THE PERCEPTION OF POSTPARTUM WOMEN ABOUT POSTPARTUM DEPRESSION
LA PERCEPCIÓN DE LAS MUJERES PUÉRPERERAS SOBRE LA DEPRESIÓN POSPARTO: UNA REVISIÓN NARRATIVA
Tipo de artigo: Revisão narrativa
Rosilene da Silva Ribeiro2,
Graduação em Enfermagem pela Faculdade Objetivo; Mestra em Saúde Coletiva - UFG; Docente na Universidade de Rio Verde – UniRV,
ORCID: https://orcid.org/0009-0002-7479-4328;
Camila Antunez Villagran3,
Enfermeira graduada pela Universidade Federal do Pampa; Doutoranda em Ciências da Saúde pela UNISUL, Docente na Universidade de Rio Verde - UniRV,
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9498-3049;
Luiz Alexandre Pereira de Toledo4,
Biomédico com habilitação em Patologia Clínica e Saúde Pública. Mestre em Ciências da Saúde pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (FM/UFG). Docente da Universidade de Rio Verde - UniRV,
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-4373-6950;
Wigney Júnior Carvalho Gonzaga5,
Graduado em Enfermagem pela Universidade Federal de Jatai – UFJ – 2020. Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Jataí – UFJ, Docente da Universidade de Rio Verde – UniRV,
ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3928-9588,
RESUMO
Objetivo: compreender a percepção de mulheres acometidas pela depressão pós-parto em relação ao processo de adoecimento mental. Material e Métodos: Estudo de revisão narrativa, o qual permite reunir e discutir informações disponíveis na literatura científica, sem a necessidade de seguir protocolos rígidos de busca e seleção. A análise contempla desde manifestações leves, como o baby blues, até quadros mais graves de depressão. Resultado: Os resultados mostram que a depressão pós-parto é um transtorno mental de origem multifatorial, que afeta mulheres no período gestacional e após o parto. A detecção precoce é essencial para prevenir complicações, sendo o apoio da família a principal rede de suporte. Ademais diversas mulheres enfrentam dificuldades para reconhecer alterações emocionais e expressar seus sentimentos, o que compromete a procura por ajuda. Essa dificuldade contribui para o agravamento do quadro. Conclusão: Conclui-se que compreender essas percepções é essencial para promover ações de cuidado à saúde mental materna.
DESCRITORES: Depressão pós-Parto; Gestação; Mulheres; Saúde mental.
ABSTRACT
Objective: To understand the perceptions of women suffering from postpartum depression regarding the process of mental illness. Material and Methods: This was a narrative review study, which allows for the collection and discussion of information available in the scientific literature, without the need to follow strict search and selection protocols. The analysis encompasses symptoms ranging from mild symptoms, such as the baby blues, to more severe forms of depression. Results: The results show that postpartum depression is a multifactorial mental disorder that affects women during pregnancy and after childbirth. Early detection is essential to prevent complications, and family support is the primary support network. Furthermore, many women face difficulties recognizing emotional changes and expressing their feelings, which hinders their ability to seek help. This difficulty contributes to worsening the condition. Conclusion: Understanding these perceptions is essential to promoting maternal mental health care.
RESUMEN
Objetivo: Comprender las percepciones de las mujeres que sufren depresión posparto respecto al proceso de enfermedad mental. Material y métodos: Se trata de un estudio de revisión narrativa, que permite la recopilación y discusión de información disponible en la literatura científica, sin necesidad de seguir protocolos estrictos de búsqueda y selección. El análisis abarca síntomas que van desde leves, como la tristeza posparto, hasta formas más severas de depresión. Resultados: Los resultados muestran que la depresión posparto es un trastorno mental multifactorial que afecta a las mujeres durante el embarazo y después del parto. La detección temprana es esencial para prevenir complicaciones, y el apoyo familiar es la principal red de apoyo. Además, muchas mujeres enfrentan dificultades para reconocer los cambios emocionales y expresar sus sentimientos, lo que dificulta su capacidad de buscar ayuda. Esta dificultad contribuye al empeoramiento de la condición. Conclusión: Comprender estas percepciones es esencial para promover la atención a la salud mental materna.
