Análise do perfil sociodemográfico e informacional dos usuários da profilaxia pré- exposição ao HIV

Analysis of the sociodemographic and informational profile of user of pre-exposure prophylaxis for HIV

Análisis del perfil sociodemográfico e informativo de los usuarios de la profilaxis preexposición al VIH

Ariane Gabrielli Massalaka Rublesperger
Graduanda em Medicina pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
ORCID:
https://orcid.org/0009-0004-6830-5553.

Lucas Dolatto Milleo
Graduando em Medicina pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
ORCID:
https://orcid.org/0009-0003-1018-9302.

Renata Bayer
Graduanda em Medicina pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)
ORCID:
https://orcid.org/0009-0007-5492-8727.

Camila Marinelli Martins
Doutora em Ciências com ênfase em Epidemiologia.
Docente do Curso de Medicina da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
ORCID:
https://orcid.org/0000-0002-8425-5769.

Erildo Vicente Müller
Doutor em Saúde Coletiva.
Chefe do Departamento de Saúde Pública da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
Docente do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
ORCID:
https://orcid.org/0000-0003-4643-056X.

Jean Fernando Sandeski Zuber
Doutorando em Ciências da Saúde pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).

Enfermeiro da Fundação Municipal de Saúde de Ponta Grossa.
ORCID:
https://orcid.org/0000-0001-5708-3300.

RESUMO

Objetivo: Analisar o perfil sociodemográfico e os fatores informacionais relacionados à utilização da profilaxia pré-exposição ao HIV. Método: Estudo transversal e retrospectivo com 83 pessoas em uso de profilaxia pré-exposição no município de Ponta Grossa (PR), a partir de questionário estruturado e dados cadastrais. Foram analisadas variáveis sociodemográficas, comportamentais e informacionais. A análise estatística utilizou distribuição de frequências e teste Qui-quadrado (p<0,05). Resultado: Predomínio de homens cisgênero, homossexuais, solteiros, brancos e com ensino superior. A maioria iniciou o uso há menos de um ano, relatando uso de preservativos, consumo de álcool e tabaco. Conclusão: Apesar do perfil escolarizado e da adesão recente, destaca-se a necessidade de ampliar estratégias de divulgação e acesso à profilaxia, visando garantir que os segmentos populacionais com maior vulnerabilidade ao HIV sejam alcançados.

Palavras chaves: Profilaxia pré-exposição; HIV; Saúde pública; Epidemiologia.

ABSTRACT

Objective: To analyze the sociodemographic profile and informational factors related to the use of pre-exposure prophylaxis for HIV. Method: A cross-sectional and retrospective study was conducted with 83 individuals using pre-exposure prophylaxis in the municipality of Ponta Grossa (PR), based on a structured questionnaire and registration data. Sociodemographic, behavioral, and informational variables were analyzed. Statistical analysis included frequency distribution and Chi-square test (p<0.05). Results: The majority were cisgender men, homosexual, single, white, and had higher education. Most had started PrEP use less than a year ago, reporting condom use, alcohol consumption, and tobacco use. Conclusion: Despite the predominantly educated profile and recent adherence, there is a need to expand outreach and access strategies for prophylaxis, aiming to ensure that population groups most vulnerable to HIV are effectively reached.

RESUMEN

Objetivo: Analizar el perfil sociodemográfico y los factores informativos relacionados con el uso de la profilaxis previa a la exposición al VIH. Método: Estudio transversal y retrospectivo realizado con 83 personas usuarias de profilaxis previa a la exposición en el municipio de Ponta Grossa (PR), a partir de un cuestionario estructurado y datos de registro. Se analizaron variables sociodemográficas, conductuales e informativas. El análisis estadístico incluyó distribución de frecuencias y prueba de Chi-cuadrado (p<0,05). Resultados: Predominancia de hombres cisgénero, homosexuales, solteros, blancos y con educación superior. La mayoría inició el uso hace menos de un año, refiriendo uso de preservativos, consumo de alcohol y tabaco. Conclusión: A pesar del perfil escolarizado y de la reciente adhesión, se destaca la necesidad de ampliar las estrategias de difusión y acceso a la profilaxis, con el fin de garantizar que los segmentos poblacionales con mayor vulnerabilidad al VIH sean efectivamente alcanzados.

