Benefícios clínicos das terapêuticas atuais na melhora da qualidade  de vida e dos sintomas físico-psicológicos nas mulheres com fibromialgia:     uma revisão integrativa

Camila Azevedo da Silva¹ , Alinie Rogang Selenko¹ , Cleia Aparecida Clemente Giosole ², Luciano Henrique Pinto ³, Daniela Delwing-de Lima³₄

1 Graduandos em Medicina - 2 Membro da Associação Catarinense de Fibromialgia e Amigos 3 - Docente Adjunto do Departamento de                   Medicina - 4 Docente do Programa de Pós-Graduação em Saúde e Meio Ambiente da Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE – Joinville SC

RESUMO

Objetivo: Esta revisão sistemática buscou avaliar os efeitos de terapias farmacológicas e não farmacológicas sobre dor, fadiga e depressão, com foco na melhoria da qualidade de vida de pessoas com fibromialgia. Método: Foi realizada uma revisão integrativa da literatura nas bases de dados Scielo, Lilacs e PubMed, contemplando estudos que investigaram diferentes intervenções terapêuticas aplicadas a indivíduos com diagnóstico de fibromialgia. Resultados: Os tratamentos farmacológicos tradicionais, como antidepressivos tricíclicos e anticonvulsivantes, demonstraram eficácia limitada, frequentemente associada a efeitos adversos e elevado índice de abandono. Por outro lado, terapias não farmacológicas, como cinesioterapia, pilates, exercícios aquáticos e programas multicomponentes (ex: FIBROWALK), mostraram-se eficazes na redução dos sintomas e na melhora da qualidade de vida. Estratégias como suplementação de vitamina D e uso de canabidiol apresentaram resultados ainda inconclusivos devido à escassez de evidências robustas. Conclusão: Intervenções não farmacológicas, especialmente as abordagens físicas e psicossociais, mostraram maior efetividade e abrangência terapêutica quando comparadas ao uso isolado de medicamentos, reforçando a importância de estratégias integradas no manejo da fibromialgia.

Palavras-chave: fibromyalgia, treatment and life quality and women

 

ABSTRACT

 

Objective: This systematic review sought to evaluate the effects of pharmacological and non-pharmacological therapies on pain, fatigue, and depression, with a focus on improving the quality of life of people with fibromyalgia. Method: An integrative literature review was conducted in the Scielo, Lilacs, and PubMed databases, including studies that investigated different therapeutic interventions applied to individuals diagnosed with fibromyalgia. Results: Traditional pharmacological treatments, such as tricyclic antidepressants and anticonvulsants, have shown limited efficacy, often associated with adverse effects and a high dropout rate. On the other hand, non-pharmacological therapies, such as kinesiotherapy, Pilates, aquatic exercise, and multicomponent programs (e.g., FIBROWALK), have proven effective in reducing symptoms and improving quality of life. Strategies such as vitamin D supplementation and cannabidiol have yielded inconclusive results due to a lack of robust evidence. Conclusion: Non-pharmacological interventions, especially physical and psychosocial approaches, demonstrated greater effectiveness and therapeutic scope when compared to the isolated use of medications, reinforcing the importance of integrated strategies in the management of fibromyalgia.

 

RESUMEN

Objetivo: Esta revisión sistemática buscó evaluar los efectos de las terapias farmacológicas y no farmacológicas sobre el dolor, la fatiga y la depresión, con el objetivo de mejorar la calidad de vida de las personas con fibromialgia. Método: Se realizó una revisión bibliográfica integradora en las bases de datos Scielo, Lilacs y PubMed, incluyendo estudios que investigaron diferentes intervenciones terapéuticas aplicadas a personas con diagnóstico de fibromialgia. Resultados: Los tratamientos farmacológicos tradicionales, como los antidepresivos tricíclicos y los anticonvulsivos, han mostrado una eficacia limitada, a menudo asociada a efectos adversos y una alta tasa de abandono. Por otro lado, las terapias no farmacológicas, como la kinesioterapia, el pilates, el ejercicio acuático y los programas multicomponentes (p. ej., FIBROWALK), han demostrado ser eficaces para reducir los síntomas y mejorar la calidad de vida. Estrategias como la suplementación con vitamina D y el cannabidiol han arrojado resultados no concluyentes debido a la falta de evidencia sólida. Conclusión: Las intervenciones no farmacológicas, especialmente las físicas y psicosociales, demostraron mayor efectividad y alcance terapéutico en comparación con el uso aislado de medicamentos, reforzando la importancia de las estrategias integradas en el manejo de la fibromialgia. 

