IMPLANTAÇÃO DO CURSO DE EMERGÊNCIAS PRÉ-HOSPITALARES PARA ESTUDANTES DE MEDICINA
IMPLANTATION PREHOSPITAL EMERGENCY COURSE FOR STUDENTS AND HEALTHCARE PROFESSIONALS
IMPLANTACIÓN DEL CURSO DE EMERGENCIAS PREHOSPITALARIAS PARA ESTUDIANTES DE MEDICINA
Autores
Roselma Marcele da Silva Alexandre Kawakami - Mestre em Enfermagem. Especialista em Vigilância em Saúde. Especialista em Auditoria dos Serviços de Saúde. Professora de Ensino Superior do Centro Universitário UNIVAG no curso de medicina. ORCID: 0000-0001-5581-8115
Beatriz Sampaio dos Santos - Acadêmica de Medicina do Centro Universitário - UNIVAG. ORCID: 0009-0001-5979-4154
Ana Carolina Lemanski - Acadêmica de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG. ORCID:0009-0007-3377-8694
Eduardo dos Santos Alvares Ferreira - Acadêmico de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG. ORCID: 0009-0002-5411-9229
Gabriela Regina Biasi - Acadêmica de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG. ORCID: 0009-0002-4351-0978
Vitória Mosa Pulchério - Acadêmica de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG . ORCID: 0009-0004-9715-2461
Mateus Correia Lima de Faria Araujo - Acadêmico de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG . ORCID:0009-0007-0314-9600
Luiz Otavio Santos Amaral - Acadêmico de Medicina do Centro Universitário – UNIVAG. ORCID:0009-0008-2143-6715
RESUMO
Objetivo: Relatar a experiência dos acadêmicos de medicina na implantação do curso de práticas pré-hospitalares em uma Universidade de Medicina. Método: Trata-se de um relato de experiência descritivo do curso realizado por acadêmicos de medicina com aulas teóricas e práticas sobre temas de emergências pré-hospitalares. Resultado: O curso de Emergências Pré-hospitalares (CEMEPH) teve 40 participantes, incluindo 39 estudantes de medicina e uma socorrista do SAMU. A avaliação demonstrou uma melhoria significativa no conhecimento dos participantes, com a maioria migrando dos níveis iniciais (graus 1 e 2) para os níveis avançados (graus 4 e 5) em áreas como RCP e extricação veicular. Conclusão: Esse relato demonstra através de cenários simulados, que o curso aproximou os alunos da realidade, melhorando significativamente seus conhecimentos. A eficácia do curso foi comprovada pelo aprimoramento demonstrado nos formulários de entrada e saída, destacando a importância da contínua atualização e capacitação técnica.
DESCRITORES: Curso de emergências pré-hospitalares; Suporte Básico de Vida; Medicina.
ABSTRACT
Objective: To report on the experience of medical students in implementing a course in pre-hospital practices at a medical university. Method: This is a descriptive experience report on the course taken by medical students with theoretical and practical lessons on pre-hospital emergency issues. Results: The Pre-Hospital Emergencies course (CEMEPH) had 40 participants, including 39 medical students and a SAMU first-aider. The evaluation showed a significant improvement in the participants' knowledge, with the majority moving from initial levels (grades 1 and 2) to advanced levels (grades 4 and 5) in areas such as CPR and vehicle extrication. Conclusion: This report shows that the course brought students closer to reality through simulated scenarios, significantly improving their knowledge. The effectiveness of the course was proven by the improvement shown in the entry and exit forms, highlighting the importance of continuous updating and technical training.
KEYWORDS: Pre-hospital emergency course; Basic life support; Medicine.
RESUMEN
Objetivo: Informar sobre la experiencia de estudiantes de medicina en la realización de un curso sobre prácticas prehospitalarias en una universidad de medicina. Método: Se trata de un informe descriptivo de la experiencia de un curso impartido por estudiantes de medicina con clases teóricas y prácticas sobre emergencias prehospitalarias. Resultados: El curso de emergencias prehospitalarias (CEMEPH) contó con 40 participantes, entre ellos 39 estudiantes de medicina y un socorrista del SAMU. La evaluación mostró una mejora significativa de los conocimientos de los participantes, que en su mayoría pasaron de niveles iniciales (grados 1 y 2) a niveles avanzados (grados 4 y 5) en áreas como la reanimación cardiopulmonar y la extracción de vehículos. Conclusión: Este informe demuestra que el curso acercó a los alumnos a la realidad a través de escenarios simulados, mejorando significativamente sus conocimientos. La eficacia del curso quedó demostrada por la mejora mostrada en los formularios de entrada y salida, enfatizando la importancia de la actualización continua y la formación técnica.
