ARTIGOS DE REVISÃO
AÇÕES DE ENFERMAGEM EM SAÚDE MENTAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE: REVISÃO DE ESCOPO
MENTAL HEALTH NURSING ACTIONS IN PRIMARY HEALTH CARE: SCOPE REVIEW
ACCIONES DE ENFERMERÍA EN SALUD MENTAL EN LA ATENCIÓN PRIMARIA DE SALUD: REVISIÓN DE ALCANCE
Francine Morais da Silva1, Cíntia Nasi2, Alice Lena Fiorini3
Francine Morais da Silva, Mestre em Enfermagem, Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-9226-7663
Cíntia Nasi, Doutora em Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-4322-370
Alice Lena Fiorini, Acadêmica de Enfermagem, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. ORCID: https://orcid.org/0009-0006-9311-6433
RESUMO
Objetivo: Identificar e mapear as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde.
Método: Será conduzida uma revisão de escopo, seguindo o referencial do Joanna Briggs Institute e pelo protocolo PRISMA-ScR, com o objetivo de responder à questão: “Quais são as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde?” nas bases de dados LILACS, BVS, Medline e BDENF.
Resultados: Foram incluídos 20 estudos na revisão. As ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS foram classificadas em duas categorias: Ações de cuidado enfermeiro-paciente e Desafios das ações de Saúde Mental. Exibição do fluxograma construído.
Conslusão: Espera-se que a scoping review contribua em âmbito científico e assistencial para a construção do conhecimento na área da saúde e da enfermagem a partir da análise crítica das ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde.
Descritores
Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Saúde Mental
ABSTRACT
Objective: Identify and map mental health actions developed by nurses in Primary Health Care.
Methods: A scoping review will be conducted, following the Joanna Briggs Institute framework and the PRISMA-ScR protocol, with the aim of answering the question: “What are the mental health actions developed by nurses in Primary Health Care?” in the LILACS, BVS, Medline and BDENF databases.
Results: 20 studies were included in the review. The mental health actions developed by nurses in PHC were classified into two categories: Nurse-patient care actions and Challenges of Mental Health actions. Display of the constructed flowchart.
Conclusion: It is expected that the scoping review will contribute in a scientific and care context to the construction of knowledge in the area of health and nursing based on the critical analysis of mental health actions developed by nurses in Primary Health Care.
Descriptors
Primary Health Care; Nursing; Mental Health
RESUMEN
Objetivo: Identificar y mapear acciones de salud mental desarrolladas por enfermeros en la Atención Primaria de Salud.
Métodos: Se realizará una revisión de alcance, siguiendo el marco del Instituto Joanna Briggs y el protocolo PRISMA-ScR, con el objetivo de responder a la pregunta: “¿Cuáles son las acciones de salud mental que desarrollan las enfermeras en Atención Primaria de Salud?” en las bases de datos LILACS, BVS, Medline y BDENF.
Resultados: Se incluyeron 20 estudios en la revisión. Las acciones de salud mental desarrolladas por los enfermeros en la APS fueron clasificadas en dos categorías: acciones de atención enfermero-paciente y acciones de Desafíos de la Salud Mental. Visualización del diagrama de flujo construido.
Conclusión: Se espera que la revisión del alcance contribuya en un contexto científico y asistencial a la construcción de conocimiento en el área de salud y enfermería a partir del análisis crítico de las acciones de salud mental desarrolladas por los enfermeros en la Atención Primaria de Salud.
Descriptores
Atención Primaria de Salud; Enfermería; Salud Mental
INTRODUÇÃO
A Atenção Primária à Saúde (APS) constitui-se como o primeiro nível assistencial no Sistema Único de Saúde (SUS), é considerada o centro articulador de acesso à comunidade às Redes de Atenção em Saúde (RAS), orientada pelos princípios de acessibilidade, integralidade, coordenação do cuidado e espaço potente para desenvolvimento de programas e ações, considerando as reais necessidades de saúde dos usuários e suas famílias.(1)
As principais estruturas físicas da APS são as unidades de saúde (US) instaladas próximas às comunidades, isto é, desempenham papel central na garantia de acesso aos usuários e suas famílias a uma saúde pública de qualidade. As US ofertam à comunidade serviços diversos, entre eles: acolhimento de demandas, consultas médicas e de enfermagem, educação em saúde, espaço de promoção de saúde mental, dentre outros.(2,3)
As US proporcionam a mobilização de recursos institucionais e comunitários para o enfrentamento aos problemas relacionados à saúde mental, além de articular saberes técnicos e populares ao cuidado à essa clientela.(4) O cuidado em saúde mental no território proporciona à pessoa em sofrimento psíquico e suas famílias a possibilidade de reinserção aos espaços de vida cotidiana, ofertando maior inserção e aceitação dos usuários na comunidade.(1)
Tendo em vista que a APS se constitui como plano privilegiado para o cuidado em saúde mental no território, os enfermeiros, atuantes desse serviço, necessitam ampliar seu olhar para além da saúde física e reconhecer a saúde mental como indissociável de qualquer contexto e ação realizada. Faz-se necessário aprimorar sua prática de trabalho, incluindo a família com fator indispensável para o cuidado em saúde mental.(5)
Ao envolver as famílias, o enfermeiro promove o cuidado em saúde mental integral, possibilitando que essas famílias encontrem sentido para a vivência de seus próprios sofrimentos, ampliando seus conhecimentos a respeito do sofrimento psíquico de seu familiar-cuidador, além de desenvolverem habilidades no contexto de cuidar.(6) Nesse sentido, torna-se essencial a construção de uma parceria enfermeiro-família para potencializar o cuidado em saúde mental, mas para tanto, torna-se pertinente identificar as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS.(7)
Nesse sentido, com o intuito de identificar e mapear as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS, define-se como questão norteadora: Quais são as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde?