A gravidez e o parto são eventos significativos na vida da mulher, trazendo mudanças intensas em sua vida e acrescentando responsabilidades. No período puerperal, surge um gatilho para o risco de depressão pós-parto (DPP), disparando para uma série de problemas de saúde mental. A atenção e o suporte adequado a saúde emocional nesse período são essenciais para o bem-estar da mãe e do bebê, destacando a importância da identificação precoce e do tratamento adequado da DPP [1].
No período pós-parto, há mudanças abruptas nos níveis dos hormônios padrão, essa mulher passa de um padrão de produção de progesterona para um padrão de produção de estrogênio. Essa alteração hormonal pode causar tristeza, choro e ansiedade, sintomas esses que estão relacionados à queda dos hormônios serotonina, endorfina e adrenalina [2].
A DPP é uma importante questão de saúde pública, sendo que a apresentação do quadro clínico pode surgir nas primeiras quatro semanas pós-parto, de modo habitual, atingindo seu pico máximo nos seis meses seguintes. Os sinais mais comuns são desânimos persistentes, culpa, distúrbios do sono, ideação suicida, medo de machucar o bebê, alteração no apetite e libido, queda no nível de funcionamento mental e presença de ideias obsessivas [3].
Após o nascimento do bebê, habitualmente a mãe se depara com uma realidade que pode ser diferente do imaginado, com relação a expectativas, mudanças e desafios. Nesse cenário, a puérpera busca equilibrar as novas tarefas maternas com ajustes na rotina doméstica, questões financeiras, emocionais e sociais. Essa fase inclui transformações hormonais, físicas e psicológicas significativas, exigindo adaptação e suporte para lidar com esse período [4].
É importante ressaltar que muitas vezes as mulheres que estão nesse processo, por muitas vezes não percebem adoecidas, uma vez que o puerpério por si só gera uma sobrecarga física e mental, privação de sono e de necessidades fisiológicas, essa exaustão associada a outros fatores pode desencadear um processo patológico, no entanto, essa mulher pode não se dar conta que se encontra em um quadro depressivo [5].
O baby blues ou blues puerperal, é uma condição fisiológica causada pelas bruscas alterações hormonais durante o período pós-parto que pode durar até duas semanas. Caracteriza-se por uma perturbação transitória de humor, incluindo oscilações emocionais, tristeza, irritabilidade, confusão mental e choro frequente. É uma condição comum e passageira que afeta muitas mulheres após o parto, sendo importante apoio e compreensão durante esse período de ajuste emocional. No entanto, em 30 a 75% das parturientes são consideradas subdiagnosticadas e essa condição pode acabar crônica e evoluir para um quadro depressivo, o que dificulta a percepção por parte da mulher que a vivência [6].
Já a DPP é uma condição mais grave e duradoura que acomete mulheres após o nascimento do bebê, sendo resultado da combinação de fatores hormonais, emocionais e sociais, exigindo atenção e acompanhamento profissional para evitar consequências tanto para a mãe quanto para o desenvolvimento saudável do bebê [4].
Diante do exposto, evidencia-se a importância de compreender a percepção de mulheres acometidas pela DPP acerca do adoecimento mental, buscando identificar comportamentos e sentimentos a partir de suas próprias vivências e se elas reconhecem os sinais e estágios do processo de adoecimento. Tal compreensão é fundamental para ampliar o conhecimento sobre o tema, visto que o estudo propõe preencher lacunas presentes na literatura nacional e fornecer subsídios para futuras pesquisas, além de contribuir para a elaboração de ações estratégicas voltadas à prevenção e ao cuidado integral da saúde mental materna.
