Relação
entre Escolaridade e Agravamento dos Fatores de Risco na Hipertensão Arterial
Sistêmica
Relationship between education level and worsening of
risk factors in systemic arterial hypertension.
Relación
entre el nivel educativo y el agravamiento de los factores de riesgo en la
hipertensión arterial sistémica.
RESUMO
Objetivo:
Mensurar por meio da Análise de Componentes Principais, os principais fatores
de risco relacionados ao agravamento da hipertensão arterial em diferentes
níveis de escolaridade no Município de Propriá, Brasil.
Métodos:
Estudo transversal onde foram coletadas informações sobre estilo de vida,
condição clínica e características socioeconômicas de 350 hipertensos. A coleta
de dados foi realizada nos domicílios entre novembro de 2022 a novembro de
2023. Foram realizadas: Análise de Componentes Principais e Regressão
Polinomial.
Resultados:
Fatores socioeconômicos apresentaram um risco 3,37 vezes maior (IC95%,
2,06-5,51, p< 0,001) para o agravamento pressórico em indivíduos com baixa
escolaridade, seguido pela inatividade física com um risco 1,73 vezes maior
(IC95%, 1,2-2,46, p<0,002). Para hipertensos com maior escolaridade, a
obesidade foi o principal fator de risco, com chance 2,1 vezes maior (IC95%,
1,4-3,16, p<0,001).
Conclusão:
Condição socioeconômica desfavorável foi o principal fator de risco para descontrole da pressão arterial em
hipertensos com baixa escolaridade.
Palavras-Chave:
Hipertensão; Fatores de Risco; Escolaridade; Estudos Transversais
ABSTRACT
Objective: To
measure, through Principal Component Analysis, the primary risk factors
associated with the exacerbation of arterial hypertension across varying levels
of education in the Municipality of Propriá, Brazil.
Methods: A
cross-sectional study was conducted, in which information regarding lifestyle,
clinical condition, and socioeconomic characteristics was collected from 350
individuals with hypertension. Data collection took place in households from
November 2022 to November 2023. Principal Component Analysis and Polynomial
Regression were performed.
Results:
Socioeconomic factors exhibited a risk 3.37 times greater (95% CI, 2.06-5.51,
p<0.001) for the exacerbation of blood pressure in individuals with low
education levels, followed by physical inactivity, which presented a risk 1.73
times greater (95% CI, 1.2-2.46, p<0.002). Among hypertensive individuals
with higher education, obesity emerged as the primary risk factor, with a
likelihood 2.1 times greater (95% CI, 1.4-3.16, p<0.001).
Conclusion: An unfavorable socioeconomic condition was
identified as the principal risk factor for poor blood pressure control in
hypertensive individuals with low educational attainment.
Keywords: Hypertension; Risk Factors; Educational
Status; Cross-Sectional Studies
RESUMEN
Objetivo:
Medir, mediante el Análisis de Componentes Principales, los principales
factores de riesgo relacionados con el agravamiento de la hipertensión arterial
en diferentes niveles de escolaridad en el Municipio de Propriá, Brasil.
Métodos:
Estudio transversal en el que se recopilaron datos sobre estilo de vida,
condición clínica y características socioeconómicas de 350 individuos
hipertensos. La recolección de datos se llevó a cabo en los hogares entre
noviembre de 2022 y noviembre de 2023. Se realizaron análisis de Componentes
Principales y Regresión Polinómica.
Resultados: Los
factores socioeconómicos presentaron un riesgo 3.37 veces mayor (IC95%,
2.06-5.51, p<0.001) para el agravamiento de la presión en individuos con
baja escolaridad, seguido por la inactividad física, que mostró un riesgo 1.73
veces mayor (IC95%, 1.2-2.46, p<0.002). Para los hipertensos con mayor
escolaridad, la obesidad fue el principal factor de riesgo, con una
probabilidad 2.1 veces mayor (IC95%, 1.4-3.16, p<0.001).
Conclusión: Una
condición socioeconómica desfavorable fue el principal factor de riesgo para el
descontrol de la presión arterial en hipertensos con baja escolaridad.
Palabras
Clave: Hipertensión; Factores de Riesgo; Nivel Educativo; Estudios
Transversales.
Introdução
A associação entre indicadores de
nível socioeconômico, como educação, renda e ocupação tem sido relevante tanto
para doenças transmissíveis como para doenças não transmissíveis.1
De acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para
Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) entre 2007 e 2016,
observou-se que a prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica aumentava com o
avanço da idade e com a baixa escolaridade, sendo indivíduos analfabetos, os
que apresentaram a maior prevalência. 2,3
O tempo de escolaridade influencia
significativamente os fatores de risco em indivíduos hipertensivos,
considerando a alta prevalência da Hipertensão Arterial Sistêmica e a gravidade
de suas consequências para a saúde. Assim sendo, o objetivo deste estudo foi
mensurar por meio de uma Análise de Componentes Principais, os principais
fatores de risco relacionados ao agravamento da hipertensão arterial em
diferentes níveis de escolaridade no Município de Propriá, Sergipe, Brasil.