Essa pesquisa torna-se relevante e tem como propósito oferecer subsídios para a construção do conhecimento na área da saúde e da enfermagem a partir da análise crítica das ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS.
Assim, essa pesquisa permitirá um olhar mais aprofundado sobre as práticas atuais, desafios enfrentados e estratégias eficazes no cuidado à saúde mental no contexto da APS.
Ao analisar as ações desenvolvidas por enfermeiros no referido campo de atuação a nível primário, essa pesquisa visa identificar as potencialidades no cuidado à pessoa em sofrimento psíquico e suas famílias promovendo um entendimento mais claro das dinâmicas envolvidas no cuidado à essa clientela. Espera-se que esse estudo possa proporcionar insights valiosos que impulsionem a formulação de políticas, a prática de cuidado em liberdade e a educação profissional, contribuindo para um atendimento mais eficaz e humanizado.
Além disso, ao destacar as limitações e desafios, essa pesquisa visa sugerir direções para a implementação de melhorias, como a necessidade de mais formação específica em saúde mental para enfermeiros e a importância de abordagens integradas e colaborativas no cuidado. A identificação de boas práticas e a análise crítica das ações realizadas são fundamentais para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e promover o cuidado em saúde mental centrado nos princípios do SUS e no cuidado em liberdade preconizado pela Reforma Psiquiátrica Brasileira.
Em última análise, essa pesquisa busca promover um avanço no conhecimento e na prática da saúde mental na APS, apoiando a construção de um sistema de saúde mais inclusivo e efetivo. Através da análise crítica e da reflexão sobre as práticas atuais, espera-se contribuir para a melhoria contínua da qualidade do cuidado e o fortalecimento da saúde mental no nível primário de atenção.
O objetivo dessa revisão de escopo consiste em identificar e mapear as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS. Esse mapeamento permitirá identificar as práticas e estratégias empregadas, os desafios enfrentados, as potencialidades observadas e as lacunas existentes no cuidado em saúde mental oferecido nesse nível de atenção.
MÉTODO
O estudo configura-se como uma revisão de escopo a qual seguiu as orientações do Preferred Reporting items for Systematic Reviews and meta-analysis extension for scoping reviews(8), elaborada de acordo com o referencial teórico disponibilizado pelo Joanna Briggs Institute (JBI)(9) utilizando a estratégia PCC (acrônimo de P: População = Enfermeiros, C: Conceito = Ações em Saúde Mental, C: Contexto = Atenção Primária à Saúde), com a questão norteadora: Quais são as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Atenção Primária à Saúde? O protocolo de pesquisa foi registrado no Open Science Framework, com identificação do doi:10.17605/OSF.IO/TEWVZ.
Esse tipo de revisão permite explorar as principais evidências científicas, identificar e mapear possíveis lacunas e propor estudos futuros. Buscou-se realizar uma análise com objetivo de propagar conhecimentos acerca do tema das ações em saúde mental na APS.(9) As buscas foram realizadas de abril a julho de 2024. Os critérios de inclusão foram: publicações disponíveis na íntegra, nos idiomas inglês, português e espanhol, nos últimos 10 anos. Foram excluídos estudos do tipo opinião, carta ao editor, editoriais, utilizando-se as palavras-chave: Atenção Primária à Saúde, Enfermagem, Saúde Mental e Família nas bases de dados Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde (LILACS), Portal Regional da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), no Sistema Online de Busca e Análise de Literatura Médica (Medline), Banco de Dados em Enfermagem – Bibliografia Brasileira (BDENF). A busca considerou documentos da literatura cinzenta como Google Acadêmico (apenas as 05 primeiras páginas). Para adequação às demais bases de dados e plataformas foram também utilizados os Descritores em Ciências da Saúde (DECS) para as bases em português: Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Saúde Mental; Família e Medical Subject Healding (MESH): Primary Health Care, Nursing, Mental Health, Family, para as bases em inglês.