INTRODUÇÃO

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP, do inglês Pre-Exposure Prophylaxis) consiste na utilização dos fármacos antirretrovirais tenofovir disoproxil fumarato e emtricitabina (TDF/FTC) combinados para reduzir o risco de infecção pelo vírus da imunodeficiência adquirida (HIV)1. Esse esquema terapêutico teve início nos Estados Unidos em 2012 e, em 2017, foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro, direcionado a populações em risco para a infecção pelo HIV2,3.

No Brasil, as diretrizes atuais ampliaram os critérios de elegibilidade para a utilização da PrEP, incluindo todas as pessoas com 15 anos ou mais, desde que sexualmente ativas e inseridas em contextos que elevem a vulnerabilidade à infecção pelo HIV1. Essa ampliação abrange, além da profilaxia em si, o acompanhamento com profissionais de saúde, a realização de testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e o acesso a outras ações integradas de cuidado1.

A PrEP tem apresentado eficácia significativa na prevenção da infecção pelo HIV. Entre homens cisgênero que fazem sexo com outros homens e mulheres trans, observou-se uma redução de até 95% na incidência de novas infecções; entre pessoas cisgênero e heterossexuais, a eficácia registrada foi de 62%. Contudo, ressalta-se que esses índices estão diretamente relacionados à adesão adequada ao regime terapêutico1,4.

Todavia, apesar de sua eficácia comprovada, a cobertura populacional da PrEP pode ser impactada por diversos fatores, como determinantes sociodemográficos, práticas de vida e contextos de vulnerabilidade3. Além disso, por se tratar de uma estratégia voltada prioritariamente a pessoas historicamente estigmatizadas e marginalizadas, torna-se essencial reconhecer que essas mesmas condições podem dificultar o acesso aos serviços de saúde e comprometer a adesão à profilaxia3.

 Com base no exposto, o objetivo da pesquisa foi mapear a procura pela PrEP em Ponta Grossa, Paraná, identificando o perfil epidemiológico da população que utiliza essa medicação. Foram ainda, analisados outros fatores que interferem na adesão ideal ao fármaco, bem como outros determinantes de saúde.

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo transversal com abordagem retrospectiva, realizado com pessoas em uso da PrEP vinculadas ao Serviço de Assistência Especializada (SAE) do município de Ponta Grossa, Paraná. A coleta de dados ocorreu em dois momentos: inicialmente, por meio de um questionário estruturado elaborado pelos autores e aplicado no momento da retirada da medicação; e, posteriormente, a partir das informações disponíveis no cadastro eletrônico do serviço.

As variáveis socioeconômicas de interesse incluíram: gênero ao nascer, identidade de gênero, orientação sexual, raça/cor, idade, estado civil, escolaridade e renda familiar mensal. Também foram analisadas variáveis relacionadas ao uso da PrEP, a saber: tempo de uso, razão do uso, presença de efeitos colaterais, tipo de efeito colateral, fonte de informações e percepção sobre a adequação das informações recebidas acerca da PrEP. Foram também investigadas variáveis associadas aos hábitos de vida, incluindo o uso de preservativo; testagem para outras ISTs e resultados dos testes;  atuação como trabalhador do sexo; uso de álcool, tabaco e/ou drogas nos últimos 3 meses.

As variáveis analisadas incluíram dados socioeconômicos (sexo ao nascimento, identidade de gênero, orientação sexual, raça/cor, idade, estado civil, escolaridade e renda familiar), aspectos relacionados ao uso da PrEP (tempo de uso, motivo da adesão, efeitos colaterais, tipo de efeito, fonte das informações) e hábitos de vida (uso de preservativos, testagem e resultados para ISTs, atividade como trabalhador do sexo, e consumo de álcool, tabaco e outras drogas nos últimos três meses).

Foram incluídas no estudo todas as pessoas que retiraram a medicação entre outubro de 2023 e janeiro de 2024 e que concordaram em participar, mediante assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Foram excluidos os casos de recusa à participação e aqueles ou cujo questionário foi preenchido de forma incompleta, impossibilitando a vinculação aos dados cadastrais.

Ao todo, 93 pessoas foram convidadas a participarem do estudo. Destas, 10 foram excluídas, sendo quatro por recusarem a participação e seis por não fornecerem informações suficientes para identificação no sistema do serviço. Ao final foram elegíveis 83 participantes.

