EFEITO DE UM PROGRAMA DE EXERCÍCIO FÍSICO NA CAPACIDADE FÍSICA, FUNCIONAL E COGNITIVA DE IDOSOS

EFFECT OF A PHYSICAL EXERCISE PROGRAM ON THE PHYSICAL, FUNCTIONAL, AND COGNITIVE CAPACITY OF OLDER ADULTS

EFECTO DE UN PROGRAMA DE EJERCICIO FÍSICO EN LA CAPACIDAD FÍSICA, FUNCIONAL Y COGNITIVA DE LOS ADULTOS MAYORES

Autores

Durcelina Schiavoni Bortoloti

Doutora em Ciências da Saúde. Docente do Curso de Educação Física Bacharelado, UNIPAR, Francisco Beltrão-PR. ORCID: https://orcid.org/0000-0001-6976-3661

Daniele Cristine Rosa de Souza

Acadêmica do Curso de Educação Física Bacharelado, UNIPAR, Francisco Beltrão-PR.

ORCID: https://orcid.org/0009-0009-4215-5944

Maria Eduarda Maciel de Sousa

Acadêmica do Curso de Educação Física Bacharelado, UNIPAR, Francisco Beltrão-PR.

ORCID: https://orcid.org/0009-0002-8846-3669

Chiara Munaro

Mestre em Ciências Aplicadas à Saúde. Docente do Curso de Educação Física Bacharelado, UNIPAR, Francisco Beltrão-PR. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-0706-6531

RESUMO

O objetivo deste estudo foi verificar os efeitos de um programa de exercícios físicos na capacidade física funcional e cognitiva de pessoas idosas. O programa de treinamento funcional consistiu de duas sessões semanais por 12 semanas. Participaram do estudo 16 idosos, com média de idade de 65,5 anos. Incluíram-se exercícios de força muscular, resistência aeróbica e equilíbrio. Os resultados demonstraram aumento significativo na força muscular de membros superiores e na força e resistência muscular de membros inferiores (p<0,05). Não foram observadas diferenças significantes na flexibilidade de membros inferiores, agilidade e equilíbrio dinâmico, resistência aeróbica e capacidade cognitiva dos participantes. Assim, um programa de 12 semanas de treinamento funcional para idosos foi capaz de proporcionar modificações benéficas nos níveis de força muscular, porém não promoveu mudanças nas demais capacidades físico-funcionais e na capacidade cognitiva.

DESCRITORES: Treinamento Funcional. Envelhecimento. Funcionalidade Física. Capacidade Cognitiva.

ABSTRACT

The objective of this study was to assess the effects of a physical exercise program on the physical, functional, and cognitive capacity of older adults. The functional training program consisted of two weekly sessions for 12 weeks. Participated in the study, sixteen older adults, mean age of 65.5 years. Muscle strength, aerobic endurance, and balance exercises were included. The results demonstrated significant increases in upper-limb muscle strength and lower-limb strength and endurance (p<0.05). No significant differences were observed in lower-limb flexibility, agility and dynamic balance, aerobic endurance, or cognitive capacity. Thus, a 12-week functional training program for older adults was able to provide beneficial changes in muscle strength levels, but did not promote changes in other physical-functional capacities or cognitive capacity.

DESCRIPTORS: Functional Training. Aging. Physical Functionality. Cognitive Capacity.

RESUMEN

El objetivo de este estudio fue evaluar los efectos de un programa de ejercicio físico en la capacidad física, funcional y cognitiva de los adultos mayores. El programa de entrenamiento funcional consistió en dos sesiones semanales durante 12 semanas. Dieciséis adultos mayores, con una edad media de 65,5 años, participaron en el estudio. Se incluyeron ejercicios de fuerza muscular, resistencia aeróbica y equilibrio. Los resultados demostraron aumentos significativos en la fuerza muscular de las extremidades superiores y la fuerza y ​​resistencia de las extremidades inferiores (p < 0,05). No se observaron diferencias significativas en la flexibilidad, agilidad y equilibrio dinámico de las extremidades inferiores, la resistencia aeróbica o la capacidad cognitiva. Por lo tanto, un programa de entrenamiento funcional de 12 semanas para adultos mayores pudo proporcionar cambios beneficiosos en los niveles de fuerza muscular, pero no promovió cambios en otras capacidades físico-funcionales ni en la capacidad cognitiva.