Introdução

 

A fibromialgia (FM) é uma síndrome crônica caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, frequentemente acompanhada de fadiga, distúrbios do sono, problemas de memória e alterações de humor. Embora a fibromialgia possa afetar pessoas de todas as idades e gêneros, é mais comum o diagnóstico ser feito em mulheres. A condição por si só é um fator que gera prejuízo funcional e social significativo nessa parcela da sociedade1.

Assim como já observado por Graminha et al. (2021)1, essa condição debilitante impacta significativamente na qualidade de vida das mulheres, interferindo em suas atividades diárias, no trabalho, nas relações pessoais e na saúde mental. A dor persistente e a fadiga intensa são sintomas que dificultam a realização de tarefas cotidianas, muitas vezes levando ao afastamento do trabalho e a limitações sociais1.

Além disso, a falta de compreensão da doença por parte da sociedade e até de alguns profissionais de saúde pode resultar em diagnósticos tardios ou incorretos, agravando o sofrimento das pacientes. O impacto psicológico é considerável, com muitas mulheres desenvolvendo depressão e ansiedade como consequência direta da condição1.

Apesar de todo o panorama da dor e perda de qualidade de vida, as opções de tratamento para a fibromialgia ainda são muito restritas ao tratamento farmacológico, que apesar de eficaz, tem muitos vieses e efeitos adversos. Diante desse cenário, buscou-se - por meio dessa revisão integrativa - verificar as evidências científicas acerca das terapêuticas atuais para o tratamento da fibromialgia e discutir os resultados de estudos pioneiros de terapias alternativas para alívio dos sintomas da doença, e de outras terapêuticas não farmacológicas, comparando seus resultados clínicos com o das formas terapêuticas medicamentosas tradicionais, como antidepressivos, anticonvulsivantes e outros. O intuito neste contexto é responder a seguinte questão: De que forma o tratamento não farmacológico poderia estar sendo utilizado junto ao tratamento medicamentoso em prol da melhoria da qualidade de vida em mulheres com fibromialgia?

O objetivo desta revisão é analisar os resultados clínicos das opções terapêuticas atuais, farmacológicas e não farmacológicas, e demonstrar que, por conta da natureza multifatorial da doença e a dificuldade em encontrar tratamentos que abordem sua complexidade, há a necessidade de ampliar os protocolos de tratamento para a fibromialgia, por meio da inclusão das terapêuticas não farmacológicas associadas ao tratamento farmacológico, pois dessa forma além de se obter resultados melhores em aumento da qualidade de vida e permanência no tratamento, colocamos o paciente como agente ativo de seu tratamento.

 

METODOLOGIA

A pesquisa de revisão foi realizada em 5 etapas, seguindo o rigor metodológico que garantisse a reprodutibilidade das informações encontradas. As etapas estão elencadas na Figura 1.

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Figura 1: Método de pesquisa empregado e suas 5 etapas de investigação

 

As etapas desta pesquisa são descritas a seguir:

A Etapa 1 inclui a definição da pergunta de pesquisa e  foi obtida via método PICO. Uma vez definida a dúvida de investigação, foram definidas as palavras chaves que iriam compor a pesquisa.

A Etapa 2 consistiu em definir o esquema booleano e não booleano que atendesse a resolução do problema de pesquisa, bem como definições de elegibilidade dos artigos, como tempo [a], Disponibilidade nos idiomas português, inglês e espanhol, [b], Relação direta com o objeto de estudo e com a questão norteadora do mesmo, [c], Não apresentar conflitos de interesse, [d], Ter no máximo 5 anos de publicação, [e], Apresentar metodologia de pesquisa confiável e replicável, com resultados finais conclusivos.

Etapa 3 correspondeu a atividade de definição dos sítios de busca, sendo utilizados os portais PubMed, ScienceDirect e Lilacs. Também via esquema não booleano artigos do Google Acadêmico foram incluídos para complementar a pesquisa.

Etapa 4 foi a fase de seleção dos artigos encontrados nos portais, no qual se seguiu a verificação inicialmente pelo título, resumo, e aqueles de interesse foram separados para a análise, visando a resposta do problema de pesquisa. Foram utilizados os métodos ROBANS (Risk of Bias Assessment Tool for Nonrandomized Studies) e Risk of Bias Tool 2 (RoB 2) para estudos não randomizados e randomizados respectivamente.

 

Etapa 5 foi a análise dos resultados via uso de planilhas e outros instrumentos, objetivando gerar os resultados e discussão do artigo.