Metodologia
Trata-se de um estudo analítico
transversal com abordagem quantitativa, conduzido através de entrevistas
semiestruturadas, que investigou o aumento da pressão arterial em pacientes
hipertensos com diferentes níveis de escolaridade atendidos pelo Sistema Único
de Saúde (SUS) no município de Propriá, estado de Sergipe, Brasil.
A pesquisa buscou informações sobre
o estilo de vida (alimentação, exercícios físicos e hábitos prejudiciais),
cuidados com a saúde (frequência de consultas médicas, quantidade de doenças,
esquecimento da medicação para hipertensão), medições antropométricas,
diagnóstico de ansiedade e depressão, além da caracterização socioeconômica dos
pacientes hipertensos cadastrados.
A amostra foi composta por 329
pacientes hipertensos, calculada com intervalo de confiança de 95% e margem de
erro de 5%. A amostra foi estratificada para refletir a proporção de pacientes
hipertensos residentes nas áreas urbanas (80%) e rurais (20%) do município de
Propriá.
A coleta de dados foi realizada
domiciliarmente no período matutino, com o acompanhamento dos Agentes
Comunitários de Saúde. Esses profissionais foram previamente instruídos sobre o
objetivo da pesquisa e convidados a auxiliarem na busca ativa e identificação
de hipertensos.
A pressão arterial dos pacientes foi
medida no início e no final das entrevistas e a média resultante foi utilizada
para análise estatística. Foram feitas medições antropométricas, oximetria,
pulso e a glicemia (jejum ou pós-prandial) apenas para pacientes diabéticos. O
período da coleta foi de novembro de 2022 a novembro de 2023.
Os critérios de inclusão
contemplaram pacientes hipertensos atendidos pelo SUS, com ou sem planos de
saúde, residentes nas áreas rural e urbana de Propriá, que concordaram em
participar da pesquisa e assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
(TCLE). Os critérios de exclusão foram gestantes (alteração antropométrica),
pessoas com algum transtorno mental ou físico que as tornavam incapazes de
entender as perguntas do questionário, além da restrição física que
dificultasse a avaliação antropométrica e possivelmente causasse desconforto ao
paciente.
A NCD-RisC4 estabeleceu
os critérios de classificação dos pacientes em relação ao controle da pressão
arterial. De acordo com esses critérios, pacientes com idades entre
18 e 79 anos que fazem uso de medicamentos anti-hipertensivos são considerados
como tendo Hipertensão Arterial Sistêmica controlada se a sua pressão arterial
estiver abaixo de 140/90 mmHg. Já pacientes muito idosos, com mais de 80 anos,
são considerados como controlados se a pressão arterial estiver abaixo de
150/90 mmHg.5 Pacientes hipertensos com valores de pressão arterial
fora desses intervalos são classificados como descompensados.
Para a realização das entrevistas,
foi utilizado o questionário VIGITEL-2022 do Ministério da Saúde do Brasil, que
tem sido aplicado em todas as capitais dos 26 estados brasileiros desde 2006,
como parte de um sistema de monitoramento do estilo de vida e comportamentos de
saúde em doenças crônicas.
Aprovação
ética
Este estudo foi aprovado pelo Comitê
de Ética em Pesquisa da Universidade Tiradentes no dia 25 de novembro de 2022
(Protocolo 5.778,896). Todos os pacientes hipertensos foram informados sobre os
objetivos da pesquisa e convidados a assinar o TCLE, autorizando sua
participação e uso das informações concedidas para fins de pesquisa.
Análise
de dados
A análise estatística dos dados
coletados foi realizada digitando-se as informações em uma planilha eletrônica
utilizando o software Microsoft Excel 2013. Foram identificadas variáveis
qualitativas (nominais e ordinais) e quantitativas.
Na análise bivariada, foi feita a
comparação entre o descontrole da hipertensão e outras variáveis do estudo,
utilizando testes de Qui-Quadrado e Exato de Fisher. A Razão de Prevalência
(RP) foi calculada em todos os cruzamentos. Por meio da Análise de Componentes
Principais com Método de Rotação Varimax, 29 variáveis independentes foram
reduzidas em 11 scores independentes, preservando 57,63% da informação
original. O número de componentes foi determinado com base em autovalores
maiores ou iguais a 1.
As variáveis dependentes foram
definidas por meio de uma combinação do tempo de escolaridade com o descontrole
da hipertensão. E assim foram divididas em dois grupos: pessoas iletradas ou
com ensino fundamental (Grupo 1) e pessoas com ensino médio e superior (Grupo
2). Estas variáveis foram ajustadas em função dos escores utilizando modelos de
Regressão Logística Multinomial. Os resultados foram apresentados em termos de
Razão de Chance (OR) e intervalo de confiança. O estudo adotou um nível de
significância de 5%, nível de confiança de 95%, e foi realizado no software R,
versão 4.3.2.