A primeira etapa da pesquisa foi realizada na BVS, para análise das palavras contidas no título e no resumo, com a utilização das seguintes palavras-chave: “Primary Health Care”, “Nursing”, “Mental Health”, “Family” que eram potencialmente elegíveis, para responder à questão e abordavam os elementos do PCC: População = Enfermeiros, C: Conceito = Ações em Saúde Mental, C: Contexto = Atenção Primária à Saúde. Para a continuidade da seleção e recuperação dos textos completos, foi gerada uma planilha Excel®, a partir do Rayyan do Qatar Computing Research Institute (QCRI)(10), onde foram extraídos os seguintes dados: título, autores, objetivo e metodologia. Na segunda etapa, os estudos foram identificados por meio de estratégia de busca adaptada para cada base eletrônica de dados (Quadro 1). Somando-se os descritores com os termos booleanos: AND, OR para compor as chaves de busca. Nessa etapa houve a leitura do texto completo de todos os artigos selecionados e foram excluídos os estudos que não cumpriam os critérios de inclusão do estudo (Figura 1).
A análise do conteúdo deu-se a partir da leitura atentiva e detalhada dos estudos, que foram agrupados conforme suas semelhanças, emergindo dois temas que atendiam ao objetivo desta revisão de escopo. O método de tratamento e o resumo dos dados foram mapeados conforme a temática e seguiram as determinações do PRISMA-ScR.
Por se tratar de uma revisão de escopo, não houve submissão ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), pois foram utilizados, como fonte de dados, documentos com acesso aberto (artigos, consensos e recomendações), garantindo-lhes a especificação de autoria para salvaguardar a propriedade intelectual. Este estudo respeita a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998(10), que altera, atualiza e consolida a legislação sobre os direitos autorais e dá outras providências.
Quadro 1. Estratégias de busca por base de dados. Porto Alegre, 2024.
Bases | Estratégia de Busca |
Medline/PubMed | (Primary Health Care) AND (nursing) AND (Mental Health) AND (Family) |
LILACS BDENF | Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Saúde Mental; Família |
Google Acadêmico | Atenção Primária à Saúde; Enfermagem; Saúde Mental; Família |
As etapas de seleção dos estudos foram realizadas de acordo fluxograma de revisão do escopo (PRISMA - ScR), conforme a Figura 1.
Figura 1. Diagrama de fluxo do processo de seleção dos artigos da revisão, PRISMA-ScR.
Fonte: Perters et al.(9)
RESULTADOS
Nessa revisão de escopo foram encontradas 1507 publicações, após avaliação, 20 contemplaram os critérios de inclusão do estudo.
Para a apresentação dos estudos selecionados, foi gerada uma planilha no Excel®, na qual foram extraídos os dados que seguem: título, autores, objetivo e metodologia. Assim, os resultados estão descritos no Quadro 2.
Quadro 2. Artigos incluídos na revisão de escopo, considerando: título, autores, objetivo e metodologia. Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, 2024.
Nº artigo | Título | Autor | Objetivo | Metodologia |
01 | Atitudes de enfermeiros frente ao envolvimento da família nos cuidados à pessoa com transtorno mental | Nóbrega et al.(6) | Caracterizar as atitudes dos enfermeiros, de APS, quanto ao envolvimento da família nos cuidados às pessoas com transtorno mental. | Estudo correlacional, com 257 enfermeiros do município de São Paulo. Utilizou-se a escala “Importância das Famílias nos Cuidados de Enfermagem-Atitudes dos Enfermeiros”. A análise foi realizada com recurso de estatística descritiva e inferencial. |
02 | Saúde mental: representações sociais dos enfermeiros da estratégia saúde da família | Tavares et al.(3) | Compreender as representações sociais dos enfermeiros das Estratégias Saúde da Família (ESF) sobre a Saúde Mental na APS e analisar as implicações dessas representações sociais no cuidado de pessoas acometidas de doença mental. | Estudo descritivo, com abordagem qualitativa, utilizando o referencial teórico e metodológico da Teoria das Representações Sociais. |
03 | Usuários de substâncias psicoativas: desafios à assistência de enfermagem na Estratégia Saúde da Família | Militão et al.(12) | Analisar a assistência de Enfermagem ao usuário de substâncias psicoativas na ESF. | Estudo descritivo e qualitativo realizado com sete enfermeiros da ESF de Juiz de Fora, Minas Gerais. Os dados foram obtidos por meio de entrevistas guiadas por um roteiro semiestruturado e a Análise Temática de Conteúdo foi utilizada para o seu tratamento. |
04 | Assistência em saúde mental na Atenção Primária: perspectiva dos profissionais da Estratégia Saúde da Família | Cardoso et al.(13) | Apreender as percepções dos profissionais que atuam na APS sobre a assistência em saúde mental. | Estudo descritivo, qualitativo, realizado com 29 profissionais de saúde, mediante entrevistas abertas e individuais. Adotou-se o software IRaMuTeQ® para organização dos dados, após a qual foram submetidos ao processo de análise de conteúdo de modalidade temática. |
