EXPERIÊNCIA PATERNA COM A PARTICIPAÇÃO NO PARTO E NASCIMENTO

PATERNAL EXPERIENCE WITH PARTICIPATION IN LABOR AND BIRTH

EXPERIENCIA PATERNA CON LA PARTICIPACIÓN EN EL PARTO Y EL NACIMIENTO

Tipo de artigo: Artigo original

Autores

Guilherme Frederico Abdul Nour

Enfermeiro, Doutorando em Enfermagem na Universidade Federal do Ceará (UFC)

Orcid: http://orcid.org/0000-0002-5000-6203

Patrícia do Nascimento Silva

Enfermeira, Mestre em Saúde Pública pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

Orcid: https://orcid.org/0009-0002-6634-9507

Tatiane da Silva Coelho

Enfermeira, Doutora em Enfermagem pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

Orcid: http://orcid.org/0000-0003-4088-9687

Laura Pinto Torres de Melo

Enfermeira, Doutora em Cuidados Clínicos em Enfermagem e Saúde pela Universidade Estadual do Ceará (UECE).

Orcid: http://orcid.org/0000-0002-3030-2216 

Juliana Oliveira Brito

Enfermeira, Mestre em Saúde da Mulher e da Criança pela Universidade Federal do Ceará (UFC)

Orcid: http://orcid.org/0000-0002-9871-0240 

Ana Kelve de Castro Damasceno

Enfermeira, Doutora em Enfermagem. Professora titular do departamento de Enfermagem da Universidade Federal do Ceará (UFC)

Orcid: https://orcid.org/0000-0003-4690-9327

RESUMO

Objetivo: analisar a experiência paterna com a participação no parto e nascimento. Método: estudo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa. A população foi composta por 10 pais que acompanharam o trabalho de parto e o nascimento do filho em uma maternidade pública de referência da capital do Ceará. Os dados foram coletados por meio de entrevistas semiestruturadas e analisados por meio da técnica do Discurso do Sujeito Coletivo e pelo software Iramuteq®. Resultados: o que mais motivou a participação paterna no processo de parturição foi a expectativa de participar do nascimento do filho e fornecer apoio/suporte a sua companheira. O principal sentimento vivenciado foi de felicidade, além disso percebeu-se que os entrevistados classificaram essa experiência como algo bom e inesquecível, sentindo-se importante em todo o processo. Conclusão: é fundamental estimular e favorecer a participação do companheiro da gestante durante o ciclo gravídico, parturitivo, puerperal e nos cuidados com o recém-nascido.

DESCRITORES: Paternidade; Pai; Trabalho de parto; Parto; Nascimento.

ABSTRACT

Objective: To analyze the paternal experience of participating in labor and birth. Method: A descriptive and exploratory study with a qualitative approach. The sample consisted of 10 fathers who witnessed the labor and birth of their child at a leading public maternity hospital in the capital of Ceará. Data were collected through semi-structured interviews and analyzed using the Collective Subject Discourse technique and Iramuteq® software. Results: The main motivation for paternal participation in the birth process was the expectation of participating in the birth of their child and providing support to their partner. The main feeling experienced was happiness, and the interviewees classified this experience as positive and unforgettable, feeling important throughout the process. Conclusion: It is essential to encourage and promote the participation of the pregnant woman's partner during pregnancy, labor, and postpartum periods, as well as in newborn care.

DESCRIPTORS: Fatherhood; Father; Labor; Childbirth; Birth

RESUMEN

Objetivo: Analizar la experiencia paterna de participar en el parto y nacimiento. Método: Estudio descriptivo y exploratorio con enfoque cualitativo. La muestra estuvo compuesta por 10 padres que presenciaron el parto y nacimiento de su hijo en una maternidad pública líder en la capital de Ceará. Los datos se recolectaron mediante entrevistas semiestructuradas y se analizaron utilizando la técnica del Discurso del Sujeto Colectivo y el software Iramuteq®. Resultados: La principal motivación para la participación paterna en el proceso de parto fue la expectativa de participar en el nacimiento de su hijo y brindar apoyo a su pareja. El principal sentimiento experimentado fue la felicidad, y los entrevistados clasificaron esta experiencia como positiva e inolvidable, sintiéndose importantes durante todo el proceso. Conclusión: Es esencial incentivar y promover la participación de la pareja de la gestante durante el embarazo, el parto y el posparto, así como en el cuidado del recién nacido.

DESCRIPTORES: Paternidad; Padre; mano de obra; Parto; Nacimiento.