MATERIAIS E MÉTODOS
Trata-se de uma revisão narrativa, um tipo de estudo que tem como objetivo reunir, descrever e discutir informações disponíveis na literatura sobre determinado tema, sem necessariamente seguir um protocolo rígido de busca e seleção de fontes. Essa metodologia é especialmente útil quando se busca explorar temas complexos, ainda pouco sistematizados ou que envolvam diferentes abordagens teóricas e práticas [7].
No presente estudo, a revisão narrativa foi escolhida como método para compreender e discutir as percepções das mulheres sobre as manifestações clínicas no período puerperal, considerando desde os sintomas leves do baby blues até os quadros mais graves de DPP. Além disso, a revisão narrativa permite uma abordagem mais interpretativa e reflexiva, essencial para aprofundar a compreensão sobre a subjetividade das experiências maternas e os desafios enfrentados nesse contexto.
As buscas foram realizadas do período de janeiro a março de 2025, nas bases de dados Google Acadêmico, Portal de Periódicos da CAPES, Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde e Scientific Eletronic Library Online (Scielo) respeitando o recorte temporal entre os anos de 2020 a 2025. Os Descritores em Ciências da Saúde utilizados para a busca foram: Depressão pós-parto; Puerpério; Saúde Mental; Baby Blues. Além disso, foi realizado cruzamento utilizando operadores booleanos AND e OR.
Os critérios de inclusão contemplaram publicações que abordassem temas relacionados à percepção de puérperas acometidas por Depressão Pós-Parto (DPP) acerca do processo de adoecimento mental. Além disso, foram selecionados estudos que discutissem as principais características clínicas da DPP, bem como aqueles que descrevessem sentimentos, experiências e vivências das mulheres que enfrentaram quadros de adoecimento mental durante o período puerperal.
Outro critério adotado foi a seleção de artigos publicados em idioma português e disponibilizados em acesso aberto e gratuito. Tal escolha visou facilitar o acesso ao conteúdo integral dos estudos, assegurando uma análise mais completa dos dados e garantindo que os materiais estivessem acessíveis para consultas posteriores, tanto por pesquisadores quanto por profissionais da saúde interessados no tema.
Foram incluídos artigos selecionados, em um primeiro momento, conforme os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos, em seguida fez-se a leitura dos títulos e os fichamentos dos trabalhos, com o objetivo de verificar se estes enquadravam nos objetivos deste trabalho e por fim, realizou-se a leitura na íntegra definindo a relevância ao tema.
Como resultado da busca nas bases de dados, foram encontradas 807 publicações, que se encaixaram nos critérios estabelecidos, e após a leitura dos resumos 20 estudos foram selecionados, para a leitura na íntegra e a partir disso, 16 publicações foram selecionadas, para compor este estudo.
Quadro 1 - Caracterização dos artigos analisados, segundo título, autor, ano, metodologia, objetivo e base de dados.
Título do artigo | Autor (es)/ano | Metodologia | Objetivo | Base de Dados |
A relação mãe- bebê na DPP | Soares et al.,2022 | Pesquisa descritiva qualitativa | Analisar os fatores que corroboram para o desencadeamento da DPP | Google Acadêmico |
Interações familiares em um contexto de DPP | Marques; Oliveira; Silva; 2021 | Estudo exploratório, descritivo e qualitativo | Analisar a percepção das mulheres acerca das interações familiares | Google Acadêmico |
Um Turbilhão de emoções: Percepção de mulheres – Mães acerca do puerpério | Greco et al., 2022 | Estudo descritivo qualitativo | Analisar a percepção de Mulheres+-mães | Google Acadêmico |
Os sentimentos vivenciados pelas puérperas no pós- parto | Meirelles; Alevato; Antônio; 2022 | Pesquisa qualitativa descritiva, | Conhecer os sentimentos percebidos pela mulher | Google Acadêmico |
Fatores de risco associados DPP | Cerilo-Filho et al.., 2023 | Revisão integrativa da literatura | Compreender quais são os fatores de risco associados a DPP | Scientific Eletronic Library Online (Scielo) |