DESCRIPTORES: Entrenamiento Funcional. Envejecimiento. Funcionalidad física. Capacidad cognitiva.

INTRODUÇÃO

A população de pessoas com idade superior a 60 anos está crescendo em termos globais, a uma taxa de 3% ao ano aproximadamente, o que representa um crescimento mais rápido do que todos os grupos etários mais jovens. No Brasil, em 2022 a parcela da população na faixa etária de 60 anos ou mais aumentou 56% em relação a 2010, com uma prevalência em torno de 15,6% dos brasileiros, o que em números absolutos já ultrapassa 32 milhões de indivíduos1.

O processo de envelhecimento provoca diversas modificações psicológicas, sociais, intelectuais, sendo um processo gradual e inevitável, que altera as funcionalidades motoras, sistêmicas, sensoriais e biológicas, diminuindo capacidades físicas como força, equilíbrio, flexibilidade e capacidade cardiorrespiratória2,3. Além disso, o envelhecimento provoca alterações na capacidade cognitiva e na composição corporal, provocando alterações do equilíbrio, modificações na marcha e aumento do risco de quedas4.

O envelhecimento em si, é complexo e envolve diversos fatores, como a genética, o estilo de vida e as doenças crônicas, as quais interagem entre si e influenciam a forma como o indivíduo envelhece5. Destaca-se que, o estilo de vida tem influência crucial na qualidade de vida da pessoa idosa, assim, a prática de atividade física regular é um dos fatores que contribui para uma vida mais saudável, visto que, auxilia nas atividades diárias, na prevenção de doenças, aumenta a autonomia e independência, melhora as funções cognitivas, como memória e linguagem6. A literatura destaca que, independentemente do tipo de programa de treinamento, observa-se melhora da locomoção e do equilíbrio associado ao aumento da força muscular e diminuição do risco de quedas7,8.

Segundo Cadore et al9, treinamentos funcionais que buscam integrar exercícios de força, resistência cardiorrespiratória e equilíbrio demonstram ser estratégias apropriadas para melhoras de saúde global de pessoas idosas, em virtude dos estímulos às capacidades físicas funcionais imprescindíveis para esta idade.

Ainda, segundo o Position Stand do American College of Sports Medicine10, a atividade física sistematizada apresenta diversos benefícios na desaceleração das mudanças fisiológicas do envelhecimento, melhorando a capacidade de realizar atividades diárias, ajuda no controle de doenças crônicas, promove o bem-estar cognitivo e psicológico além de aumentar a longevidade. Contudo, mesmo diante de tantos benefícios para a população idosa, observa-se que somente 30,2% dessa população pratica pelo menos 150 minutos de atividades físicas de intensidade moderada, por semana11.

Diferentes estratégias de atividades físicas sistematizadas para populações idosas são relatadas pela literatura, destacam-se entre elas os programas de exercícios funcionais, ou exercícios multicomponentes, os quais têm tido um crescimento nas recomendações para esta população12. Exercícios que proporcionem o desenvolvimento de força, potência e resistência muscular, diminuição de gordura corporal, aumento de massa magra, melhora da aptidão física e qualidade de vida podem facilitar as atividades cotidianas e beneficiar a capacidade cognitiva13,14.

Contudo, diante de inúmeros estudos que apresentam os benefícios dos programas de atividade física para populações idosas, ainda parece ser um desafio para profissionais da área da saúde, na implementação de estratégias duradouras e/ou permanentes, principalmente em virtude de custos operacionais e adesão desta população. Nesse sentido, estudos que visem a analisar o efeito de programas de exercício físico na capacidade física funcional e cognitiva de idosos são importantes, principalmente para aumentar o corpo de evidencias de programas de exercícios de baixo custo operacional para grupos de pessoas idosas, visando proporcionar a adesão e estimular uma vida mais ativa com benefícios adicionais nas capacidades físicas funcionais e cognitivas de idosos.