Resultados
Foram
abordados 387 participantes. Entre eles, 33 não quiseram finalizar a entrevista
e quatro se recusaram a assinar o TCLE. Assim, o número total de participantes
foi de 350 pessoas, sendo que 250 (71,4%) eram hipertensos com pressão
controlada e os outros 100 (28,6%) apresentavam pressão arterial descontrolada.
A idade dos participantes variou de 21 a 99
anos. A média de idade foi de 56 anos, com um desvio padrão (DP) = 13,302. A
mediana da idade foi de 57 anos, com predomínio para a faixa etária de 50 a 69
anos, de acordo com a Tabela1. Do total de participantes, 219 (59%) eram
adultos (até 59 anos) e 141 (41%) eram idosos (acima de 60 anos).
A média de pessoas por residência
foi de 2,79 pessoas (amplitude 1 a 8 e DP=1,332). Em média, cada residência
possuía 2,32 aposentos (amplitude 1 a 5 e DP= 0,702). Aproximadamente 26
entrevistados (32,5%) da população rural era iletrada, enquanto na zona urbana
o quantitativo era de 24 (8%). Apenas uma pessoa da zona rural (1%) possuía
graduação acadêmica em comparação com 40 pessoas (14,8%) na zona urbana. Em
relação às pessoas sem escolaridade (49 pessoas), todas não tinham plano de
saúde e 45 (92%) ganhavam até dois salários mínimos.
A Tabela 2, apresenta a relação de
prevalência entre o agravamento da hipertensão e a condição de saúde dos
indivíduos avaliados no estudo. As variáveis que acarretaram agravamento
significativo da hipertensão (p < 0,05) foram: consumo de bebida alcoólica, inatividade
física semanal, autoavaliação de saúde ruim ou péssima, presença de sintomas da
hipertensão, falta de medidor de pressão no domicílio, ausência de orientação
por um profissional graduado em saúde, ter ficado sem a medicação
anti-hipertensiva por mais de 30 dias, esquecimento da medicação, estar obeso,
ter realizado menos de duas consultas médicas por ano e não ter consultado um
cardiologista por um período de um ano.
Com base nos resultados obtidos para
os componentes principais, as 29 variáveis foram reduzidas em 11 Escores, que
explicam aproximadamente 57,63% de toda variação dos dados (Tabela 3). As
variáveis que obtiveram os maiores valores, independente do sentido, foram
agrupadas nesses escores. Assim, os escores foram formadas por pessoas:
·
Escore 1: não brancas, sem plano de saúde e sem
aparelho para aferir a pressão arterial em seus domicílios.
·
Escore 2: que não trabalhavam, não consumiam
alimentos ultraprocessados com regularidade (menos que 05 vezes ao dia), não
faziam uso de bebidas alcoólicas e apresentavam alguma limitação
física/orgânica.
·
Escore 3: sem diabetes, sem diagnóstico de
ansiedade e que não sofriam efeito colateral da medicação anti-hipertensiva
prescrita.
·
Escore 4: não consumiam regularmente feijão,
salada /legumes /vegetais/ fruta e suco de fruta natural (menos de 05 dias na
semana).
·
Escore 5: realizaram no mínimo duas consultas
médicas anuais e por aquelas que tiveram pelo menos uma consulta anual com o
cardiologista.
·
Escore 6: não faziam atividade física e
possuíam sintomas da hipertensão.
·
Escore 7: não fumavam, se auto avaliavam com
boa condição de saúde e que não tinham o diagnóstico de depressão.
·
Escore 8: não tinham moradia própria, recebiam
bolsa família e eram obesas (IMC >30 Kg/m²).
·
Escore 9: com antecedentes familiares de
doenças crônicas (Hipertensão, Diabetes, Acidente Vascular Cerebral, Câncer
e Problema cardíaco) e sugestivas de
obesidade visceral (CA acima do ponto de corte da OMS, homens < 102cm e
mulheres <88cm).
·
Escore 10: não receberam orientação sobre
cuidados com a hipertensão por um profissional graduado na área de saúde.
·
Escore 11: não ficaram sem medicamento nos
últimos 30 dias e por aquelas que não esqueciam de tomar o remédio
anti-hipertensivo.
Na Tabela 4, as pessoas não brancas,
sem plano de saúde e sem aparelho de medição de pressão arterial e componentes
do grupo 1(iletrados e ensino fundamental) apresentaram 337% mais chances de
elevação da pressão arterial em comparação com indivíduos de características
semelhantes, mas com maior escolaridade (grupo 2).
O consumo irregular de verduras,
frutas, sucos naturais e legumes resultou em um risco 152% maior de elevação da
pressão arterial, enquanto a falta de orientação profissional contribuiu com um
aumento de 161% no risco para o grupo1.
Os escores 3 e 7 atuaram como
fatores de proteção exclusivos para os indivíduos do grupo 1, enquanto o escore
2 foi um fator de proteção apenas para o grupo 2. Por outro lado, os escores 6
e 8 foram identificados como fatores de risco para ambos os níveis de
escolaridade, apresentando um risco 173% e 167% maiores, respectivamente, para
o grupo 1, e 147% e 210% para o grupo 2.