A análise estatística foi realizada utilizando o software RStudio. Os resultados foram apresentados por meio de distribuições de frequências, juntamente com seus intervalos de confiança. A análise de distribuição foi conduzida por meio do teste Qui-quadrado, examinando a relação entre as variáveis Tempo de uso da PrEP (classificadas como "Menos de um ano" e "Mais de um ano") e as variáveis sociodemográficas e de hábitos de vida. O teste também foi aplicado à variável Testagem para outras ISTs (Sim e Não) em relação às variáveis de hábitos de vida. Os resultados foram considerados estatisticamente significativos quando o p-valor foi inferior a 0,05, sendo que, em ambos os casos de análise de distribuição, realizaram-se os intervalos de confiança.

Essa pesquisa é parte integrante do estudo “Contextos epidemiológicos, biológicos e de qualidade de vida de pessoas convivendo com HIV e AIDS”, contando com registro e aprovação em Comitê de Ética em Pesquisa (COEP UEPG) sob número 2.631.445.

RESULTADOS

ANÁLISE SOCIODEMOGRÁFICA

Entre os 83 participantes em uso de PrEP (Tabela 01), observou-se predomínio expressivo de homens cisgênero, que corresponderam a 95,18% da amostra. No recorte por identidade de gênero, 90,36% se autodeclararam homens cis, enquanto 2,41% se identificaram como mulheres trans, 1,20% como pessoas não-binárias e 1,20% como travestis, totalizando quatro participantes com identidades de gênero não cis. Apenas quatro mulheres participaram do estudo, todas autodeclaradas como mulheres cis.

Em relação à orientação sexual, a maioria dos entrevistados se identificou como homossexual (83,13%), seguida por pessoas bissexuais (9,64%) e heterossexuais (7,23%). Esses dados evidenciam o maior engajamento de grupos que integram a comunidade LGBTQIA+ no acesso e uso da profilaxia.

Quanto à raça/cor, 83,13% dos participantes se autodeclararam brancos. A idade variou entre 20 e 52 anos, com predominância na faixa etária de 30 a 39 anos, que concentrou o maior número de usuários. Em relação ao estado civil, a maioria se declarou solteira (81,93%), seguida por pessoas casadas (6,02%) e divorciadas (2,41%).

No que se refere à escolaridade, 91,57% dos participantes possuem ensino superior completo ou incompleto. Apenas 1,20% relataram ter estudado entre quatro e sete anos, correspondendo às séries iniciais do ensino fundamental, enquanto 7,23% concluíram ou não o ensino médio.

Em relação à renda familiar, os participantes foram distribuídos em faixas que variam de menos de R$1.000,00 a mais de R$5.000,00. Destacam-se dois grupos com maior frequência: aqueles com renda entre R$2.000,00 e R$3.000,00 e os que recebem acima de R$5.000,00, ambos representando 24,10% (n = 20) da amostra.

Tabela 1 - Características sociodemográficas relacionadas aos pacientes em uso da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV

Variável

N

%

IC

Genero ao nascer

Feminino

4

4,82

1,5 – 12,5

Masculino

79

95,18

87.5 – 98.4

Identidade de gênero

Homem cis

75

90,36

81,4 – 95,4

Mulher cis

4

4,82

1,5 –12,5

Mulher trans

5

2,41

0,4 – 9,2

Não binário

1

1,20

0,1 – 7,5

Travesti

1

1,20

0,1 – 7,5

Orientação sexual

Heterossexual

6

7,23%

3,0 – 15,6

Homossexual

69

83,13%

73,0 – 90,1

Bissexual

8

9,64%

4,6 – 18,6

Raça / Cor

Branca

69

83,13%

73,0 – 90,1

Preta e Parda

14

16,87%

9,9 – 27,0

Idade

20 - 29

33

39,76

29,4 – 51.1

30 - 39

37

44,58

33,8 –  55,9

40 - 49

10

12,5

6,2 – 21,5

50 - 60

3

3,61

0,9 – 10,9

Estado civil

Solteiro (a)

68

81,93

0,1 – 7,5

Casado (a)

5

6,02

2,2 – 14,1

Divorciado (a)

2

2,41

0,4 – 9,2

Escolaridade (anos)

4 - 7

1

1,20

0,1 – 7,5

8 - 11

6

7,23

3,0 – 15.6

12 ou mais

76

91,57

82,9  – 96,3

Renda familiar mensal

Menos de R$ 1.000,00

2

2,41

0.4  – 9.2

De R$ 1.000,00 a R$ 2.000,00

15

18,07

10.8  – 28.4

De R$ 2.000,00 a R$ 3.000,00

20

24,10

15.7  – 35.0

De R$ 3.000,00 a R$ 4.000,00

14

16,87

9.9  – 27.0

De R$ 4.000,00 a R$ 5.000,00

12

14,46

8.0  – 24.3

Mais de R$ 5.000,00

20

24,10

15.7  – 35.0

Fonte: Os autores, 2025.