e psicose puerperal | Izoton et al., 2022 | Revisão Bibliográfica | Conhecer os Conceitos básicos sobre a DPP | Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) |
Fatores desencadeantes e sintomas associados à DPP | Martins et al., 2024 | Pesquisa de revisão integrativa | Avaliar os fatores desencadeantes e os sintomas | Google Acadêmico |
Retrospectivada experiência de gestação de mulheres com DPP | Schwochow; Frizzo; 2020 | Análise qualitativa | Avaliar de forma retrospectiva, a Experiência de gestação | Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) |
Características clínicas e fatores de risco da DPP | Santos et al., 2022 | Revisão Bibliográfica | Analisar as características clínicas e fatores de risco para DPP | Google Acadêmico |
Fatores de risco que desencadeiam a DPP | Conrado et al., 2023 | Revisão integrativa da literatura | Analisar os principais fatores de risco que influenciam o desenvolvimento de uma DPP | Google Acadêmico |
Narrativas autobiográficas feminina sobre a DPP no YOUTUBE® | Silva et al., 2022 | Estudo Qualitativo | Conhecer as narrativas autobiográficas femininas sobre DPP | Google Acadêmico |
Depressão materna no puerpério: compreensão dos fatores biopsicossociais | Eloi; Muner; 2024 | Estudo Qualitativo | Investigar os fatores biopsicossociais que contribuem para a DPP | Google Acadêmico |
DPP: Relatos de mães que sofreram impactos no município de Chapeco-SC | Pellenz et al.,2023 | Método cientifico indutivo como descritivo | Avaliar impactos que a DPP causa na vida das mães, em nível familiar | Google acadêmico |
Relação mãe-bebê no contexto da DPP | Greinert et al., 2018 | Estudo qualitativo | Analisar como a sintomatologia depressiva em mulheres no período pós-parto | Google acadêmico |
Sou mãe: e agora? Vivências do puerpério | Campos; Carneiro; 2021 | Pesquisa qualitativa | Investigar como as mulheres vivenciam o puerpério atualmente | Google acadêmico |
Pesquisa social acerca do manejo de puérperas com DPP na Maternidade Nossa Senhora de Lourdes | Torres; 2024 | Científica de pesquisa social qualitativa e quantitativa | Apresentar aspectos de manejo da DPP na maternidade | Google acadêmico |
Fonte: Maciel, 2025
O período puerperal é uma etapa muito desafiadora na vida das mulheres. A puérpera é a mulher que acabou de dar à luz e, nesse período, enfrenta uma fase de vulnerabilidade acentuada devido a mudanças fisiológicas significativas e um desequilíbrio hormonal. Essas transformações tornam o organismo mais suscetível a complicações, como hemorragia e infecções. Além dos problemas físicos, a mulher pode experimentar problemas psicológicos como tristeza, confusão, transtornos emocionais e DPP [8].
O puerpério é uma fase sensível que pode causar muito estresse em muitas mulheres. Vários fatores como questões biológicas, psicológicas, sociais e culturais podem levar ao surgimento de problemas psiquiátricos durante esse período. Entre os fatores sociais e emocionais que podem causar esses problemas estão a falta de apoio da família ou de amigos, uma gravidez não planejada, desordens afetivas, dificuldades relacionadas a concepção e a amamentação, experiência de perda, nascimento de bebês com anomalias, prematuridade, condição civil (solteira ou divorciada) e a gestação de um bebê de sexo oposto ao planejado [9].
Durante a gravidez, o parto e o período pós-parto, a mulher enfrenta várias incertezas e expectativas. Embora seja um processo natural, é um momento que pode trazer dor, sofrimento, angústia e temor. Essa combinação de emoções pode levar algumas mulheres a desenvolver transtornos mentais, como a DPP [10]. Os sintomas podem incluir alterações de humor, tristeza persistente, desânimo, perda de apetite, sono reduzido e diminuição da libido. É fundamental que haja um acompanhamento completo da mãe, considerando que o período de gestação e pós- parto provoca mudanças fisiológicas que afetam seu corpo. Essas transformações hormonais impactam seu estado emocional, gerando inseguranças e ansiedade sobre sua capacidade de ser mãe e de cuidar do recém-nascido [11].