Discussão
Os dados desta pesquisa mostraram
que a baixa escolaridade esteve mais associada ao agravamento da hipertensão. A
relação entre escolaridade e cor de pele revelou que a proporção de pessoas
negras iletradas foi maior do que a de pessoas brancas iletradas (25% negras e
14% brancas). Em relação ao ensino superior, a maioria dos graduados
entrevistados era branca (60% brancas e 5% negras). Embora tenha havido uma
melhoria nesse cenário nas últimas décadas, já que em 1980 o número de
analfabetos negros e pardos era três vezes maior do que o de brancos,6 ainda existe uma forte associação entre baixa
escolaridade e cor de pele.
Entre todos os fatores relacionados
à hipertensão, a condição socioeconômica foi a que mais influenciou o
agravamento da doença em indivíduos com menos de nove anos de estudo. Essa
relação foi particularmente evidente quando analisamos aspectos como acesso à
saúde, educação, emprego e condições de moradia, que se interconectaram e
impactaram a qualidade de vida dessas pessoas. Nesse estudo, questões étnicas e
a falta de recursos financeiros também desempenharam um papel crucial,
dificultando tanto a adesão a planos de saúde quanto a aquisição de
equipamentos para monitoramento domiciliar da pressão arterial.
Além
disso, indivíduos de baixa condição socioeconômica enfrentam² barreiras
significativas para acessar serviços de saúde, o que inclui a dificuldade em
arcar com custos de consultas médicas, medicamentos e tratamentos essenciais
para o controle da hipertensão. A escassez de serviços de saúde em áreas
carentes, somada à falta de transporte adequado para se deslocar até centros de
saúde, contribuem para o agravamento dessa situação, evidenciando a necessidade
urgente de intervenções que melhorem o acesso e a qualidade dos serviços de
saúde para essa população vulnerável.
Cerca
de 66% dos analfabetos não possuíam um aparelho para medir a pressão arterial
domiciliar, em comparação com 25% das pessoas com ensino superior. Para estes
últimos, o esquecimento foi a principal justificativa. Para Gbemisola et al.7
a baixa escolaridade também está associada a menores oportunidades de emprego e
salários mais baixos, o que resulta em dificuldades financeiras e limitação nos
gastos com cuidados de saúde, tornando esses pacientes mais vulneráveis a
doenças cardiovasculares.
Quanto à adesão a planos de saúde
privados, nenhum hipertenso iletrado fez parte e apenas 2% (05 pessoas) de um
universo de 225 pessoas com ensino fundamental (completo ou incompleto),
possuíam plano de saúde, em contraste com 38% (48 pessoas) dos indivíduos com
ensino médio e 68% (28 pessoas) com ensino superior.
É importante ressaltar que a
mensalidade de um plano privado de saúde é uma realidade distante para a
maioria dos brasileiros. No Brasil, o sistema público de saúde, conhecido como
SUS, oferece acesso gratuito e universal à saúde para todos os cidadãos, abrangendo
cerca de 75% da população. No entanto, o atendimento nesse sistema é
predominantemente realizado por clínicos gerais, e consultas com cardiologistas
só são possíveis em casos de doença coronariana estabelecida, comorbidades
essenciais ou complicações secundárias. Conforme relatado por Faria-Neto et
al.,8 há demora na marcação de exames e consultas no SUS. Por outro
lado, no sistema privado, o paciente tem a liberdade de ir diretamente ao
especialista desejado, independentemente de seu estado de saúde, e há maior
agilidade na marcação de exames.
A baixa escolaridade também se
refletiu na falta do autocuidado no controle da pressão arterial. Conforme
Larki, Tahmasebi e Reisi,9 isso resulta em dificuldade para
compreender informações escritas sobre saúde, evitar comportamentos
prejudiciais ao corpo ou ler adequadamente uma prescrição médica.
Nenhum dos hipertensos entrevistados
com ensino médio ou superior buscou os agentes comunitários de saúde para
esclarecer suas dúvidas relacionadas à saúde. Esses profissionais foram
amplamente procurados por muitos entrevistados com baixa escolaridade, que se
sentiam envergonhados de admitir que não entendiam as orientações dos
profissionais de saúde de nível superior nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).
Conforme Cavalcante et al.,10 muitas vezes esses pacientes evitam
procurar as UBS, pois acreditam que os profissionais não teriam paciência para
repetir e explicar detalhadamente as informações já fornecidas.