05 | A percepção dos profissionais sobre as ações de saúde mental na rede de atenção psicossocial em Belo Horizonte | Coelho et al.(14) | Compreender a construção das ações de saúde mental na rede de atenção psicossocial de Belo Horizonte, sob a ótica dos profissionais em uma perspectiva histórica. | Trata-se de uma abordagem qualitativa baseada na história oral, fundamentada na Sociologia Compreensiva do Cotidiano. |
06 | O cuidado aos portadores de sofrimento mental na atenção primária: uma prática interdisciplinar e multiprofissional | Almeida et al.(15) | Conhecer como é realizado o cuidado ao Portador de Transtorno Mental (PTM) nas ESF, verificando se os profissionais estão seguros da sua atuação. | Trata-se de um estudo qualitativo, embasado na análise do discurso, realizado nas ESF de uma cidade da região norte de Minas Gerais; a coleta de dados realizou-se através de um roteiro de entrevista semiestruturada. |
07 | Práticas de cuidado em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na Estratégia Saúde da Família | Silva Filho et al.(16) | Compreender as práticas de cuidado em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros no âmbito da ESF. | Pesquisa exploratória, de abordagem qualitativa. Participaram do estudo 10 enfermeiros atuantes nas ESF de um município da região Centro-Sul do Estado do Ceará. |
08 | Saúde mental na atenção básica: atuação do enfermeiro na rede de atenção psicossocial | Nunes et al.(4) | Descrever e analisar a atuação do enfermeiro especialista em saúde mental na ESF. | Estudo qualitativo, com 20 enfermeiros que atuam nas Unidades Básicas de Saúde da Família (UBSF) de Teresina, Piauí. As informações foram coletadas por meio de entrevistas semiestruturadas no período de março a maio de 2017 e analisadas pelo método de análise de conteúdo. |
09 | Estratégia saúde da família: ações no campo da saúde mental | Silva et al.(17) | Analisar as atividades de atenção à saúde mental desenvolvidas por equipes de uma UBSF em Fortaleza, Ceará, Brasil. | Estudo descritivo, de abordagem qualitativa, cuja coleta de dados foi realizada entre abril e maio de 2013, através de entrevista semiestruturada, com sete profissionais da ESF. Utilizou-se para tratamento dos dados a análise de conteúdo. |
10 | Saúde mental na Estratégia Saúde da Família: a percepção dos profissionais | Souza et al.(18) | Analisar o manejo das necessidades de saúde mental na APS de acordo com a percepção dos profissionais da ESF. | Estudo qualitativo, descritivo exploratório, desenvolvido no território de abrangência de cinco equipes de saúde da família. Os participantes foram cinco enfermeiras, cinco coordenadores e 17 agentes comunitários de saúde. Os dados foram coletados utilizando observação, entrevistas grupais, entrevistas individuais semiestruturadas e grupos focais. Fez-se a análise de conteúdo com o auxílio de um Software de análise textual, e a interpretação baseou-se nas estruturas analíticas correspondentes. |
11 | Saúde mental no trabalho do Enfermeiro da Atenção Primária de um município no Brasil | Maia et al.(19) | Compreender como se desenvolve a preparação e qual o conhecimento que os enfermeiros que atuam na ESF de Montes Claros - Minas Gerais apresentam sobre Saúde Mental para atendimento a pacientes com transtornos psíquicos. | Pesquisa qualitativa e exploratória, realizada com oito enfermeiros que atuavam na APS do meio urbano de Montes Claros. Os dados foram coletados no segundo semestre de 2011, por meio de entrevistas, que foram gravadas e, em seguida, transcritas. Para análise dos dados, foi utilizada a técnica de análise do conteúdo. |
12 | A situational analysis of primary health care centers in Brazil: challenges and opportunities for addressing mental illness and substance use-related stigma. | Bobbili et al.(20) | Analysis are twofold: (1) to understand the current mental health and substance use service delivery context and (2) identify challenges and opportunities for addressing MISUP-related stigma in PHC centers in Ribeirão Preto, Brazil. | Environmental scans of four Family Health Units were conducted in early 2018 to explore population needs and service delivery for individuals with MISUP. In addition, a symposium was organized in October 2018 to consult with diverse stake- holders and gather local perspectives about MISUP-related stigma conveyed in PHC settings. NVivo 12 software was used to conduct a thematic analysis of the qualitative data collected from the environmental scans and the symposium consultation. |
