PERFIL DAS CRIANÇAS HOSPITALIZADAS EM UMA UNIDADE DE SAÚDE DO INTERIOR DE MATO GROSSO
PROFILE OF CHILDREN HOSPITALIZED IN A HEALTH UNIT IN THE INTERIOR OF MATO GROSSO
PERFIL DE LOS NIÑOS HOSPITALIZADOS EN UNA UNIDAD DE SALUD DEL INTERIOR DE MATO GROSSO
Descritores
Criança hospitalizada; Epidemiologia; Perfil de saúde; Saúde da criança.
Descriptors
Hospitalized child; Epidemiology; Health profile; Child health.
Descriptores
Niño hospitalizado; Epidemiología; Perfil de salud; Salud del niño.
RESUMO
Objetivo: O estudo teve por objetivo analisar o perfil clínico e epidemiológico das crianças admitidas em uma unidade de saúde do interior de Mato Grosso.
Métodos: Trata-se de um estudo Transversal de caráter descritivo com abordagem quantitativa realizado com crianças de 0 a 12 anos hospitalizadas no Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio Fontes no primeiro semestre de 2024. Foi utilizado do Programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) versão 21.0 para análise estatística descritiva.
Resultados: Das 436 crianças investigadas, o maior grupo se concentrou no sexo masculino (58,7%), de 1 a menores de 5 anos (30,5%), provenientes de Cáceres (56%), acompanhadas pela mãe (86,2%), com ensino médio completo dos responsáveis (45,4%), parto cesariana (67,7%), vacinação em dia (81,9%) e com a afecções do sistema respiratório (44,5%).
Conclusão: Por meio desses achados foi identificado principalmente a prevalência das afecções do sistema respiratório, a oferta de atendimento a crianças provenientes da Bolívia, baixa adesão ao AM exclusivo e alta de cesáreas em relação ao parto normal. Esses achados, são importantes para publicização do perfil dessas crianças hospitalizadas, a fim do direcionamento de medidas mais assertivas para assistência em saúde.
ABSTRACT
Objective: The study aimed to analyze the clinical and epidemiological profile of children admitted to a health unit in the interior of Mato Grosso.
Methods: This is a cross-sectional, descriptive study with a quantitative approach carried out with children aged 0 to 12 years hospitalized at the Dr. Antônio Fontes Regional Hospital of Cáceres in the first half of 2024. The Statistical Package for the Social Science (SPSS) version 21.0 was used for descriptive statistical analysis.
Results: Of the 436 children investigated, the largest group was concentrated in the male sex (58.7%), aged 1 to under 5 years (30.5%), from Cáceres (56%), accompanied by the mother (86.2%), with completed high school education of those responsible (45.4%), cesarean section (67.7%), up-to-date vaccination (81.9%) and with respiratory system disorders (44.5%).
Conclusion: These findings mainly identified the prevalence of respiratory system disorders, the provision of care to children from Bolivia, low adherence to exclusive breastfeeding and a high rate of cesarean sections compared to normal births. These findings are important for publicizing the profile of these hospitalized children, in order to direct more assertive measures for health care.
RESUMEN
Objetivo: El estudio tuvo como objetivo analizar el perfil clínico y epidemiológico de los niños ingresados en una unidad de salud en el interior de Mato Grosso.
Métodos: Se trata de un estudio descriptivo transversal con un enfoque cuantitativo realizado con niños de 0 a 12 años hospitalizados en el Hospital Regional Dr. Antônio Fontes de Cáceres en el primer semestre de 2024. El Paquete Estadístico para las Ciencias Sociales (SPSS) versión 21.0 se utilizó para el análisis estadístico descriptivo.
Resultados: De los 436 niños investigados, el grupo más grande se concentró en el sexo masculino (58,7%), de 1 a menos de 5 años (30,5%), de Cáceres (56%), acompañados de la madre (86,2%), con educación secundaria completa de los responsables (45,4%), cesárea (67,7%), vacunación al día (81,9%) y con afecciones del sistema respiratorio (44,5%).
Conclusión: Estos hallazgos identificaron principalmente la prevalencia de trastornos respiratorios, la atención a niños de Bolivia, la baja adherencia a la lactancia materna exclusiva y una alta tasa de cesáreas en comparación con los partos normales. Estos hallazgos son importantes para dar a conocer el perfil de estos niños hospitalizados y así orientar medidas de atención sanitaria más asertivas.