Örsal et al.11 destacaram
o aumento dos problemas de saúde entre os usuários, especialmente os crônicos,
devido à falta de informação ou dificuldade de compreensão das informações
fornecidas durante as consultas no SUS. Dado que a maioria dos idosos
entrevistados não completou o ensino fundamental, é crucial que as equipes de
saúde melhorem a comunicação. É fundamental adotar uma abordagem eficaz na
promoção da saúde desses indivíduos para assegurar um acompanhamento adequado
do tratamento, mesmo na ausência do médico central, de acordo com Chehuen et
al.12
Esse aspecto ressalta a crucial
função do profissional de saúde em educar o paciente sobre saúde, abrangendo
informações, práticas e hábitos saudáveis. Estabelecer uma relação
médico-paciente positiva é fundamental,13 pois isso fortalece a
confiança do paciente para aderir às orientações fornecidas. Infelizmente,
indivíduos de baixa renda e com menor escolaridade frequentemente têm menos
acesso a informações sobre saúde, aumentando assim o risco de consequências
adversas para sua saúde.
O baixo consumo de leguminosas,
frutas e, especialmente, verduras foi um fator de risco para o agravamento da
pressão arterial entre indivíduos com baixa escolaridade. Chehuen et al.12
afirmam que isso é comum entre pessoas que ganham até um salário mínimo no
Brasil e enfrentam maiores desafios, devido à falta de recursos financeiros,
para manter uma dieta saudável e praticar atividades físicas.
Bezerra et al.14
observaram que indivíduos com baixa condição financeira tendem a consumir
alimentos ultra processados devido ao seu preço mais baixo e maior praticidade
no preparo. No entanto, esse tipo de alimentação contribui para um agravamento
da saúde, uma vez que esses alimentos possuem altos teores de carboidratos,
gorduras saturadas, açúcar e sódio, e baixos níveis de vitaminas e minerais.
Além disso, os alimentos ultra processados têm maior prazo de validade devido à
adição de aditivos em comparação com alimentos naturais ou minimamente
processados15.
No presente estudo, foi identificado
que a obesidade foi o principal fator de risco para os indivíduos com maior
grau de instrução, apresentando um risco significativamente maior em comparação
com pessoas com menor nível de escolaridade. Conforme argumentado por Connelly
et al.,16 uma alta taxa de Índice de Massa Corporal (IMC), indicando
obesidade clínica (IMC ≥30 kg/m2), está associada a um aumento
substancial no risco de acidente vascular cerebral total e isquêmico, sendo
essa associação ainda mais forte em mulheres do que em homens. Além disso,
Uthman et al.17 enfatizaram que a combinação de sobrepeso/obesidade
com hipertensão demonstra o efeito negativo do excesso de peso corporal na
prevalência e no agravamento da hipertensão.
A ausência de prática de exercícios
físicos impactou a todos, especialmente os hipertensos com baixa escolaridade.
Isso pode ser atribuído à falta de conhecimento sobre os benefícios de um
estilo de vida saudável, incluindo a prática regular de atividades físicas, e à
adoção de dietas pouco saudáveis, o que é particularmente difícil em
comunidades de baixa renda. Segundo Faria-Neto et al.,8 essa falta
de conscientização por parte dos pacientes pode ser atribuída à sua falta de
educação e às desigualdades sociais existentes.
A não utilização do tabaco foi um
fator de proteção destacado apenas para pessoas pouco instruídas. O tabagismo é
considerado um fator de risco para doenças cardiovasculares, pois leva à
constrição dos vasos sanguíneos coronários, tornando-os menos flexíveis.18
Embora o consumo de tabaco esteja se estabilizando e até diminuindo em alguns
países de alta renda, está aumentando em países de baixa e média renda, devido
ao elevado número de mortes relacionadas ao tabagismo. No século XX,
aproximadamente 100 milhões de mortes foram atribuídas ao tabaco, e a tendência
é que esse número alcance 1 bilhão no século XXI.19
Condições de saúde mental, como
ansiedade e depressão, podem agravar a hipertensão e reduzir a qualidade de
vida dos pacientes, influenciando a liberação do fator endotelial vascular e
aumentando a resistência vascular. O risco de hipertensão em pessoas com
ansiedade e preocupação prolongada é 1,18 vezes maior do que em pessoas sem
essas condições. 20
A presente pesquisa evidenciou que a
adesão regular à medicação teve um efeito protetor em todos os níveis
educacionais. No entanto, observou-se que o esquecimento da medicação aumentou
os riscos de agravamento da hipertensão,21 especialmente quando o
período de esquecimento foi prolongado. Os dados revelaram que 38% dos
analfabetos e 21% dos indivíduos com ensino superior relataram esquecer de
tomar a medicação em algum dia na semana. Nesse sentido, Cavalcante et al.10
destacaram a importância de verificar regularmente, em cada consulta, se os
pacientes compreenderam corretamente as orientações fornecidas e se estão
aderindo adequadamente ao tratamento conservador e medicamentoso.
Conclusão
A condição socioeconômica foi o
principal fator para o aumento da pressão arterial em indivíduos com baixa
escolaridade, seguido pelo estilo de vida. Para pessoas mais instruídas, a
obesidade e a falta de atividade física regular foram os principais fatores de
risco. A falta de orientação adequada dos profissionais de saúde agrava a
hipertensão, especialmente entre os menos escolarizados. Destaca-se a
importância de uma relação médico-paciente eficaz para melhorar o cuidado das
populações menos instruídas no SUS, promovendo confiança e melhores condições
de saúde.