13 | Factors Associated With Primary Family Caregivers’ Perceptions on Quality of Family-Centered Care in Mental Health Practice | Hsiao et al.(21) | This study aimed to examine the quality of family-centered care perceived by primary family caregivers and its influencing factors in mental healthcare practice. | A convenience sample of 121 mental health nurses and 164 primary family caregivers of patients with schizophrenia was recruited from acute psychiatric wards and chronic psychiatric rehabilitation wards in three psychiatric hospitals in Taiwan. Structured questionnaires for mental health nurses were designed to examine nurses’ attitudes toward schizophrenia and the importance of families in nursing care. Primary family caregivers were assessed to determine their perceptions of quality of family-centered care. At least one primary family caregiver of patients was matched to a nurse who took major responsibility for the patient during the hospitalization. Data were analyzed with descriptive statistics, Pearson’s product-moment correlations, independent t-test, one-way analysis of variance, and tepwise regression analyses. |
14 | Saúde mental na atenção primária: processo saúde-doença, segundo profissionais de saúde | Barros et al.(22) | Analisar percepções da equipe de profissionais da ESF sobre o processo saúde-doença mental e identificar ações de saúde desenvolvidas pela equipe para pessoas com transtorno mental. | Estudo qualitativo, de referencial teórico marxicista e método dialético. Participaram 99 profissionais de nível médio e superior da ESF, município de São Paulo. Realizaram-se entrevistas semiestruturadas, cujos dados foram submetidos ao software ALCESTE e Análise de Conteúdo Temática. |
15 | A percepção e a prática dos profissionais da Atenção Primária à Saúde sobre a Saúde Mental | Pereira et al.(23) | Conhecer a percepção e a prática dos profissionais sobre a Saúde Mental na APS para contribuir no esclarecimento das dificuldades percebidas. | Trata-se de um estudo transversal qualitativo em profissionais das equipes de ESF de Itumbiara, Goiás, Brasil, por meio de questionário semiestruturado, sendo realizada análise de conteúdo conforme técnica de Bardin. |
16 | Práticas em saúde mental na estratégia saúde da família: um estudo exploratório | Lima et al.(24) | Conhecer os procedimentos, as ações e condutas adotadas em saúde mental no âmbito da atenção básica. | Pesquisa qualitativa exploratória desenvolvida com duas equipes da ESF, em Juazeiro do Norte, Ceará, entre maio e junho/2009, através da observação não participante e de entrevistas semiestruturadas. |
17 | O processo de trabalho do enfermeiro na promoção da saúde mental: análise reflexiva | Nascimento et al.(25) | Refletir acerca do processo de trabalho do enfermeiro na promoção da saúde mental, de qualquer natureza, da população ESF. | Realizada uma reflexão voltada para o processo de trabalho do enfermeiro na promoção da saúde mental da população da ESF. |
18 | Atenção à saúde mental na atenção primária de saúde: uma revisão sistemática | Sterling et al.(26) | Verificar evidências científicas referentes à atenção à saúde mental na APS. | A busca por artigos científicos foi conduzida por dois pesquisadores independentes nas bases de dados Medline (Pubmed), LILACS, SciELO, Bireme, Web of Science e Scopus, sem restrição de idioma, período e localização. Foram inclusos na pesquisa estudos que obtiveram pontuação ≥ a 6 pontos segundo o protocolo. |
19 | Concepções e intervenções em saúde mental na ótica de Profissionais da estratégia saúde da família | Drescher et al.(27) | Compreender as percepções de profissionais da saúde vinculados às ESF sobre doença mental e acerca do atendimento a pessoas em sofrimento psíquico. | Estudo descritivo, com abordagem qualitativa, no qual participaram nove profissionais de saúde vinculados a duas equipes com Estratégia de Saúde da Família de um município do Norte do Rio Grande do Sul. Para a coleta de dados, utilizou-se a entrevista semiestruturada. Os dados foram analisados de acordo com a Técnica de Análise de Conteúdo, na modalidade análise temática. |
20 | Saúde Mental na atenção primária: desafios para a resolutividade das ações | Rotoli et al.(28) | Identificar os desafios enfrentados pelos profissionais para agregar resolutividade às ações de saúde mental desenvolvidas no âmbito da APS. | Estudo qualitativo realizado com 30 profissionais, sendo 17 enfermeiras, quatro médicos, cinco psicólogos e quatro assistentes sociais. Dados coletados em três municípios do Rio Grande do Sul, Brasil, em abril de 2018 através de entrevistas semiestruturadas, posteriormente submetidos à análise temática. |
DISCUSSÃO
Essa revisão de escopo teve como propósito identificar e mapear as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS. Apesar dos estudos selecionados estarem limitados a APS, foi possível encontrar ações de desenvolvidas por enfermeiros, além de explorar as relações enfermeiro-paciente, que no campo da APS, essa relação estende-se também aos familiares e comunidade, ou seja, uma das ações fundamentais é a relação de cuidado enfermeiro-paciente. Com isso, estrutura-se a primeira categoria, que se segue abaixo.