INTRODUÇÃO
A hospitalização é um evento que torna o indivíduo suscetível a uma série de sentimentos negativos, como medo, insegurança e ansiedade¹. No caso das crianças, essa experiência é ainda mais impactante, uma vez que a limitada maturidade cognitiva dificulta a compreensão do seu estado de saúde e a aceitação da separação abrupta dos vínculos afetivos estabelecidos no ambiente familiar².
Além dos aspectos emocionais, o ambiente hospitalar constitui um fator estressor significativo tanto para a criança quanto para seus familiares. Entre os principais elementos geradores de angústia destacam-se o receio de coinfecção por outras patologias, a imposição de procedimentos invasivos, o confinamento físico e emocional, além dos custos adicionais decorrentes da internação, frequentemente não contemplados pela cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS), impactando principalmente as populações em situação de vulnerabilidade socioeconômica³.
As crianças, por estarem em processo de desenvolvimento imunológico, apresentam maior suscetibilidade a infecções e complicações relacionadas ao processo saúde-doença, o que as configura como grupo prioritário na atenção em saúde⁴. Segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS), entre janeiro de 2019 e janeiro de 2020, foram registradas aproximadamente 121.437 internações pediátricas no SUS, sendo 42.716 em crianças menores de um ano, 33.253 na faixa etária de cinco a nove anos e 19.938 entre dez e quatorze anos⁵.
Compreender os fatores que levam à hospitalização infantil é essencial para subsidiar a formulação de estratégias de intervenção que atuem sobre os determinantes sociais e fisiopatológicos da saúde. O conhecimento prévio sobre o perfil clínico e epidemiológico dessas internações permite o planejamento de ações assistenciais mais direcionadas, eficazes e resolutivas, minimizando os impactos da hospitalização⁵,⁶.
A epidemiologia, nesse contexto, configura-se como uma ferramenta indispensável, pois possibilita a identificação e quantificação dos fatores associados ao adoecimento em populações específicas. Por meio da análise epidemiológica, torna-se possível traçar o perfil de morbimortalidade, identificar fatores de risco e orientar intervenções em saúde pública⁶.
A realização de estudos voltados à caracterização do perfil das hospitalizações pediátricas é fundamental para o aprimoramento das políticas públicas e dos protocolos assistenciais. A análise dessas informações contribui para a elaboração de fluxos de atendimento, estratégias de prevenção e ações de promoção à saúde que atendam de forma eficaz às demandas da população infantojuvenil⁷.
Diante do exposto, este estudo tem como objetivo analisar o perfil clínico e epidemiológico das internações pediátricas em uma unidade de saúde localizada no interior de Mato Grosso. Busca-se, com isso, subsidiar a formulação de estratégias que qualifiquem a assistência à saúde infantil e contribuam para a redução das taxas de hospitalização e morbimortalidade.
MÉTODOS
Trata-se de um estudo transversal, retrospectivo de caráter descritivo com abordagem quantitativa. Segundo Bordalo8, estudos transversais refere-se a dinâmica da investigação epidemiológica, observando a incidência e/ou prevalência da ocorrência e exposição de eventos à saúde sem a interação pesquisador/pesquisado.
A pesquisa foi realiza na pediatria do Hospital Regional de Cáceres Dr. Antônio – HRCAF, localizado em Cáceres, uma cidade pantaneira situada no interior de Mato Grosso, composta por cerca de 89.478 mil habitantes segundo o último senso9. A instituição pública ofertar atendimento há 22 municípios das regiões Oeste e Sudoeste do estado, e também pacientes provenientes da Bolívia.
A unidade conta com 106 leitos, dos quais 23 destes são destinados a unidade de internação pediátrica. A população incluída no estudo foi composta por crianças de 0 a 12 anos internadas no hospital que aceitaram participar da pesquisa no primeiro semestre de 2024. Teve como critério de exclusão: a negativa dos responsáveis em participar do estudo e aqueles responsáveis que se encontravam ausentes no momento da coleta de dados.
As informações foram coletadas mediante questionário produzido pela equipe de pesquisa, contendo questões estruturadas e abertas, com as seguintes variáveis: idade, motivo da internação, procedência, acompanhante, grau de escolaridade do acompanhante, tipo de parto, tempo de aleitamento materno e cartão de vacina da criança. Para a construção da alternância das alternativas dispostas nas questões estruturadas, foi realizado um pré-teste com 10 crianças internadas para estabelecer as variáveis a serem estudadas, sendo essas amostras excluídas do escopo da pesquisa.