A DPP manifesta-se por apatia, tristeza e ideação suicida. Seu surgimento está associado a fatores como idade jovem, violência doméstica, gravidez não planejada e falta de apoio familiar. Configurada como condição grave, afetando mulheres em período de vulnerabilidade e representando um desafio considerável para os envolvidos. A detecção precoce é crucial para evitar complicações [12].
A família e a primeira rede de apoio da mulher e exerce um papel fundamental, principalmente quando há comprometimento da saúde mental. O suporte familiar ajuda a promover segurança, confiança e acolhimento, aspectos essenciais para que a mulher enfrente os desafios com mais equilíbrio e preparo. No ambiente familiar, as relações verdadeiras se fortalecem e as soluções para problemas são encontradas [13]. A rede de apoio é fundamental para oferecer suporte emocional solido, orientação valiosa e um sentimento de conexão comunitária, isso ajuda a aliviar o impacto dos transtornos pós-parto, oferecendo um ambiente de segurança e compreensão [14].
O baby blues é uma resposta emocional frequente nos primeiros dias ou até 2 semanas após o parto, atingindo até 80% das mães. Os principais sinais estão as variações ou mudanças de humor, facilidade para chorar, cansaço, dificuldade para dormir, sensação de sobrecarga e baixa autoestima. Apesar de enfrentarem esses sintomas, as mães que passam pelo baby blue não apresentam rejeição ao bebê, e o tratamento pode ser realizado por meio de suporte emocional [15]. Um estudo alerta para o fato de que o baby blues é transitório e uma rede de apoio é crucial para aliviar os sintomas e prevenir a evolução para DPP. Para as ambas condições, o apoio social dos familiares e amigos, além do acompanhamento psiquiátrico, é fundamental para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. A rede de apoio é de suma importância e pode influenciar significativamente na recuperação e na prevenção de complicações mais graves [16].
A DPP é um transtorno mental de etiologia multifatorial que afeta mulheres no período gravídico-puerperal, é comum que as mulheres experimentem sintomas como alterações de humor, tristeza persistente, desânimo, perda de apetite, diminuição do sono e da libido, aversão ao bebê podendo se prolongar por semanas ou meses após o parto. Sendo mais grave e persistente que o baby blues, que geralmente desaparece em poucos dias. [17].
As mulheres apresentam grande dificuldade em perceber o adoecimento mental, uma vez que ela já está “habituada” a sobrecarga física e mental. A maternidade traz mudanças intensas na vida das mulheres, com responsabilidades adicionais que podem levar ao esgotamento físico e emocional. A falta de apoio e a pressão para cumprir múltiplos papéis sem reconhecimento adequado exacerbam essas dificuldades, tornando comum que essas mulheres não busquem ajuda profissional até que os sintomas se tornem mais graves a ponto de não conseguir manter necessidades humanas básicas como banho, sono ou alimentação adequadas, de modo que ela entende que os sintomas da DPP são apenas reflexos de seu novo estilo de vida e não do adoecimento mental [18].
E importante investigar as vivências das mulheres durante a gravidez e, especialmente, como elas se sentem no pós-parto, as mulheres frequentemente relutam em discutir seus sintomas de depressão, muitas vezes devido às pressões sociais que esperam que as novas mães sejam alegres após o parto, o que pode resultar em culpa, remorso, discriminação e constrangimento. Este período envolve mudanças psíquicas significativas após o nascimento do bebê e a presença de uma rede de apoio social é crucial para sustentar essas mudanças, garantido um ambiente de suporte emocional e psicológico. A compreensão dessas experiências pode ajudar a desenvolver estratégias eficazes para apoiar essas puérperas nesse momento crítico, promovendo seu bem-estar e o da família [19].