Ações de cuidado enfermeiro-paciente na Atenção Primária em Saúde
A APS configura-se como um espaço potente para o desenvolvimento de programas e ações, uma dessas ações, direcionadas para o campo da saúde mental e atenção psicossocial, à pessoa em sofrimento psíquico e seu familiar-cuidador, ao buscar suporte para atendimento na APS, carrega consigo um arsenal de experiências vividas e expectativas em relação ao seu atendimento, isto é, arsenal composto por um histórico único de experiências prévias, podendo incluir episódios anteriores de tratamento favoráveis e desfavoráveis, estigmatização, desafios pessoais e familiares.(1,17)
Nesse sentido, compreender esse arsenal de vivências da pessoa em sofrimento psíquico e suas famílias, torna-se essencial para ofertar um acolhimento personalizado e sensível em relação às demandas em saúde mental apresentadas, ou seja, permitir que pacientes e suas famílias expressem suas expectativas, ajuda o profissional a entender as motivações para a busca desse atendimento na APS, além de construir uma relação de confiança.(14)
Essa relação caracteriza-se por ser baseada na comunicação aberta, apoio emocional tendo como pilares essenciais a educação e colaboração de ambos envolvidos. Esse relacionamento é fundamental para garantir um cuidado eficaz, respeitoso e centrado no paciente e suas famílias, promovendo seu bem-estar mental e emocional, ou seja, essa relação caracteriza-se como componente central para a eficácia do cuidado e pode impactar nos resultados de saúde dos envolvidos. Uma relação de qualidade entre enfermeiro-paciente e seu familiar-cuidador na APS não apenas melhora a experiência do paciente, mas também pode levar a melhores resultados de saúde e maior satisfação com o cuidado recebido.(13)
Destaca-se alguns aspectos que são componentes chave dessa relação como: confiança e vínculo como dispositivo central para o compartilhamento de informações, sentimentos e preocupações lançando mão de uma comunicação aberta, com honestidade e suporte às necessidades do indivíduo e seu familiar-cuidador. Outros componentes primordiais para alicerçar essa relação são a escuta ativa e a empatia pelo sofrimento do próximo afim de validar as queixas trazidas, acolhê-las com propósito de ofertar apoio a situação descrita pelo paciente e suas famílias.(16)
Nesse contexto, a escuta qualificada com clareza e simplicidade afim de elucidar diagnósticos, tratamentos e planos de cuidado, proporciona a melhor compreensão do paciente e suas famílias para que ambos possam participar ativamente do processo de cuidado instituído, para que obtenham entendimento necessário e concordem com as ações instituídas a fim de instrumentalizar o paciente a tomar decisões sobre seu próprio cuidado e promover sua autogestão como dispositivo crucial para o empoderamento sobre sua saúde.(16)
Diante disso, auxiliar o paciente a promover sua autonomia diante das mais variadas ações cotidianas, o instrumentaliza a sentir-se pertencente à sociedade, ou seja, incentivá-lo a gerenciar suas expectativas de maneira realista sobre seu tratamento em saúde, a fim de ajudá-lo a lidar com os anseios que a vida cotidiana proporciona.(4)
O enfermeiro nesse processo de cuidado, ao incluir às famílias, ao elucidar o plano de cuidados instituídos ao paciente, minimiza anseios do familiar-cuidador, isto é, integra-o ao processo de cuidado e esclarece eventuais dúvidas e acaba por fortalecer o vínculo enfermeiro-paciente-família e comunidade.(22, 25)
Assim, ao estimular a participação ativa do paciente e suas famílias no plano de cuidado instituído, ajuda a garantir que as intervenções sejam relevantes e alinhadas com as necessidades e preferências apresentadas, ou seja, nesse processo, é importante que o Enfermeiro reconheça e considere as especificidades culturais, sociais e pessoais de cada paciente e seu contexto familiar, os ajudando a fornecer um cuidado mais individualizado e eficaz de acordo com suas necessidades em saúde.(6)
Nesse sentido, ao ajustar o plano proposto, tendo em vista a necessidade de flexibilização diante das mais variadas situações da vida cotidiana do paciente e suas famílias, proporciona fortalecimento do vínculo enfermeiro-paciente e garante maior eficácia no tratamento proposto e maior engajamento do paciente e suas famílias no processo de cuidado instituído.(6,21)
Em suma, essas ações são fundamentais para garantir um atendimento holístico e integrado na APS, ajudando a promover o bem-estar mental e a qualidade de vida do paciente e seu familiar-cuidador.(15,26)
Contudo, todas ações apontadas, exigem do profissional Enfermeiro um arsenal de ferramentas que nem sempre os profissionais da APS as dispõem, por uma série de fatores desafiantes, dentre esses, certa resistência e medo em assistir a pessoa em sofrimento psíquico, além de pouco arcabouço teórico para absorver as demandas de saúde mental no território, estigmas relacionados à pessoa em sofrimento psíquico, conhecimento ineficiente da rede de atenção psicossocial, entre outros.(25) Diante do exposto, estrutura-se a próxima categoria que se segue abaixo.