Após a coleta, os dados quantitativos foram tabulados e transcritos para o Microsoft Office Excel 2016 (Microsoft Corporation) para armazenamento e tratamento primário. Posteriormente, utilizou-se do Programa Statistical Package for the Social Science (SPSS) versão 21.0 para análise estatística descritiva por meio de frequências absolutas e relativas, sendo estes resultados apresentados em tabelas.
O estudo foi orientado pela ferramenta Strengthening the Reporting of Observational Studies in Epidemiology (STROBE)10. A coleta de dados foi realizada após a compreensão e concordância do responsável e mediante assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido, sendo assim desenvolvido em consonância com as diretrizes disciplinadas pela Resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde/Ministério da Saúde¹¹, sob o parecer n° 6.591.840 e CAAE: 74716123.3.0000.5166 submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade do Estado de Mato Grosso – UNEMAT .
RESULTADOS
A população amostral do estudo foi composta por 436 crianças, com idade entre 0 e 12 anos. A faixa etária prevalente foi de crianças de 1 a menores que 5 anos completos (30,5%), seguido pelas de 5 a menores que 10 anos (29,4%). As crianças com 12 anos representam a menor taxa de internação na unidade (0,7%). A maioria dos pacientes eram do sexo masculino (58,7%) e provenientes de Cáceres (53%) (Tabela 1).
Tabela 1. Distribuição das crianças internadas, segundo variáveis demográficas, Cáceres, Mato Grosso, Brasil, 2024.
VARIÁVEIS | N | % |
Idade: | ||
< 6 meses | 94 | 21,6% |
6 meses a < 1 ano | 54 | 12,4% |
1 a < 5 anos | 133 | 30,5% |
5 a < 10 anos | 128 | 29,4% |
10 a < 12 anos | 24 | 5,5% |
> 12 anos | 3 | 0,7% |
Sexo: | ||
Masculino | 256 | 58,7% |
Feminino | 180 | 41,3% |
Procedência: | ||
Cáceres | 231 | 53% |
Municípios de abrangência | 182 | 41,7% |
Bolívia | 19 | 4,4% |
Outro Estado | 4 | 0,9% |
Total: | 436 | 100% |
Fonte: Dados da pesquisa, 2024.
Quanto a escolaridade dos acompanhantes das crianças hospitalizadas a maioria encontra-se com o ensino médio completo (45,4%), seguido daqueles com ensino médio incompleto (16,5%). Ainda, pouco mais de 8,5% conseguiram atingir o nível superior e 13 participantes (3%) não quiseram informar a escolaridade no momento da pesquisa. Referente ao parentesco, as genitoras (86,2%) correspondem a maior parte dos acompanhantes a esse seguimento (Tabela 2).
Tabela 2. Caracterização das variáveis em relação ao acompanhante, Cáceres, Mato Grosso, Brasil, 2024.
VARIÁVEIS | N | % |
Acompanhado por: | ||
Mãe | 376 | 86,2% |
Pai | 24 | 5,5% |
Outros | 36 | 8,6% |
Escolaridade do acompanhante: | ||
Ensino médio completo | 198 | 45,4% |
Ensino médio incompleto | 72 | 16,5% |
Fundamental incompleto | 47 | 10,8% |
Fundamental completo | 43 | 9,9% |
Ensino superior completo | 37 | 8,5% |
Ensino superior incompleto | 22 | 5% |
Analfabeto | 4 | 0,9% |
Não informado | 13 | 3% |
Total: | 436 | 100% |
Fonte: Dados da pesquisa, 2024.
Das 436 crianças presentes na unidade de saúde referida no período da pesquisa, 357 (81,9%) encontravam-se com o cartão de vacina em dias e destas, 114 (26,1%) não atingiram o indicado pelo Ministério da saúde (MS) ao recomendar até aos seis meses, o aleitamento materno exclusivo¹². Foi coletado também a via de parto para concepção, onde a cesariana prevaleceu (67,7%) em relação ao parto varginal (31,2%) (Tabela 3).
Tabela 3. Distribuição dos determinantes em saúde, segundo variáveis demográficas, Cáceres, Mato Grosso, Brasil, 2024.
Variáveis | N | % |
Vacinação em dia | ||
Sim | 357 | 81,9% |
Não | 79 | 18,1% |
Tempo de aleitamento materno | ||
< 3 meses | 114 | 26,1% |
3 a 6 meses | 71 | 16,3% |
6 meses a 1 ano | 86 | 19,7% |
1 a 2 anos | 102 | 23,4% |
> 2 anos | 35 | 8,0% |
Não souberam informar | 28 | 6,4% |
Tipo de parto | ||
Cesariana | 295 | 67,7% |
Normal | 136 | 31,2% |
Não souberam informar | 5 | 1,1% |
Total | 436 | 100% |
Fonte: Dados da pesquisa, 2024.