Assim, o objetivo do presente estudo foi verificar o efeito de um programa de exercício físico funcional na capacidade física funcional e cognitiva de idosos.

MÉTODOS

Tratou-se de um estudo de campo, descritivo, longitudinal e quantitativo, que verificou o efeito de um programa de treinamento funcional na capacidade física funcional e cognitiva de idosos. As atividades foram realizadas na Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati) da UNIOESTE (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) na unidade de Francisco Beltrão.

Antes do início das atividades propostas, este estudo foi encaminhado ao Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Paranaense (UNIPAR), respeitando a Resolução nº 466/2012, a fim de manter a ética e o cumprimento das normas e leis que regem nosso país, o que torna indispensável o sigilo e a confidencialidade para toda pesquisa científica, preservando a identidade dos participantes, mantendo a confiabilidade e segurança do trabalho científico. Vale destacar que o projeto foi previamente aprovado sob Parecer nº 6,696,495, no ano de 2024.

Participaram do estudo idosos residentes na Cidade Francisco Beltrão. Como critério de inclusão: (1) indivíduos com 60 anos ou mais, de ambos os sexos; (2) inscritos e participantes da Unati; (3) sem restrição para a prática de atividade física sistematizada; (4) que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

A aptidão física funcional dos idosos foi mensurada pela bateria de Teste de Aptidão Física de Idosos (Tafi) descritos por Rikli e Jones15. O Tafi inclui parâmetros físicos identificados como componentes da aptidão funcional que são: (1) força muscular de membros inferiores (sentar e levantar da cadeira); (2) força de membros superiores (flexão e extensão de cotovelo); (3) flexibilidade de membros inferiores (alcançar o pé); (4) agilidade e equilíbrio dinâmico (levantar, caminhar e voltar a sentar); (5) flexibilidade de membros superiores (alcançar mãos atrás das costas) e (6) resistência aeróbica (caminhada de seis minutos).

A avaliação da capacidade cognitiva foi realizada através do teste Mini Mental State Examination (MMSE). O MMSE foi aplicado para verificar o estado cognitivo de acordo com procedimentos e pontuações propostas por Guerreiro et al16. O teste é constituído por 30 questões, pontuadas com valor 0: quando o indivíduo não responde ou dá uma resposta incorreta; ou 1: quando o examinado fornece uma resposta correta. As questões são organizadas em seis domínios cognitivos: (1) Orientação: cinco itens de orientação temporal e cinco de orientação espacial; (2) Retenção: repetição de três palavras; (3) Atenção e Cálculo:  série de cinco subtrações; (4) Evocação:  o examinado deve evocar espontaneamente as três palavras retidas; (5) Linguagem: inclui dois itens de nomeação, um de repetição de uma frase, um de compreensão de ordem verbal com três passos, um de compreensão de ordem escrita, um de escrita espontânea (frase com sentido e gramaticalmente correta); (6) Capacidade Construtiva: um item. O teste permite obter uma pontuação máxima de 30 pontos, sendo que as pontuações mais elevadas indicam melhores desempenhos. Todos os testes foram aplicados antes e após 12 semanas do programa de exercício físico funcional.

No programa de exercício físico os participantes foram submetidos a sessões de exercícios funcionais com frequência de duas vezes por semana, durante o período três meses. As atividades físicas propostas tiveram duração máxima de 60 minutos. Os exercícios foram desenvolvidos em grupos, no período da tarde. As atividades contaram com exercícios localizados e deslocamentos, com uso do próprio peso corporal e auxílio de materiais como bastões, bolas, cadeiras, colchonetes e arcos.

O Position Stand “Exercício e Atividade Física para Idosos” do Colégio Americano de Medicina do Esporte10 destaca que exercícios aeróbicos e resistidos devem ser os pilares em qualquer programa de exercícios para idosos. Sendo assim, o treinamento proposto buscou integrar exercícios de força, resistência cardiorrespiratória e equilíbrio.

O treinamento foi sistematizado em quatro blocos, sendo que os blocos principais ocorreram em forma de circuito, compostos por um total de seis estações, com exercícios de força muscular e resistência cardiorrespiratória para os principais grupos musculares, com foco em exercícios multiarticulares e multifuncionais, com transferência para as atividades da vida diária. Foram manipulados o volume e a intensidade, por meio do aumento de séries e de repetições e complexidade dos exercícios.