ANÁLISE DO USO DA PREP

Em relação às variáveis associadas ao uso da PrEP (Tabela 02), observa-se que a proporção de pessas que iniciaram o tratamento há menos de um ano é superior àqueles que já estão em uso há mais tempo, com 56,63% e 43,37%, respectivamente. Essa diferença sugere um interesse crescente na prevenção do HIV, refletindo a adesão recente ao tratamento por parte de uma parcela significativa da população. Os principais motivos declarados para adesão foram a prevenção ao HIV (54,17%) e a busca por tranquilidade sexual (10,42%). Apenas 7 pessoas relataram ter apresentado efeitos colaterais em decorrência do uso da medicação, o que corresponde a 8,43% dos usuários de PrEP. Os efeitos colaterais mencionados incluem dor estomacal e disfunção intestinal, indicando que a maioria dos participantes não experimentou reações adversas significativas.

A internet foi apontada como a principal fonte de informação sobre a PrEP (60,24%), seguida por profissionais de saúde (28,92%) e amigos (6,02%). No total, 86,75% consideraram as informações recebidas suficientes, o que reforça a importância do acesso à comunicação clara como fator de adesão e continuidade do tratamento.

Tabela 2 - Características relacionadas ao uso e informação sobre a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) ao HIV

Variável

N

%

IC

Tempo de uso

1 ano ou menos

47

56,63

45,3 – 67,3

Mais de 1 ano

36

43,37

32,7 – 54,7

Razão do uso

Prevenção ao HIV

36

43,37

32,7 – 54,7

Tranquilidade sexual

8

9,64

4,6 – 18,6

Ter vários parceiros

5

6,02

2,2 – 14,1

Parceiro vivendo com HIV/AIDS

5

6,02

2,2 – 14,1

Não usar preservativo

2

2,41

0,4 – 9,2

Prevenção e tranquilidade

9

10,84

5,4 – 20,0

Prevenção e parceiro vivendo com HIV/AIDS

2

2,41

0,4 – 9,2

Prevenção e não usar preservativo

2

2,41

0,4 – 9,2

Tranquilidade e vários parceiros

1

1,20

0,1 – 7,5

Prevenção, tranquilidade e vários parceiros

7

8,43

3,7 – 17,1

Prevenção, tranquilidade e não usar preservativo

8

3,61

4,6 – 18,6

Prevenção, tranquilidade, não usar preservativo e vários parceiros

1

1,20

0,1 – 7,5

Prevenção, não usar preservativo e parceiro vivendo com HIV/AIDS

1

1,20

0,1 – 7,5

Prevenção, não usar preservativo, tranquilidade, vários parceiros e parceiro vivendo com HIV/AIDS

1

1,20

0,1 – 7,5

Efeito colateral

Sim

7

8,43

3,7 – 17,1

Não

76

91,57

82,9 – 96,3

Tipo de efeito colateral

Dor estomacal

5

6,02

2,2 – 14,1

Disfunção intestinal

1

1,20

0,1 – 7,5

Não informa

77

92,77

84,4 – 97,0

Fonte de informação

Amigos

8

9,64

4,6 – 18,6

Internet

23

27,71

18,7 – 38,8

Internet e amigos

3

3,61

0,9 – 10,9

Profissionais

19

22,89

14,7 – 33,7

Profissionais e amigos

1

1,20

0,1 – 7,5

Profissionais e internet

18

21,69

13,7 – 32,4

Profissionais, internet e amigos

9

10,84

5,4 – 20,0

Não informa

2

2,41

0,4 – 9,2

Informação adequada

Sim

72

86,75

14,7 – 33,7

Não

11

13, 25

7,1 – 22,9

Fonte: Os autores, 2025.