Quanto as afecções que levaram a hospitalização das crianças, onde fez uma relação prévia das principais condições em saúde que afetam esse grupo mediante ao questionário de pré-teste que foi aplicado e aquelas condições contrarias as opções, se atribuiu a opção “outros”. As afecções do sistema respiratório caracterizam a principal causa de internação (44,5%), seguido das recuperações cirúrgicas (7,8%). Cerca de 28,2% das condições patológicas foram enquadradas nas múltiplas causas que foram relatadas posteriormente ao pré-teste durante a pesquisa (Tabela 4).
Tabela 4. Motivo das internações das crianças, Cáceres, Mato Grosso, Brasil, 2024.
Variáveis | N | % |
Motivo da internação | ||
Afecção do sistema respiratório | 194 | 44,5% |
cirurgias em geral | 34 | 7,8% |
Afecção do sistema urinário | 21 | 4,8% |
Afecção do sistema digestório | 18 | 4,1% |
Diabetes Mellitus 1 e/ou 2 | 19 | 4,4% |
Sintomas gripais | 11 | 2,5% |
Afecção do sistema hepático | 3 | 0,7% |
Em rastreio diagnóstico | 13 | 3% |
Outros | 123 | 28,2% |
Total | 436 | 100% |
Fonte: Dados da pesquisa, 2024.
DISCUSSÃO
Os dados supracitados, que indicam maior incidência de hospitalização entre crianças de 1 a menores de 5 anos, estão em consonância com as evidências disponíveis na literatura científica¹³,¹⁴. Resultados semelhantes foram encontrados em um estudo transversal¹⁵ realizado em um hospital público do interior do estado do Rio de Janeiro, no qual se verificou maior frequência de internações na faixa etária de 29 dias a 2 anos de idade. Tal predominância pode ser justificada pela imaturidade do sistema imunológico, ainda em desenvolvimento em crianças até os cinco anos de idade⁴,¹⁶.
No que se refere ao sexo biológico, observou-se predominância do sexo masculino entre os internamentos, achado que corrobora com estudos anteriores sobre o perfil de hospitalizações pediátricas. Embora não haja consenso sobre as causas dessa diferença, algumas hipóteses sugerem que meninos tendem a se expor mais a situações de risco ou que há uma fragilidade socialmente imposta ao sexo feminino, exigindo maior cuidado¹³,¹⁴,¹⁷.
Observou-se também que, apesar da maioria das crianças serem provenientes da cidade de Cáceres e municípios vizinhos, um número considerável (4,4%) era oriundo de países vizinhos, especialmente da Bolívia. Tal dado demanda atenção da instituição de saúde quanto à garantia de um atendimento ético, equitativo e livre de discriminação, conforme preconiza a Lei nº 8.080/1990¹⁸. Isso inclui promover uma comunicação efetiva e acolhedora por meio de ações como a educação permanente em saúde¹⁹.
Quanto à presença de acompanhantes durante a hospitalização, identificou-se predominância da figura materna, resultado que está de acordo com estudo realizado no Hospital Universitário de Minas Gerais, com análise de 432 prontuários, no qual se verificou o envolvimento predominante das mães no cuidado da criança hospitalizada²⁰.
No que diz respeito à escolaridade dos responsáveis, observou-se um padrão semelhante ao encontrado em estudo conduzido em um hospital do interior do Rio de Janeiro¹⁵. A maioria dos acompanhantes possuía ensino médio completo, seguido do ensino fundamental incompleto. A escolaridade exerce papel fundamental como fator de proteção em saúde, uma vez que baixos níveis de instrução estão associados à dificuldade de acesso, entendimento e adesão às orientações relacionadas à prevenção, promoção e reabilitação em saúde²¹.
Entre os determinantes de saúde abordados no estudo, investigaram-se a situação vacinal, o tipo de parto e o tempo de aleitamento materno. A maioria das crianças possuía o cartão de vacinação atualizado (89,1%). No entanto, 18,1% dos responsáveis informaram que o esquema vacinal estava incompleto. A imunização é um elemento essencial da imunidade adaptativa, promovendo o desenvolvimento saudável das crianças. Estudos apontam que a conscientização dos pais é crucial para elevar as taxas de cobertura vacinal²².