Foram realizadas sequências de exercícios para cada duas semanas. As sequências iniciaram com duas séries (10 a 15 repetições por exercício) de cada exercício nas primeiras semanas e progrediram para três séries (15 a 25 repetições por exercício) nas semanas subsequentes. Já os exercícios de resistência cardiorrespiratória, foram executados por 40 segundos, progredindo para 60 segundos. Os intervalos entre as séries foram de 40 segundos, progredindo para 20 segundos, e entre os blocos intervalos de 60 segundos, progredindo para 30 segundos.

Cada sequência de exercícios contou com dois exercícios de força muscular e um exercício de resistência cardiorrespiratória, sendo essa a composição dos dois blocos principais, e cada um deles contando com exercícios distintos (Alongamento dinâmico, exercício de resistência cardiorrespiratória, exercícios de força, atividades lúdicas, coordenação, atenção e agilidade). Vale ressaltar que o treinamento foi delineado de forma semelhante ao apresentado por Resende-Neto17, adaptado às condições físicas dos participantes e à disponibilidade de material e espaço para o desenvolvimento das atividades.

Para análise dos dados, estes foram previamente digitados em uma planilha do Excel e exportados para o Statistical Package for Social Science – SPSS-20.0. Num primeiro momento foi realizado o Teste de Shapiro Willk para normalidade dos dados seguidos de estatística descritiva para caracterização da amostra e distribuição de frequências para dados categóricos. Posteriormente foi empregado o teste t de Student para dados pareados, para verificar as diferenças estabelecidas antes e após o período de intervenção. O nível de significância adotado foi de p < 0,05.

RESULTADOS

Fizeram parte deste estudo 16 indivíduos, sendo 14 mulheres e dois homens. A média de idade foi de 65,5 ± 7,82 anos, com peso corporal médio de 68,23 ± 11,49kg e estatura média de 1,56 ± 0,07m. Já para o Índice de Massa Corporal (IMC), o resultado médio foi de 27,72 ± 3,76kg/m2. Verificou-se que ao início do programa 75% (n=12) dos participantes realizavam algum tipo de atividade física não sistematizada e 25% (n=4) não realizavam nenhum tipo de atividade física.

Na tabela 1 estão expostas as diferenças médias nos componentes analisados da capacidade física funcional dos idosos participantes de um programa de exercício físico. Verificou-se um aumento significativo na força e resistência de membros inferiores (p=0,002) e força de membros superiores (p=0,026), bem como uma diminuição significativa na flexibilidade de ombro direito (p=0,042) e ombro esquerdo (p=0,046).

Tabela 1. Diferenças médias da capacidade funcional de idosos participantes de um programa de exercício físico (n= 16).

Avaliação

Pré-treino

Pós-treino

P

Força e resistência MMII (rep)

12,75 ± 3,19

15,81 ± 5,21

0,002

Força de MMSS (rep)

20,31 ± 5,93

23,44 ± 5,53

0,026

Flexibilidade de pernas (cm)

4,98 ± 8,79

1,13 ± 14,62

0,200

Flexibilidade do ombro direito (cm)

1,81 ± 9,88

-6,78 ± 11,65

0,042

Flexibilidade do ombro esquerdo (cm)

-2,61 ± 15,79

-12,46 ± 11,51

0,046

Agilidade e equilíbrio (seg)

5,71 ± 0,68

5,77 ± 1,00

0,749

Resistência aeróbia (m)

518,70 ± 108,04

521,81 ± 123,65

0,836

Total da capacidade funcional (ptos)

54,50 ± 16,32

55,63 ± 19,15

0,652

Nota: MMII = Membros Inferiores; MMSS = Membros Superiores; ptos = pontos.

Na tabela 2 estão apresentadas as diferenças médias da capacidade cognitiva dos idosos, nos momentos pré e pós-treinamento. Não foram observadas mudanças significativas em nenhuma das variáveis avaliados (p>0,05).

