ABORDAGENS INTEGRATIVAS NO MANEJO DA SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS COM PROBIÓTICOS E HÁBITOS SAUDÁVEIS
INTEGRATIVE APPROACHES TO THE MANAGEMENT OF POLYCYSTIC OVARY SYNDROME USING PROBIOTICS AND HEALTHY HABITS
ENFOQUES INTEGRATIVOS EN EL MANEJO DEL SÍNDROME DE OVARIOS POLIQUÍSTICOS CON PROBIÓTICOS Y HÁBITOS SALUDABLES
Clara Deretti 1, Janine Agostinho 2, Laura Gonzatto Neves 3, Daniela Delwing-de-Lima 4, Luciano Henrique Pinto ⁵, Paulo Luiz Viteritte ⁶
1 Graduandos em Farmácia - 2 Professor Adjunto Área da Saúde, colaboradores do ECONUTRI - 3 Professor Adjunto Departamento de Nutrição, coordenador do ECONUTRI - Universidade da Região de Joinville – UNIVILLE – Joinville SC
RESUMO
Objetivo: Avaliar o papel da reeducação alimentar, da atividade física e, em especial, da suplementação com probióticos como estratégias adjuvantes no manejo da síndrome dos ovários policísticos (SOP). Métodos: Foi elaborada uma pergunta de pesquisa norteadora utilizando o modelo PICO, e estudos relevantes foram identificados por meio de buscas sistemáticas em bases de dados científicas, com o uso de operadores booleanos. Resultados: Os estudos revisados demonstraram, de forma consistente, que essas intervenções, especialmente quando combinadas, promovem melhorias em desfechos clínicos-chave, como peso corporal, sensibilidade à insulina, perfil hormonal e função reprodutiva. Contudo, o potencial terapêutico da suplementação com probióticos ainda necessita de maior elucidação, particularmente no que diz respeito à especificidade das cepas, dosagens ideais e duração do tratamento. Conclusão: A integração de intervenções de estilo de vida saudável com a suplementação de probióticos parece oferecer benefícios significativos no manejo da SOP. No entanto, as evidências atuais não sustentam seu uso como modalidade terapêutica isolada.
DESCRITORES: Síndrome do Ovário Policístico; Probióticos; Estilo de Vida Saudável; Hiperandrogenismo; Saúde Reprodutiva.
ABSTRACT
Objective: To assess the role of dietary re-education, physical activity, and particularly probiotic supplementation as adjunctive strategies in the management of polycystic ovary syndrome (PCOS). Methods: A guiding research question was developed using the PICO framework, and relevant studies were identified through systematic searches of scientific databases employing Boolean operators. Results: The reviewed studies consistently demonstrated that these interventions, particularly when implemented in combination, improved key clinical outcomes including body weight, insulin sensitivity, hormonal profiles, and reproductive function. Nevertheless, the therapeutic potential of probiotic supplementation remains to be fully elucidated, particularly regarding strain specificity, optimal dosing, and treatment duration. Conclusion: Integrating healthy lifestyle interventions with probiotic supplementation appears to offer significant benefits in the management of PCOS. However, current evidence does not support their use as sole therapeutic modalities.
DESCRIPTORS:
RESUMEN
Objetivo: Evaluar el papel de la reeducación alimentaria, la actividad física y, en particular, la suplementación con probióticos como estrategias adyuvantes en el manejo del síndrome de ovario poliquístico (SOP). Métodos: Se formuló una pregunta de investigación orientadora utilizando el modelo PICO, y se identificaron estudios relevantes mediante búsquedas sistemáticas en bases de datos científicas, empleando operadores booleanos. Resultados: Los estudios revisados demostraron de manera consistente que estas intervenciones, especialmente cuando se aplican de forma combinada, mejoran desenlaces clínicos clave como el peso corporal, la sensibilidad a la insulina, el perfil hormonal y la función reproductiva. Sin embargo, el potencial terapéutico de la suplementación con probióticos aún requiere mayor elucidación, particularmente en relación con la especificidad de las cepas, las dosis óptimas y la duración del tratamiento. Conclusión: La integración de intervenciones de estilo de vida saludable con la suplementación con probióticos parece ofrecer beneficios significativos en el manejo del SOP. No obstante, la evidencia actual no respalda su uso como modalidad terapéutica única.