Resultados

 

Considerando os termos exigidos na pergunta de pesquisa conforme GALVÃO et al. (2014), estabeleceu-se os itens conforme quadro 1.

 

Quadro 1: Elaboração da pergunta de pesquisa

 

 

Definições do Acrônimo

P

I

C

O

População

Intervenção

Comparação

Desfecho [outcome]

Componentes da pergunta

 

Pessoas com fibromialgia

 

Tratamentos não farmacológicos

Tratamentos farmacológicos

Melhoria da qualidade de vida

  Fonte: os autores

O resultado da pergunta foi expressa da seguinte forma: De que forma o tratamento não farmacológico poderia estar sendo utilizado junto ao tratamento medicamentoso em prol da melhoria da qualidade de vida em mulheres com fibromialgia?”

Posteriormente,  definiu-se o esquema booleano para a busca dos artigos interligados a pergunta, sendo o esquema utilizado nas bases de dados e apresentado a seguir: (“fibromyalgia”)  AND ("treatment” OR "therapy” OR "intervention”) AND ("non pharmacological” OR "multidisciplinary care”)  AND  ("pharmacological treatment” OR "drug therapy” OR "medication”)  AND  ("quality of life”); nas bases de dados citadas no método.  

Foram encontrados um total de 167 artigos, no qual 20 atendiam os critérios de seleção da pesquisa para encontrar proposições que atendessem a dúvida de pesquisa do trabalho, conforme mostra Figura 2.

Diagrama

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.Figura 2: Panorama geral dos resultados obtidos via esquema booleano e não booleano nos meios eletrônicos escolhidos

3. Discussão

3.1 Impactos da FM na vida de mulheres portadoras da doença

Como tratado brevemente na introdução do presente artigo, mulheres são a parte da população em que há maior índice de risco de desenvolvimento da FM, representando aproximadamente 65 a 70% dos casos de FM1. As motivações para tal prevalência ainda não são conhecidas, porém pesquisadores  realizaram estudos de casos a fim de analisar características em comum entre mulheres fibromiálgicas, buscando entender de que forma essa doença pode estar associada ao prejuízo de suas relações interpessoais, ocasionando sobretudo problemas físicos-psicológicos e redução na qualidade de vida1.

Em uma pesquisa realizada por Graminha et al. (2021)1, foram selecionadas mulheres com FM, as quais responderam a um questionário sobre qualidade e perspectiva de vida. Dentre as mulheres analisadas neste artigo, 30% se declaram insatisfeitas com seu ambiente de convívio social e 29% insatisfeitas com suas relações interpessoais. Os mesmos autores ainda tratam acerca da teoria biopsicossocial da doença, na qual se tem a premissa de que as mulheres, sejam por motivações culturais ou biológicas, são mais “exigidas” do que os homens socialmente.

 

Essa ideia entende que, por conta de estarem muitas vezes submetidas a uma cultura patriarcal, as mulheres se expõem mais a situações de estresse, ou de vulnerabilidades sociais, estando assim, mais predispostas a terem sofrido em algum momento de suas vidas, situações de abuso psicológico ou sexual, maior dificuldade de ascensão profissional, ou qualquer outra situação que tenha lhes condicionado o desenvolvimento da síndrome.

Diante do cenário exposto acima, percebe-se a necessidade urgente de buscar terapêuticas que aliviam sintomas e contribuam para a melhora na qualidade e aumento da autoestima na vida dessas mulheres. Para isso, o tratamento deve ter respaldo científico e colocar o paciente como agente ativo de seu tratamento. Com um tratamento abrangente e multidisciplinar, as mulheres com FM podem experimentar uma melhora significativa em sua qualidade de vida, permitindo-lhes levar uma vida mais ativa e satisfatória.

 

3.2   Tratamentos farmacológicos e não farmacológicos: panorama atual dentro do contexto científico

 

Diversas estratégias terapêuticas, tanto farmacológicas quanto não farmacológicas, têm sido estudadas com o objetivo de mitigar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, conforme sintetizado no quadro 2.

Entre os tratamentos farmacológicos, destaca-se o uso de antidepressivos e anticonvulsivantes. Em uma metanálise realizada4, apenas a pregabalina e a amitriptilina mostraram eficácia superior ao placebo, enquanto a duloxetina não apresentou vantagens significativas. Da mesma forma, Hussein M. Farag e Ismaeel Yunusa et al. (2022)4, concluíram que, apesar da melhora dos sintomas com todos os medicamentos analisados, apenas a amitriptilina demonstrou melhor tolerabilidade. O uso da espironolactona, investigado por Ruwen Böhm et al. (2021)5, não alterou significativamente os desfechos clínicos, embora tenha sido observada elevação transitória dos níveis séricos de potássio.