PALABRAS CLAVE: Curso de emergencias prehospitalarias; Soporte vital básico; Medicina.
Recebido: 31/07/2024 Aprovado: 20/08/2024
Tipo de artigo: Relato de Experiência
INTRODUÇÃO
O atendimento pré-hospitalar envolve um conjunto de ações coordenadas realizadas por profissionais capacitados, antes da chegada ao centro de referência. A qualificação da equipe é fundamental para determinar o desfecho do paciente, já que emergências requerem cuidados imediatos, especializados e específicos. Diante do risco iminente para o paciente, a eficácia no atendimento torna-se essencial. (1)
Nesse contexto, o serviço de Atendimento Pré-Hospitalar (APH) é caracterizado pela assistência prestada aos pacientes em situações de urgência no local do evento. Com o avanço das novas tecnologias e pesquisas na área, o APH tem evoluído e se aprimorado, visando salvar vidas e melhorar o prognóstico dos pacientes que recebem cuidados. Este aprimoramento contínuo garante que os profissionais estejam sempre preparados para enfrentar os mais diversos tipos de emergências. Além disso, a incorporação de novas práticas e equipamentos permite um atendimento mais eficiente e eficaz, reduzindo os riscos e aumentando as chances de recuperação dos pacientes. (2)
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) faz parte da rede de cuidados de urgências e emergências e tem como objetivo organizar o fluxo de atendimento, proporcionando um atendimento rápido, adequado e eficiente às pessoas afetadas por problemas de saúde, sejam eles clínicos, cirúrgicos, gineco-obstétricos, traumáticos ou psiquiátricos. Para isso, o Samu disponibiliza veículos tripulados por equipes treinadas, que podem ser acionadas pelo número 192 através da Central de Regulação das Urgências. Este serviço é normatizado pela Portaria MS/GM nº 1.010, de 21 de maio de 2012, e tem um papel fundamental na redução da morbidade e mortalidade. (3)
A qualidade técnica e o aperfeiçoamento dos profissionais de saúde apresentam papel decisivo no desfecho de um paciente, seja ele politraumatizado, vítima de queimadura grave ou de parada cardiorrespiratória. Os cursos de APH oferecem aos profissionais conhecimento teóricos e práticos essenciais para lidar com emergências, desde técnicas de reanimação cardiopulmonar (RCP) até o manejo de traumas e condições clínicas agudas, o que possibilita maior segurança e competência aos profissionais. (4)
Nessa perspectiva, em que a atualização constante é necessária para garantir o alinhamento e a padronização dos procedimentos realizados pela equipe, é fundamental que haja cursos voltados para a preparação desses profissionais. Tais cursos devem assegurar que as práticas estejam em conformidade com os protocolos estabelecidos. Um curso qualificado contribui para a maior eficácia do atendimento e minimiza os riscos de erros, aumentando a segurança tanto dos profissionais quanto dos pacientes. Portanto, este estudo tem como objetivo relatar a experiência dos acadêmicos de medicina com a implantação do Curso de Emergências Pré-Hospitalares em uma universidade de medicina.
MÉTODO
Trata-se de um relato de experiência descritivo sobre a implantação do Curso de Emergências Pré-hospitalares (CEMEPH) realizado por acadêmicos de medicina da Liga Acadêmica de Atendimento Pré-Hospitalar (LAAPH), do curso de medicina de uma instituição privada da cidade de Várzea-Grande MT, que ocorreu nos dias 24 e 25 de maio do ano de 2024, com carga horária de 12 horas. Foram disponibilizadas quarenta vagas para estudantes do primeiro ao décimo segundo semestre do curso de medicina, bem como aos profissionais da saúde com interesse na área. As inscrições para participação do curso foram no valor de sessenta reais, sua abertura e divulgação ocorreram trinta dias antecedentes ao evento.
