PROFISSIONAIS DE SAÚDE E BEM-ESTAR DURANTE A COVID-19 NO VALE DO ITAJAÍ/SC

HEALTH AND WELLNESS PROFESSIONALS DURING COVID-19 IN THE ITAJAÍ VALLEY/SC

PROFESSIONALES DE LA SALUD Y EL BIENESTAR DURANTE LA COVID-19 EM EL VALLE DE ITAJAÍ/SC

Tipo de artigo: Artigo científico

Autor: Daniel Duarte Ferreira

Médico, especialista em clínica médica, Unifebe/Brusque. 

Orcid: orcid.org/my-orcid?orcid=0009-0004-6934-8301

Autor: Monique Rocha Evangelista Duarte

Médica, especialista em cirurgia geral, Unifenas/Alfenas. 

Orcid: orcid.org/0009-0002-8804-7358

RESUMO: Essa pesquisa busca avaliar o bem estar geral de profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19 baseado no questionário da Copenhagen Burnout Inventory – CBI traduzido para o português, em um hospital localizado no Vale do Itajaí/SC. Trata-se de um estudo quali-quantitativo acerca do bem estar geral de profissionais de saúde que trabalharam durante a pandemia de COVID-19 no hospital localizado no Vale do Itajaí/SC baseado no questionário (Anexo 1) da Copenhagen Burnout Inventory – CBI traduzido para o português. Com o presente estudo, pode-se observar que há uma significativa prevalência do comprometimento do bem estar geral de profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19 no hospital localizado no Vale do Itajaí/SC baseado no questionário da Copenhagen Burnout Inventory traduzido para o português. Tal  constatação favorece o surgimento de inúmeros problemas vinculado a esses trabalhadores, como a síndrome de burnout.

DESCRITORES: ‘’Burnout’’, ‘’COVID-19’’, ‘’pandemia de coronavírus’’, ‘’bem-estar’’, ‘’síndrome de burnout’’.

ABSTRACT: This research aims to assess the general well-being of healthcare professionals during the COVID-19 pandemic based on the Copenhagen Burnout Inventory – CBI questionnaire translated into Portuguese, in a hospital located in Vale do Itajaí/SC. This is a qualitative and quantitative study on the general well-being of healthcare professionals who worked during the COVID-19 pandemic at a hospital located in Vale do Itajaí/SC based on the Copenhagen Burnout Inventory – CBI questionnaire (Appendix 1) translated into Portuguese. With this study, it can be observed that there is a significant prevalence of impairment of the general well-being of healthcare professionals during the COVID-19 pandemic at a hospital located in Vale do Itajaí/SC based on the Copenhagen Burnout Inventory questionnaire translated into Portuguese. This finding favors the emergence of numerous problems linked to these workers, such as burnout syndrome.

DESCRIPTORS: ‘’Burnout’’, ‘’COVID-19’’, ‘’coronavirus pandemic’’, ‘’well-being’’, ‘’burnout syndrome’’.

RESUMEN: Esta investigación tiene como objetivo evaluar el bienestar general de los profesionales de la salud durante la pandemia de COVID-19 con base en el cuestionario Copenhagen Burnout Inventory – CBI traducido al portugués, en un hospital ubicado en Vale do Itajaí/SC. Se trata de un estudio cualitativo y cuantitativo sobre el bienestar general de los profesionales de la salud que trabajaron durante la pandemia de COVID-19 en un hospital ubicado en Vale do Itajaí/SC basado en el cuestionario Copenhagen Burnout Inventory – CBI (Apéndice 1) traducido al portugués. Con este estudio, se puede observar que existe una prevalencia significativa de deterioro del bienestar general de los profesionales de la salud durante la pandemia de COVID-19 en un hospital ubicado en Vale do Itajaí/SC con base en el cuestionario Copenhagen Burnout Inventory traducido al portugués. Este hallazgo favorece la aparición de numerosos problemas ligados a estos trabajadores, como el síndrome de burnout.

DESCRIPTORES: ‘’Burnout’’, ‘’COVID-19’’, ‘’pandemia de coronavirus’’, ‘’bienestar’’, ‘’síndrome de burnout’’.

INTRODUÇÃO

Indiscutivelmente, a pandemia de coronavírus que o mundo enfrentou trouxe consigo desafios sem precedentes e demonstrou grandes problemas para o enfrentamento de epidemias em diferentes países (1). Sabe-se que enquanto boa parte da população mundial fora convocada ao modo domiciliar de trabalho, os profissionais de saúde permaneceram trabalhando nos hospitais, com enormes escalas de trabalho, a fim de combater o vírus e auxiliar as pessoas (2). Tal realidade ocasionou aumento de responsabilidade e de carga de estresse a esses profissionais, e muitos se viram sobrecarregados e esgotados acerca do trabalho exercido (3). Essa conjuntura associada as incertezas vinculadas a pandemia de coronavírus em voga favoreceu um aumento de burnout nos profissionais de saúde, principalmente entre os médicos como testificado por estudos (4).