 

Além disso, estudos sobre o canabidiol8 e suplementação com vitamina D9 mostraram efeitos limitados ou inconclusivos, destacando a necessidade de investigações adicionais. A naltrexona, testada em duas ocasiões(6,7), não apresentou eficácia superior ao placebo, com efeitos adversos sendo reportados no grupo intervenção em um dos estudos.

 

Quadro 2: síntese dos artigos encontrados no esquema booleano

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

 

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Tabela

O conteúdo gerado por IA pode estar incorreto.

Fonte: Os autores

 

Por outro lado, os tratamentos não farmacológicos apresentam ampla diversidade e resultados promissores. Estratégias baseadas em exercícios físicos mostraram eficácia consistente em diversos estudos. A cinesioterapia e os exercícios de baixa intensidade, incluindo exercícios aquáticos e de bem-estar, resultaram em melhora da dor, desempenho funcional e qualidade de vida (10,12,13,14).A reabilitação respiratória também demonstrou efeitos positivos na função pulmonar e qualidade de vida15,o programa multicomponente FIBROWALK18 e a Terapia Cognitivo-Comportamental combinada17 evidenciaram melhorias clínicas significativas em sintomas depressivos, percepção da dor e sono.

 

Adicionalmente, abordagens alternativas como Tai Chi16,,dietas baseadas em vegetais20 e pilates no solo11 também se mostraram eficazes, especialmente na melhora da qualidade de vida, dor e aspectos psicossociais. Por fim, os dados consolidados em metanálises14 reforçam a importância dos exercícios físicos como tratamento não farmacológico de primeira linha.

3.3 Tratamentos medicamentosos para a fibromialgia e seus aspectos relevantes da atualidade: avanços e limitações

Amitriptilina, pregabalina e duloxetina: fármacos de primeira linha

Dois estudos de meta-análise recentes avaliaram a eficácia de tratamentos farmacológicos para FM, focando na amitriptilina, pregabalina e duloxetina. A primeira meta-análise incluiu oito revisões sistemáticas e 15 ensaios clínicos, analisando os efeitos dos fármacos em mulheres com FM3. Os resultados mostraram que a pregabalina 450mg foi eficaz na melhora da dor em 30%, enquanto a amitriptilina 50mg foi superior na melhora da dor em 50%. A duloxetina 20mg e 30mg não foram melhores que o placebo. O risco de viés foi analisado pela ferramenta Rob 2.0 da Cochrane Collaboration3.

 

Em uma segunda meta-análise, com 36 ensaios clínicos, comparou a amitriptilina com fármacos aprovados pela FDA (duloxetina, pregabalina e milnaciprano) 4. A síntese dos resultados pode ser observada no gráfico a seguir.

 

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Figura 1: Efeitos dos medicamentos nos diferentes desfechos, incluindo os intervalos de credibilidade (CrI). Comparação visual da magnitude e a direção do efeito (valores negativos indicam melhora em relação ao placebo).

 

Uso de diurético poupador de potássio: espironolactona

Um ensaio clínico investigou a eficácia da espironolactona, na dosagem de 200 mg/dia, na melhora dos sintomas da FM5. Quarenta e três mulheres foram randomizadas em dois grupos: grupo placebo (n=22) e grupo intervenção (n=21). Após uma fase inicial com doses de 50 mg, 100 mg e 200 mg/dia de espironolactona ou placebo foram administrados entre os dias 7 e 28. O desfecho primário foi a mudança na pontuação do Questionário de Impacto da FM (FIQ-G, versão alemã). Os desfechos secundários incluíram alterações na dor (medida pela Escala de Avaliação Numérica, NRS), humor (ADS), qualidade de vida (SF-36) e alterações nos escores do FIQ 14 dias após o término da medicação.

Os resultados mostraram que a espironolactona, na dosagem de 200 mg/dia, não alterou significativamente os desfechos primários e os secundários. Além disso, houve um aumento transitório nos níveis de potássio sérico e uma queda transitória na taxa de filtração glomerular (TFG) máxima após 2 semanas, mas sem relevância clínica 5.

 

Naltrexona e estimulação transcerebral

 

O ensaio clínico unicêntrico, randomizado, duplo-cego teve como objetivo analisar os reais efeitos do uso da naltrexona em doses baixas (6mg) em mulheres com FM 6. Foram selecionadas 136 participantes que foram alocadas em grupo intervenção, que recebeu o medicamento por 12 semanas, e grupo placebo. A seguridade do estudo foi feita em participantes da população com intenção de tratar a FM e que receberam pelo menos uma dose de sua intervenção designada e o desfecho primário foi a mudança na escala da dor. Os resultados estão expressos na figura 2.