DESCRIPTORES:
A síndrome dos ovários policísticos (SOP) caracteriza-se como uma doença na qual anormalidades metabólicas endócrinas coexistem com anormalidades do sistema reprodutivo¹. Os fenótipos clínicos podem mudar ao longo da vida com o ganho de peso e podem coexistir no mesmo paciente². Sendo assim, a busca por um tratamento seguro é de suma importância para que complicações futuras em decorrência da progressão da patologia sejam evitadas
Sob esse viés, a busca por um recurso terapêutico que contribua para a saúde e bem-estar da população feminina que apresenta as complicações causadas em grande parte pela SOP, além da adoção de uma alimentação equilibrada e da prática regular de exercícios, é de grande interesse e possui elevada relevância para que mais estudos sobre o assunto sejam realizados. Apesar disso, em decorrência da variedade de problemas que essa patologia pode desencadear, impactando negativamente na qualidade de vida dessas mulheres, principalmente do ponto da qualidade de vida, essa pesquisa torna-se um grande desafio.
Estima-se que aproximadamente 1 em cada 10 mulheres em frente à SOP antes da menopausa lute contra suas complicações³. Mulheres com SOP tendem a ter deficiência de nutrientes em muitas vitaminas e minerais comuns⁴. A SOP tem sido associada a condições de saúde adversas significativas, incluindo obesidade, diabetes, dislipidemia, doença cardiovascular (DCV), apneia do sono, depressão e doença hepática gordurosa não alcoólica⁵. É fundamental a participação de uma equipe multidisciplinar, no qual pode refletir no benefício de receber serviços clínicos e a conscientização sobre a importância de uma dieta saudável⁴.
Para controlar essa condição, o passo mais crucial é perder pelo menos 5% do peso; portanto, ter um plano regular de exercícios e dietas sem gordura e açúcar também são recomendadas para todas as mulheres com SOP³. Dessa forma, a adoção de uma nutrição adequada e de hábitos diários saudáveis são de extrema importância para o manejo da condição e para a melhoria da qualidade de vida de forma geral.
Os princípios gerais de uma alimentação saudável devem ser seguidos por todas as mulheres com SOP ao longo de suas vidas. Existem diversas abordagens alimentares equilibradas que podem ser recomendadas para reduzir a ingestão calórica e promover a perda de peso⁶. Assim como, o tratamento precoce da resistência à insulina que pode melhorar a desregulação metabólica em mulheres com SOP e diminuir o risco de progressão para diabetes mellitus tipo 2⁷. A natureza incurável da SOP reforça a importância do desenvolvimento de estratégias eficazes de alívio sintomático e tratamento específico para componentes⁴.
Em mulheres com SOP, a terapia com probióticos resulta em um perfil metabólico melhorado⁸. Dessa forma, é de suma importância o estudo da incorporação desses microrganismos no tratamento da SOP para verificar seus verdadeiros benefícios.
Portanto, este trabalho tem como objetivo avaliar os benefícios da suplementação de probióticos no tratamento da SOP e analisar se, em conjunto com a adoção de uma alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física, essa abordagem pode ser suficiente para o completo tratamento da condição. Além disso, almeja-se fornecer orientações para profissionais de saúde, ampliando a compreensão sobre os manejos terapêuticos disponíveis para as mulheres afetadas por essa síndrome.