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|
Tabela-1-
Características Sociodemográficas de pessoas hipertensas entrevistadas entre
novembro de 2022 a novembro de 2023 no Município de Propriá, Brasil. |
||
|
Características |
N
(%) |
% a |
|
Sexo |
||
|
Masculino |
176 (50,3) |
50,3 |
|
Feminino |
174 (49,7) |
100 |
|
Raça/Cor
da pele |
||
|
Branca |
110(31,4) |
31,4 |
|
Parda |
187(53,5) |
84,9 |
|
Preto |
53(15,1) |
100 |
|
Escolaridade |
||
|
Analfabeto |
49 (14) |
14 |
|
Ensino Fundamental
Incompleto |
122 (34,9) |
48,9 |
|
Ensino Fundamental
Completo |
36 (10,3) |
59,1 |
|
Ensino Médio Incompleto |
14 (4) |
63,1 |
|
Ensino Médio Completo |
81 (23,1) |
86,3 |
|
Ensino Superior
Incompleto |
7 (2) |
88,3 |
|
Ensino Superior
|
41 (11,7) |
100 |
|
Faixa
Etária |
||
|
20 a 50 anos |
100 (28,6) |
28,6 |
|
51 a 69 anos |
195 (55,7) |
84,3 |
|
70 a 100 anos |
55 (15,7) |
100 |
|
Local |
||
|
Área Rural |
80 (22,9) |
22,9 |
|
Área Urbana
|
270 ( 77,1) |
100 |
|
Plano de
Saúde |
||
|
Não |
297 (84,9) |
84,9 |
|
Sim |
53 (15,1) |
100 |
|
Gastos
com saúde |
||
|
Sim |
134 (38,3) |
38,3 |
|
Não |
216 (61,7) |
100 |
a)
Frequência
relativa acumulada
Tabela 2- Relação de Prevalência entre
variáveis do estilo de vida e condição de saúde com o agravamento da PA entre
hipertensos entrevistados no Município de Propriá, Brasil (nov. 2022/ nov.
2023).
a) RP 95% = razão de prevalência no intervalo
de 95% de confiança
|
Variável/Categoria |
Agravamento |
RP 95% a |
P-valor |
||||||||
|
Sim |
Não |
|
|||||||||
|
Bebida
alcoólica |
|
|
|||||||||
|
Sim |
48
(36,4) |
84
(63,6) |
1,5
(1,1; 2,1) |
0,010 |
|
||||||
|
Não |
52
(23,9) |
166
(76,1) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Cigarro/
Fumo |
|
||||||||||
|
Sim |
13
(35,1) |
24
(64,9) |
1,3
(0,8; 2) |
0,450 |
|
||||||
|
Não |
87
(27,8) |
226
(72,2) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Atividade
Física |
|
||||||||||
|
Não |
70
(34,3) |
134
(65,7) |
1,7
(1,2; 2,4) |
0,007 |
|
||||||
|
Sim |
30
(20,5) |
116
(79,5) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Saúde
(Regular ou Boa) |
|
||||||||||
|
Não |
29
(44,6) |
36
(55,4) |
1,8
(1,3; 2,5) |
0,003 |
|
||||||
|
Sim |
71 (24,9) |
214
(75,1) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Diabetes |
|
||||||||||
|
Sim |
43
(33,9) |
84
(66,1) |
1,3 (1;
1,8) |
0,126 |
|
||||||
|
Não |
57
(25,6) |
166
(74,4) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Sintomas
Hipertensão |
|
||||||||||
|
Sim |
39
(39,4) |
60
(60,6) |
1,6
(1,2; 2,2) |
0,001 |
|
||||||
|
Não |
61
(24,3) |
190
(75,7) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Aparelho |
|
||||||||||
|
Não |
66
(34,6) |
125
(65,4) |
1,6
(1,1; 2,3) |
0,001 |
|
||||||
|
Sim |
34
(21,4) |
125
(78,6) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Antecedentes
Familiares |
|
||||||||||
|
Sim |
80
(28,1) |
205
(71,9) |
0,9
(0,6; 1,4) |
0,770 |
|
||||||
|
Não |
20
(30,8) |
45
(69,2) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Orientação
Prof. Saúde |
|
||||||||||
|
Não |
35
(37,6) |
58
(62,4) |
1,5
(1,1; 2,1) |
0,030 |
|
||||||
|
Sim |
65
(25,3) |
192
(74,7) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Ficou
sem Medicamentos |
|
||||||||||
|
Sim |
15 (50) |
15 (50) |
1,9
(1,3; 2,8) |
0,010 |
|
||||||
|
Não |
85
(26,6) |
235
(73,4) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Efeito
Colateral |
|
||||||||||
|
Sim |
16
(43,2) |
21 (56,8) |
1,6
(1,1; 2,4) |
0,050 |
|
||||||
|
Não |
84
(26,8) |
229
(73,2) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Esquecimento
(Medicamento) |
|
||||||||||
|
Sim |
53
(37,9) |
87
(62,1) |
1,7
(1,2; 2,4) |
0,001 |
|
||||||
|
Não |
47
(22,4) |
163
(77,6) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Obesidade
(IMC>30kg/m²) |
|
||||||||||
|
Sim |
57
(35,8) |
102
(64,2) |
1,6
(1,1; 2,2) |
0,001 |
|
||||||
|
Não |
43
(22,5) |
148
(77,5) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Consultas
Médicas (2 ou mais) |
|
||||||||||
|
Não |
35
(45,5) |
42
(54,5) |
1,9
(1,4; 2,6) |
0,001 |
|
||||||
|
Sim |
65
(23,8) |
208
(76,2) |
1 (ref) |
|
|||||||
|
Cardiologista
(1 ou mais) |
|
||||||||||
|
Não |
72
(32,9) |
147
(67,1) |
1,5 (1,1;
2,2) |
0,020 |
|
||||||
|
Sim |
28
(21,4) |
103
(78,6) |
1 (ref) |
|
|
||||||
Tabela 3- Análise de Componentes Principais ajustadas a Escolaridade
entre hipertensos entrevistados de Propriá, Brasil (Nov.2022/ Nov.2023).