 

Imagem carregada

Figura 2: A linha pontilhada vertical representa a ausência de efeito (zero). Quanto mais à esquerda da linha, maior a redução da dor. O grupo da naltrexona apresentou uma redução média de -1,3 pontos na dor (com intervalo de confiança (IC) de 95%:  -1,7 a -0,8), indicando maior alívio da dor em comparação ao placebo, enquanto o  grupo placebo teve uma redução média de -0,9 pontos (IC 95%: -1,4 a -0,5). Os intervalos de confiança (barras pretas horizontais) mostram a incerteza das estimativas. Perfil de efeitos adversos é elevado, sendo igual ou superior ao do placebo em termos absolutos e mais alto proporcionalmente.

Já em outro ensaio clínico randomizado e duplo-cego, pesquisadores associaram o uso da naltrexona em baixas doses, a estimulação transcerebral por corrente elétrica direta para avaliar os efeitos nos sintomas da FM em 86 mulheres com FM, as quais foram divididas em quatro grupos7. Diversos questionários foram aplicados antes e depois da intervenção. Os resultados mostraram uma redução significativa da dor nos grupos que receberam as intervenções ativas, especialmente no grupo que combinou uso de naltrexona e estimulação transcraniana, que apresentou melhorias significativas na frequência e intensidade da dor, no impacto da dor nas atividades diárias e nas emoções. Além disso, os sintomas depressivos diminuíram após todas as intervenções ativas. Apesar dos benefícios observados, a presença de um efeito placebo foi notada, indicando a necessidade de mais estudos para analisar essa possível associação7.

 

Canabidiol e seu uso clínico na atualidade

Um ensaio clínico randomizado duplo-cego teve como objetivo verificar a eficácia do óleo de canabidiol nos sintomas da FM⁸. Para isso, os pesquisadores selecionaram 17 mulheres de uma área vulnerável socialmente na região de Florianópolis, no Brasil, que receberam durante 18 semanas tratamento à base de ingestão de óleo da cannabis. Os resultados foram comparados com placebo. A dose inicial da medicação foi de 1,22 mg de THC e 0,02 mg de CBD. Os autores verificaram que no grupo intervenção houve um aumento na pontuação do FIQ de p = 0,005 em comparação ao grupo placebo (p < 0,001), principalmente para o bem-estar, fadiga e desempenho laboral. Segundo os pesquisadores, não houve relatos de ocorrência de efeitos adversos em nenhum dos grupos. Para os autores, o óleo da cannabis foi efetivopara a melhora dos sintomas da FM, porém relatam que é necessário o acompanhamento a longo prazo do efeito dos fitocanabinoides, bem como é necessário explorar outras espécies⁸.

3.3 Terapias não medicamentosas para tratamento da fibromialgia

Na maioria dos estudos analisados em relação ao tratamento não medicamentoso na FM, foram aplicados questionários específicos como  o Numeric Rating Scale of Pain (NRS), Multidimensional Fatigue Inventory (MFI), Fibromyalgia Impact Questionnaire (FIQ), entre outros na pré-intervenção e pós-intervenção, a fim de se analisar se os resultados obtidos condizem com alívios dos sintomas da doença e melhora na qualidade de vida.  

Exercícios aquáticos e Pilates solo

Em um ensaio clínico, 54 mulheres foram divididas aleatoriamente em grupo intervenção e grupo controle, cada um com 27 pessoas. Ambos os grupos foram submetidos a testes de capacidade cardiopulmonar, e avaliação de IMC (índice de massa magra) e VO2 (consumo de O2) para posterior análise entre a melhora do VO2 em relação ao ICM e ao quadro clínico¹⁰.

Os resultados foram colhidos antes da pesquisa e após 16 semanas de tratamento seguido de treinamento físico, para avaliar a magnitude dos efeitos da terapia na qualidade de vida dos pacientes. Os pesquisadores verificaram melhora no grupo intervenção tanto em relação ao aumento de VO2 em relação ao IMC (p=0,01), do limiar da dor a pressão (p=0,02), e na qualidade de vida percebida¹⁰. Tais resultados não foram mantidos após o teste de destreinamento (p>0,05). Por fim, os pesquisadores sugerem que o treinamento físico deve ser feito de forma contínua na vida de pessoas com FM.