2. Método
A pesquisa de revisão foi realizada em 5 etapas, seguindo o rigor metodológico que garantisse a reprodutibilidade das informações encontradas. Os dados foram coletados entre dezembro de 2024 e abril de 2025. As etapas estão elencadas na Figura 1:
Figura 1: Método de pesquisa empregado e suas 5 etapas de investigação baseado no PRISMA. Fonte: adaptado de SOUZA et al (2010)
As etapas desta pesquisa são descritas a seguir:
A Etapa 1, que inclui a definição da pergunta de pesquisa, que foi obtida via método PICO. Uma vez definida a dúvida de investigação, foi então definida as palavras chaves que iriam compor a pesquisa.
A Etapa 2 consistiu em definir o esquema booleano que atendesse a resolução do problema de pesquisa, bem como definições de elegibilidade dos artigos, como tempo [a] Disponibilidade nos idiomas português, inglês e espanhol, [b] ter sido desenvolvido a partir de uma pergunta obtida por método PICO, [c] relação direta com o objeto de estudo e com a questão norteadora dele, [d] não apresentar conflitos de interesse. [e] ter no máximo 5 anos de publicação.
Etapa 3 correspondeu a atividade de definição dos sítios de busca, sendo utilizados os portais PubMed, Scielo, EBSCO
Etapa 4 foi a fase de seleção dos artigos encontrados nos portais, no qual se seguiu a análise inicialmente pelo título, resumo, e aqueles de interesse foram separados para a análise visando a resposta do problema de pesquisa. Foram utilizados os métodos ROBANS (Risk of Bias Assessment Tool for Nonrandomized Studies) e Risk of Bias Tool 2 (RoB 2) para estudos não randomizados e randomizados respectivamente.
Etapa 5 foi realizada a análise dos resultados via uso de planilhas contendo informações a pergunta PICO e das variáveis eleitas para estudo, objetivando gerar os resultados e discussão do artigo.
3. Resultados
Considerando os termos exigidos na pergunta de pesquisa conforme GALVÃO et al (2014) estabeleceu-se os itens conforme quadro 1:
Quadro 1: Elaboração da pergunta de pesquisa
Definições do Acrônimo | P | I | C | O |
População | Intervenção | Comparação | Desfecho [outcome] | |
Componentes da pergunta | Mulheres com SOP e sobrepeso | Uso de probióticos e um estilo de vida saudável | Outros tratamentos ou placebo | Melhora dos sintomas e redução do peso corporal |
Fonte: os autores
O resultado da pergunta foi então expressa da seguinte forma: “A adoção de um estilo de vida saudável junto com a suplementação com probióticos são suficientes para o tratamento dos sintomas de mulheres com SOP e sobrepeso?”
A partir de então se definiu o esquema booleano para a busca dos artigos interligados a pergunta, sendo e esquema utilizado nas bases de dados o apresentado a seguir: (healthy lifestyle) AND (probiotics) AND (PCOS OR "polycystic ovary syndrome") AND (overweight); nas bases de dados citadas no método.
Foram encontrados um total de 99 artigos no esquema booleano, no qual 13 atendiam os critérios de seleção da pesquisa para encontrar proposições que atendessem a dúvida de pesquisa do trabalho. Também se contou com 8 artigos prévios e um total de 6 foram adicionados fora do esquema booleano para complementação teórica; conforme mostra Figura 2:
Figura 2: resultados da triagem de artigos
4. Discussão
4.1 SOP, Obesidade e Resistência à Insulina: riscos à saúde da mulher
A síndrome do ovário policístico (SOP) é uma condição endócrina que afeta até 13% das mulheres em idade reprodutiva⁹. Sendo que 80% das mulheres com SOP apresentam sobrepeso ou obesidade e maior risco de ganho de peso em comparação com mulheres sem SOP, problema esse que gera agravo no quadro clínico¹⁰,¹¹.