Desafios das ações de Saúde Mental na Atenção Primária à Saúde
Ao final do ano 1989, tramitava no Congresso Nacional o projeto de Lei que resultou, 12 anos depois, na lei da Reforma Psiquiátrica Brasileira. A referida lei reformulou, criou condições e instituiu novas formas de cuidar do indivíduo em sofrimento mental, visando sua inclusão na sociedade e protagonizou uma nova forma de pensar sobre a saúde mental e cuidado em liberdade.(29,30)
Em 2011 foi instituída a RAPS, pela Portaria GM/ MS no 3.088 de 23 de dezembro de 2011,(31) que tem por objetivo principal a ampliação do acesso à atenção psicossocial da população em seus diferentes níveis de complexidade; promoção do acesso das pessoas com transtornos mentais e com necessidades decorrentes do uso do crack, álcool e outras drogas e suas famílias aos pontos de atenção.(29,31)
Nesse sentido, historicamente, os territórios caracterizam-se como espaços privilegiados para que às equipes da APS construam um processo de trabalho territorial, prestando assistência às necessidades de saúde apresentadas, inclusive absorvendo as demandas em saúde mental existentes. No entanto, cabe salientar, que as ações em saúde mental devem ser construídas em equipe, pautadas nas necessidades em saúde apresentadas pelas comunidades e alicerçadas no cuidado em liberdade com a manutenção do vínculo enfermeiro-paciente e seu familiar-cuidador.(17, 24)
Sabe-se que o enfermeiro, no campo da APS, é o profissional que atua nos mais diversos dispositivos da rede de atenção psicossocial, ocupando importante papel nos cuidados à população adstrita. No entanto, sabe-se que o atendimento à saúde mental se torna um desafio ao enfermeiro da APS, exigindo não apenas habilidades técnicas e conhecimento especializado, mas também requer um arsenal de ferramentadas a fim de lidar com as especificidades da área, bem como com o estigma vivenciado pela pessoa em sofrimento psíquico e seu familiar-cuidador.(20)
Nesse sentido, em um estudo conduzido com profissionais da APS, em uma ESF, apontam desafios como: a incapacidade em absorver das demandas em saúde mental existentes no território, falta de conhecimento da RAPS, estigma imposto pela sociedade em relação à loucura, receio no contato com paciente em sofrimento psíquico, incompreensão de como realizar o cuidado em saúde mental e o pouco conhecimento teórico na área como barreiras apontadas na referida pesquisa. O entrave principal aponta a necessidade de intervenções efetivas de educação permanente.(19, 23)
Diante do exposto, pacientes em sofrimento psíquico acabam por atrair o olhar dos profissionais atuantes da APS pela ótica do estigma e preconceito, acabando por gerar barreiras e entraves no acesso à essa referida população. Na APS, em seu contexto, cuidados adequados, acolhimento e manejos apropriados, tornam-se fundamentais. No entanto, torna-se primordial ações conjuntas e articuladas de acordo com as demandas apresentadas, e caso não seja possível, é imprescindível conhecimento da rede de atenção psicossocial para que os encaminhamentos sejam realizados, para que paciente e seu familiar-cuidador possam sanar suas necessidades de atendimento com maior resolutividade.(28)
Para que o profissional saiba o melhor encaminhamento a ser realizado, torna-se necessária capacitação das equipes das APS, para que saibam lidar com os anseios trazidos pela pessoa em sofrimento psíquico e seus familiares, uma vez que o cuidado em saúde mental acaba por gerar frustração, diferentemente, do cuidado clínico que busca a cura efetiva da comorbidade apresentada, que no caso da saúde mental, esse cuidado torna-se diferente, pois muitas vezes não é factível, podendo levar a sentimentos como impotência, autodepreciação e culpa.(24)
Entretanto, em saúde mental, o objetivo pode não ser necessariamente a "cura" no sentido absoluto, mas sim proporcionar um tratamento eficaz, promover a recuperação e ajudar os pacientes a viverem de maneira saudável e significativa.(12)
Nesse sentido, o cuidado em saúde mental no território tem caráter multifacetado, isto é, para que o profissional consiga absorver as demandas existentes, precisa sentir-se capacitado para tal. Assim, ações como a educação permanente em saúde se fazem necessárias. A educação permanente em saúde mental é essencial para melhorar a prática profissional, proporcionar um atendimento de qualidade e promover a recuperação e o bem-estar dos pacientes.(23)
Em suma, desafios são inerentes ao processo de trabalho do enfermeiro na APS, contudo, afim de superar esses desafios como forma de amenizar os obstáculos vivenciados, afim de ofertar atendimento de qualidade e com caráter resolutivo, ações como: expansão dos espaços para discussões de casos, investimento em ações de matriciamento, capacitações em ações de saúde mental e melhor conhecimento da rede de atenção psicossocial são essenciais, para que os princípios do SUS e da Reforma Psiquiátrica possam ser seguidos, sem faltar a motivação dos profissionais que atendem pacientes em sofrimento psíquico e suas famílias nos territórios e comunidades.(25, 28)
Limitações do Estudo
Este trabalho também identifica limitações relacionadas à escolha dos componentes da rede de atenção e sugere a necessidade de uma abordagem mais abrangente que inclua posteriormente os usuários dos serviços. Estes são atores essenciais para a integração das práticas e conhecimentos em saúde. Portanto, recomenda-se a realização de estudos adicionais que considerem os diversos níveis de assistência no município, a gestão da assistência e as especificidades do cuidado em saúde mental, a fim de otimizar a rede de atenção e promover uma integração mais eficaz dos serviços.