INTRODUÇÃO

A gravidez é um período marcado por grandes mudanças biopsicofiológicas e o momento em que se inicia a preparação para a parentalidade, sendo um acontecimento importante na vida de um casal, trazendo uma gama de sentimentos intensos, até então não vivenciados, podendo vir a fortalecer o vínculo entre o trinômio mãe, pai e filho(1-3).

As principais diretrizes acerca do processo de parturição recomendam a presença de um acompanhante de livre escolha da mulher durante todo o processo de trabalho de parto e nascimento. No Brasil, esse direito é assegurado pela Lei 11.108, proporcionar isso é considerado uma prática humanizada e digna à mulher(4).

Apesar de ser lei, e de apresentar inúmeros benefícios, a presença do acompanhante no processo de parturição ainda enfrenta desafios para efetivamente acontecer. Essa limitação pode ocorrer pela estrutura física inapropriada ou devido alguns profissionais de saúde que restringe o acesso do mesmo. Porém, estudos vem evidenciando que a presença de um acompanhante bem-preparado, promove maior conforto e suporte emocional à gestante, já que o mesmo compreende o processo do trabalho de parto e fornece auxílio nas decisões a serem tomadas(3,5).

Ter um acompanhante é essencial para a mulher, já que a mesma se encontra em um momento de vulnerabilidade e o apoio físico ou emocional ofertado pelo mesmo, fornece segurança e conforto. Além disso é uma prática segura e efetiva que faz valer direitos reprodutivos das mulheres(5).

Ao longo da história, a paternidade seguiu por um caminho oposto ao da maternidade, ainda que atualmente perceba-se mudanças culturais no comportamento da sociedade, a mãe, muitas vezes, ainda é vista como a pessoa que cuida, oferece carinho e nutre o filho. Enquanto isso, o pai ocupa o papel de provedor, alheio as demais situações relacionadas ao filho. Isso faz com que haja uma desvalorização da participação do homem no processo de parturição(6).

Diante deste contexto, faz-se necessário que o homem consiga desenvolver uma identidade paterna que vá além de ser o provedor, entendendo que o papel de pai traz benefícios para ele e para a sua família, já que fortalece os vínculos entre o trinômio(6).

A presença do pai como acompanhante pode ser considerado o ideal devido ao vínculo existente entre ambas as partes, além do que, estando ali afirma sua paternidade valorizando assim, seu papel de pai(7). O envolvimento paterno deve ser incentivado desde o pré-natal, já que é nesse momento que as principais dúvidas acerca do trabalho de parto são esclarecidas. Dessa forma os profissionais de saúde devem preparar não só a parturiente como também o seu acompanhante(3).

Entender a relação pai e o nascimento é fundamental para a tomada de decisão que envolve este contexto familiar, é o momento que ocorre o estreitamento de laços que já são formados desde a gravidez e que pode se fortalecer durante o trabalho de parto e o nascimento. Diante desse contexto, o estudo tem o objetivo de analisar a experiência paterna com a participação no parto e nascimento.

MÉTODO

Tipo de estudo

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório com abordagem qualitativa. Teve seu relatório estruturado conforme os critérios do Consolidated criteria for reporting qualitative research (COREQ).

Local e período

A pesquisa foi realizada em uma maternidade de referência na cidade de Fortaleza, no estado do Ceará. Sendo vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS), responsável por atendimentos de média e alta complexidade, na atenção hospitalar e ambulatorial à mulher e ao recém-nascido.

A maternidade permite a presença do acompanhante de livre escolha da mulher, estando este, presente desde o pré-parto até o pós-parto. A coleta de dados acorreu no alojamento conjunto, cerca de 24 horas após o processo do parto.

A coleta dos dados ocorreu no mês de outubro de 2023, no alojamento conjunto da referida instituição de forma intencional, não probabilística por conveniência.

Participantes

Um total de 10 pais que participaram do processo de nascimento de seus filhos foram convidados para responderem uma entrevista semiestruturada com indagações sobre a sua experiência no processo da parturição.

Considerou-se os seguintes critérios de inclusão: ser maior de 18 anos, ter sido o acompanhante de escolha da parturiente para vivenciar o processo parturitivo, ter participado do trabalho de parto, parto e nascimento junto com sua parceira e ser pai, biológico ou não, do recém-nascido. Os critérios de exclusão foram: dificuldades de comunicação ou estado de saúde físico ou mental que impossibilitasse o relato de suas experiências.