A obesidade atua como um importante fator de risco para diabetes tipo 2, podendo, ela, ser mais frequente nesse grupo do que naqueles com peso adequado. Com base em resultados de estudos demonstradores de maior frequência da resistência à insulina em mulheres com SOP, conclui-se que esta síndrome se caracteriza como um fator de risco para diabetes tipo 2. Assim, obter diagnóstico e tratamento precoce, com a realização da perda de peso, se necessário, pode ajudar a reduzir o risco de complicações a longo prazo, como diabetes tipo 2 e doenças cardíacas¹²,⁵.
Estudos mostram que a microbiota intestinal de mulheres com SOP é menos diversa do que em mulheres sem SOP; a diminuição da microbiota intestinal tem sido associada ao hiperandrogenismo, ocorrido pelo aumento dos níveis de inflamação sistêmica⁴.
Existem tratamentos para a microbiota intestinal alterada por conta da SOP — isso inclui probióticos, prebióticos e simbióticos. Os probióticos, consistindo no tema foco deste estudo, ocorrem naturalmente em alimentos fermentados e são definidos, de acordo com a OMS, como microrganismos vivos que, ao serem consumidos em quantidades apropriadas, podem proporcionar efeitos benéficos à saúde. Em mulheres com SOP, a terapia com probióticos resulta em um perfil metabólico melhorado⁸.
4.2 Probióticos como alternativa para tratamento da SOP
Com base nos estudos analisados, a adoção de um estilo de vida saudável, combinada com a suplementação de probióticos, apresenta benefícios para mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e sobrepeso, mas não pode ser considerada como tratamento único e suficiente para a condição (quadro 2).
Quadro 2: Síntese dos estudos sobre o tema abordado
Autor/ano | País | Objetivo | População e amostra | Desenho do estudo | O que foi comparado | Considerações Finais | |
KARIMI, et al. | 2020 | Irã | Avaliar os efeitos da suplementação simbiótica no perfil lipídico e nas medidas antropométricas de mulheres diagnosticadas com SOP e inférteis | 99 mulheres com SOP | Participantes divididas em 2 grupos: [1] um dos grupos recebeu a intervenção com a suplementação simbiótica e o [2] outro grupo placebo. As participantes e pesquisadores não tinham conhecimento da intervenção a ser empregada (cegamento). O acompanhamento ocorreu durante 12 semanas. | Medidas antropométricas, ingestão alimentar e índices bioquímicos | Grupo que recebeu a [1] suplementação simbiótica melhorou os valores do colesterol de lipoproteína de baixa densidade (LDL) e do colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL). Não houve diferenças significativas nos níveis de colesterol total (CT) e triglicerídeos (TG). Além disso, não houve mudanças significativas das medidas antropométricas entre os grupos. |
CHUDZICKA et al. | 2021 | EUA | Avaliar os efeitos de mudanças no estilo de vida e da suplementação simbiótica em mulheres com SOP | 39 mulheres com SOP | As participantes foram separadas em 2 grupos, [1] grupo simbiótico e [2] grupo placebo Tanto as participantes quanto os pesquisadores não tinham conhecimento do tratamento utilizado. (cegamento) O acompanhamento foi realizado durante 3 meses. | Alterações no IMC e na porcentagem de gordura corporal. Mudanças nos níveis de testosterona. | A perda de peso foi alcançada nos dois grupos, com reduções maiores no grupo [1] simbiótico. A diminuição dos níveis de testosterona foi significativamente maior no [1] grupo simbiótico. |