O curso objetivou a capacitação dos membros da liga e outros estudantes interessados, oferecendo treinamento prático e teórico para atendimento pré-hospitalar em emergências, como acidentes automobilísticos, quedas e traumas. Foi dada prioridade aos estudantes a partir do segundo semestre, por já possuírem conhecimento básico em Suporte Básico de Vida (SBV) e Suporte Avançado de Vida (SAV), permitindo melhor aproveitamento do curso.
O curso de extensão foi realizado em duas etapas, uma teórica e outra prática, com a abordagem dos seguintes temas: extricação veicular rápida, suporte básico e avançado de vida, avaliação primária e controle de hemorragias.
No primeiro dia, as atividades se concentraram em aulas teóricas ministradas por professores especialistas, que fizeram uso de material referenciado e relatos de experiências próprias em Atendimento Pré-Hospitalar (APH). Essas aulas forneceram uma base teórica sólida para as atividades práticas desenvolvidas no dia seguinte.
No segundo dia, os alunos foram divididos em seis grupos e participaram de atividades práticas organizadas em dois períodos: das 8h às 9h30 e das 10h às 11h30. As estações práticas incluíram: extricação veicular (Estação A), protocolo XABCDE do trauma e manejo de choque hipovolêmico (Estação B), e RCP dentro de uma ambulância fornecida pelo SAMU (Estação C). Cada grupo passou 30 minutos em cada estação, supervisionados pelos professores das aulas teóricas. Foram utilizados bonecos anatômicos e alunos-atores da LAAPH para simular cenários realistas, incluindo um carro para a estação de extricação veicular.
Para avaliar o conhecimento prévio e o aprendizado adquirido durante o curso, os participantes preencheram um formulário antes do início das aulas teóricas e outro ao final das práticas. O formulário foi desenvolvido pelos integrantes da diretoria científica da liga, em que as respostas variam do grau 1 ao grau 5, assim, quanto menor o grau, menor o conhecimento, e quanto maior o grau maior o conhecimento sobre os temas. As mesmas perguntas foram repetidas no formulário final, preenchido pelos participantes ao término do curso, para mensurar o ganho de conhecimento.
Sendo assim, o projeto foi desenvolvido a partir das seguintes etapas:
Devido à natureza metodológica dispensa-se a aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa de acordo com a resolução nº 510/2016 do Conselho Nacional de Saúde.
RESULTADO
O curso contou com a participação de 40 pessoas, sendo todos os inscritos estudantes de medicina. A maioria dos participantes eram mulheres (29), enquanto os homens eram 10 e 1 socorrista. A distribuição dos alunos entre os semestres foi desigual: 5 do primeiro semestre, 1 do segundo, 11 do terceiro, 10 do quarto, 6 do quinto, 3 do oitavo e 3 do décimo segundo. Não houve participantes dos sétimo, nono, décimo e décimo primeiro semestres. Essa distribuição desigual pode refletir variações na disponibilidade ou no interesse dos alunos em diferentes estágios da formação médica.
Formulários foram elaborados para serem preenchidos pelos participantes no início, antes das aulas teóricas, e ao final das aulas práticas. O objetivo era comparar o conhecimento prévio dos participantes com o conhecimento adquirido após participação no evento. O quadro abaixo ilustra as perguntas e respostas obtidas através dos formulários, porém não houve adesão de todos os participantes:
Quadro 1: Formulário inicial sobre o conhecimento prévio dos estudantes de medicina em relação as emergências pré-hospitalares, 2024.