Em 2021, cerca de 14,5% dos profissionais de saúde, em Barcelona apresentam sintomas de estresse agudo e concluíram que o COVID-19 é um fator de risco para o aumento de estresse, ansiedade e depressão entre esses profissionais (5). Tal situação favorece que esses profissionais sintam-se emocionalmente sobrecarregados de trabalho, estressados, sem visualização de progressão de carreira e salários pequenos. Esta situação é reflexo de estresse acumulado, associado ao trabalho e extenuação geral do indivíduo. Pode-se salientar que é necessário atentarmos a toda essa conjuntura, haja vista que segundo a Organização Mundial de Saúde: “Saúde é o estado de completo bem-estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença” (6). Associado a isso, é de suma importância buscar soluções para combater o COVID-19 e de forma emergencial em todo o mundo (7).

Sabe-se que a síndrome respiratória aguda grave coronavírus 2 (SARS-CoV-2) provavelmente está associada a contaminação de um animal que repassou para humano em Wuhan, China. Esse vírus demonstrou altas taxas de transmissão interpessoais, seja pessoas com sintomas graves, seja aquelas assintomáticas e originou a realidade presente (8).

Vale dizer que os riscos ocupacionais, resposta nacional versus escala local, ineficiência de processo e instabilidade financeira são os 4 principais fatores para a fadiga ocupacional e o burnout vinculados a pandemia do COVID-19 (8).

Mecanismos simples como exercícios respiratórios e atenção plena aos funcionários podem diminuir a ansiedade e fatores estressores, relacionados a fadiga e ao esgotamento como um todo (8).

Sabe-se que o fato de trabalhar em contato direto em hospitais com pacientes suspeitos de COVID-19 e/ou confirmados com essa patologia pode ser um fator estressor importante a essas pessoas. A presença de burnout em cerca de 50% dos profissionais de saúde é um dado alarmante e são similares a de outros estudos já feitos, como um realizado no hospital regional em Taiwan. A pandemia de COVID-19 associada ao uso exaustivo de equipamentos de proteção individual, bem como o isolamento social agravam esse fato (9). A diminuição de tempo e de convívio entre familiares e amigos tornou-se algo presente entre as pessoas. Para enfrentar tal situação, com o recomendado distanciamento social, pode ser utilizado conexões sociais pelos meios digitais. Tais métodos estão de acordo com as recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre saúde mental às pessoas, bem como profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19 (9). Importante frisar que intervenções específicas nesse período de isolamento social da pandemia pode ser utilizada a fim de melhorar o bem-estar geral e diminuir os fatores estressantes. É recomendado avaliações regulares de burnout para o enfrentamento desse problema entre os profissionais de saúde que trabalham diretamente com o COVID-19 (9).

Há de se dizer que alguns estudos demonstram que quando há apoio aos trabalhadores subalternos por parte dos patrões os efeitos estressores de ambiente no trabalho e o surgimento de burnout são diminuídos. Um bom relacionamento entre profissionais sugere ser um apoio social importante e auxilia os funcionários em seus trabalhos diários e na diminuição de fatores estressores associados e vinculados ao surgimento de doenças (3).

De maneira similar, busca-se a partir desse trabalho avaliar por meio de perguntas diretas destinada a profissionais de saúde que trabalham em um hospital localizado no Vale do Itajaí/SC acerca do bem estar geral desses frente a pandemia do COVID-19.

Esse questionário já fora validado e demonstrado a confiabilidade de sua proposta pelos acadêmicos pertencentes à faculdade de Medicina da Universidade Sapienza de Roma (10)

METODOLOGIA

Trata-se de um estudo quali-quantitativo acerca do bem estar geral de profissionais de saúde que trabalharam durante a pandemia de COVID-19 no hospital localizado no Vale do Itajaí/SC baseado no questionário (Anexo 1) da Copenhagen Burnout Inventory – CBI traduzido para o português.

Os participantes que quiserem o acesso ao resultado final da pesquisa poderão solicitar através do contato do pesquisador principal.

O Número do Parecer de aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP): 5.820.627.

CAAE59956822.8.0000.5636.

RESULTADOS

Utilizando o questionário (Anexo 1) da Copenhagen Burnout Inventory – CBI traduzido para o português para 50 participantes foram obtidos os seguintes resultados:

Primeira fase: esgotamento pessoal.