ŁAGOWSKA et al | 2022 | Polônia | Avaliar se mudanças no conteúdo de ácidos graxos fecais com uma dieta com restrição calórica e com/sem suplementação probiótica interferem na quantidade de bactérias intestinais e no perfil lipídico de mulheres com SOP e sobrepeso | 40 mulheres com SOP | As participantes foram divididas em 2 grupos; grupo D (Dieta para redução de peso com baixo índice glicêmico) e grupo DP (Dieta para redução de peso com baixo índice glicêmico + suplementação de Lactobacillus rhamnosus). O acompanhamento foi realizado por 20 semanas. | Parâmetros antropométricos, Níveis de ácidos graxos fecais de cadeia curta, Abundância de bactérias intestinais Perfil lipídico (HDL / LDL) | Houve uma redução do peso corporal, IMC não significativa nos dois grupos. Ademais, houve uma redução do colesterol, colesterol LDL e aumento no HDL-colesterol. Não houve diferenças na abundância das bactérias intestinais selecionadas. A suplementação probiótica não obteve benefícios adicionais comparado com a dieta para perda de peso. |
JI, et al. | 2022 | China | Verificar os efeitos da suplementação de probióticos com a ingestão de metformina nos padrões menstruais e metabólicos de mulheres diagnosticadas com SOP | 60 mulheres com SOP | Participantes foram divididas em 3 grupos. {1] grupo recebeu apenas a suplementação com probióticos, [2] grupo que somente realizou a ingestão de metformina, e o [3] grupo que recebeu ambas as intervenções. O acompanhamento ocorreu durante 12 semanas. | Regularidade do ciclo menstrual Taxa de ovulação. Alterações nas medidas antropométricas e Alterações bioquímicas Alterações dos níveis hormonais. Hirsutismo relacionado a andrógenos também foi avaliado. | A co-suplementação de probióticos e metformina (GRUPO 3) apresentou resultados superiores na melhoria do padrão menstrual. Além disso, também houve melhora na taxa de ovulação. Não houve diferença significativa nos fatores antropométricos e metabólicos entre os grupos. |
KAUR, et al. | 2022 | Índia | Verificar os efeitos da suplementação de probiótico multicepa juntamente com alterações na dieta e no estilo de vida no peso, regularidade menstrual, perfil metabólico e hormonal em mulheres diagnosticadas com SOP. | 97 mulheres com SOP | As participantes foram divididas em 2 grupos, [1] grupo que realizou a suplementação com cápsulas probióticas e [2] grupo que realizou a ingestão de placebo. Ambos os grupos receberam planos de dieta e de exercícios. Participantes e pesquisadores não tinham conhecimento da intervenção a ser empregada (cegamento) | Regularidade do ciclo menstrual Medidas antropométricas, Perfil hormonal. (Testosterona, LH e FSH, RI) Qualidade de vida | Suplementação probiótica melhorou a regularidade menstrual, níveis totais de testosterona, resistência à insulina, insulina, níveis de LH e FSH, e IMC em relação ao placebo. qualidade de vida igual nos dois grupos. |
HARIRI, et | 2024 | Irã | Avaliar os efeitos da prática de Yoga e da dieta mediterrânea com alto teor de probióticos na resistência insulínica em mulheres diagnosticadas com SOP | 52 mulheres com SOP | Participantes divididas em 2 grupos, [1] um que realizou a prática da Yoga e a ingestão de uma dieta mediterrânea rica em probióticos, e o [2] outro que realizou apenas a prática da Yoga. Acompanhou-se por 12 semanas. Participantes sem conhecimento da intervenção a ser empregada (cegamento). | Glicemia de jejum, Resistência insulínica e os Níveis séricos de insulina | Ambos os grupos obtiveram resultados positivos. O grupo [1] Yoga + dieta apresentou melhora significativa em relação ao outro grupo no peso, IMC, circunferência do quadril, resistência à insulina, insulina sérica e glicemia de jejum. |
Organização: os autores
Denota-se a síndrome dos ovários policísticos como uma das endocrinopatias mais comuns que afetam as mulheres em idade reprodutiva, amplamente reconhecida por sua complexidade clínica e diversidades de manifestações⁹. Dessa maneira, modificações no estilo de vida, como a prática de exercícios físicos e hábitos alimentares saudáveis, demonstraram melhorar o estado metabólico e reduzir os níveis de andrógenos em mulheres com SOP. Além disso, sugere-se que o equilíbrio da microbiota intestinal pode desempenhar um papel crucial no que tange ao manejo desses sintomas, o que gera um crescente interesse no uso de probióticos como adjuvantes terapêuticos¹³.