Coleta dos dados

As entrevistas foram gravadas com o auxílio de um gravador, onde ocorreram até o alcance da saturação dos dados. O gerenciamento dos discursos coletados foi realizado por meio do software Epi Info versão 7.1.5. (Centers for Disease Control and Prevention, Atlanta, USA). Esse programa gera um banco de dados, que após a conclusão da digitação, permite uma revisão dos dados afim de encontrar possíveis erros, corrigindo-os para que possa ser realizado uma análise posteriormente.

Análise dos dados

        Para análise, foi utilizada a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) desenvolvida por Fernando Lefevre e Ana Maria Lefevre(8), caracterizando-se por uma proposta de organização e tabulação de dados de natureza verbal. A técnica consiste em analisar o material coletado de cada entrevista, onde os discursos são escritos na primeira pessoa do singular e tende a expressar o pensamento de uma coletividade, como se esta coletividade fosse o emissor de um discurso(8-9).

        Em seguida foi utilizado o software Iramuteq® versão 0.7 alfa 2 (Interface de R pour les Analyses Multidimensionnelles de Textes et de Questionnaires)(10), que permite diferentes processamentos e análises estatísticas de textos produzidos. Nesta pesquisa utilizou-se a nuvem de palavras. Com isso, as palavras são agrupadas e organizadas graficamente de acordo com a sua frequência, o que possibilita de maneira fácil a sua identificação, a partir de um único arquivo, que se denomina de corpus, reunindo assim, todos os textos da entrevista realizada. Dessa forma, cada entrevista caracterizou um texto, e o conjunto desses textos constituiu o corpus de análise.

Aspectos éticos

O estudo foi submetido ao Comitê de Ética em Pesquisa da Secretaria Municipal de Saúde de Fortaleza, obtendo aprovação sob o CAAE 71623823.6.0000.0203, parecer 6.310.589, seguindo as recomendações da Resolução n° 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde sobre pesquisas que envolvem seres humanos(11).

RESULTADOS

A amostra foi composta por dez pais, com idade variando de 18 a 39 anos, sete (70%) se autodeclaravam pardos. Sobre a escolaridade, o ensino médio completo apresentou maior número de respostas, oito (80%). Quanto a procedência dos pais, a cidade de Fortaleza obteve destaque, cinco (50%), no entanto, surgiram também participantes de cidades da região metropolitana.  

Quando questionados sobre situação atual de trabalho, a maioria referiu estar ativo, seis (60%). A maior parte da renda girou em torno de até 1 salário-mínimo, sete (70%).

Após a caracterização sociodemográfica da amostra, partiu-se para as entrevistas qualitativas, utilizando a técnica do Discurso do Sujeito Coletivo(8) e a análise com o software Iramuteq®, onde pais que participaram do nascimento de seus filhos puderam relatar seus sentimentos e suas percepções a cerca desse momento.

Inicialmente questionou-se: O que te motivou a acompanhar sua companheira no trabalho de parto e nascimento do seu filho? Obtendo-se o DSC:

A motivação foi ver meu filho nascer né, acho que é importante pra todo pai vê o filho nascer, tá presente e ajudando né. Isso que me motivou de verdade, foi vê o nascimento do meu filho...tá aqui e viver isso tudo me motivou. Estou muito feliz por ter ficado e acompanhado tudo de perto, é um momento único na vida de um pai, assistir de perto o nascimento de um filho. DSC 1

A figura 1, complementa o DSC 1, por meio da nuvem de palavras referente ao primeiro questionamento. Nela aparece as palavras que mais se repetiram nos discursos dos entrevistados.

Figura 1: Nuvem de palavras sobre a motivação de acompanhar o parto. Fortaleza, CE, Brasil, 2023.

Texto

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fonte: Organizado com base no software Iramuteq®.

Nota-se na figura que as palavras são posicionadas de maneira aleatória, onde as palavras mais frequentes aparecem maiores que as outras, demonstrando, assim, seu destaque no corpus de análise da pesquisa.

Pelo método de nuvem de palavras, que agrupa as palavras e as organiza graficamente em função da sua frequência, a palavra filho foi a que teve maior frequência no corpus – 16 vezes.

Além disso as palavras “nascer”, “apoio” e “momento” também ficaram em evidência:

O apoio do pai é muito importante...somos família. Sem contar que pra ela (esposa) também é importante ter a gente dando apoio né, ajudando o nosso filho a nascer. É um momento muito importante pra nossa família...todo apoio que dei pra ela foi bom porque deixou ela mais calma. DSC 2

O apoio direcionado à parturiente pode vir a fortalecer a relação do casal. Durante o trabalho de parto, os homens percebiam o quanto gostavam da sua companheira, valorizando cada momento vivenciado juntos.  Tais sentimentos foram evidenciados através da fala de um dos entrevistados:

Minha esposa é tudo pra mim, eu amo ela demais, ficar com ela aqui durante o sofrimento dela, foi muito bom...poder ficar pertinho dela...só fez eu ver que ela é muito forte, aguentou toda a dor, tenho é orgulho dela...ela é minha vida. DSC 3

Questionou-se também: conte-me sobre a sua experiência no processo de parto e nascimento. Como se sentiu? Qual o seu papel? Qual a importância da sua participação?