|
Variável |
Score 1 |
Score 2 |
Score 3 |
Score 4 |
Score 5 |
Score 6 |
Score 7 |
Score 8 |
Score 9 |
Score 10 |
Score 11 |
|
Feijão (5 dias ou mais) |
0,10 |
0,21 |
0,24 |
-0,43 |
-0,34 |
0,10 |
-0,04 |
-0,25 |
0,16 |
-0,26 |
-0,13 |
|
Salada (5 dias ou mais) |
-0,24 |
-0,08 |
0,22 |
-0,53 |
0,17 |
-0,16 |
0,09 |
-0,04 |
0,06 |
0,00 |
0,07 |
|
Fruta (5 dias ou mais) |
-0,29 |
0,09 |
0,07 |
-0,59 |
0,21 |
0,03 |
0,12 |
-0,09 |
-0,14 |
0,07 |
0,09 |
|
Suco (5 dias ou mais) |
0,10 |
-0,07 |
-0,22 |
-0,72 |
-0,10 |
-0,06 |
-0,15 |
0,03 |
0,02 |
-0,07 |
0,02 |
|
Ultraprocessados (≥5 porções) |
0,10 |
-0,38 |
0,18 |
0,28 |
-0,07 |
-0,03 |
-0,32 |
-0,05 |
0,28 |
-0,27 |
-0,01 |
|
Bebida alcoólica |
-0,01 |
-0,71 |
-0,01 |
0,05 |
-0,11 |
-0,06 |
-0,05 |
0,01 |
0,11 |
0,14 |
-0,06 |
|
Cigarro |
0,29 |
-0,25 |
0,13 |
-0,10 |
-0,08 |
-0,11 |
-0,60 |
-0,20 |
-0,19 |
0,04 |
-0,05 |
|
Atividade Física |
-0,31 |
-0,11 |
0,13 |
-0,03 |
0,00 |
-0,66 |
0,01 |
-0,01 |
0,07 |
-0,11 |
-0,06 |
|
Limitação Física |
0,09 |
0,52 |
-0,11 |
0,02 |
0,05 |
0,43 |
-0,29 |
-0,01 |
0,13 |
0,08 |
0,08 |
|
Saúde (Satisfatória) |
-0,03 |
-0,12 |
0,21 |
-0,01 |
0,06 |
-0,21 |
0,66 |
-0,12 |
0,02 |
-0,03 |
0,03 |
|
Diabetes |
-0,14 |
0,26 |
-0,54 |
0,00 |
-0,28 |
0,22 |
-0,04 |
0,11 |
-0,10 |
-0,19 |
-0,01 |
|
Depressão |
-0,17 |
0,17 |
-0,03 |
0,03 |
0,17 |
0,10 |
-0,57 |
0,13 |
0,06 |
0,02 |
-0,07 |
|
Ansiedade |
-0,09 |
0,01 |
-0,36 |
-0,14 |
0,31 |
0,07 |
-0,20 |
0,20 |
0,24 |
0,05 |
-0,27 |
|
Sintomas da Hipertensão |
0,00 |
-0,09 |
0,07 |
0,11 |
0,08 |
0,63 |
-0,20 |
-0,06 |
0,00 |
0,03 |
-0,25 |
|
Aparelho de Pressão |
-0,60 |
-0,19 |
-0,20 |
-0,30 |
0,08 |
-0,05 |
-0,06 |
-0,07 |
0,04 |
-0,10 |
0,16 |
|
Orientação de Saúde |
-0,06 |
0,06 |
0,00 |
-0,05 |
0,18 |
-0,11 |
0,07 |
0,01 |
-0,02 |
-0,82 |
0,06 |
|
Esquecimento da Medicação |
0,10 |
-0,20 |
0,05 |
0,03 |
-0,06 |
0,08 |
0,06 |
-0,07 |
0,03 |
0,35 |
-0,62 |
|
Ficou sem medicamentos |
0,04 |
0,01 |
-0,10 |
0,07 |
-0,04 |
0,05 |
-0,13 |
0,03 |
-0,03 |
-0,10 |
-0,72 |
|
Efeito Colateral |
0,09 |
0,05 |
-0,78 |
0,03 |
0,08 |
-0,05 |
-0,06 |
-0,07 |
0,03 |
0,07 |
-0,06 |
|
Circunferência Abdominal |
0,19 |
-0,10 |
0,08 |
-0,02 |
0,06 |
-0,12 |
0,03 |
0,01 |
0,65 |
0,16 |
0,29 |
|
Obesidade (IMC>30) |
-0,10 |
-0,11 |
0,02 |
-0,09 |
-0,04 |
0,38 |
0,03 |
0,62 |