Diante do exposto, busca-se elucidar os efeitos da suplementação probiótica em mulheres com SOP, comparando os resultados com intervenções isoladas, como dieta e exercícios físicos⁴. Nesse sentido, estudos indicam que a modulação da microbiota intestinal, por meio dos probióticos, pode estar relacionada à melhora na resistência à insulina e na redução dos marcadores inflamatórios sistêmicos¹⁴. Além disso, as diferentes cepas de probióticos podem apresentar variações na eficácia terapêutica, o que sugere que a escolha e a duração do tratamento se tornam fatores determinantes nos desfechos clínicos¹⁵.
Enfim, sugere-se que a suplementação probiótica associada a um estilo de vida saudável tende a oferecer melhores resultados do que o uso isolado da dieta ou do exercício físico¹⁶. No entanto, ressalta-se limitações significativas em algumas pesquisas, como o curto período de acompanhamento e a diversidade de cepas utilizadas, o que dificulta a formulação de diretrizes clínicas consolidadas¹⁷. Assim, convém destacar a necessidade de estudos mais longos e bem controlados, a fim de determinar as cepas e dosagens mais eficazes, além de compreender melhor as interações dos probióticos com outras abordagens terapêuticas¹⁸,¹⁹.
4.3 A adoção de um estilo de vida saudável junto com a suplementação com probióticos são suficientes para o tratamento de mulheres com SOP e sobrepeso?
Com base nos estudos analisados no quadro 2, a adoção de um estilo de vida saudável, combinada com a suplementação de probióticos, apresenta benefícios para mulheres com Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e sobrepeso, mas não pode ser considerada como tratamento único e suficiente para a condição.
Os achados de Chudzicka-Strugała et al.¹³ demonstram que mudanças no estilo de vida promovem perda de peso em mulheres com SOP, sendo essa redução ainda maior quando associada à suplementação simbiótica. Da mesma forma, Łagowska e Drzymała-Czyż²⁰ verificaram que dietas de restrição calórica levam à perda de peso e melhoram o perfil lipídico, sem que a suplementação probiótica tenha oferecido benefícios adicionais significativos. Isso sugere que a dieta, por si só, já desempenha um papel fundamental na melhora dos parâmetros metabólicos.
A suplementação probiótica também apresentou efeitos positivos em diferentes parâmetros. Karimi et a.²¹ verificaram melhoras no perfil lipídico com simbióticos, mas sem impacto significativo em medidas antropométricas. No estudo de Hariri et al.²², a suplementação simbiótica trouxe benefícios na qualidade de vida, sem alterações nos índices antropométricos.
Por fim, Kaur et al.²³ verificaram que a suplementação probiótica, associada à dieta e mudanças no estilo de vida, contribuiu para a melhora na regularidade menstrual e resistência à insulina, reforçando o papel complementar dos probióticos no tratamento da SOP.
Portanto, apesar dos benefícios evidentes, a suplementação probiótica e um estilo de vida saudável não são suficientes como tratamento único para mulheres com SOP e sobrepeso. A abordagem terapêutica deve ser multifatorial, incluindo manejo dietético, exercícios físicos e, quando necessário, intervenções farmacológicas específicas.
4.4 Benefícios combinados de suplementação probiótica e mudanças no estilo de vida no controle metabólico e hormonal: o que se tem de concreto
Estudos mostram que mulheres que apresentam sobrepeso ou obesidade respondem por mais de 75% dos gastos diretos excessivos com serviços de saúde, que ultrapassam os US$ 400 bilhões¹⁷. Mesmo com os esforços para enfrentar essa condição, a taxa de obesidade em todo o mundo continua a aumentar¹⁷.
