus, n / N (%) | 160 / 250 (64%) | 42 / 84 (50%) | 118 / 166 (71%) | 0,0011 |
Diarreia, n / N (%) | 166 / 250 (66%) | 43 / 84 (51%) | 123 / 166 (74%) | <0,0011 |
Vômitos, n / N (%) | 38 / 250 (15%) | 7 / 84 (8,3%) | 31 / 166 (19%) | 0,0311 |
Problemas do ouvido, n / N (%) | 16 / 250 (6,4%) | 5 / 84 (6,0%) | 11 / 166 (6,6%) | 0,8371 |
Nariz escorrendo, n / N (%) | 74 / 250 (30%) | 28 / 84 (33%) | 46 / 166 (28%) | 0,3581 |
Coceira na gengiva, n / N (%) | 184 / 250 (74%) | 67 / 84 (80%) | 117 / 166 (70%) | 0,1161 |
Desejo de morder, n / N (%) | 154 / 250 (62%) | 65 / 84 (77%) | 89 / 166 (54%) | <0,0011 |
Aumento da saliva, n / N (%) | 146 / 250 (58%) | 52 / 84 (62%) | 94 / 166 (57%) | 0,4241 |
Bebê irritado, n / N (%) | 163 / 250 (65%) | 68 / 84 (81%) | 95 / 166 (57%) | <0,0011 |
Colocar mãos na boca, n / N (%) | 185 / 250 (74%) | 68 / 84 (81%) | 117 / 166 (70%) | 0,0751 |
3. O que está mais relacionado ao aparecimento de cárie nos dentes da criança?, n / N (%) | 0,1172 | |||
A. Assoprar os alimentos da criança e beijá-la na boca. | 5 / 250 (2,0%) | 0 / 84 (0%) | 5 / 166 (3,0%) | |
B. Dar à criança alimentos ricos em açúcar e não escovar os dentes antes de dormir. | 222 / 250 (89%) | 80 / 84 (95%) | 142 / 166 (86%) | |
C. Deixar a criança ficar desnutrida | 2 / 250 (0,8%) | 0 / 84 (0%) | 2 / 166 (1,2%) | |
D. Não sei | 21 / 250 (8,4%) | 4 / 84 (4,8%) | 17 / 166 (10%) | |
4. Quando deve-se levar a criança pela primeira vez ao dentista?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Quanto a criança sentir dor de dente. | 12 / 250 (4,8%) | 0 / 84 (0%) | 12 / 166 (7,2%) | |
B. Logo após a criança nascer, independente do nascimento do primeiro dente. | 116 / 250 (46%) | 53 / 84 (63%) | 63 / 166 (38%) | |
C. Quando todos os dentes de leite estiverem na boca | 80 / 250 (32%) | 26 / 84 (31%) | 54 / 166 (33%) | |
D. Não sei | 42 / 250 (17%) | 5 / 84 (6,0%) | 37 / 166 (22%) | |
5. Em qual época se deve iniciar a limpeza dos dentes da criança?, n / N (%) | <0,0012 | |||
A. Quando o primeiro dente de leite nascer. | 182 / 250 (73%) | 77 / 84 (92%) | 105 / 166 (63%) | |
B. Quando o bebê fizer um ano | 42 / 250 (17%) | 5 / 84 (6,0%) | 37 / 166 (22%) | |
C. Quando todos os dentes de leite estiverem na boca. | 12 / 250 (4,8%) | 1 / 84 (1,2%) | 11 / 166 (6,6%) | |
D. Não sei | 14 / 250 (5,6%) | 1 / 84 (1,2%) | 13 / 166 (7,8%) | |