Tabela 2. Diferenças entre as médias da capacidade cognitiva de idosos participantes de um programa de exercício físico (n= 16), avaliadas pelo Mini Mental.

 Avaliação

Pré-Treino

Pós-Treino

P

Orientação espacial (ptos)

9,88 ± 0,34

9,69 ± 0,48

0,180

Registros (ptos)

2,94 ± 0,25

3 ± 0,00

0,317

Atenção e cálculo (ptos)

4,33 ± 1,05

4,60 ± 1,12

0,219

Lembranças (ptos)

2,50 ± 0,52

2,63 ± 0,62

0,527

Linguagem (ptos)

8,50 ± 0,97

8,38 ± 0,62

0,564

Total MMSE (ptos)

27,94 ± 1,88

28,00 ± 2,31

0,688

Nota: MMSE = Mini Mental State Examination; ptos = pontos.

        Na tabela 3 são apresentadas as frequências relativas e absolutas para a capacidade funcional e para a capacidade cognitiva dos idosos deste estudo. Para a capacidade física funcional foram classificados em três categorias: Boa, Muito Boa e Regular, sendo que 31,3% dos idosos foram classificados com Boa capacidade física tanto no pré como no pós-treinamento. Houve um aumento na frequência de zero para 6,3% na classificação Muito Boa e redução de Regular de 68,8% para 62,5% (n=10).

Tabela 3 – Frequências para capacidade funcional e cognitiva de idosos participantes de um programa de exercício físico (n= 16).

 Avaliação

Pré-Treino N (%)

Pós-Treino N (%)

Regular

11 (68,8)

10 (62,5)

Boa

5 (31,3)

5 (31,3)

Muito Boa

0

1 (6,3)

Capacidade Cognitiva

 

 

Abaixo

7 (43,8)

4 (25,0)

Adequado

9 (56,5)

12 (75,0)

        Com relação à capacidade cognitiva, os participantes foram classificados em Abaixo e Adequado. Observou-se uma melhora de 56,5% para 75% na classificação Adequada, e redução da classificação Abaixo de 43,8% para 25%.

DISCUSSÃO

Este estudo verificou o efeito de um programa de exercício físico na capacidade física funcional e cognitiva de um grupo de pessoas idosas participantes da UNATI de Francisco Beltrão-PR. Os principais achados deste estudo demonstram que 12 semanas de treinamento funcional foram benéficas para o aumento de força, tanto de membros inferiores quanto superiores, contudo, não foi suficiente para promover mudanças significativas nas demais capacidades funcionais e cognitivas dos participantes.

Os resultados relacionados ao aumento da força muscular foram consistentes com estudo anterior realizado por Correa et al18, com 32 idosas, em que foi aplicado um programa de treinamento funcional de 12 semanas e houve aumento na resistência de força de membros inferiores, além de melhora na resistência cardiorrespiratória e na flexibilidade de membros inferiores das participantes.

O aumento dos níveis de força encontrados no presente estudo é importante, pois somente com níveis aceitáveis de força, as pessoas idosas podem realizar, com mais facilidade e autonomia, as diversas atividades da vida diária, como subir escadas, caminhar, fazer compras com autonomia, entre outras, e ainda ter menor probabilidade de quedas12.

No presente estudo não houve mudanças significativas nas variáveis da capacidade cognitiva, resultado que corrobora o estudo realizado por Vital et al19, com 34 idosas com doença de Alzheimer, onde foi aplicado um programa de treinamento resistido de baixa intensidade, e não foram evidenciadas melhorias significativas nas funções cognitivas analisadas através do Mini Mental.

Já em estudo conduzido por Ferreira et al20, um programa de treinamento resistido com 31 idosas sedentárias promoveu aumento na capacidade cognitiva. Os participantes do presente estudo foram classificados inicialmente, em sua maioria (56,6%) como adequado na capacidade cognitiva e, da mesma forma, a maioria (75%) relatou que praticava algum tipo de atividade física não sistematizada, o que pode explicar em parte a ausência de significâncias nos resultados analisados.

Ademais, em se tratando de indivíduos idosos mesmo não tendo melhoras significativas, a manutenção das capacidades cognitivas, demonstra um ganho importante, pois fisiologicamente esses indivíduos reduzem gradativamente estas capacidades14. Além disso, nas classificações relativas do presente estudo houve um aumento de adequação na capacidade cognitiva.