A obesidade piora a apresentação da SOP, e o controle do peso ideal é proposto como uma estratégia de tratamento inicial²⁴. Diante do exposto, a adoção de mudanças no estilo de vida (dieta e prática de exercícios físicos) é amplamente reconhecida como uma das mais importantes linhas de tratamento para o controle do peso e, no caso de mulheres diagnosticadas com a SOP, isso ajudaria no quadro clínico da doença. O excesso de peso corporal piora os distúrbios hormonais subjacentes (aumento dos níveis de andrógenos e insulina) e as características clínicas evidentes em mulheres com SOP²⁴.
As inúmeras evidências sobre a correlação entre o microbioma intestinal e o desenvolvimento de distúrbios metabólicos levaram à hipótese de que alterações no microbioma também estão envolvidas na gênese da SOP¹⁴. Pacientes com SOP têm menor diversidade e um perfil filogenético alterado em seu microbioma fecal, o que está associado a parâmetros clínicos²⁵. Foi demonstrado que suplementos probióticos melhoram os perfis metabólicos de pacientes com SOP²⁶. Sendo assim, a suplementação com probióticos foi alavancada como uma possível resolução desse desequilíbrio na microbiota intestinal, por parte dos estudos, podendo reduzir as desordens metabólicas características da SOP, como resistência à insulina e hiperandrogenismo. Probióticos e simbióticos podem ser efetivamente integrados aos regimes de tratamento existentes, oferecendo uma alternativa viável às terapias farmacológicas convencionais²⁷. Essa suposição foi associada por alguns pesquisadores à adoção de mudanças no estilo de vida das participantes dos estudos, com o objetivo de potencializar os resultados do tratamento e/ou verificar o real potencial da suplementação probiótica.
Diante do exposto, é possível inferir que a suplementação com probióticos juntamente com as mudanças no estilo de vida propostas apresentaria resultados mais benéficos nos perfis metabólicos, hormonais e na própria qualidade de vida das participantes comparado com as intervenções de forma separada. Além disso, os probióticos também foram associados com a metformina, medicamento já utilizado para o tratamento da SOP, o que também poderia apresentar um desfecho positivo em diferentes parâmetros. Apesar disso, algumas limitações dos desfechos são a não estipulação de uma dose e cepa específicas — as quais variam entre os estudos — e a grande variabilidade de parâmetros que a síndrome apresenta, sendo que alguns poderiam necessitar de um maior período de acompanhamento para uma melhor verificação dos resultados.
Portanto, apesar dos benefícios evidentes, a suplementação probiótica e um estilo de vida saudável não são suficientes como tratamento único para mulheres com SOP e sobrepeso. A abordagem terapêutica deve ser multifatorial, incluindo manejo dietético, exercícios físicos e, quando necessário, intervenções farmacológicas específicas.
5 Conclusão
Pode-se afirmar, conforme os estudos, que a realização de exercícios físicos juntamente com o seguimento de uma dieta adequada é essencial para o tratamento da SOP, em especial para a melhora das medidas antropométricas.
A suplementação com probióticos obteve resultados positivos de forma geral, porém com algumas divergências entre os estudos, o que pode ser justificado, dentre outros fatores, pelo tempo de acompanhamento, cepas escolhidas e doses consumidas pelas participantes. Sendo assim, é possível inferir que a prática regular de atividade física com o mantimento de uma alimentação saudável e a suplementação probiótica apresentaram desfechos benéficos no tratamento da síndrome.
Apesar disso, não se pode concluir que o cumprimento dessas intervenções seja suficiente para o manejo completo de todas as complicações, visto se tratar de uma doença multifatorial e das particularidades de cada paciente.
Dessa forma, mais estudos são necessários para a verificar a melhor forma de consumo dos probióticos para o tratamento da SOP, considerando cepas e doses adequadas, e os efeitos da ingestão desses com medicamentos tradicionais já utilizados nesta patologia com o objetivo de obter um tratamento integralizado.
Agradecimentos
Ao Fundo de Amparo ao Ensino de Graduação (FAEG) da Univille, que permitiu a realização do Projeto ECONUTRI.
REFERÊNCIAS