Já no segundo estudo, um ensaio clínico randomizado cego foi realizado com 48 mulheres, comparando os efeitos do pilates no solo e dos exercícios aeróbicos aquáticos. As intervenções ocorreram duas vezes por semana durante 12 semanas, com avaliações pré e pós-intervenção. Ambos os grupos mostraram melhora na dor e na função física. Entretanto, a qualidade de vida e os aspectos avaliados pelo questionário FABQ melhoraram apenas no grupo de pilates solo, enquanto a qualidade do sono e a diminuição dos pensamentos de catastrofização apresentaram melhora significativa apenas no grupo de exercício aeróbico aquático¹¹. 

 

Apesar de ambos os estudos terem amostras e duração de tratamento semelhantes, no artigo¹⁰ foi verificado vantagem na terapia aquática em relação a melhora da qualidade do sono e na redução de pensamentos de catastrofização, enquanto o pilates pode  ser mais eficaz para melhorar a qualidade de vida e a função física, segundo o artigo pesquisado¹¹. Os resultados estão expressos nos gráficos a seguir (figura 4).

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Figura 4: O gráfico compara os efeitos da terapia aquática e do pilates em mulheres com FM, com base em dois estudos distintos. A terapia aquática demonstrou maior benefício na melhora da qualidade do sono e na redução de pensamentos de catastrofização, enquanto o pilates apresentou melhores resultados na qualidade de vida e função física. Em ambos os grupos, observou-se redução significativa da dor, com vantagem estatisticamente significativa para a terapia aquática (p = 0,023). As barras representam os valores médios ou medianas estimadas com seus respectivos intervalos interquartis (IQR).

Cinesioterapia

Sabe-se que uma das consequências da dor na FM é a cinesiofobia, ou seja, o medo de realizar movimentos, e isso pode fazer com que evitem atividades físicas, levando a uma diminuição da capacidade física e ao descondicionamento muscular. Isso pode resultar em um círculo vicioso onde a falta de atividade aumenta a dor e a incapacidade. Em meio a esse cenário, um ensaio clínico avaliou a eficácia de um programa de terapia cinética complexa e um programa de modalidade física combinada sobre a dor e outros sintomas comuns da FM¹². Foram incluídas 78 mulheres, divididas em dois grupos: 39 participantes realizaram cinesioterapia (exercícios aeróbicos e Pilates) e 39 participaram de um programa de modalidade física (eletroterapia, incluindo TENS e laser de baixa intensidade, e termoterapia). Os resultados dos pesquisadores mostraram que a cinesioterapia foi superior na redução da dor tanto durante o tratamento quanto três meses após seu término¹². Ambas as terapias cinéticas aliviaram a dor, conforme relatado pelos pacientes e confirmado por exames de tender points e avaliações algométricas. O comprometimento funcional foi significativamente influenciado pelo programa cinético, mas não houve diferença entre as terapias na percepção do comprometimento funcional ou nas consequências emocionais da FM. Em conclusão, os autores definiram que a cinesioterapia tem maior eficácia na redução da dor, mas ambas as abordagens não farmacológicas demonstraram importância no manejo da FM, promovendo melhorias no bem-estar funcional e emocional dos participantes.

Exercícios físicos de baixa intensidade e treinamento de força

Um ensaio clínico buscou determinar os efeitos de um programa de exercícios físicos de baixa intensidade, associado ao treinamento de resistência, força, coordenação, velocidade e aumento de limite de dor a pressão, na melhora da dor em mulheres com FM, bem como os efeitos psicológicos na aceitação clínica e autopercepção da capacidade funcional¹³. Para tal, foram triadas 32 mulheres fibromiálgicas, de 30 a 70 anos, e que já tinham feito tratamento farmacológico por pelo menos 3 meses. Foram excluídas da pesquisa mulheres que estivessem grávidas, em uso de medicações que pudessem interferir nos resultados e com comorbidades clínicas. Como resultado, os pesquisadores observaram que todos os aspectos psicológicos avaliados (dor catastrófica, ansiedade, estresse e depressão) melhoraram significativamente no grupo intervenção, com aumentos de 7,31, 1,87, 2,43 e 7,32 pontos, respectivamente. A questão da aceitação da dor aumentou 4,94 pontos no grupo que realizou a prática de atividade física. Também houve melhora de 9,8 pontos na qualidade de vida¹³. Outro dado interessante foi relacionado ao ganho de velocidade e resistência física, com aumentos de 6,8 pontos. O grupo controle não melhorou em nenhuma das variáveis ​​analisadas, apresentando ainda uma piora no quesito melhora do limiar de dor a pressão, com uma diminuição média de 0,25 kg/cm2 (p<0,05). Os autores concluíram, portanto, que a prática da atividade física, mesmo que em pequena intensidade, tem grande potencial em melhorar a resistência física e na melhora da dor e da qualidade de vida nas mulheres com FM¹³.