6. Qual a quantidade indicada de pasta de dente com flúor para escovar os dentes da criança menor de 3 anos?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. A quantidade de um grão de arroz cru. | 119 / 250 (48%) | 60 / 84 (71%) | 59 / 166 (36%) | |
B. A quantidade um grão de ervilha pequena. | 64 / 250 (26%) | 20 / 84 (24%) | 44 / 166 (27%) | |
C. A quantidade que cubra toda a cabeça da escova | 18 / 250 (7,2%) | 3 / 84 (3,6%) | 15 / 166 (9,0%) | |
D. Não sei | 49 / 250 (20%) | 1 / 84 (1,2%) | 48 / 166 (29%) | |
7. Quantas vezes deve se escovar os dentes da criança menor de 3 anos com pasta com flúor?, n / N (%) | 0,0082 | |||
A. Não é necessário escovar os dentes do bebê todos os dias. | 3 / 250 (1,2%) | 1 / 84 (1,2%) | 2 / 166 (1,2%) | |
B. Um vez por dia. | 27 / 250 (11%) | 7 / 84 (8,3%) | 20 / 166 (12%) | |
C. Duas vezes por dia. | 182 / 250 (73%) | 71 / 84 (85%) | 111 / 166 (67%) | |
D. Não sei | 38 / 250 (15%) | 5 / 84 (6,0%) | 33 / 166 (20%) | |
8. Qual a concentração recomendada de flúor na pasta a ser usada nos dentes de crianças menores de 3 anos?, n / N (%) | <0,0011 | |||
A. A concentração deve ser de zero partes para milhão (ppm) de flúor. | 22 / 250 (8,8%) | 3 / 84 (3,6%) | 19 / 166 (11%) | |
B. A concentração deve ser de 500ppm de flúor | 19 / 250 (7,6%) | 8 / 84 (9,5%) | 11 / 166 (6,6%) | |
C. A concentração deve ser de no mínimo 1.000 ppm de flúor | 52 / 250 (21%) | 43 / 84 (51%) | 9 / 166 (5,4%) | |
D. Não sei/nunca ouvir falar | 157 / 250 (63%) | 30 / 84 (36%) | 127 / 166 (77%) | |
9. Caso haja a necessidade de a mamadeira ser receitada por um profissional, até qual idade se aconselha a criança deixar de usá-la, para usar o copo?, n / N (%) | 0,0331 | |||
A. Até 1 ano | 79 / 250 (32%) | 31 / 84 (37%) | 48 / 166 (29%) | |
B. Até 2 anos | 53 / 250 (21%) | 24 / 84 (29%) | 29 / 166 (17%) | |
C. Até 3 anos. | 35 / 250 (14%) | 9 / 84 (11%) | 26 / 166 (16%) | |
D. Não sei | 83 / 250 (33%) | 20 / 84 (24%) | 63 / 166 (38%) | |
10. Caso o bebê venha a usar a chupeta, a partir de qual idade se aconselha a criança deixar de usá-la?, n / N (%) | 0,6641 | |||
A. A partir de 1 ano | 100 / 250 (40%) | 31 / 84 (37%) | 69 / 166 (42%) | |
B. A partir dos 2 anos | 58 / 250 (23%) | 23 / 84 (27%) | 35 / 166 (21%) | |
C. A partir de 3 anos | 15 / 250 (6,0%) | 4 / 84 (4,8%) | 11 / 166 (6,6%) | |
D. Não sei | 77 / 250 (31%) | 26 / 84 (31%) | 51 / 166 (31%) | |
1Teste qui-quadrado de independência | ||||
2Teste exato de Fisher | ||||
Legenda: n – Frequência absoluta. N – Dados válidos. % – Percentual. DP – Desvio Padrão. AIQ - Amplitude Interquartil.