Outro dado preocupante refere-se à baixa adesão ao aleitamento materno (AM) até os dois anos, com exclusividade nos primeiros seis meses, conforme recomendado pelo Ministério da Saúde¹². Verificou-se que cerca de 26% das crianças investigadas foram amamentadas por menos de três meses. Essa prática reduzida de AM compromete a transferência de anticorpos e nutrientes essenciais, dificultando a maturação imunológica e aumentando a suscetibilidade a doenças²³.
A via de parto também foi analisada, com predominância de cesarianas (67,7%) em relação ao parto normal (31,2%). Esse achado acompanha a tendência nacional, como aponta estudo baseado em dados do DATASUS, o qual indica crescente número de partos cesarianos. Entre os fatores associados a esse fenômeno estão as condições regionais, fatores socioculturais e até questões como a remuneração médica atrelada ao tipo de parto²⁴.
Além disso, evidências científicas apontam benefícios significativos do parto normal em relação à morbimortalidade materno-infantil, recuperação puerperal, menor necessidade de intervenções médicas, redução da dor, menor risco de hemorragias e estímulo ao aleitamento materno²⁵. O protagonismo da mulher na escolha da via de parto também tem sido discutido, defendendo-se uma tomada de decisão compartilhada e pautada em critérios clínicos e no incentivo à humanização do parto normal²⁶.
Em relação aos motivos de internação, destacaram-se as afecções do sistema respiratório como as principais causas, dado que encontra respaldo em diversos estudos recentes, tanto nacionais²⁷ quanto internacionais²⁸,²⁹. A Organização Mundial da Saúde aponta que as doenças respiratórias respondem por 8% das mortes em países desenvolvidos e até 5% nos países em desenvolvimento, sendo a pneumonia responsável por 20% a 40% dos óbitos infantis nestes últimos¹⁵.
As recorrências de internações por afecções respiratórias podem estar relacionadas à exposição precoce a agentes ambientais e à incompletude do esquema vacinal²⁷,³⁰. Apesar de a maioria das crianças do presente estudo estarem com a vacinação em dia, há necessidade de estratégias direcionadas ao pequeno grupo com esquema vacinal incompleto, visando garantir proteção efetiva.
O estudo apresenta limitações, especialmente quanto à quantificação exata de variáveis como tipo de parto, escolaridade e tempo de amamentação, pois alguns acompanhantes não souberam ou preferiram não responder a essas perguntas. Também houve limitação na classificação das causas de internação agrupadas sob a categoria “outros”, o que dificultou a análise mais precisa do perfil clínico, optando-se, portanto, por considerar as patologias mais prevalentes definidas no pré-teste.
Ainda, esse levantamento é uma importante contribuição para o conhecimento público e científico da população e agentes federativos, uma vez que o reconhecimento dessa realidade possibilita implementar estratégias em saúde pública para modificar atos insalubres ao processo saúde-doença e direcionar assistência integral para as demandas expostas, servindo de alicerce para ações em saúde que demandam da identificação do perfil atendido.
CONCLUSÃO
Os resultados deste estudo evidenciam a prevalência de internações pediátricas entre crianças de um a cinco anos de idade, com predomínio do sexo masculino e concentração de casos oriundos do próprio município e de cidades vizinhas, incluindo pacientes internacionais, o que reforça a importância da regionalização e da universalidade do acesso à saúde. A análise das variáveis associadas ao perfil clínico e social das crianças hospitalizadas revelou fragilidades nos determinantes de saúde, como baixa adesão ao aleitamento materno exclusivo, esquema vacinal incompleto em parte da amostra e predomínio de partos cesarianos.
As afecções do sistema respiratório se destacaram como principal causa de internação, alinhando-se aos dados nacionais e internacionais sobre morbidade infantil. Observou-se ainda a centralidade do papel materno no acompanhamento hospitalar, bem como o impacto da escolaridade dos responsáveis na compreensão e adesão às orientações em saúde.
Diante desses achados, reforça-se a necessidade de fortalecer estratégias de educação em saúde voltadas à promoção do aleitamento materno, à ampliação da cobertura vacinal e à orientação quanto aos benefícios do parto normal. Além disso, recomenda-se que as instituições hospitalares estejam preparadas para atender populações diversas, inclusive estrangeiras, garantindo o cuidado humanizado e equitativo. Por fim, destaca-se a importância do uso contínuo de estudos epidemiológicos como subsídio para a qualificação da assistência pediátrica e para a formulação de políticas públicas que visem à redução das hospitalizações e à melhoria dos indicadores de saúde infantil.
REFERÊNCIAS