ANÁLISE DOS HÁBITOS DE VIDA

A análise dos hábitos de vida dos usuários de PrEP revelou comportamentos relevantes tanto para a compreensão do contexto de adesão quanto para a avaliação de risco (Tabela 3). Em relação ao uso de preservativos, 77,11% dos participantes relataram utilizá-los durante as relações sexuais, enquanto 22,89% afirmaram não o fazer, o que indica um contingente ainda vulnerável à exposição a outras ISTs.

A maioria dos participantes (75,90%) declarou ter realizado testagem para outras infecções sexualmente transmissíveis, embora 24,10% não o tenham feito. Entre os que testaram, os diagnósticos mais frequentes foram sífilis (21,69%), seguida por coinfecção de hepatite e sífilis (2,41%), herpes (1,20%) e clamídia (1,20%). No entanto, 33,73% dos participantes não informaram os resultados, o que pode comprometer a avaliação mais precisa do perfil epidemiológico.

Quanto ao uso de substâncias psicoativas, o consumo isolado de álcool foi o mais reportado, seguido da associação entre álcool e drogas, e o uso exclusivo de drogas, representando 62,65%, 15,66% e 2,41%, respectivamente. O relato de uso de tabaco, cigarros eletrônicos e narguilé também foram destacados entre os participantes com 36,14%, 4,82% e 3,61%, correspondendo a cada categoria, nessa ordem. Esses achados evidenciam a diversidade de comportamentos relacionados ao consumo de substâncias na amostra analisada.

Tabela 3 - Características de hábitos de vida dos pacientes em uso da Profilaxia Pré- Exposição (PrEP) ao HIV

Variável

N

%

IC

Uso de preservativo

Sim

64

77,11

66,3 – 85,3

Não

19

22,89

14,7 – 33,7

Testes para outras ISTs

Sim

63

75,90

65,0 – 84,3

Não

20

24,10

15,7 – 35,0

Resultado dos testes

Clamídia

1

1,20

0,1 – 7,5

Hepatite e Sífilis

2

2,41

0,4 – 9,2

Herpes

1

1,20

0,1 – 7,5

Sífilis

18

21,68

13,7 – 32,4

Negativos

33

39,76

29,4 – 51,1

Não informa

28

33,73

24,0 – 45,0

Atividades profissionais relacionadas ao sexo (últimos 3 meses)

Sim

3

3,61

0,9 – 10,9

Não

80

96,39

89,0 – 99,0

Uso de álcool e drogas (últimos 3 meses)

Não

16

19,28

11,7 – 29,7

Sim, álcool

52

62,65

51,3 – 72,8

Sim, álcool e outras drogas

13

15,66

8,9 – 25,7

Sim, outras drogas

2

2,41

0,4 – 9,2

Tabagismo (últimos 3 meses)

Sim (cigarro)

30

36,14

26,1 – 47,5

Cigarro e Eletrônico/Pod

1

1,20

0,1 – 7,5

Cigarro eletrônico/ Pod

4

4,82

1,5 – 12,5

Narguilé

3

3,61

0,9 – 10,9

Não

45

54,22

0,9 – 10,9

Fonte: Os autores, 2025.

ANÁLISE DA RELAÇÃO ENTRE TEMPO DE USO, DADOS SOCIOECONÔMICOS, HÁBITOS DE VIDA E TESTAGEM PARA ISTs

A aplicação do teste de Qui-quadrado para verificar possíveis associações entre o tempo de uso da PrEP (classificado em “menos de um ano” e “mais de um ano”) e as variáveis socioeconômicas e comportamentais não evidenciou relações estatisticamente significativas. Em todas as comparações realizadas, os valores de p foram superiores ao ponto de corte adotado (p < 0,05), indicando ausência de associação entre essas variáveis.

De maneira semelhante, a análise da relação entre a realização de testagem para outras ISTs e os hábitos de vida também não demonstrou associações estatisticamente significativas. Os p-valores obtidos permaneceram acima do limiar de significância para todas as variáveis investigadas, não permitindo sustentar uma associação entre testagem para ISTs e os comportamentos autorreferidos.