-0,08 |
-0,19 |
-0,01 |
|
Antecedentes Familiares |
0,19 |
-0,12 |
-0,07 |
0,02 |
-0,02 |
0,04 |
0,04 |
-0,03 |
0,67 |
-0,10 |
-0,18 |
|
Cardiologista |
-0,22 |
0,11 |
0,01 |
0,06 |
0,69 |
0,06 |
0,07 |
-0,15 |
0,02 |
-0,15 |
-0,04 |
|
Consultas Médicas (≥2) |
0,10 |
0,04 |
0,00 |
-0,14 |
0,72 |
0,02 |
-0,10 |
0,07 |
0,00 |
-0,07 |
0,11 |
|
Cor de Pele (Branca) |
-0,66 |
0,20 |
0,27 |
0,07 |
-0,10 |
-0,14 |
-0,01 |
0,10 |
0,17 |
0,13 |
0,00 |
|
Trabalha |
-0,18 |
-0,63 |
0,14 |
-0,14 |
0,02 |
0,16 |
0,18 |
0,12 |
0,16 |
-0,01 |
-0,01 |
|
Moradia (Própria) |
-0,04 |
0,08 |
-0,01 |
-0,12 |
-0,01 |
0,16 |
0,19 |
-0,64 |
0,01 |
-0,09 |
-0,10 |
|
Bolsa Família |
0,35 |
0,21 |
-0,04 |
0,07 |
-0,05 |
-0,14 |
0,12 |
0,54 |
0,09 |
0,02 |
-0,34 |
|
Plano de Saúde |
-0,69 |
-0,18 |
-0,03 |
-0,09 |
0,19 |
-0,15 |
0,05 |
-0,09 |
-0,11 |
-0,12 |
0,00 |
*Apenas os maiores
valores para cada variável foram considerados nesse estudo. Esses valores foram
descritos em negrito.
** Os valores ( - )
menos significam uma negação. Por
exemplo: não fumam, não tem medicamentos, não são brancos....
*** Cada score foi
definido pela distribuição das variáveis com o mais alto valor (negrito).
Assim, o score 1 ficou definido como: Quem não tem aparelho de pressão em casa,
quem não trabalha e quem não tem plano de saúde.
Tabela 4: Modelo de Regressão Logística Multinomial sobre fatores de
risco para agravo hipertensivo entre hipertensos com diferentes níveis de
escolaridade entrevistados (nov. 2022 / nov. 2023) no Município de
Propriá-Brasil.
|
Variável |
Grupo 1 - OR 95% |
P-valor |
Grupo 2 - OR 95% |
P-valor |
|
Score 1 |
3.37 (2.06-5.51) |
0,001 |
1.05 (0.71-1.56) |
0,790 |
|
Score 2 |
1.01 (0.72-1.41) |
0,961 |
0.48 (0.33-0.71) |
0,010 |
|
Score 3 |
0.68 (0.51-0.92) |
0,013 |
0.71 (0.49-1.03) |
0,072 |
|
Score 4 |
1.52 (1.1-2.11) |
0,012 |
1.25 (0.86-1.82) |
0,248 |
|
Score 5 |
0.51 (0.36-0.72) |
0,001 |
0.59 (0.4-0.86) |
0,007 |
|
Score 6 |
1.73 (1.22-2.46) |
0,002 |
1.47 (1.01-2.14) |
0,044 |
|
Score 7 |
0.75 (0.56-1) |
0,048 |
0.85 (0.59-1.23) |
0,393 |
|
Score 8 |
1.67 (1.24-2.27) |
0,001 |
2.1 (1.4-3.16) |
0,010 |
|
Score 9 |
1.15 (0.84-1.56) |
0,384 |
1.24 (0.82-1.86) |
0,308 |
|
Score 10 |
1.61 (1.19-2.17) |
0,002 |
0.71 (0.47-1.06) |
0,097 |
|
Score 11 |
0.7 (0.52-0.93) |
0,016 |
0.71 (0.5-1) |
0,050 |
|
. |