Observa-se que em geral, mulheres no pós-parto não reconhecem os sintomas da DPP, o que as impedem de buscar ajuda, muitas vezes, o cansaço associado aos desafios da maternidade e confundido com a exaustão normal do período pós-parto é crucial entender que essa falta de reconhecimento pode levar a um diagnóstico tardio e, consequentemente a um tratamento atrasado, condição séria que afeta não apenas a mãe, mas também o bebê e a família, tornando essencial a identificação precoce e o apoio adequado [20].
Os sintomas característicos da DPP, como insônia e perda de apetite geralmente se manifestam nas quatro primeiras semanas após o parto e são semelhantes aos que ocorrem após o nascimento. Essa situação pode fazer com que tanto a nova mãe quanto as pessoas ao seu redor considerem reações normais ou temporárias, dificultando assim um diagnóstico preciso. Assim, a puérpera pode não reconhecer que está enfrentando uma DPP [21].
Em uma pesquisa realizada foi observado que a maioria das participantes se emocionou ao relembrar suas jornadas de aceitação materna, notadamente quando trataram da sua rejeição inicial e da agressividade voltadas para o bebê, além dos sentimentos envolvidos. A partir dos dados coletados e ao observar a fragilidade no diagnóstico da DPP, nota-se que, frequentemente, as mudanças na conduta da mãe não são percebidas devido à falta de compreensão sobre a sua condição, o que dificulta a possibilidade de intervenção [22].
Um outro estudo evidenciou, que a DPP torna necessário a existência de uma boa rede de apoio, pelo companheiro e por amigos pode ter um impacto positivo relevante ao longo da gestação. Por isso, receber acolhimento emocional, cuidado, atenção e segurança durante esse período é essencial para garantir que a fase da gravidez e do pós-parto ocorra de maneira serena [23].
Sabe-se que mulheres em pós-parto imediato enfrenta logo nos primeiros dias um turbilhão de emoções associado a uma intensa sobrecarga de demandas com a chegada do bebê, que podem ser tão intensas a ponto de ultrapassar o que a puérpera é capaz de suportar tanto do ponto de vista físico quanto emocional. Essa mãe recém nascida passa por intensas privações de sono, não consegue muitas vezes se alimentar ou se hidratar adequadamente e nem mesmo promover o autocuidado de forma satisfatória. Esse misto de emoções e sobrecarga pode gerar nessa mulher um humor deprimido de forma rotineira, uma sensação com a qual ela pode se “habituar” e não perceber a evolução para um processo efetivo de adoecimento.
Observamos então que muitas mulheres enfrentam dificuldades em se autoavaliar e reconhecer mudanças psicológicas, o que as impede de expressar seus sentimentos, o que pode resultar em uma demora ou até mesmo na ausência de busca por ajuda, elevando o risco de desenvolver DPP.
A DPP acomete muitas mulheres no período puerperal e os sinais e sintomas nem sempre são percebidos, dessa forma, os profissionais da área de saúde, no geral, possuem um papel importante na detecção das manifestações clínicas, com o intuito de impedir o sofrimento das mães e maiores consequências para o bebê. Recomenda-se que os profissionais de saúde melhorem a educação dos pacientes, aumentando a conscientização sobre a DPP, o blues puerperal e seus sintomas, além dos recursos de apoio disponíveis, isso inclui suporte emocional, orientação sobre estratégias de enfretamento e conectar as mulheres a recursos adequados, como aconselhamento ou grupos de apoio. A promoção do autocuidado também è crucial para ajudar as novas mães a lidar com essa fase no período gestacional e pós-parto.
Desta forma, acredita-se que esse estudo possa contribuir com o conhecimento dos profissionais da saúde e familiares dessas mulheres com o objetivo de que haja intervenção no momento oportuno e cuidados adequados a essa mulher evitando assim complicações e consequências relacionadas a DPP.
Vista do Características clínicas e fatores de risco da depressão pós-parto: uma revisão de literatura.