DISCUSSÃO

O perfil sociodemográfico observado neste estudo reafirma uma tendência apontada na literatura: a concentração do uso da PrEP entre homens cisgênero, com maior escolaridade e renda 5,6,7. Esse padrão evidencia desigualdades persistentes no acesso à profilaxia, segmentos frequentemente invisibilizados nas práticas asssistênciais,  sobretudo entre pessoas trans e travestis8,9, profissionais do sexo10, mulheres cis9, populações negras7 e aquelas com menor escolaridade11. Essa exclusão não apenas revela as fragilidades do desenho e implementação das políticas públicas relacionadas a PrEP, como também reforça a importância de abordagens que considerem os marcadores sociais como gênero, raça, classe e identidade de gênero na formulação de ações mais equitativas10.

Embora a PrEP represente um avanço significativo na prevenção do HIV, sua adoção se insere em um conjunto mais amplo de práticas de cuidado, que não se resumem ao uso do medicamento1. Os resultados obtidos neste estudo revelam que, embora a maioria dos participantes referiu o uso concomitante de preservativos, persiste certa fragilidade na adoção de estratégias combinadas de prevenção. Esse dado reforça que o acesso à PrEP não implica, necessariamente, em uma mudança imediata nos comportamentos sexuais, mas pode representar um ponto de inflexão no cuidado preventivo, especialmente ao fortalecer o vínculo com os serviços de saúde.

Neste sentido, é fundamental considerar que a adesão à profilaxia não está associada a um aumento da incidência de outras ISTs, mas o número de infecções pode ser ligeramente superior quando comparado a usuarios não PrEP12. Contudo é necessário cautela, visto a diversidade de variáveis que podem influenciar nesta interpretação, pois a maior parte da população já não utiliza métodos de barreira (preservativos internos ou externos), ou se o fazem é de forma  inconstante. Essa alegação é reforçada por Felisbino-Mendes et al. (2019)13, que, ao analisarem uma amostra expressiva de 88.531 pessoas, constataram que 77,2% relataram não fazer uso consistente de preservativos. Esses achados evidenciam que a PrEP não deve ser encarada como fator de risco adicional, mas como oportunidade de qualificação do cuidado, sobretudo para populações mais expostas12.

A análise do quesito “testagem para outras ISTs” também revela aspectos importantes, pois 24,1% dos participantes declararam não ter realizado nenhum teste. Essa divergência pode refletir mais do que uma ausência de cuidado, pode indicar, por exemplo, lacunas de compreensão sobre a integralidade da prevenção às ISTs.

No serviço avaliado, a testagem periódica para ISTs é parte integrante do protocolo de acompanhamento da PrEP, conforme as diretrizes nacionais1. Assim, o que se observa pode ser resultado de viés de memória dos participantes ou de dificuldades na apropriação das informações fornecidas pelos profissionais de saúde.

É importante ressaltar que um alto nível de escolaridade por si só não garante a compreensão da linguagem utilizada na área da saúde, pois mais do que saber ler, é necessário compreender, interpretar e aplicar as informações em contextos reais de cuidado; quando há descompasso entre a linguagem institucional e a capacidade de entendimento do usuário, o cuidado se torna fragmentado14.

Ao considerar que a linguagem utilizada nos serviços de saúde pode interferir na compreensão do cuidado, é necessário reconhecer também que a baixa procura pela profilaxia entre pessoas com menor escolarização pode estar associada a uma compreensão limitada ou até mesmo ausente sobre os riscos e formas de prevenção das ISTs. Pessoas com menor alfabetização em saúde no contexto do HIV demonstram baixa propensão em adotar estratégias de prevenção, como a profilaxia pré-exposição (PrEP), o que compromete sua capacidade de evitar de forma eficaz a transmissão do vírus15.

Esse cenário é agravado pelas múltiplas barreiras enfrentadas no cotidiano, como a dificuldade de acesso aos serviços de saúde9, a desinformação16, o estigma9,17 e a naturalização de situações de risco18. Estudos já destacam que o distanciamento de algumas pessoas em relação à PrEP se deve ao receio de serem erroneamente reconhecidas como pessoas vivendo com HIV, o que demonstra que o estigma ainda é um dos fatores preponderantes para a não adesão à profilaxia16,19.

Nesse contexto de barreiras simbólicas, estruturais e informacionais que comprometem o acesso à PrEP, destaca-se ainda a baixa proporção de participantes que declararam exercer atividades profissionais relacionadas ao sexo (3,61%), o que levanta reflexões importantes sobre os limites das políticas públicas em alcançar populações consideradas chave na resposta ao HIV20.