Em relação as avaliações da flexibilidade de ombros, houve redução significativa, tanto no ombro direito como no esquerdo, o que contrapõem outros achados da literatura, que observaram melhoras neste componente da aptidão física em idosos submetidos a 12 semanas de treinamento do método Pilates, que é caracterizado por movimentos realizados com maior amplitude e fluência, o que podem gerar maior nível de flexibilidade21. 

Em pesquisa realizada concomitantemente a este estudo, ou seja, com a mesma população, observou-se que 11,1% dos idosos inscritos no programa apresentavam algum tipo de doença osteomuscular crônica na articulação dos ombros, que não impedia a participação em atividades físicas, mas limitava alguns movimentos o que possivelmente interferiu que tais idosos realizassem plenamente as atividades propostas, e podem explicar em parte a redução significativa da flexibilidade de ombros22.

Na resistência aeróbica, outra capacidade avaliada neste estudo, não houve alteração significativa, resultado que corrobora com a pesquisa realizada por Silveira et al23, na qual foram realizadas oito semanas de treinamento com 20 idosos com doença de Parkinson, e buscou-se comparar os efeitos do treinamento funcional e do exercício em bicicleta estacionária na função respiratória, e não houve melhoras significativas na capacidade cardiorrespiratória.

Também não foram encontradas alterações significativas no equilíbrio, o que está em conformidade com o estudo realizado por Lustosa et al24, em que sete idosas participaram de um programa de exercícios funcionais por oito semanas e, apesar de tender a uma melhora no equilíbrio, não houve mudanças significativas nessa capacidade. Em contrapartida, estudo realizado com treinamento proprioceptivo durante quatro semanas, encontrou melhora significativa para o equilíbrio de idosos irregularmente ativos25.

Vale ressaltar que, apesar deste estudo apresentar indícios importantes dos benefícios dos exercícios funcionais para idosos, algumas limitações não podem ser desprezadas, como o fato de não haver um grupo controle, o que limitou a quantificação do tamanho do efeito do programa aplicado. Também foi necessário o agrupamento das análises entre os sexos, devido ao limitado número de idosos do sexo masculino.

Outra limitação, foi o tempo de execução do estudo, visto que, 12 semanas podem não ter sido ser suficientes para os estímulos fisiológicos da maioria das variáveis analisadas. Haja vista que, estudos anteriores que realizaram intervenções com um tempo ainda menor, também não comprovaram melhoras significantes nos componentes da aptidão funcional de idosos19,23,24.  Adicionalmente, reforça-se que os idosos deste estudo são participantes da Universidade Aberta a Terceira Idade (UNATI) onde, além de alguns relatarem praticar algum tipo de atividades físicas não sistematizadas, estes ainda estão envolvidos em diferentes atividades cognitivas e motoras recreativas, o que em parte podem ter interferido nas avaliações iniciais principalmente as relativas à cognição.

Contudo, vale a pena destacar que, a execução do programa de treinamento funcional aplicado para um grupo de pessoas idosas neste estudo, teve baixo custo operacional (financeiro e pessoal), e um bom engajamento nas sessões do programa de exercícios funcionais, o que pode contribuir para a manutenção da adesão e prolongamento dos programas, fatores que contribuem sobremaneira para estratégias duradouras, podendo assim, contribuir de maneira mais eficaz para o cuidado da saúde de grupos de pessoas idosas de diferentes regiões, independentemente do nível socioeconômico.

CONCLUSÃO

Os resultados obtidos sugerem que um programa de treinamento funcional para idosos com duração de 12 semanas, com duas sessões semanais, foi capaz de proporcionar modificações benéficas na força de membros superiores e inferiores, além de preservar as demais capacidades físico-funcionais e as capacidades cognitivas, podendo contribuir para a manutenção da autonomia e da independência de idosos. Esses achados apoiam a inclusão do treinamento funcional em programas de saúde para grupos de pessoas idosas, auxiliando-os no aprimoramento da saúde física e no bem-estar geral.

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