Contribuições para a Área
Espera-se que os resultados desta pesquisa possam contribuir com o aprofundamento da compreensão dessa temática, contribuindo em âmbito científico e assistencial para a construção do conhecimento na área da saúde e da enfermagem, colaborando para o cuidado em saúde mental no território. Nesse sentido, partindo da implicação como enfermeira, pesquisadora e futura docente de Enfermagem, a confecção desse projeto de doutorado tem por finalidade a produção de conhecimento na área da saúde mental.
CONCLUSÃO
Esse estudo teve como propósito identificar e mapear as ações em saúde mental desenvolvidas por enfermeiros na APS. Pode-se perceber que inúmeras ações em saúde mental são desenvolvidas no campo da APS, como supracitado acima. Tais ações tornam-se essenciais a fim de garantir um cuidado acessível, eficaz e centrado na pessoa em sofrimento psíquico e seu familiar-cuidador.
Entretanto, durante a jornada profissional, o enfermeiro acaba por vivenciar desafios e obstáculos associados ao cuidado de pessoas com sofrimento psíquico e suas famílias exigindo desse profissional uma abordagem integrada, com formação adequada e colaboração entre diferentes profissionais e diversos serviços existentes na rede atenção psicossocial. A superação desses desafios é fundamental para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e promover o cuidado em saúde mental centrado nos princípios do SUS e no cuidado em liberdade preconizado pela Reforma Psiquiátrica Brasileira.
É fato que com esse estudo, a discussão sobre o tema não é esgotada. Cabe ressaltar que apesar do enfermeiro ser um profissional que pode atuar nos mais diferentes níveis de atenção, a saúde mental transpassa por todas as áreas de atuação. É natural enfrentar desafios, conhecer as limitações no cuidado à essa clientela tão específica, contudo, ações em educação em saúde se tornam necessárias, a fim de instrumentalizar o profissional que atua no primeiro nível de atenção, existindo e coexistindo próximo às comunidades.
Os enfermeiros enfrentam desafios substanciais ao lidar com pacientes que sofrem de transtornos mentais, incluindo a necessidade de adaptar suas práticas às especificidades e complexidades dos casos, lidar com a estigmatização e garantir uma adesão eficaz ao tratamento. Além disso, é fundamental reconhecer e respeitar as limitações no cuidado, abordando as lacunas existentes e trabalhando para superá-las.
Para enfrentar esses desafios e melhorar a qualidade do atendimento, a implementação de ações educativas em saúde mental se torna essencial. A educação permanente em saúde para os profissionais da APS é uma ferramenta indispensável para aprimorar o entendimento sobre os transtornos mentais, desenvolver habilidades de manejo e fortalecer a capacidade de oferecer um cuidado centrado nas necessidades apresentadas pelo paciente.
A educação em saúde caracteriza-se por contemplar não apenas a atualização sobre novas práticas e evidências, mas também estratégias para lidar com as questões emocionais e comportamentais dos pacientes e suas famílias. Programas de formação devem incluir a promoção de habilidades interpessoais, o manejo de crises e o desenvolvimento de estratégias para melhor adesão ao tratamento.
Além disso, é crucial fomentar a educação e a conscientização nas comunidades para reduzir o estigma associado aos transtornos mentais e promover um ambiente de suporte e compreensão. A integração de práticas profissionais e a colaboração interprofissional também são componentes chave para a melhoria contínua do cuidado.
Em suma, o cuidado em saúde mental exige um compromisso contínuo com a educação e o aprimoramento profissional, bem como a implementação de estratégias eficazes para superar os desafios encontrados. O enfermeiro, ao desempenhar um papel ativo e informativo, contribui significativamente para a promoção da saúde mental e para a criação de um sistema de cuidado mais inclusivo e eficaz. Acredito que suas ações primordiais são a escuta e acolhimento capazes de amenizar as angústias e sofrimentos da pessoa em sofrimento psíquico e seu familiar-cuidador.
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