  1. Com que frequência você se sente cansado?

4

Sempre

34

Frequentemente

12

Raramente

0

Nunca

  1. Com que frequência você está fisicamente exausto?

3

Sempre

25

Frequentemente

22

Raramente

0

Nunca

  1. Com que frequência você fica emocionalmente exausto?

7

Sempre

23

Frequentemente

18

Raramente

2

Nunca

  1. Com que frequência você pensa: “Não aguento mais”?

3

Sempre

12

Frequentemente

20

Raramente

15

Nunca

  1. Com que frequência você se sente exausto?

3

Sempre

21

Frequentemente

26

Raramente

0

Nunca

  1. Com que frequência você se sente fraco e suscetível a doenças?

1

Sempre

11

Frequentemente

23

Raramente

15

Nunca

Segunda fase: Burnout relacionado ao trabalho.

  1. O seu trabalho é emocionalmente desgastante?

8

Em um grau muito alto

26

Alto grau

15

Baixo grau

1

Em um grau muito baixo

  1. Você se sente esgotado por causa do seu trabalho?

1

Em um grau muito alto

21

Alto grau

23

Baixo grau

5

Em um grau muito baixo

  1. Seu trabalho o frustra?

0

Em um grau muito alto

6

Alto grau

17

Baixo grau

27

Em um grau muito baixo

  1. Você se sente cansado ao final da jornada de trabalho?

3

Em um grau muito alto

29

Alto grau

17

Baixo grau

1

Em um grau muito baixo

  1. Você fica exausto pela manhã pensando em mais um dia de trabalho?

2

Em um grau muito alto

8

Alto grau

19

Baixo grau

21

Em um grau muito baixo

  1. Você acha que cada hora de trabalho é cansativa para você?

0

Em um grau muito alto

10

Alto grau

20

Baixo grau

20

Em um grau muito baixo

  1. Você tem energia suficiente para a família e amigos nas horas de lazer?

9

Em um grau muito alto

15

Alto grau

20

Baixo grau

6

Em um grau muito baixo

Terceira fase: Burnout relacionado ao cliente/paciente.

  1. Você acha difícil trabalhar com pacientes?

1

Em um grau muito alto

13

Alto grau

18

Baixo grau

18

Em um grau muito baixo

  1. Você acha frustrante trabalhar com pacientes?

1

Em um grau muito alto

3

Alto grau

31

Baixo grau

15

Em um grau muito baixo

  1. Esgota sua energia trabalhar com pacientes?

1

Em um grau muito alto

10

Alto grau

23

Baixo grau

16

Em um grau muito baixo

  1. Você sente que dá mais do que recebe quando trabalha com pacientes?

4

Em um grau muito alto

21

Alto grau

13

Baixo grau

12

Em um grau muito baixo

  1. Você está cansado de trabalhar com pacientes?

0

Em um grau muito alto

3

Alto grau

15

Baixo grau

32

Em um grau muito baixo

  1. Você às vezes se pergunta por quanto tempo poderá continuar trabalhando com pacientes?

2

Em um grau muito alto

7

Alto grau

18

Baixo grau

23

Em um grau muito baixo

DISCUSSÃO  

Pode-se dizer que o termo burnout se trata de uma síndrome psicológica complexa associada ao estresse crônico. Tal síndrome é constatada em trabalhadores de diversas áreas, notando-se também a apresentação de sintomas do burnout entre os profissionais de saúde. A sintomatologia é variada e pode haver sintomas físicos, emocionais e comportamentais. Além da agressividade e violência, a depressão e uma tendência maior ao abuso de substâncias, como o álcool, são observadas naqueles que possuem a síndrome de burnout e, em alguns casos, até problemas no ambiente familiar/domiciliar podem surgir (11).  

Já no aspecto profissional, a pessoa pode apresentar esgotamento comportamental e comprometimento de suas funções profissionais, levando a possíveis erros e um notável decréscimo da satisfação pessoal (11).

O burnout possui a exaustão emocional como o seu primeiro sinal, estando correlacionado a sensação de esgotamento físico e emocional devido ao estresse crônico enfrentado por uma pessoa. Subsequentemente a essa fase, pode ser observado uma certa despersonalização pessoal que envolve diversas áreas do trabalho o que favorece o surgimento de sentimentos de incompetência profissional e a não realização pessoal (11).

E por isso, a síndrome de burnout normalmente está relacionada a diversos efeitos deletérios a vida das pessoas, como absenteísmo e muitas dificuldades organizacionais profissionais como um todo. Nos Estados Unidos, há diversos estudos que avaliam a saúde comportamental das pessoas e que indicam problemas significativos quanto a força de trabalho associada a saúde comportamental. Assim, torna-se importante conhecer tal síndrome e buscar minimizar a prevalência de burnout entre os profissionais em geral (11).