Além disso, o trabalho sexual, especialmente quando exercido por mulheres cis, travestis e pessoas trans em contextos de vulnerabilidade social, é frequentemente atravessado por experiências de medo21, violência22,23, discriminação22,24,25 e negação de direitos, situações que que impactam de forma adversa sua saúde26 e  dificultam o acesso e o estabelecimento de vínculos com os serviços de saúde27.

Ainda que o Ministério da Saúde reconheça os trabalhadores sexuais como prioritários20, é fundamental que os serviços de saúde operem com abordagens responsivas às particularidades dessa população. Isso inclui a oferta de um espaço e atendimento acolhedor28; dias,  horários e agendas compatíveis com a dinâmica do trabalho sexual28; garantia de sigilo29; posturas não moralizantes26; linguagem acessível30, e ações de busca ativa31 que reconheçam os contextos sociais em que essas pessoas estão inseridas. A baixa adesão observada no presente estudo, portanto, pode não refletir simplesmente a ausência de interesse em aderir à PrEP ou a inexistência de risco, mas sim evidenciar o descompasso concreto entre as diretrizes institucionais e a prática cotidiana dos serviços, onde múltiplas barreiras de acesso e permanência ainda persistem.

Nesse sentido, o estudo de Pimenta et al. (2022)9 evidencia que o horário de funcionamento das unidades é apontado tanto por usuários quanto por profissionais como um dos principais entraves para a adesão à PrEP, especialmente no caso da população trans que atua no trabalho sexual, cuja rotina demanda atendimento em horários alternativos. Além disso, Villela e Monteiro (2015)17 reforçam que o funcionamento restrito dos serviços, somado ao estilo de vida noturno e ao medo do estigma, afasta prostitutas dos espaços de cuidado, ampliando sua exposição a agravos como depressão, abortamento provocado e ISTs.

Essa distância entre as necessidades reais dos usuários e a estrutura dos serviços de saúde também se manifesta em outros aspectos da vivência com a PrEP. O fato de a internet ter sido a principal fonte de informação sobre a profilaxia aponta para um movimento autônomo de busca por cuidado revelando, por um lado, interesse e engajamento32, por outro, expõe os riscos associados à circulação de informações imprecisas ou descontextualizadas, sobretudo em temas complexos como o HIV33.

Outro achado relevante diz respeito ao consumo de substâncias psicoativas, especialmente o álcool. O elevado percentual de participantes que relataram uso recente (mais de 60%) impõe a necessidade de refletir sobre como essas práticas se articulam ao uso da PrEP. A literatura mostra que o uso de álcool e drogas pode interferir na adesão ao esquema profilático e impactar negativamente o autocuidado, sendo ainda um marcador de vulnerabilidades sociais e emocionais34,35.

Entre as limitações deste estudo, destaca-se seu caráter unicêntrico, o que pode restringir a generalização dos resultados. Além disso, parte das informações analisadas foi obtida por meio de autorrelato, estando sujeita a vieses de memória e interpretação. No entanto, o desenho do estudo permitiu identificar nuances sobre o uso da PrEP, oferecendo subsídios para o aprimoramento das estratégias de prevenção nos serviços públicos de saúde.

CONCLUSÃO

Os achados deste estudo evidenciam que o uso da PrEP em Ponta Grossa-PR permanece concentrado em um perfil populacional específico, majoritariamente composto por homens cisgênero, homossexuais, com elevada escolaridade e melhor condição socioeconômica, o que indica a persistência de desigualdades no acesso à profilaxia. A predominância de adesão recente e a baixa ocorrência de efeitos adversos sugerem um cenário de expansão do uso, ainda que restrito. As práticas sexuais com risco, o uso significativo de substâncias psicoativas e o uso não ótimo de métodos de barreira, revelam fragilidades nas estratégias de prevenção combinada.

Além disso, a baixa representação de populações estratégicas do ponto de vista da prevenção do HIV, reforça a existência de barreiras que comprometem o acesso equitativo à PrEP.

Por fim, considerando as limitações do delineamento unicêntrico e da amostra, recomenda-se que estudos multicêntricos e com maior representatividade populacional sejam conduzidos para ampliar a compreensão sobre os diferentes contextos de adesão à PrEP no Brasil. Tais evidências são essenciais para o aprimoramento das políticas de prevenção, com foco na equidade, integralidade e efetividade das respostas ao HIV.

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