Tabela 5 - Distribuição dos escores médios e classificação dos cuidadores nos domínios de prática, atitude e conhecimento, segundo o tipo de serviço utilizado (privado ou público).
| Serviço |
| ||
Características | Total, N = 250 | Privado, N = 84 | Público, N = 166 | Valor p |
Prática | <0,0011 | |||
Média (DP) | 11,5 (3,2) | 13,6 (2,7) | 10,5 (3,0) | |
Mediana [AIQ] | 11,0 [9,0, 14,0] | 14,0 [12,0, 15,3] | 10,0 [8,0, 12,0] | |
Prática Classificado, n / N (%) | <0,0012 | |||
Adequado | 71 / 250 (28%) | 44 / 84 (52%) | 27 / 166 (16%) | |
Inadequado | 179 / 250 (72%) | 40 / 84 (48%) | 139 / 166 (84%) | |
Atitude | <0,0011 | |||
Média (DP) | 5,18 (1,87) | 6,44 (1,50) | 4,54 (1,72) | |
Mediana [AIQ] | 5,00 [4,00, 6,00] | 7,00 [6,00, 7,00] | 5,00 [3,25, 6,00] | |
Atitude Classificado, n / N (%) | <0,0012 | |||
Adequado | 118 / 250 (47%) | 66 / 84 (79%) | 52 / 166 (31%) | |
Inadequado | 132 / 250 (53%) | 18 / 84 (21%) | 114 / 166 (69%) | |
Conhecimento | <0,0011 | |||
Média (DP) | 10,2 (3,3) | 12,2 (2,9) | 9,2 (3,1) | |
Mediana [AIQ] | 11,0 [8,0, 13,0] | 13,0 [10,0, 14,0] | 10,0 [8,0, 11,0] | |
Conhecimento Classificado, n / N (%) | <0,0012 | |||
Adequado | 91 / 250 (36%) | 57 / 84 (68%) | 34 / 166 (20%) | |
Inadequado | 159 / 250 (64%) | 27 / 84 (32%) | 132 / 166 (80%) | |
1Teste de soma de postos de Wilcoxon | ||||
2Teste qui-quadrado de independência | ||||
Legenda: n – Frequência absoluta. N – Dados válidos. % – Percentual. DP – Desvio Padrão. AIQ - Amplitude Interquartil
DISCUSSÃO
O núcleo familiar é considerado um ecossistema de extrema relevância para a aquisição de boas práticas de saúde, especialmente para pais e/ou cuidadores que possuem conhecimentos e apoiam estilos de vida saudáveis12.
É amplamente reconhecido que as interações familiares delineiam o comportamento de seus membros, com destaque para a influência dos pais sobre os filhos, tidos como receptores passivos da ascendência parental13.
Sendo assim, pais e/ou cuidadores que possuem conhecimentos sobre educação em saúde, assumem a função de vetores de orientação à seus filhos por meio de atitudes afetivas, cognitivas e comportamentais. Todavia, estudos indicam que pais e/ou cuidadores frequentemente não estão familiarizados com o conceito de promoção de saúde infantil14,15.
Diante disso, torna-se crucial desenvolver ferramentas que permitam avaliar o conhecimento de pais e/ou cuidadores acerca da saúde bucal de seus filhos, além de sensibilizá-los para a importância desses saberes. Todas as asserções acima, justificam a implementação da presente pesquisa, que tem o propósito de testar um instrumento do tipo CAP (Conhecimento, Atitude e Prática), destinado a pais e/ou cuidadores sobre promoção de saúde bucal infantil11, avaliando o conhecimento dos pais e/ou cuidadores a respeito da saúde bucal de seus filhos.
A princípio, os resultados da pesquisa demonstraram que pais e/ou cuidadores cujos filhos frequentam escolas no setor privado obtiveram escores mais elevados em todos os domínios, exibindo uma maior proporção de conhecimento, atitudes e práticas considerados adequados, quando comparados com aqueles que frequentam escolas públicas. A despeito de não ser o principal foco da pesquisa, é possível sugerir que a metodologia utilizada pode ser aplicada em futuros estudos, reforçando a viabilidade do instrumento validado.