Formulário inicial | Grau 1 | Grau 2 | Grau 3 | Grau 4 | Grau 5 | Total* |
Como você avalia seu grau de conhecimento sobre os sinais de uma parada cardiorrespiratória? | 6 | 5 | 13 | 9 | 1 | 34 |
Como você avalia seu grau de conhecimento acerca das técnicas de compressões torácicas em uma ressuscitação cardiopulmonar? | 7 | 3 | 9 | 14 | 1 | 34 |
Como você avalia seu grau de conhecimento acerca das técnicas de extricação veicular? | 21 | 8 | 4 | 1 | 0 | 34 |
Como você avalia seu grau de conhecimento acerca dos passos a serem seguidos no atendimento inicial ao politraumatizado? | 7 | 9 | 11 | 6 | 0 | 34 |
Como você avaliza seu grau de conhecimento acerca dos cuidados imediatos recomendados para pacientes em choque hipovolêmico? | 13 | 9 | 9 | 4 | 0 | 34 |
Como você avalia seu grau de conhecimento acerca dos cuidados imediatos recomendados para pacientes em choque hipovolêmico? | 17 | 6 | 7 | 4 | 0 | 34 |
*Total de integrantes do curso que responderam às perguntas do formulário
Fonte: Própria dos autores, 2024.
Quadro 2: Formulário final sobre o conhecimento dos estudantes de medicina em relação as emergências pré-hospitalares após a participação no curso, 2024.
Formulário final | Grau 1 | Grau 2 | Grau 3 | Grau 4 | Grau 5 | Total* |
Após o CEMEPH, como você avalia seu grau de conhecimento sobre os sinais de uma parada cardiorrespiratória? | 0 | 0 | 1 | 8 | 18 | 27 |
Após o CEMEPH, como você avalia seu grau de conhecimento acerca das técnicas de compressões torácicas em uma ressuscitação cardiopulmonar? | 0 | 0 | 2 | 6 | 19 | 27 |
Após o CEMEPH, como você avalia seu grau de conhecimento acerca das técnicas de extricação veicular? | 0 | 1 | 5 | 12 | 9 | 27 |
Após o CEMEPH, como você avalia seu grau de conhecimento acerca dos passos a serem seguidos no atendimento inicial ao politraumatizado? | 0 | 0 | 3 | 9 | 15 | 27 |
Após o CEMEPH, como você avaliza seu grau de conhecimento acerca dos cuidados imediatos recomendados para pacientes em choque hipovolêmico? | 0 | 0 | 2 | 13 | 12 | 27 |
Após o CEMEPH, como você avalia seu grau de conhecimento acerca dos cuidados imediatos recomendados para pacientes em choque hipovolêmico? | 0 | 0 | 1 | 11 | 14 | 27 |
*total de integrantes do curso que responderam às perguntas do formulário
Fonte: Própria dos autores, 2024.
Os resultados quantitativos dos formulários de avaliação mostraram uma melhora significativa no conhecimento dos participantes após o curso. No pré-teste, muitos classificaram seus conhecimentos nos níveis mais baixos, como grau 1 e 2 em várias áreas, incluindo sinais de parada cardiorrespiratória, técnicas de ressuscitação cardiopulmonar, extricação veicular, atendimento inicial ao politraumatizado e cuidados com pacientes em choque hipovolêmico.
Na avaliação de conhecimento sobre sinais de parada cardiorrespiratória (PCR), 11 participantes estavam nos graus 1 e 2 antes do curso. Após o curso, nenhum dos participantes permaneceu nesses níveis, com a maioria (18 participantes) alcançando o grau 5. Resultados semelhantes foram observados em outras áreas, demonstrando uma notável migração dos níveis de conhecimento mais baixos para os mais altos.
A pergunta sobre técnicas de extricação veicular ilustra uma mudança significativa no conhecimento dos participantes. No pré-teste, 29 participantes se classificaram nos graus 1 e 2. No pós-teste, todos os participantes se classificaram a partir do grau 3, com 21 deles nos graus 4 e 5. Isso demonstra uma forte assimilação dos conhecimentos e habilidades práticas ensinadas durante o curso.
Essa análise revela que o evento foi altamente eficaz em elevar o conhecimento dos participantes, especialmente em técnicas específicas e práticas de atendimento pré-hospitalar. O aumento nos níveis de autoconfiança e competência em áreas cruciais, como sinais de parada cardiorrespiratória, técnicas de ressuscitação cardiopulmonar, extricação veicular, atendimento inicial ao politraumatizado e cuidados com pacientes em choque hipovolêmico, destaca a eficácia do treinamento oferecido.