Pra mim foi a melhor experiência da minha vida, é meu primeiro filho, aí já viu a emoção. Eu me senti muito emocionado, até chorei, fiquei muito feliz, apesar de tá nervosinho, eu achei que ia desmaiar de tão nervoso que fiquei, é muito sangue né. Mas foi a melhor experiência da minha vida, fiquei muito feliz mesmo. A experiência foi boa, primeira vez que eu vejo um parto, fiquei nervoso, mas foi bom, segurei meu filho no braço morrendo de medo. Eu me senti feliz. DSC 4

Os entrevistados apresentaram certa dificuldade em expressar em palavras o que estavam sentindo e como foi para eles vivenciarem essa experiência. Em suas falas ficou evidente a emoção e o nervosismo, principalmente nos que estavam acompanhando o parto do primeiro filho.

A seguir, nuvem de palavras da segunda pergunta do questionário. Observa-se que a palavra feliz foi a que teve maior frequência no corpus – 17 vezes (Figura 2).

Figura 2. Nuvem de palavras sobre a experiência da participação do pai no parto. Fortaleza, CE, Brasil, 2023.

Texto

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Fonte: Organizado com base no software Iramuteq®.

A palavra “feliz” surgiu como destaque, seguida das palavras “experiência”, “pai”, “sentir-se importante” e “bom”, evidenciando que o principal sentimento vivenciado pelos entrevistados ao participarem do nascimento dos seus filhos está relacionado com felicidade, além disso percebe-se que os entrevistados classificaram essa experiência como algo bom, realizando o seu papel de pai, se sentindo importante em todo o processo de parturição.

Os pais apresentaram grandes expectativas, curiosidade e medos relacionados ao seu papel durante o trabalho de parto, mas também demonstram interesse em participar e se envolver no processo. Alguns estudos mostram que os pais que acompanham o nascimento de seus filhos experimentam sentimentos como alegria e medo, além disso, desenvolvem sentimentos de ansiedade por não conseguirem ajudar a mulher nos momentos de dor.

Estava nervoso desde a madrugada quando ela começou a sentir as dores, fiquei com medo de acontecer algo de ruim, não sabia como ajudar, não sabia o que fazer, fiquei com pena da minha es        posa sentir tanta dor, se eu pudesse sentiria no lugar dela, mas no fim deu tudo certo. DSC 5

Os pais descreveram o parto como o momento em que as expectativas e os medos surgem. Percebem que acompanhar esse momento pode ser difícil para eles, já que existe uma sensação de impotência diante de determinada situação.

        Eu fiquei muito feliz, mas muito nervoso e sem saber o que fazer, a gente fica de mão atadas, só posso dar apoio mesmo, não posso fazer mais nada, queria ter ajudado mais, rapaz tinha sangue demais, eu fiquei preocupado também, com medo do que podia acontecer, aí a enfermeira me explicou que estava tudo normal. DSC 6 

DISCUSSÃO

A inserção do acompanhante, desde o pré-natal até o processo de trabalho de parto, parto e pós-parto, garantem à mulher muitos benefícios, contribuindo para a redução de dores, medos e inseguranças. Além disso pode vir a reduzir o tempo de trabalho de parto, as chances de desenvolver depressão pós-parto e nas taxas de cesáreas(12-14).

Dentre os entrevistados todos da amostra nunca haviam acompanhado gestantes em ambiente hospitalar, assim como, nunca haviam acompanhado um trabalho de parto. O despreparo para esse momento pode-se configurar como uma barreira para que haja uma experiência positiva e segura.

Ser acompanhante da mulher durante o processo de parturição concebe ao homem uma oportunidade de vivenciar o nascimento de seu filho e o mesmo deve ser capaz de perceber sua participação não apenas como acompanhante, mas como protagonista junto com sua parceira. Portanto, independente de qual seja sua percepção a cerca desse papel, espera-se que esse momento o traga a uma experiência importante e significativa para sua vida(15).