Relativo ao perfil sóciodemográfico da população estudada é notável o predomínio de pais e/ou cuidadores do sexo feminino, em ambas as escolas (públicas e privadas). Tal fato ajusta-se às pesquisas que citam que mães são as principais cuidadoras e modelos de comportamento para seus filhos, sendo fundamentais na construção de um estilo de vida saudáveis para eles16,17.
Observa-se uma diferença significativa nas dimensões de escolaridade e renda, com melhores indicadores entre os pais e/ou cuidadores usuários do serviço privado. Tal resultado, de certa forma não surpreende, haja vista que condições culturais e econômicas mais privilegiadas sugerem índice de conhecimento mais adequados18.
A análise das práticas de cuidado infantil relativo à saúde bucal na população estudada demonstra diferenças significativas entre escolas públicas e privadas. Enquanto usuários do setor privado adotam práticas preventivas, como menor oferta de alimentos açucarados, maior frequência na escovação dentária, maior utilização de fio dental e uso de creme dental com flúor, os usuários de escolas públicas não exerciam um controle alimentar adequado, adotam menor frequência de higiene bucal, desconhecem a concentração de flúor e introduzem precocemente mamadeiras com produtos açucarados. Tais resultados evidenciam uma relação direta entre baixa renda familiar, baixo conhecimento e baixa percepção sobre a saúde bucal das crianças. Estudos recentes têm confirmado o conceito de que práticas parentais influenciam fortemente a saúde bucal das crianças, o que de certa forma demonstram nossos resultados19,20.
Em geral, o presente estudo destaca que embora os pais e/ou cuidadores apresentem um nível razoável de conhecimentos, tal fato não reflete em atitudes e práticas consistentes. Assim, é oportuno insistir em suportes educacionais contínuos, implementando políticas de saúde pública acessíveis, particularmente para as populações socialmente vulneráveis21,22.
Há que se considerar algumas limitações da presente pesquisa, como seu caráter transversal e também por ser possivelmente inédito, a discussão e cotejamento com outras produções bibliográficas mostrou-se quantitativamente afetada. Entretanto, estudos inéditos são precursores para construção de hipóteses e bases para delineamento de pesquisas futuras sobre o tema.
Ademais, o questionário mostrou-se como uma ferramenta confiável e válida para avaliar o conhecimento dos pais e/ou cuidadores em relação à saúde bucal de seus filhos. Suas propriedades psicométricas permitem considerá-lo um instrumento de grande valia para pesquisas bem como um suporte pedagógico para gestores públicos.
A relevância desta pesquisa é notável, especialmente por concentrar-se em pais e/ou cuidadores de crianças na faixa etária de zero a três anos de idade. Trata-se de um período de vida determinante, haja vista que a neurociência demonstra que as sinapses se desenvolvem de forma acelerada, criando a base para o funcionamento cognitivo, social e emocional. Esse desenvolvimento precoce é fundamental para a aquisição e formação das boas práticas de saúde geral e bucal, refletindo ao longo de todo o ciclo de vida do indivíduo23,24.
Dessa forma, além de cumprir seus objetivos científicos e provocar uma reflexão acerca do conhecimento de pais e/ou cuidadores sobre saúde bucal de seus filhos, a pesquisa também apresenta potencial para contribuir na sensibilização e educação dos pais e/ou cuidadores quanto a adoção de comportamentos saudáveis desde os primeiros anos de vida da criança.
CONCLUSÃO
É possível concluir que houve variações notáveis entre pais e/ou cuidadores cujos filhos frequentavam escolas públicas e privadas, sendo que os de setor privado apresentaram maior índice de desempenho de conhecimentos. Para além desses conhecimentos, a conjunção de saberes e atitudes favorecem a práticas de cuidados mais responsivos. Conclui-se, ainda, que é urgente a necessidade de construir ações educativas específicas, principalmente dirigidas aos pais e/ou cuidadores que usam o setor escolar público, com o intuito de aprimorar os conhecimentos e as práticas de promoção de saúde bucal de seus filhos.
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