Os feedbacks qualitativos reforçam esses achados quantitativos. Oito participantes elogiaram a organização do curso e expressaram desejo por futuras edições, destacando a experiência como enriquecedora e única. Comentários positivos também foram recebidos pessoalmente pelos organizadores, indicando uma percepção geral de que o curso proporcionou uma oportunidade valiosa para aprendizado e prática de habilidades essenciais.
O uso de bonecos anatômicos e a participação de alunos-atores foram elementos essenciais para o sucesso das simulações práticas, permitindo aos participantes aplicar o conhecimento teórico em cenários próximos à realidade. A utilização de uma ambulância e um veículo real para a prática de extricação também foram destacadas como componentes que aumentaram a imersão e a eficácia do treinamento. Esses recursos práticos não apenas facilitaram o aprendizado, mas também ajudaram a construir confiança nos participantes para atuar em situações reais de emergência.
Em termos de logística e administração, o curso transcorreu sem problemas significativos. A colaboração entre professores, organizadores e participantes foi eficiente, e todos os envolvidos mostraram-se comprometidos com o sucesso do evento. Essa cooperação foi essencial para que o curso ocorresse conforme planejado, garantindo uma experiência de aprendizado rica e sem interrupções.
DISCUSSÃO
A realização do Curso de Emergências Pré-Hospitalares (CEMEPH) para estudantes do primeiro ao décimo segundo semestre dessa universidade de medicina impactou positivamente na construção e aprimoramento de seus conhecimentos acerca do tema, o que irá auxiliar significativamente na qualidade e eficiência do atendimento desses futuros profissionais.
Estudos revelam que os acadêmicos possuem, no geral, pouca preparação e segurança na realização de um Atendimento Pré-Hospitalar (APH), algo essencial para a formação médica. Um estudo observacional descritivo para avaliação do entendimento dos estudantes acerca do tema foi realizado no Centro Universitário IMEPAC da cidade de Itaguari, em Minas Gerais, com cerca de 277 acadêmicos. Essa pesquisa revela que, apesar da maioria dos alunos ter conhecimento significativo acerca do manejo em situações de urgência e emergência, apenas 85 (30,69%) afirmam estarem preparados para lidar com atendimento à vítima frente a uma situação de pressão. (5) Isso mostra a necessidade do maior contato dos estudantes com aulas teóricas e práticas sobre o assunto a fim de, não só construir conhecimento, mas como também adquirir confiança e segurança na própria atuação.
A proposta de apresentar o conteúdo repetidas vezes de forma diferenciada apresenta indícios de ser um fator importante na consolidação do conhecimento médico. Isso vem de encontro ao estudo exploratório, descritivo e transversal, com participação de 245 acadêmicos do Curso de Medicina da Universidade Estadual do Pará, em uma pesquisa que visava avaliar o conhecimento dos estudantes de medicina sobre SBV, após repetidas aulas espaçadas ao longo do curso médico. Nesse estudo pode-se observar que o número de estudantes que se sentiram seguros para atender situações de emergência teve um aumento expressivo, de forma gradativa, após cada reexposição ao conteúdo (6). Diante disso, embora os feebacks do CEMEPH tenham sido positivos, uma única edição pode não ser suficiente para suprir todas as dúvidas dos alunos, sendo necessário a reexposição do estudante ao conteúdo em outros momentos, para se obter resultados mais duradouros.
Vale ressaltar também que o correto ensinamento e execução das manobras envolvidas no Suporte Básico de Vida são essenciais para a minimização de sequelas do paciente, aumento da sobrevida e garantindo a estabilização de suas funções vitais até a chegada dos cuidados avançados. A importância dessa intervenção inicial é descrita em uma revisão literária publicada pelo Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, pesquisa na qual os autores elucidam que as chances de sobrevivência de um paciente em parada cardiorespiratória aumentam significativamente com a realização, de maneira adequada, das compressão torácicas, ou seja , de modo que minimize a quantidade de interrupções, estabeleça frequência e profundidade adequadas, permita o retorno total do tórax e que evite hiperventilação, estabelecendo assim um fluxo sanguíneo normal da maneira mais rápida possível e minimizando o acometimento de danos neurológicos.(7)
CONCLUSÃO
O Curso de Emergências Pré-Hospitalares organizado pela LAAPH demonstrou ser uma valiosa iniciativa educacional, proporcionando aos estudantes de medicina uma experiência impactante com ênfase na formação acadêmica nessa modalidade de atendimento de urgência. Através da combinação de aulas teóricas e estações práticas, o curso abordou temas de extrema relevância para a abordagem pré-hospitalar.