Os pais buscam participar do parto por acreditar que vivenciar a chegada do filho pode criar e/ou aumentar o vínculo entre pai e o filho. A vivência do pai no momento do parto e nascimento do filho o anima a participar de maneira mais atuante dos cuidados ao recém-nascido(16).

Isto posto, de acordo com a fala dos participantes, a motivação em acompanhar o processo de nascimento dos seus filhos foi vivenciar esse momento único, além de fornecer apoio a sua companheira. Sabe-se que o processo de parturição é um momento marcado por sentimentos diversos, que estimulam a criação de vínculos entre os membros da família. Contudo, quando o pai tem limitado conhecimento sobre o processo de parturição e pouca orientação sobre o que está acontecendo, ele tende a visualizar uma cena apavorante do processo.

Uma pesquisa desenvolvida no sudeste brasileiro, evidenciou uma preocupação dos pais, ainda durante a gestação, em relação ao parto. Para reduzir a ansiedade desse momento, os pais tendem a buscar informações acerca de prematuridade, tipos de parto e possíveis complicações. Essas informações são oriundas de conversas com profissionais de saúde, além de buscar esclarecimentos na mídia e/ou internet. Buscar informações verídicas é uma maneira de vivenciar a experiência de acompanhar o nascimento dos seus filhos de maneira mais segura e tranquila(17).

O pai deve ser inserido no parto de forma a atuar como um instrumento de apoio para a gestante, podendo auxiliá-la em todo o trabalho de parto e parto. Para isso, faz-se necessário que este pai receba orientações para que possa entender seu papel e vivenciá-lo de maneira positiva, com mais conforto e confiança, sendo suporte para a sua companheira(18).

No corpus da nuvem de palavras, os termos “ajudar” “participação” e “apoio” surgiram de maneira mais discreta, evidenciando que mesmo sabendo o seu lugar e papel na parturição, esses sentimentos e atitudes ainda são pouco explorados e fortalecidos.

Os profissionais de enfermagem acabam acompanhando mais de perto todo o processo parturitivo e todos os atores envolvidos, que frequentemente, vivenciam sentimentos de medo, angústia e ansiedade pela falta de conhecimentos e isso pode tornar o momento do nascimento do filho uma situação difícil para o pai, cabendo ao enfermeiro orientar e tranquilizar a mulher e seu acompanhante sempre que necessário(15).

O pai quando bem orientado pela equipe passa a ser um acompanhante mais atuante e ativo no processo, oferecendo apoio não somente com as palavras de encorajamento, mas também com métodos não farmacológicos para alívio da dor (massagem, banho, respiração consciente, deambulação) que tragam conforto físico essa mulher.

A presença ativa do pai como acompanhante fortalece o vínculo ao trinômio e promove o sentimento de paternidade. É o momento em que ocorre a transição de homem para pai, surgindo ou reafirmando o sentimento paterno. Assim, faz-se necessário a presença de uma equipe capacitada para fornecer acolhimento e orientações ao pai, estimular sua participação no cuidado com bebê e fortalecer seu papel como protagonista resultando em um processo positivo de parturição para os envolvidos.

O pai, sendo protagonista na parturição, junto à sua parceira, compreendendo seu papel e vivenciando de perto a evolução do trabalho de parto, prestando apoio e se fazendo presente e atuante, favorece para um desfecho mais positivo do processo de parir e no nascimento do bebê, o que pode vir a diminuir possíveis intercorrências e eventos negativos, fazendo com que o nascimento seja vivenciado de maneira positiva por ambas as partes. Com isso, o estudo reforça o valor que tem para o pai a possibilidade de participar do nascimento de seu filho. Essa vivência é fundamental para a formação do vínculo pai-filho.

A principal limitação do estudo foi a dificuldade de encontrar material bibliográfico atualizado e voltado para a participação paterna durante o trabalho de parto, parto e nascimento, reforçando a importância de novos estudos que possam abordar a temática e promover a inclusão dos pais no processo parturitivo.

CONCLUSÃO

Para os pais entrevistados a experiência foi positiva e motivada pela vontade de ver seu filho nascer, além de estar presente fornecendo apoio às suas companheiras. O principal sentimento vivenciado pelos pais entrevistados foi de felicidade, tendo essa experiência classificada como um momento bom e inesquecível, exercendo o seu papel de pai, reconhecendo a sua importância em todo o processo da parturição.

Ressalta-se, a necessidade de estimular e fortalecer a participação do companheiro desde as consultas de pré-natal, pois nesse momento se inicia a preparação e as orientações acerca do ciclo gravídico e puerperal, onde são direcionadas as informações quanto à vivência do parto e a presença de um acompanhante de livre escolha da mulher durante o processo.

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