Em um outro estudo caso-controle sobre os efeitos do treinamento físico na FM, também foram encontrados resultados semelhantes¹⁴. Para tal, os pesquisadores elegeram 141 mulheres que tinham o diagnóstico de FM, as quais foram divididas em um grupo que realizou a prática de ´´exercícios de bem-estar´´ (prática chinesa de movimento, meditação e respiração que tem a função de melhorar a capacidade circulatória) e  outro grupo que realizou fisioterapia. As sessões foram de 45 minutos e realizadas duas vezes por semana em dias alternados. O estudo durou 4 semanas e os desfechos analisados pré e pós-intervenção foram sobre a amplitude e resistência muscular, além de analisadas qualidade de vida e capacidade respiratória. Como resultado, foi verificado melhora estatisticamente significativa em em ambos os grupos após as 5 semanas com relação a melhora da amplitude de movimento articular (p = 0,004), qualidade de vida (p = 0,002) e força (p = 0,003). Não houveram diferenças significativas entre os grupos em nenhuma variável analisada¹⁴.

Tai Chi

O Tai Chi também pode ser uma via de tratamento eficaz para a FM, de acordo com uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados ¹⁵. Utilizando estudos publicados antes de maio de 2019 no PubMed, Medline e Physiotherapy Evidence Database, foi analisada a eficácia do tratamento em relação ao tratamento padrão, utilizando o questionário de impacto da FM (FIQ) e a pontuação total, pontuação de dor, índice de qualidade do sono, fadiga, depressão e qualidade de vida. Os resultados estão expressos na figura 5.

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Figura 5: O gráfico mostra os efeitos positivos do Tai Chi em mulheres com FM após 12–16 semanas de prática. Houve redução significativa na pontuação total do questionário FIQ, na dor, na fadiga, na depressão e na má qualidade do sono (valores negativos de SMD/DMP), indicando melhora clínica. Além disso, observou-se aumento significativo na qualidade de vida física e psicológica (valores positivos). As barras representam a diferença média padronizada (SMD ou DMP), e os traços verticais indicam os intervalos de confiança de 95%, reforçando a robustez estatística dos achados.

Por fim, os autores compreendem que o Tai Chi oferece efeitos significativamente maiores no tratamento da FM em relação à terapia padrão, assim, segundo estes, pode ser utilizado como tratamento alternativo, entretanto, pontuam que faltam estudos para comprovar essa superioridade com evidência mais fortes¹⁵.

Terapia cognitiva-comportamental

Um estudo multicêntrico randomizado investigou a eficácia de duas abordagens terapêuticas para FM em mulheres diagnosticadas e com sintomas depressivos (n=106)¹⁶. Foram alocadas participantes em dois grupos paralelos: um com 55 mulheres recebendo Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e o outro com 51 mulheres fazendo Terapia de Construção Pessoal (PCT). Todas as terapias foram em formato individual e modular para atender às necessidades das pacientes e os dados foram analisados por meio de modelos lineares de efeitos mistos. Foi observado que as participantes reduziram de maneira significativa os sintomas depressivos, mas os autores não encontraram diferenças expressivas entre os resultados dos dois tipos de terapias durante e após os tratamentos, assim concluindo que ambas aparentam igual eficácia nos sintomas depressivos das pacientes com FM¹⁶.

Na mesma linha de compreensão do componente psíquico como importante veículo de benefícios clínicos adicionais para pacientes com FM, um estudo examinou a eficácia de dois programas multicomponentes baseados em vídeo (FIBROWALK) e do Programa de Fisioterapia Multicomponente (MPP) em comparação com o tratamento usual (TU)¹⁷. O FIBROWALK inclui aspectos psicológicos específicos envolvendo a reestruturação cognitiva e atenção plena¹⁷. Para isso, foram alocados aleatoriamente 330 pacientes com FM em grupos TU, TU + FIBROWALK ou TU + MPP, em programas estruturalmente equivalentes com vídeos semanais sobre educação em neurociência da dor, exercícios terapêuticos e educação em autogestão¹⁷. Quando comparado apenas com o TU: os indivíduos do grupo FIBROWALK atingiram maiores melhorias em todos os resultados clínicos; e os MPP apresentaram maiores melhorias no comprometimento funcional, percepção da dor, sintomas depressivos e cinesiofobia¹⁷. Em comparação ao MPP, as pessoas do grupo FIBROWALK mostraram efeitos superiores na melhora da dor, sintomas depressivos, ansiedade e função física. Desta forma, os autores concordam que há eficácia a curto prazo destes programas multicomponentes (MPP e  FIBROWALK), além de considerarem que há evidências de que técnicas cognitivo-comportamentais e baseadas em mindfulness podem ser clinicamente úteis no contexto de programas de tratamento fisioterapêutico multicomponentes.