A participação ativa de estudantes tanto na organização do evento quanto na sua realização como ouvinte foi enriquecida pela presença de profissionais atuantes em atendimento pré-hospitalar, que puderam repassar, além do conteúdo técnico atualizado e baseado em evidências, conselhos e experiências reais de quem está habituado a agir nesse tipo de situação.
Embora a grande limitação de um curso de capacitação acadêmica nesse molde seja a impossibilidade alcançar a mesma curva de aprendizagem que situações reais de um profissional da saúde, o curso contou com cenários simulados que permitiram um aprendizado dinâmico com o intuito de aproximar o máximo possível da realidade, contribuindo assim para o desenvolvimento de competências necessárias para agir em situações adversas.
A comparação entre o formulário de entrada e saída do evento indicou um aprimoramento significativo nos conhecimentos dos participantes, evidenciando a eficácia do curso e cumprindo assim com o objetivo principal da liga acadêmica. A contínua atualização e a capacitação técnica são fundamentais para assegurar que os futuros profissionais de saúde estejam preparados para enfrentar os desafios do atendimento pré-hospitalar, e iniciativas como o CEMEPH são relevantes para atingir esse objetivo.
REFERÊNCIAS
1. Bertanha L. Atendimento Pré-Hospitalar: a importância da qualificação dos profissionais de saúde. Rease [Internet]. 2022 [citado 2024 jul 23];8(1):75-88. Disponível em: https://periodicorease.pro.br/rease/article/view/11294/4988
2. Martins L, Lima S. Atendimento Pré-Hospitalar: inovações e desafios na prática profissional. Rev Enferm Atual [Internet]. 2023 mar 8 [citado 2024 jul 23];8(1):15-27. Disponível em: https://www.revistaenfermagematual.com.br/index.php/revista/article/view/641/624
3. Ministério da Saúde (BR). Manual Instrutivo da Rede de Atenção às Urgências e Emergências no Sistema Único de Saúde (SUS). Brasília: Ministério da Saúde; 2013 [citado 2024 jul 23]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_instrutivo_rede_atencao_urgencias.pdf
4. Leal LB, Santos FM. A importância da formação em Atendimento Pré-Hospitalar para profissionais de saúde. Rev Cient Estácio [Internet]. 2022 [citado 2024 jul 23];10(2):23-35. Disponível em: https://estacio.periodicoscientificos.com.br/index.php/mangaio/article/view/2652/2175
5. Freitas J, Almeida Cordeiro A, Diakson Gontijo Soares F, Bolívar Gonçalves G, Freitas Urzedo R. Análise do conhecimento dos Acadêmicos de Medicina do IMEPAC acerca do atendimento pré-hospitalar de urgência e emergência. Rev. Mas [Internet]. 31º de dezembro de 2022 [citado 29º de julho de 2024];7(14). Disponível em: https://revistamaster.emnuvens.com.br/RM/article/view/346
6. Bastos TDR, Silva MSAD, Azevedo CP, Bordallo LEADS, Soeiro ACV. Conhecimento de estudantes de medicina sobre suporte básico de vida no atendimento à parada cardiorrespiratória. Rev Bras Educ Med. 2020;44. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbem/a/J5GjXPx8gkkYbsZwCPKvCJF/#
7. Lima Prado Y, Primo Borges L, Sarah Luiza Santos Rocha, Júlia Carneiro Melo Silva, Alves de Lima MG, Tamires Santana de Jesus Santos, José Mário Delaiti de Melo, Isabella Ferreira Nascimento, Kelcione Pinheiro Lima Joter, Henrique Costa P. IMPORTÂNCIA DO SUPORTE BÁSICO DE VIDA NA PRIMEIRA RESPOSTA A EMERGÊNCIAS MÉDICAS . Braz. J. Implantol. Health Sci. [Internet]. 15º de abril de 2024 [citado 30º de julho de 2024];6(4):1534-42. Disponível em: https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/1922