Segundo um estudo publicado na Revista Brasileira de Psicoterapia, os profissionais de saúde da assistência direta representam um montante de 50,8% de sintomas sugestivos de síndrome de burnout, enquanto aqueles profissionais da assistência indireta representam um total de 23,5% dos sintomas supracitados associados ao período da pandemia do COVID-19 (5).

Nos profissionais de saúde, a síndrome de burnout também está ligada a diversos problemas, como o esgotamento psíquico, a insatisfação pessoal, a diminuição significativa da produtividade e sentimentos de insegurança e de fracasso (5).

Observa-se que a alta demanda laboral aos profissionais de saúde, o enfrentamento rotineiro de mortes e de sofrimento dos pacientes, tornam esse grupo mais susceptível ao desenvolvimento da síndrome de burnout  (5).

Por isso, em vista do contexto apresentado, trazer à tona os conhecimentos desses estudos é de fundamental importância, a fim de avaliar a associação entre o sofrimento dos profissionais de saúde como a síndrome de burnout, e a pandemia do COVID-19 desdobrada principalmente entre os anos de 2021 e 2022 (5).

CONCLUSÃO

Com o presente estudo, pode-se observar que há uma significativa prevalência do comprometimento do bem estar geral de profissionais de saúde durante a pandemia de COVID-19 no hospital localizado no Vale do Itajaí/SC baseado no questionário da Copenhagen Burnout Inventory traduzido para o português. Tal  constatação favorece o surgimento de inúmeros problemas vinculado a esses trabalhadores, como a síndrome de burnout.

Dado o exposto torna-se grande a importância de se buscar melhorias nas condições de trabalho aos profissionais de saúde por parte das autoridades competentes associado a mecanismos simples como exercícios respiratórios e a atenção plena aos funcionários podem diminuir a ansiedade e fatores estressores, relacionados a fadiga e ao esgotamento como um todo (8). Tais práticas podem catalisar melhores condições de trabalho a todos os profissionais de saúde e auxiliar, portanto um melhor combate a grandes desastres como a pandemia de COVID-19, haja vista que tal grupo é fundamental nessa conjuntura evidenciada.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. RESTAURI, Nicole; SHERIDAN, Alison D. Burnout and posttraumatic stress disorder in the coronavirus disease 2019 (COVID-19) pandemic: intersection, impact, and interventions. Journal of the American College of Radiology, v. 17, n. 7, p. 921-926, 2020. 

2. FERNANDES, Gustavo Andrey de Almeida Lopes; PEREIRA, Blenda Leite Saturnino. The challenges of funding the Brazilian health system in fighting the COVID-19 pandemic in the context of the federative pact. Revista de Administração Pública, v. 54, p. 595-613, 2020.

3. MOURA, EDUARDO CARDOSO DE; FURTADO, Liliane; SOBRAL, Filipe. Epidemia de burnout durante a pandemia de Covid-19: O papel da LMX na redução do burnout dos médicos. Revista de Administração de Empresas, v. 60, p. 426-436, 2021.

4. Bansal, P., Bingemann, T. A., Greenhawt, M., Mosnaim, G., Nanda, A., Oppenheimer, J., Sharma, H., David Stukus, D., & Shaker, M. (2020). Clinician wellness during the Covid-19 pandemic: Extraordinary times and unusual challenges for the allergist/immunologist. Journal of Allergy and Clinical Immunology Practice, 8(6), 1781-1790. doi: 10.1016/j.jaip.2020.04.001.

5. PEREIRA, Ana Cláudia Costa et al. O agravamento dos transtornos de ansiedade em profissionais de saúde no contexto da pandemia da COVID-19. Brazilian Journal of Health Review, v. 4, n. 2, p. 4094-4110, 2021.

6. DALLARI, Sueli Gandolfi. O direito à saúde. Revista de saúde pública, v. 22, p. 57-63, 1988.

7. WANG, Chen et al. A novel coronavirus outbreak of global health concern. The lancet, v. 395, n. 10223, p. 470-473, 2020.

8. SASANGOHAR, Farzan et al. Provider burnout and fatigue during the COVID-19 pandemic: lessons learned from a high-volume intensive care unit. Anesthesia and analgesia, 2020.

9. CHOR, Wei Ping Daniel et al. Burnout amongst emergency healthcare workers during the COVID-19 pandemic: A multi-center study. The American Journal of Emergency Medicine, 2020.

10. SESTILI, Cristina et al. Reliability and use of Copenhagen burnout inventory in Italian sample of university professors. International journal of environmental research and public health, v. 15, n. 8, p. 1708, 2018.

11. KELLY, Reena Joseph; HEARLD, Larry R. Burnout and leadership style in behavioral health care: A literature review. The journal of behavioral health services & research, p. 1, 2020.