Outro ensaio clínico randomizado analisou se há maiores benefícios para a insônia de mulheres com FM ao associar a Terapia Cognitivo-Comportamental Combinada para dor e para insônia¹⁸. Foram recrutadas 39 mulheres com FM entre 24 e 62 anos do Serviço de Reumatologia e Unidade de Dor do Hospital Universitário Virgen de Las Nieves e na AGRAFIM (uma associação local de FM), ambas em Granada, Espanha¹⁸. As participantes foram avaliadas no início e no pós-tratamento com o Índice de Qualidade do Sono de Pittsburgh e uma polissonografia ambulatorial. Os resultados mostraram que os participantes que receberam TCC combinada mostraram melhorias mais notáveis no sono reparador, maior eficiência do sono, menos tempo acordado e mais tempo no estágio 4, resultando em melhora significativa na autopercepção da qualidade do sono, levando os autores a concluir que o estudo deles sugere que novas abordagens utilizando esta forma de terapia combinada podem conferir melhorias nos aspectos relacionados à insônia em pacientes com FM¹⁸.

Orientações nutricionais

Uma revisão sistemática buscou avaliar a eficácia de dietas baseadas principalmente em vegetais, como dietas veganas e vegetarianas em pacientes com FM em comparação com dietas onívoras, examinando os principais efeitos dessas dietas nos sintomas dos pacientes e na melhoria da sua qualidade de vida¹⁹. Seis estudos foram utilizados nesta revisão, sendo 4 ensaios clínicos e 2 coortes observacionais. Os resultados estão na figura 6.

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Figura 6: níveis de significância estatística dos efeitos de diferentes intervenções em mulheres com FM. Resultados com p < 0,05 (acima da linha vermelha) indicam efeitos clinicamente relevantes. Observa-se que a

 abordagens integradas (alimentação + exercício) parecem mais eficazes que intervenções isoladas.

Os autores sugerem que dietas vegetarianas e veganas podem proporcionar melhorias significativas em parâmetros bioquímicos, qualidade de vida, peso corporal e sintomas da FM. No entanto, compreendem que a variação na qualidade metodológica dos estudos requer mais pesquisas bem controladas para confirmar esses achados e fornece recomendações dietéticas sólidas para pacientes com FM¹⁹.

5- Conclusão

Ambas as formas terapêuticas (farmacológicas e não farmacológicas) acarretaram em melhora significativa sobre os sintomas da FM. O tratamento com antidepressivos e anticonvulsivantes, apesar de efeitos clínicos positivos, podem ter seu desempenho prejudicado a depender da aderência ou não do paciente, principalmente por conta dos efeitos adversos apresentados. Não houve grande melhora com o uso de espironolactona no alívio dos sintomas em relação ao placebo, além de ter apresentado efeitos adversos.

Em relação às terapias não farmacológicas analisadas, houve melhora estatisticamente relevante em todas as modalidades estudadas, principalmente com a prática de atividade física, seja ela aquática ou terrestre, possibilitando aumento de força, resistência e melhora dos sintomas psicológicos.

Entendemos a importância da associação de opções não farmacológicas no manejo da FM, uma vez que a terapia não medicamentosa pode, e deve, ser implementada junto ao tratamento farmacológico comum, tanto por acarretar melhora clínica quando associado essas duas formas terapêuticas, como por possibilitar uma real reabilitação do paciente a longo prazo, para que não dependa a vida toda do uso de medicamentos. Podemos justificar essa conclusão analisando o resultado dos artigos ⁶-⁷, uma vez que o uso isolado da naltrexona, em dose baixa, não resultou em melhora clínica para os sintomas da FM, porém quando associada a outra terapia, como no caso do estudo ⁶ com a estimulação transcerebral, melhores resultados foram obtidos.

 

Concluímos, portanto, que, apesar de haver clara evidência sobre a necessidade e a eficiência das terapias medicamentosas na grande maioria dos casos de FM, os resultados mostrados por esta revisão sistemática demonstram que quando associado às terapias alternativas, além de serem mais amplas, proporcionam resultados mais satisfatórios para melhorar a qualidade de vida de mulheres com FM.

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